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rafaelurameshi Rafael Machado Alves

Impressão Minha — Super Mario Sunshine

Lançado em meados de 2002 para o Nintendo GameCube, Super Mario Sunshine chegou com uma tarefa nada fácil: ser o sucessor de Super Mario 64. Isto porque o jogo anterior do encanador para o Nintendo 64, lançado em 1996, foi revolucionário em muitos sentidos e todos os fãs estavam extremamente curiosos e ansiosos para controlar novamente o personagem no Reino dos Cogumelos em 3D. Eu, particularmente, tenho um amor gigantesco pelo Super Mario 64, que foi o meu primeiro Super Mario. Mas isto fica para um outro texto.

O jogo começa com Mario e a Princesa Peach viajando de férias para a paradisíaca Ilha Delfino, lar de seres chamados Pianta e de outros chamados Noki. Contudo, estando próximos de chegar ao seu destino, recebem a notícia de que alguém estava cometendo vandalismos na ilha. E para surpresa deles, esta pessoa se parecia muito com o Mario! Quem estava por trás disso era Bowser Jr., que criou uma cópia do encanador com seu pincel mágico dando vida assim ao Shadow Mario com o objetivo de atrair o verdadeiro para uma armadilha, possibilitando assim que a Princesa Peach fosse raptada. Sua motivação é proveniente de uma conversa com seu pai, onde lhe foi revelado que a princesa era sua mãe. Coincidentemente, Bowser e Junior também estavam de férias na Ilha Delfino.

Para poder limpar o seu nome juntamente da sujeira deixada pela ilha, Mario utiliza um equipamento chamado F.L.U.D.D. (Flash Liquidizer Ultra Dousing Device), que se apresenta como a mecânica principal do jogo. O equipamento fica nas costas de Mario e precisa de água para seu funcionamento, acionado através de duas alavancas ao alcance de suas mãos na altura da cintura. Através dele o jogador pode disparar jatos d’água nos inimigos e locais específicos que precisam ser limpos, ou pode planar por alguns segundos quando os canhões de água estão apontados para o chão.

O F.L.U.D.D. possui ainda inteligência artificial e conversa com Mario durante a aventura, dando instruções ou informações pontuais que podem ajudar os jogadores. Juntos eles precisam explorar a Ilha Delfino coletar os Shines: sóis brilhantes que são utilizados para manter a paz e a harmonia no local.

Ainda sobre a jogabilidade, temos o Mario mais rápido de toda a franquia. Super Smash Bros Melee, lançado em 2001 para o GameCube, tem a movimentação mais rápida de sua franquia também, e isto parece ser uma tendência daquela época. Os movimentos herdados do Super Mario 64 continuam aqui, como o pulo lateral e o pulo na parede, além da sentada (ground pound). Contudo, o salto mortal para trás quando o Mario está agachado e os socos, chutes e outros golpes foram retirados desta versão.

Minha maior crítica à jogabilidade é em relação ao encanador dentro da água. Enquanto em Mario 64 a jogabilidade se apresenta de forma extremamente satisfatória e precisa neste sentido, aqui temos um Mario lento e totalmente diferente do que é fora da água. Além disso o F.L.U.D.D., que se alimenta de água, não é usado para o deslocamento de forma eficiente neste ambiente, o que para mim é uma contradição. É impossível olhar para o equipamento e não imaginar o Mario sendo impulsionado dentro da água por ele. É preciso ressaltar que uma área específica do jogo tenta usar esta ideia, mas ainda assim consegue ser frustrante.

O carismático Yoshi também está presente na aventura para ajudar seu amigo e traz uma mecânica única neste jogo. Para habilitá-lo, o jogador precisa levar uma fruta específica até o ovo do Yoshi, que eclodirá ao receber a iguaria. Quando Mario está em cima dele, Yoshi pode usar sua língua para engolir inimigos e outras frutas, que também abastecem o suco em sua barriga que pode ser disparado para derrubar barreiras específicas ou fazer plataformas surgirem ao atingir alguns inimigos. Só tome cuidado para não cair na água pois Yoshi se dissolverá imediatamente.

A Ilha funciona como Hub (uma área de ligação) através da Praça Delfino (Delfino Plaza) para que o jogador acesse as fases, mas também possui Shines a serem coletados. Cada uma das sete áreas é dividida em oito capítulos, que vão sendo liberados conforme o jogador vai progredindo, e cada um contém um Shine. Além disso, possuem dois Shines secretos e um terceiro que é obtido quando coletadas 100 moedas. Sendo assim, cada uma das áreas possui um total de 11 Shines e o jogo inteiro, 120.

Além disso, o jogo ainda apresenta as moedas azuis que são usadas para comprar Shines na Praça Delfino. Cada uma das áreas possui 30 moedas desse tipo e cada Shine custa 10 delas. A Praça Delfino também dispõe moedas azuis ao jogador. É importante ressaltar que algumas destas moedas são bastante trabalhosas de se conseguir e me passaram a impressão de ter sido colocadas no jogo para aumentar a sua vida, em razão da sua grande quantidade ao longo da aventura.

É redundante falar que o jogo é lindo, pois a Nintendo sempre capricha em suas criações. E Mario é sinônimo de Nintendo, então não poderia ser diferente. Andar pela Ilha e suas fases é extremamente gratificante e convidativo, e seu cenário paradisíaco chega a ser refrescante aos olhos.

As batalhas contra chefes não são tão criativas como em outros jogos e me fizeram sentir meio decepcionado. O carismático vilão da história, Bowser Jr., perde sua chance de brilhar aqui pois é possível até se esquecer dele ao longo do jogo. Isto porque suas aparições são muito tímidas e quase não acontecem ao longo da aventura. Foram perdidas boas chances de termos combates divertidos, onde ele poderia usar seu pincel mágico contra o Mario, infelizmente. A batalha final também peca por não ser épica como o esperado nos jogos da franquia.

Até o ano de 2020 o jogo estava preso no Nintendo GameCube pois nunca havia recebido uma outra versão. Porém isto mudou quando passou a compor a coletânea Super Mario 3D All-Star ao lado de Super Mario 64 e Super Mario Galaxy, para o Nintendo Switch. Em uma decisão controversa da Nintendo, porém, esta coletânea só esteve disponível para compra entre 18 de setembro de 2020 a 31 de março de 2021. Os jogos receberam uma sensível melhoria gráfica, sendo adaptados aos padrões dos televisores atuais, tornando-se assim as melhores versões de seus jogos originais.

Embora tenha sido um sucesso de vendas dentro da biblioteca do GameCube, Mario Sunshine acabou não atendendo plenamente os anseios dos fãs pois não foi exatamente o upgrade de Super Mario 64 que todos esperavam. Ainda assim é um ótimo jogo com uma jogabilidade muito boa (se você estiver jogando a versão de Switch, use o maravilhoso Pro Controller), com gráficos lindos, com o carisma de sempre, e que buscou inovação para a franquia de jogos do Mario.

Super Mario Sunshine

Platform: Gamecube
2380 Players
110 Check-ins

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