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Os casos estranhos dos animes modernos #5

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Bom dia, boa tarde, boa noite, caros alvanistianos, eis que chegamos com mais um dos casos estranhos dos cartoons nipônicos modernos! Para quem não conhece, o título é auto-explicativo, já que nesses posts trago problemas recorrentes nos desenhos japas da atualidade, além de dar uma explicação bem simples pra cada um deles. Para quem estiver interessado nas outras partes, seguem os links:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Mas enfim, chega de enrolação e vamos ao que interessa!

10 - Self insert here

OK, protagonistas bunda mole em desenhos japoneses sempre existiram e acho difícil sumirem um dia (assim como ricos malvadões que vivem no Leblon nas novelas da Globo), porém recentemente, juntamente com a modinha estúpida dos isekais de videogame, começaram a se popularizar um certo tipo de personagem principal: um cara sem personalidade, com design preguiçoso, mas que é extremamente poderoso e que atrai todo e qualquer rabo de saia do show. O exemplo mais comum é o lamentável Kirito de Sword Art Online, mas também temos Tatsuya Shiba de Mahouka e por aí vai, com essas coisas indo parar até nos jogos japas, como o Rean Schwarzer de Trails in the Cold Steel...

Bem, como o mercado de animes (e consequentemente o de jogos, já que estão intimamente ligados) está dominado por otakus (sejam nos meios de produção ou no público-alvo), esse tipo de personagem torna-se um appeal muito importante para os espectadores, já que eles podem se imaginar na pele do dito cujo e se sentirem fodões repletos de cocotas cheias de amor pra dar(mesmo que não possuam nenhum tipo de atrativo).

O maior problema disso tudo é que, assim como um bom protagonista consegue salvar uma história ruim, um protagonista ruim pode levar pro buraco uma história minimamente interessante, o que acaba levando as narrativas das quais esses "self insert males" participam ainda piores do que já são, ao contrário dos famosos underdogs (que são aqueles personagens que começam uns bostas e vão melhorando, como no caso do Naruto e derivados) e os já comentados beta males, que devido a sua natureza menos limitada, ainda podem ter algum tipo de diiferencial, apesar dos pesares...

11 - Imediatismo exacerbado

Hunter x Hunter, um dos trabalhos mais famosos do Yoshiro Togashi, ganhou uma versão animada no final da década de 90, mas como esta não abordou toda a história do material original (no caso, o mangá), trataram de fazer uma nova animação, em 2011, desta vez com o ritmo mais acelerado, tratando o primeiro arco da história (o exame Hunter) com bem menos episódios que a versão anterior...

Contudo, por mais que isso possa parecer uma coisa boa na teoria, na prática o buraco é bem mais embaixo, já que devido à pressa do estúdio de chegar logo nos arcos mais populares da obra (em especial o Quimera Ants) acabaram rushando algumas partes da trama, em especial o encontro de Gon, o protagonista, com um certo viajante chamado Kaito no começo da história, que lhe motiva a seguir sua aventura... E qual o problema disso? É que esse personagem retorna com um papel imprescindível em um arco posterior (o já mencionado Quimera Ants) e como a nova adaptação não mostra sua introdução lá atrás os eventos que o envolvem não ganham a importância alguma, chegando a ponto de sequer fazerem muito sentido!

Porém o caso de Hunter x Hunter não é o único. Várias animações modernas sofrem do mesmo problema, de acelerar os eventos a ponto de deixá-los desimportantes, muito devido àquele lance de "ser 100% fiel ao mangá", sendo que o ritmo da leitura de uma história em quadrinhos vai ser OBVIAMENTE mais rápido do que o de um episódio de 20 minutos, portanto é mais do que necessário adaptar o pacing dos acontecimentos, algo que dificilmente acontece. A versão atual de Fly O Pequeno Guerreiro é um ótimo exemplo, tal como Sailor Moon Crystal e o já bengalado Demon Slayer (onde o protagonista tira técnicas do meio do cu de uma hora pra outra, sem ao menos a trama mostrar como e por que o dito cujo aprendeu aquilo). Até mesmo Fullmetal Alchemist Brotherhood (que é um bom anime) sofre com isso em certa parte!

Esse imediatismo que as animações japas modernas tendem a ter (o que coincidentemente acontece com seriados americanos também, como em 24 horas: o legado) acabam sendo do agrado de muita gente, que se traumatizaram após toneladas e toneladas de episódios fillers horríveis dos Naruto e Bleach da vida e, isso somado ao pouco tempo livre que a vida moderna disponibiliza para muitos, acaba fazendo com que até defendam esse tipo de prática.

Porém, assim como um prato feito com esmero por um bom cozinheiro (tendo demorado o tempo necessário para ser feito e consumido) é infinitamente superior do que algum enlatado ou salgado de buteco de consumo rápido, uma obra que disponha do tempo correto e necessário para construir sua trama e seus personagens (dando a estes a devida importância) é deveras melhor do que um anime de pacing acelerado, que chega rápido nos momentos decisivos, mas que quando esses surgem na tela o impacto que deveriam ter é tão ínfimo quanto a sua curta duração.

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Bem, por hoje é só! Desculpem o atraso nos posts dessa semana e, até a próxima!

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    santz · 10 months ago · 3 pontos

    Desculpe, mas o ritmo acelerados dos animes atuais é maravilhoso. Um dos motivos que passei a assistir mais animes do que seriados é justamente a questão da história andar muito mais rápido. E é justamente uma das coisas que me desanimam de curtir um anime antigo. É muito lento, muito mesmo. Ainda que a obra possa ser boa, eu não tenho mais esse tempo sobrando para ficar vendo esses trecos longos demais.

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    tiagotrigger · 10 months ago · 2 pontos

    Dois pontos bons. Esse do imediatismo é triste demais, se usarem o mangá como um storyboard de fato seria excelente, ai só faltaria trazer a movimentação, jogo de câmera, música e efeitos sonoros que no mangá não tem. Mas, por algum motivo eles ainda resolvem tirar coisas que acontecem no mangá sem necessidade. Acho que seria melhor terminar o episódio em uma parte mais calma do que forçar a terminar num cliffhanger.

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    noyluiz · 10 months ago · 2 pontos

    Acho que o protagonista "self insert" é mal necessário pra agradar o publico Jovem-Adulto (isso também não é mau do Japão em si, olha a saga Crepúsculo como bom exemplo aqui do ocidente)

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    thecriticgames · 10 months ago · 2 pontos

    Arco, ja abordou por aqui animes do Estúdio Ghibli? To assistindo eles aos poucos de tempos pra ca por causa da Netflix.

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    vinicios_santana · 10 months ago · 2 pontos

    Concordo que o kirito é um saco sem carisma, mas discordo quanto ao visual dele, a roupa em si é bem estilosa, só não combina mesmo com o molequinho que a veste.
    Quanto ao tempo dos animes, creio que o ideal seria um meio termo, 2 episódios subindo escada no CDZ e outros 2 de luta é realmente chato, mas uma batalha acabar em 2 golpes é bem quebra de clímax, o que acontece muito nas novas adaptações, não só de CDZ.

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