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Fragile Dreams: Farewell Ruins of the Moon

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Um dos principais motivos que pelo o qual sempre preferi os jogos do gênero RPG, se deve principalmente por sua forma de se contar uma boa história. Mesmo quando eu mal entendia sequer uma ou duas palavras de inglês, o modo com o que esse gênero mexia com a minha imaginação e incitava a exploração de um mundo mágico e imaginário, faziam com que eu realmente se sentisse como parte daquela aventura!

Quantas vezes eu me lembro da época que ainda era um pre adolescente, por volta dos meus 10, 11 anos de idade e tinha que acordar cedo para ir à escola - algo extremamente comum na vida de qualquer pessoa, mas esse simples ato, fazia com que assim que meus pés tocassem o chão fria - talvez até ainda meio que embriagado pelo sono, despertasse em mim um sentimento de que talvez naquele dia, estaria para viver a maior aventura de minha vida, assim como eu via nos jogos que eu jogava. – É, naquela época eu sonhava com isso, só naquela época. Hoje não!

Mas fantasia é fantasia e realidade é realidade! Voltando o escopo do texto, Fragile Dreams: Farewall Ruins of the Moon de certa forma trouxe um pouquinho de volta esse sentimento, de que uma pessoa normal como qualquer outra, aqui no caso um garoto de apenas 15 anos, se vê completamente sozinho em um mundo - uma Tóquio pós apocalíptica! Sem saber ao certo o que aconteceu ou sequer se existem outras pessoas em meio a esse cenário de desolação.

Embora clichê o conceito do “monomito”,  aqui foi muito bem aplicado, pois realmente há algo de muito solitário e desolador em Fragile Dreams, sendo o enredo praticamente a única coisa que te motiva a continuar jogando.

Alone in the Dark

Fragile Dreams é basicamente um jogo de exploração, com um grande foco na narrativa e storyline. Fica um tanto quanto obvio as inspirações em outros gêneros, como os antigos survivor horror, por exemplo, embora em uma escala muito, muito pequena. A luz da lanterna acaba sendo um dos pontos chaves da jogabilidade. Aliás, a própria luz aqui, possuí um significado que vai um pouco além de simplesmente iluminar o caminho.

Servindo base tanto para a revelação de dicas, quanto inimigos que tendem a ficar “paralisados”, quando focados por sua lanterna.

Você não vai levar sustos nem ter que resolver puzzles complicados para progredir, mas o próprio cenário desolado e sua busca por sobreviventes, enquanto também tenta se manter vivo nesse mundo apocalíptico, faz com que o jogador realmente se sinta parte desse universo, amarrado por uma história emocionante e com uma direção de arte lindíssima!

Fato esse que só aumenta quando encontramos alguns objetos espalhados pelo cenário, que carregam consigo as memórias de seus antigos portadores. São coisas banais, como sapatos velhos, origamis, xicara de café, balões estourados e etc.

Mas quando levados até uma fogueira podem ser sentidas e conhecidas pelo personagem, acrescentando e muito na história do jogo. Já que são histórias comuns da vida cotidiana das pessoas que viviam nesse mundo. Porém todas elas trazem uma carga emocional altíssima, fazendo com que você realmente sinta uma empatia enorme para com aquela pessoa ou família.

Os objetos contem as memorias de seus antigos donos.

Porém o que é um dos maiores trunfos do jogo acaba sendo também um dos seus piores defeitos. A história apesar de ótima, se desenrola de uma forma extremamente lenta. E justamente pelo foco do jogo ser o enredo, a jogabilidade é simples e até certo ponto precária. O sistema de combates é outro grande defeito, dando a impressão de estar mal-acabado e de ter sido introduzido na última hora.

No começo eu achava que o problema fosse eu, por não estar tão acostumado a essa forma “alternativa” de se jogar vídeo game com o Wii, mas após algumas horas de jogo, percebi que o problema era o jogo mesmo e não eu!

Eu não quero estar sozinho nesse mundo!

O enredo em si gira em torno de Seto, que após a morte de seu avô, resolve sair do observatório em que morava com o velhote em busca de outros sobreviventes que por ventura ainda existam no mundo.

Logo no começo, Seto irá se encontrar com uma misteriosa garota de cabelos prateados. E não preciso mencionar que a partir daí o seu objetivo da vida se torna em reencontrar essa garota.

Porém a maneira de como as coisas se desenrolam, juntamente com toda a carga melodramática de Fragile Dreams e seus personagens interessantes, faz com que muitas vezes você simplesmente se esqueça de que está jogando um jogo e se sinta assistindo um daqueles animes que focam no emocional. Mais uma vez, não é um jogo para quem espera "ação"...

Seto, é uma criança extremante sensível e inocente, que não conhece as malicias nem a maldade do mundo (ou o que retsou dele). E acaba por descobrir o amor em sua forma mais pura e simples, simplesmente por esbarrar nessa menina e ter tocado a mão dela.

Resumindo:

Eu conheci esse jogo por um completo acaso enquanto via algumas listas de jogos para o Wii na internet e resolvi dar uma chance. E foi uma verdadeira surpresa, tanto em ver o logo da Tri Crescendo como desenvolvedora, quanto pelo jogo em si. Mas infelizmente, Fragile Dreams é um jogo para poucos ja que seus defeitos são muitos, que podem tanto quanto frustrar ou irritar. Seja pela câmera que se perde durante as batalhas e você acaba levando danos desnecessários ou até mesmo morrendo devido a isso. Ou a maneira lenta de como tudo se desenrola e a linearidade exagerada. Alie isso a um sistema de combate pouco polido, armas que se quebram, limites de itens e claro, sub quests que você é obrigado a completar (já que o jogo não possuí nenhuma side quest), essas que são realmente irritantes, dentre alguns outros fatores de jogabilidade.

Mas se você tiver um pouco (muita) paciência, e resolver dar uma chance, Fragile Dreams, com certeza vai te surpreender e cativar pelo seu enredo.

Fragile Dreams: Farewell Ruins of The Moon

Platform: Nintendo Wii
386 Players
28 Check-ins

16
  • Micro picture
    santz · 3 months ago · 2 pontos

    Esse game parece ser muito massa, mas ainda não peguei para jogar.

    1 reply
  • Micro picture
    mastershadow · 3 months ago · 2 pontos

    Esse game é praticamente o melhor jogo do WII pra min, totalmente emotivo e artistico, a atmosfera de solidão que ele transmite nenhum outro game faz tão bem..

    1 reply
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