2022-02-05 14:40:07 -0200 2022-02-05 14:40:07 -0200
rafaelurameshi Rafael Machado Alves

Impressão Minha — The Last of Us

Imersão. Pode ser uma característica presente em um jogo, dependendo de sua proposta. Seu objetivo é atrair o jogador para o mundo ou história criados, fazendo-o participar do desenrolar de uma trama, da solução de um mistério, de uma jornada rumo a um objetivo.

Eu sempre fui apaixonado por histórias, principalmente as que continham mundos fantásticos ou ficcionais. Por causa disso eu sempre consumi muito desenhos animados, filmes, livros e histórias em quadrinhos. Seus personagens sempre me fizeram querer estar naqueles papéis, e foram os videogames que me proporcionaram a realização deste sonho.

E, por causa disso tudo, eu queria muito falar sobre um jogo que tem a imersão como um dos seus pilares, e que é um dos melhores de todos os tempos na minha opinião: The Last of Us.

No ano de 2013 eu não tinha um Playstation 3 e não era por falta de vontade. Videogames sempre foram um hobbie caro, e nem todos podem dar-se ao luxo de possuir mais de um deles ao mesmo tempo. Eu estava feliz com meu Nintendo Wii, que possui a maioria dos seus incríveis jogos focados em jogabilidade e mecânicas, mas estava sempre de olho nas notícias oriundas do console da Sony, cujos jogos me atraíam bastante justamente pelo fator imersão já citado.

Eis que The Last of Us foi lançado naquele ano pela Nauthy Dog, empresa First Party da Sony, que já era conhecida por sucessos como Crash Bandicoot, Jak and Daxter e Uncharted. E eu, finalmente, consegui meu Playstation 3 naquele mesmo ano. E juntamente com ele, peguei emprestado com um amigo o The Last of Us.

E o jogo era tudo aquilo que eu esperava. E mais.

Quando começamos, conhecemos Joel e sua filha Sarah, e também presenciamos o início da pandemia causada pelo fungo Cordyceps. A partir deste prólogo, o jogo dá um salto temporal: os anos vão passando, o mundo vai se tornando pós-apocalíptico, e Joel passa a exercer a função de contrabandista neste cenário onde os sobreviventes passam a habitar zonas de quarentena, onde a força policial exercia o autoritarismo, ou em agrupamentos nômades.

Existe ainda um grupo miliciano rebelde denominado Vagalumes, que se opõe diretamente às autoridades militares. Joel, juntamente da sua amiga Tess, conhecem então a menina Ellie através de Marlene, líder dos Vagalumes. Eles aceitam a missão de levar Ellie em segurança até Boston, base dos Vagalumes, em troca de provisões, armas, e demais itens fundamentais para a sobrevivência deles.

Sobre o Cordyceps, a infecção pode ocorrer através dos esporos que ficam pairando no ar em áreas contagiadas, ou através da mordida de um infectado. O fungo domina a mente do hospedeiro e vai evoluindo dentro dele até chegar no seu estágio final, criando modificações em seu corpo durante este processo.

A infecção possui diferentes estágios: no primeiro deles, o hospedeiro perde a razão e é tomado por uma raiva que o faz correr sempre que avista alguém que possa ser atacado. Eles são conhecidos como Corredores e sempre agem com extrema violência.

No segundo estágio, o fungo já se proliferou pelo corpo do hospedeiro e domina totalmente sua mente. Ele começa então a crescer para fora do corpo através de orifícios como olhos, narinas e ouvidos, deixando a cabeça com um aspecto horrendo. Por causa disso, o hospedeiro perde a visão e passa a se guiar apenas pelo som. Desta forma, ele precisa emitir estalos com sua boca para que o som possa reverberar, possibilitando assim a localização de seus alvos. Neste estágio, eles são chamados de Estaladores por causa deste som emitido.

Por fim, no estágio final, a infecção cresceu tanto que o hospedeiro se tornou uma grande massa de fungos, que fica soltando esporos para que o fungo possa recomeçar seu ciclo de vida, infectando novos hospedeiros.

O jogador precisa lidar tanto com infectados como humanos que aparecem em seu caminho e tentam matá-lo por algum motivo: desde roubo até a proteção do seu território. Estes humanos são outros sobreviventes que habitam lugares fora das áreas de quarentena e utilizam a violência como meio de subsistência. Para isso, Joel conta com uma audição muito bem treinada que o possibilita saber com precisão onde estão seus alvos, mesmo fora do seu campo de visão. Assim é possível eliminar numerosos grupos de inimigos sorrateiramente em modo stealth, derrubando-os antes que eles o vejam.

Caso a situação fuja do controle, Joel também pode utilizar diversas armas que vai encontrando ao longo do jogo como pistolas, rifles e escopetas. Contudo, cada tiro deve ser disparado com muita sabedoria pois as munições são escassas, e o barulho alto pode atrair mais inimigos ou denunciar sua posição. Se for preciso, Joel também pode usar os seus punhos ou pedaços de madeira, canos e tacos de baseball para lutar em modo corpo a corpo. Caso esteja próximo de mesas ou janelas, Joel pode interagir com elas arremessando o inimigo de encontro a vidraças ou batendo com sua cabeça em superfícies duras. As armas corpo a corpo têm duração limitada e podem ser aprimoradas ao utilizar uma tesoura e fita adesiva, que causa um aumento de dano temporário também.

Ao explorar o cenário o jogador vai encontrar diversos itens como pedaços de pano, álcool e tesouras, que podem ser utilizados para várias possibilidades na criação de itens. Assim, caberá ao jogador decidir se naquele momento é melhor construir um kit de primeiros socorros para curar a vida de Joel, ou criar uma bomba de pregos que pode causar dano em mais de um inimigo ao mesmo tempo. As tesouras têm um papel fundamental pois são utilizadas na fabricação de muitos itens diferentes e são a única forma de se livrar de um estalador que porventura tenha agarrado Joel. Elas ainda podem ser utilizadas para arrombar portas que contém itens preciosos para o progresso da aventura. Contudo, após cada um desses usos, a tesoura é perdida.

Podemos seguramente dizer que tudo isto é um pano de fundo para contar a história dos personagens, principalmente Joel e Ellie, que vão aprendendo muito um sobre o outro conforme a trama progride, e vão aprendendo sobre si mesmos também. Eu tive a oportunidade de recentemente jogar novamente a versão remasterizada do jogo lançada para o Playstation 4, e me emocionei com ele da mesma forma quando joguei em 2013. Isto se deve ao trabalho brilhante da Naughty Dog com seus níveis elevadíssimos de computação gráfica, às atuações fenomenais de Troy Baker como Joel, Ashley Jhonson como Ellie e Nolan North como David (ele que já viveu Nathan Drake, protagonista da série Ucharted), e à direção impecável dos diretores Bruce Straley e Neil Druckmann.

The Last of Us é um dos jogos que eleva o nível do conceito de videogames, e prova que eles são obras de arte. Não foi à toa o jogo ter sido tão premiado e ter colocado o seu nome da história dos videogames. Dito isto, não posso deixar de recomendar que todos joguem. Aliás, joguem não: The Last of Us precisa ser vivenciado.

The Last of Us Remastered

Platform: Playstation 4
4235 Players
770 Check-ins

1
  • Micro picture
    duardoplayer · 5 months ago · 1 ponto

    Se fosse pra falar da gameplay em si, diria que não é nada de muito diferente de outros jogos do mesmo estilo, a inteligência artificial também é meio burra, mas a historia, pqp, que historia mais bem contada e bem construída que te faz chorar se apaixonar pelos persongens, recomendo demais, é uma experiência incrível.

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