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Especial Ys - Part I

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No incrível jargão dos RPGs japoneses, Ys pode se considerar uma joia rara. Esperando para ser lapidada e apreciada. Embora hoje em dia as barreiras da informação e dos meios de comunicação – vulgo Internet – sejam bem mais abrangentes do que era há alguns anos atrás, ainda assim a série é pouco conhecida e apreciada fora de seu país de origem.

Por mais que a X-Seed tenha feito um excelente trabalho, diga-se de passagem na localização e distribuição dos games (afinal, quem um dia iria imaginar ver Ys sendo vendido na Steam?), ainda assim, o interesse da “massa” ocidental pelo o mesmo é relativamente pequeno! O que torna a saga coisa de nicho, aonde apenas os mais puritanos e fãs do estilo acabam sendo atraídos por esse game “simples”, porém de extrema beleza e carisma aos olhos dos saudosistas. Um dos pontos mais fortes da série ao menos em minha opinião!

Os anos se passaram, os consoles evoluíram mas a saga ainda continua com aquele apelo retro, os pixels aos poucos foi dando lugar aos polígonos, enquanto o sistema de combate por colisão (algo extremamente simplificado, porém “diferente” para a época) cedeu lugar as batalhas frenéticas e a um Adol bem “berserker”, por assim dizer. Mas a trilha sonora e a essência que tanto consagrou a série permaneceram inauteradas! Arrebatando os corações de fãs até mesmo em seus títulos mais recentes.

► Matéria by Richer Belmont (ou SOMA como preferir) escrita originalmente em 07/02/2014.

Ys, assim como seu "primo" mais velho Dragon Quest é uma série de tradição e coincidentemente ou não, são as minhas séries favoritas de RPG de todos os tempo.

The Red Hair Sword Man:

O protagonista principal de Ys é Adol Christin – um exímio espadachim de cabelos vermelhos. Adol pode-se considerar o bom samaritano dos RPGs. Ele viaja pelo mundo descobrindo antigas civilizações, ajudando os moradores locais e envolvendo-se mesmo que indiretamente em praticamente todos os problemas que assolam a região. E é obvio que ele irá até o fim para fazer justiça com sua espada, salvar aquela pobre garotinha que aparentemente possuí uma queda pelo guerreiro e porque não salvar toda a humanidade? Para depois simplesmente ir embora sem ao menos pedir nem um tostão em troca.

Adol é o típico cara “azarado” que SEMPRE vai estar no lugar errado e na hora errada. (Ou seria no lugar certo e na hora certa? Vai saber!) Quase como se sua chegada já fosse premeditada, basta ele colocar os pés em alguma região e pronto!

Como em muitos RPGs tipicamente japonês, Adol Christin praticamente não fala uma única palavra durante o jogo todo. Ao menos não diretamente. Adol é praticamente um “messias” da lendária terra de Ys!

E lógico que não podemos falar de Adol sem mencionar seu fiel amigo: Dogi, o destruídor de paredes que o salva em uma dungeon no final de sua primeira aventura.

Aparentemente Dogi é apenas um personagem secundário nos dois primeiros games, mas sua importância vai ganhando foco em Ys III – quando ele guia Adol por sua cidade natal: Redmont, aonde lá adivinhem? Ambos acabam se envolvendo novamente com os problemas locais e mais uma longa e deliciosa aventura tem início.

Uma curiosidade interessante é que nas primeiras ilustrações, lá no começo da saga nos computadores da época, o concept inicial de Adol possuía cabelos tendendo para o marrom/castanho claro. Enquanto Dogi se chamava Colin na versão americana de Ys Book I & II lançada para o TG-16.

A Saga:

O nome Ys (pronuncia-se Is, ou Īsu – Segundo a Wikipédia) eu de fato não sei ao certo a pronuncia disso – Se refere à um continente, que há muito se elevou aos céus de Eresia a fim de selar um terrível mal.

Os primeiros dois jogos, originalmente lançados para o NEC PC-8801 em 1987, sob a direção de Masaya Hashimoto e Tomoyoshi Miyazaki – focam principalmente na estória desse continene, embora nos jogos subsequentes Adol ocasionalmente acaba indo explorar outras terras, mas quase sempre ligado direta ou indiretamente à essa lenda.

Eresia – aonde a maioria dos jogos da saga se passam, está analogamente ligado ao Velho Mundo, ou seja o continente europeu. É interessante notar que os games mais recentes se passam ao redor de um território aonde pertence atualmente a França.

Esteria do primeiro jogo – a julgar por sua localização, pode-se dizer que ela talvez seja a Île d’Yeu – mas os outros jogos se passam em vários lugares análogos a realidade.

Como por exemplo: Ys V que se passa em Afroca (África) e apresenta a cidade de Xandria (Alexandria).

Já em Ys VI Adol vai parar no “Great Vortex of Canaan” que é basicamente uma alusão ao triangulo das bermudas com uma pitadinha do mito de Atlântida.

Por toda a saga Adol persegue (ou acaba sendo perseguido) por um império maligno que é claramente uma alusão ao Império Romano. E o próprio nome Ys, é uma referência a mítica cidade Ville d’Ys – que embora não flutuasse ar, foi construída na costa da Bretanha e tragada pelo oceano.

Já em outras variações deste mesmo conto, Ys foi construída abaixo do nível do mar pelo rei da Cornualha, sob o pedido de sua filha Dahut, que era apaixonada pelo oceano.

Apesar de toda a saga se passar em várias regiões e apresentar elencos de personagens diferentes para cada aventura, todos os jogos são basicamente continuações direta ou indireta do anterior. Ao contrário de Final Fantasy por exemplo no qual cada game apresenta conceitos, enredos e plots totalmente diferentes de seu antecessor.

Em Ys tudo está conectado, por exemplo: Dogi que é um personagem secundário no primeiro jogo, mas em Ys III o personagem acaba ganhando maior destaque, tornando-se peça fundamental no enredo do mesmo, para depois lá em Ys Seven se tornar um personagem jogável juntamente com Adol.

Outro exemplo clássico está em Ys II, no qual Adol precisa coletar a “Celceta Flower” para preparar um elixir e curar Lilia de sua doença. Sendo que em Ys IV, Adol faz uma visita ao país de Celceta, aonde lá ele também retorna a Esteria e reencontra vários NPCs dos primeiros dois jogos.

Apesar de tudo estar conectado, não é necessariamente (embora aconselhável) jogar os games na ordem certa ou correr atrás dos títulos mais obscuros. Até porque alguns são bem difíceis de encontrar. Como por exemplo o próprio Ys IV: Mask of the Sun, que até agora não consegui encontrar o cartucho japonês do Super Famicom para a minha coleção!

Mas felizmente apesar das conexões diretas com os títulos anteriores, os jogos acabam funcionando de maneira individual em seu contexto.

O Jogo:

A princípio Ys se difere de praticamente qualquer outro RPG em seu sistema de batalhas, que perdurou durante alguns anos nos jogos subsequentes da saga.

Tudo se passava em tempo real na tela, com a diferença de que Adol não possuía um botão de ataque. Sim, isso mesmo! Ele matava seus inimigos simplesmente se chocando contra eles.

Ys I: Ancient Ys Vanished (PC-88)

Confesso que no meu primeiro contato com a série, lá na época do SNES, (se eu não me engano era um cartucho japonês do Ys IV) eu não entendi lhufas de como lutar e morri um sem fim de vezes no primeiro inimigo que topei. Eu sequer sabia como equipar a espada. Não preciso dizer que tirei o jogo do console e o encostei num canto até o dia de devolver na locadora.

Parecia ridículo, mas de fato há bem mais estratégia nesse sistema de combate que se possa imaginar a primeira vista.

Ys I (Sega Saturn)

Primeiro que você deveria acertar o inimigo em ângulo (o que podia ser algo extremamente difícil nas primeiras versões do jogo, visto que Adol só se movia em 4 direções), um ataque mal calculado ou um encontro frontal direto, poderia resultar em morte instantânea.

Segundo que a chave da vitória (ou do fracasso), dependiam justamente do quão evoluído você está em relação ao inimigo (attack, strength, armor, etc.). Uma dica que vale, não só para os primeiros jogos mas sim para paticamente a saga inteira é: SEMPRE evolua o máximo possível enquanto estiver em campo aberto. Apenas avance para a próxima área ou dungeon quando sentir que já está forte o suficiente para tal.

Ys I&II Chronicles Plus (Windows-PC)

A experiência ganha nas batalhas sempre será proporcional ao level de Adol, ou seja, quanto mais alto for, menos experiência irá ganhar.

Assim em que estiver em campo aberto o HP de Adol irá se regenerar gradativamente enquanto o mesmo estiver parado. Mas uma vez dentro de alguma dungeon, essa mamata acaba! A única maneira de se recuperar é sair e correr até a cidade mais próxima ou usar algum item de cura.

Sempre deixe algumas ervas equipadas quando for lutar contra chefes, pois você não poderá acessar o inventário durante a batalha. Sim, Ys era (e ainda é) páreo duríssimo!

E isso vale para a maioria dos jogos da série (principalmente os mais antigos), portanto, explicando um eu estou automaticamente explicando todo o resto, valendo ressaltar apenas uma ou outra diferença entre eles.

Aqui tudo é muito simples, mas é justamente isso que tanto consagrou a saga Ys no Japão. Esqueça The Legend of Zelda com seus puzzles complicadíssimos e labirintos enormes. Em Ys é tudo é relativamente linear, mas isso não o torna inferior ou aquém a outros jogos do gênero citados.

Os gráficos podem parecer simplíssimos e de fato são até hoje. Até mesmo nos jogos mais atuais, nota-se que Ys parece sempre estar uma ou duas geração abaixo do “padrão” da época. Mas as suas artworks, trilha sonora echaracter design são de extrema beleza e bom gosto.

A versão para o TurboGrafx-16, possuí uma introdução animada e impressionante para a época, apresentando os personagens no estilo anime, tudo bem trabalhado e desenhado. Outra característica que por muito foi marca registrada da saga é que todo o jogo se passa em uma bela moldura decorada, que apesar de apresentar uma visual mais interessante e artístico ao jogo, o campo de visão foi um tanto quanto afetado.

Uma das características do PC Engine eram as famosas cutscenes (precursoras das atuais CGs) animadas. Como mostra essa cena de Ys IV

O pontapé inicial de Ys, se deu nos computadores japoneses PC-88, entretanto com o passar dos anos o jogo foi portado e refeito para as mais diversas plataformas. Como já foi dito anteriormente, a maioria dos jogos compartilham do mesmo conceito e mecânica, variando obviamente o enredo e o elenco de personagens.

Em Ys II foi implementado um sistema de magias, no qual Adol é capaz de utilizar ao equipar os cajados que o mesmo irá receber no decorrer de sua aventura. Tal sistema é essencial nas lutas contra chefes. Mas a nata do sistema de combates prevalece.

Em Ys III: Wonderers from Ys – a perspectiva do jogo mudou para uma visão típica dos games de ação side-scrolling, ao invés da clássica visão de águia, presente na maioria dos RPGs. Enquanto que nos jogos subsequentes, o mesmo voltou a ter uma visão aérea (graças à Deus).

Ys III: Wonderers from Ys (PC-88)

Ys V mudou drasticamente a formula do jogo, ok, não tão drasticamente assim! Adol apenas ganhou um botão de ataque – finalmente – e também o mesmo agora era capaz de pular.

Ys VI introduziu a saga ao universo 3D, assim como em Ys Seven, Adol perdeu o status de “lobo solitário”, sendo possível controlar uma party de até 3 personagens. Mas não se preocupem que a essência dos jogos anteriores permaneceram inauteradas. Fazendo de Ys, uma das séries mais conservadoras juntamente com Dragon Quest (que um dia também abordaremos aqui!)

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Ys VI: The Ark of Napishtim (PC/PS2/PSP)

Temos também o Ys Origin que se passa 700 anos antes do primeiro jogo. Obviamente que Adol não é o protagonista principal e ironicamente é um dos episódios mais “fracos” da serie, sendo basicamente um Dungeon Crawler. Falaremos em um especial dele mais adiante. Assim como Ys: Memories of Celceta (um remake/reboot de Ys IV).

Nota do Autor:

Na época em que escrevi essa matéria lá em 2014, Ys VIII: Lacrimosa of Dana e Ys IX: Monstrum Nox obviamente ainda não existiam, mas estarei incluindo eles nesse especial, assim que possivel!

É obvio que eu não vou comentar detalhadamente sobre cada jogo lançando, até porque são muitos, fora os remakes e ports (que irei mencionar bem superficialmente e os mais importantes). Mas irei fazer um breve resumo e apontar suas principais características e diferenças dos demais. Até porque tudo o que eu tinha de falar a respeito da saga já foi dito nestepost inicial!

Eu já possuo praticamente a segunda metade pronta, digitada em meu computador (ou possuía, vai saber. Já tem bastante tempo que escrevi isso), mas vou optar em ir liberando aos poucos (dependendo da repercussão), para a leitura não se tornar muito cansativa ou demasiadamente longa!

Ys I & II Chronicles

Platform: PC
47 Players
6 Check-ins

21
  • Micro picture
    artigos · 8 months ago · 2 pontos

    Parabéns! Seu artigo virou destaque!

  • Micro picture
    _gustavo · 8 months ago · 2 pontos

    Adoro YS, tenho o 100% de todos eles na Steam, pena que a Falcom nunca quis tocar no V por algum motivo que desconhecemos kkkk, sempre que eles anunciam estar trabalhando em um novo jogo da série fica aquela esperança de ser um remake do V

    1 reply
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