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mateusmaster Mateus Antonio da Silva

Jogo finalizado #277 – Ghost of Tsushima (PS4)

#4º em 2021

Quais são os limites da honra? É válido usar de artimanhas para derrotar forças oponentes a fim de defender seu povo? Qual o preço dessas ações? Ghost of Tsushima levanta essas e muitos outros questionamentos que permeavam a sociedade japonesa durante aquele período. Retrata de maneira fidedigna a ilha de Tsushima, respeitando os valores e costumes tradicionais do povo japonês. O último game da americana Sucker Punch impressiona em diversos aspectos e traz um jogo lindo seja em questões visuais, sonoras e temáticas.


Antes de me adentrar no universo deste game eu me coloquei na obrigação de conhecer bem este período e cultura. Por isso, estudei alguns artigos e assisti à mais de 20 filmes com temática Samurai. Vi a todos os filmes desse estilo do renomado diretor Akira Kurosawa, além de outros filmes famosos do gênero. Foi muito produtivo fazer esta preparação antes de jogar o game: pude entender de forma mais apropriada toda as temáticas envolvendo a honra dos Samurai que o jogo apresenta, além de outros subtextos e tradições. Na minha maratona de filmes, eu pude conhecer muito da cultura japonesa, suas tradições antigas, misticismos e afins, além de conhecer muito de sua história - que eu pouco conhecia. Vibrei com um grupo de samurai ajudando camponeses a proteger seu vilarejo de bandidos. Acompanhei atentamente um guarda costas a se infiltrar em duas gangues rivais de um vilarejo a fim de ajudar o povo que lá morava. Com aflição vi uma história em que um velho guerreiro finge ter o intuito de cometer o harakiri para acabar com um clã inteiro praticamente. Acompanhei um ambicioso samurai se tornar um regicida e sucumbir às próprias loucuras. Aiai, como me apeguei ao Toshiro Mifune e Tarsuya Nakadai kkkk

Enfim, sobre Ghost of Tsushima em si: Obra maravilhosa dos videogames. Tudo no game é vistoso aos olhos. As belas paisagens, os gráficos, as partículas (e quantas!), a trilha sonora, a vegetação, os ventos, as nuvens... aiai que jogo lindo. O modo foto caiu bem demais aqui... Nunca tirei tanta screenshot quanto como nesse game. As paisagens são variadas, contando com florestas, campos floridos, montanhas, áreas cobertas de neve, e as mais diversas colorações de árvores e belas cerejeiras – tem áreas inteiras vermelhas, amarelas, brancas... uma lindeza! O jogo inova em questões de HUD e imersão com o sistema que guia o jogador através do movimento dos ventos. À princípio eu não havia gostado do sistema, pensava que era um incômodo ficar passando o dedo pelo touchpad do controle, porém logo acostumei com o sistema ainda mais quando percebi que mesmo após minutos que fiz o comando para ver a direção do vento as partículas do game (folhas, poros, flores, etc) continuavam “assoprando” pra direção correta... daí clickou e amei o sistema kkk Sem falar a completa ausência do HUD durante a exploração, somente aparecendo nos momentos de luta – algo que a Ubisoft deveria urgentemente aprender e implementar em seus Assassin’s Creed da vida...

Esse jogo segue a escola Breath of the Wild de ser, e tem grande foco na exploração e contemplação; fiquei surpreso de ver o quanto o mapa foi preenchido por pontos de interesse realmente distintos um do outro e divertidos. No mapa era legal encontrar um pássaro amarelo e ir atrás dele para encontrar um desses pontos, assim como as raposas que nos levam a santuários. Pelas três regiões de Tsushima encontramos diversos desses santuários para honrar e ganhar vantagens; vários pontos calmos para sentar, se acalmar e escrever poemas para ganhar bandanas; inimigos no meio da estrada para derrotar, seja carreata passando, grupos fazendo reféns ou só de guarda mesmo; cortar bambus em um minigame de memória para ganhar pontos de foco; torres para atear fogo (no maior estilo dos pontos de sincronização de AC – mas sem o salto da fé, infelizmente); arenas belíssimas onde temos que duelar com algum ronin; pilares que devemos honrar e ganhar uma skin para as lâminas; as fontes temais em que só temos que ficar peladões e relaxar com um pensamento reflexivo; e o melhor de todos: os santuários xintoístas, em que temos que seguir os clássicos arcos japoneses (kyudos) para encontrar um templo distante somente acessível por meio de algum caminho desafiador, seja escalando uma grande montanha, atravessando um pântano embaçado, pulando em perigosos penhascos e coisas do tipo.. adorei esses trechos do game, me lembraram de leve as câmaras que tinham no meu jogo preferido da vida: Assassin’s Creed II. Enfim, deu para ver que existem MUITOS pontos de interesse que proporcionam momentos desafiadores e divertidos para ir completando enquanto vamos de uma missão para outra – ou melhor, de um conto para outro.

Ahhh os contos... Basicamente temos três tipos: os contos de Jin, que são basicamente a história principal do game, os contos de Tsushima, onde temos as side quests comuns e as “premiums”, em que seguimos a linha de alguns personagens-chave da história, e os contos míticos, que sempre começam com uma narração ilustrada por uma charmosa animação que emula nanquim. A história principal de Ghost of Tsushima é consistente, respeita o período demonstrado, tem personagens bem construídos e legais de se acompanhar, porém é uma trama que não traz grandes reviravoltas ou marca de forma profunda o jogador. É o clássico feijão com arroz, mas que feijão com arroz gostoso! Eu gostei da história, fez total sentido para mim todo esse drama entre o protagonista e se tio, o lorde mais importante da ilha. O jogo trata de dois temas: a invasão mongol no Japão e o dilema das ações de Jin Sakai, que passar a usar de táticas ninja para derrotar o inimigo. Fato que provoca a indignação do Tio de Jin, Lorde Shimura (que cuidou dele como filho após a morte de todos os membros do clã Sakai), por ser rígido e regrado no código de honra dos samurais (combate frente a frente, morte honrosa, etc). Durante a trama Jin tem que confrontar seus valores a fim de salvar o povo da ilha de Tsushima, ao mesmo tempo que renuncia o laço que tinha com seu tio...

Nas side quests, gostei bastante de ajudar personagens legais como a senhora Masako, o sensei ishikawa, o monge Norio, o bebum Kenji e claro, a companheira de Jin: Yuna. Cada um tem sua própria linha de missões que se prolongam durante todo o jogo, seja ajudar a libertar o irmão capturado pelos mongóis, seja ajudando a encontrar a aprendiz que virou as casacas, ou se vingar a morte de entes queridos. E os contos míticos são um show à parte, um mais épico que o outro, envolvendo mapas para encontrar locais sagrados, oponentes que beiram o misticismo e duelo que enchem os olhos pela ambientação – algo que às vezes lembra o filme chinês Hero.

A jogabilidade é competente e o combate bem acima da média de games mundo aberto. Temos quatro posturas, uma específica para cada tipo de inimigo (espadachins, lanceiros, brutamontes e escudeiros), além de irmos desbloqueando novos movimentos constantemente com a árvore de habilidades. Ahhhhh como queria um combate sólido como esse em AC... A movimentação geral, cavalgar, nadar, se esconder, movimentos furtivos e escalada todos são competentes e lembram mesmo um AC da era americana (III, IV e Rogue), porém com muito mais refino. Só tem um porém: esse jogo fica fácil rapidinho kkk tive que trocar para o modo Hard no final do primeiro terço da trama, porque Jin fica over power demais heheh E uau tem uma quinta postura que desbloqueia mais para o final do segundo terço que nossa, brutal demais, sensacional o filtro que colocam na tela e todo o impacto que isso proporciona. A primeira vez que isso aconteceu eu realmente fiquei pasmo, arrepiou cada centímetro do corpo nessa missão, onde Jin realmente aceita o fantasma para si.

Jogaço em todos os aspectos, realmente é um dos melhores games do ano de 2020, creio que muita gente jogou esse game sem ter a bagagem de conhecer a cultura dos Samurai, ou sua representação no audiovisual, e não pegou certas nuances que a história apresenta. Também teve o fator The Last of Us Part. II, que saiu um mês antes desse game, o que realmente impactou as pessoas por saírem de uma obra prima e irem jogar um game que é excelente, mas não como a pérola da Naughty Dog. Levei 72 horas para jogar de cabo a rabo, joguei com TODA calma do mundo – levei mais de dois meses – e aproveitei ao máximo TUDO que esse jogo poderia oferecer, ou quase isso, porque agora partiu modo lendas! Ah... e a platina vem! Só faltam três ou quatro troféus bobinhos).

Melhor game de Samurai EVER!

4,5/5 estrelas

R.I.P Nobu </3

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