2021-07-26 18:37:51 -0300 2021-07-26 18:37:51 -0300
anduzerandu José Carlos

Registro de finalizações: Silent Hill

Zerado dia 26/07/21

Outra pendência gigantesca terminada: Silent Hill! Quando lembrei de adicioná-lo à lista umas duas semanas atrás, eu resolvi jogar logo, até porque estava até com saudades de jogar algo do gênero, que se duvidar a última vez que joguei foi Resident Evil - Code: Veronica há vários anos atrás. Atualmente a minha lista está assim: apago um jogo do arquivo e adiciono outro. Raramente porque resolvo começar algo novo, mas mais porque tenho lembrado de jogos não terminados da infância ou de algum outro momento da vida.

Bom, eu nunca tive um PS1, mas meu primo tinha e eu ia para a casa dele todo santo dia. Embora eu não achasse que nenhum jogo chegasse ao nível de Mario 3 ou Mario World, eu me divertia. Lembro de jogar muito Mega Man X4, Tony Hawk's Pro Skater 4, de odiar jogos de luta (porque eu sempre perdia), etc.

Volta e meia arriscávamos jogos de terror, e foi assim que terminamos Resident Evil 2 e 3 com o passar de anos. Eu tinha muito medo daqueles jogos! Uma vez jogamos esse tal de Silent Hill, mas não conseguimos terminar e deixamos de lado. Mas eu nunca esqueci de algumas coisas dele: o jogo era medonho, a parte da escola a noite e o maldito puzzle do piano, que nos travou e impossibilitou de ir além.

E puts, eu que jogo tantos jogos por ano, chegava a me envergonhar de nunca ter terminado um Silent Hill sequer. Até procurei na internet e vi que ele teria umas 7 horinhas de duração. "Ótimo, vou terminar tranquilo", eu pensei!

Iniciando a aventura, eu imaginava que  provavelmente estava perto do final da campanha quando travamos no famoso puzzle do piano. Ah, tá!

Enfim, depois de ver a abertura bem cinematográfica em CG, dei início à campanha. Achei curioso como haviam diferentes níveis de dificuldade, mas, como sempre, mantive no médio. Vi que nas opções era possível configurar umas coisas úteis também.

Já no jogo, controlamos Harry Mason, que acorda sozinho na cidade de Silent Hill após um acidente de carro, agora em busca de sua pequena filha Cheryl. A cidade em si é bem esquisita, vazia e coberta em neblina.

Os visuais de SH envelheceram bem, na minha opinião. Tudo bem que havia toda uma limitação na época pros gráficos, mas é tudo bem feitinho e o estilo do visual acrescenta muito à experiência, sendo que o restante fica muito por conta de sua imaginação.

O início também é útil para ir se acostumando aos "controles de tanque". Curiosamente eu estava jogando naturalmente por um bom tempo até perceber isso. Considerando que o jogo muda muito os ângulos de visão, não teria outro jeito de dar certo.

Ao chegar na primeira área do jogo, uma lanchonete, conhecemos o primeiro humano, a Cybill, que também diz não ter visto ninguém a muito tempo. Assim conseguimos os primeiros itens de ataque, cura, uma lanterna pros lugares escuros do futuro e um rádio, que soa um monte  de interferência sempre que houver um inimigo próximo. Como muitas vezes a câmera fica virada para você quando abre uma porta, isso é muito útil.

Com as primeiras pistas, começa a exploração por Silent Hill, vazia e cheia de neve. As primeiras localidades requerem chaves e mais exploração por toda a cidade através das pistas para saber onde ir e o que fazer. A trilha sonora é silenciosa e a solidão é de matar.

Além disso há inimigos aqui e ali: cães e morcegos-humanos aparecem para fazer barulho, fazer o seu rádio soar e tirar do seu HP. Esses monstros não são necessariamente assustadores perto de toda a ambientação, mas há sempre o medo de morrer e perder progresso (apesar que nesse jogo há a opção de continuar de "checkpoints" quando falhamos ao invés de apenas ter que carregar um save).

Após avançar e me achar o inteligente, o jogo estava fluído e muito gostoso. Definitivamente eu tinha envelhecido para poder encarar jogos do tipo. "Jogos de terror não me afetam mais", eu pensei.

Isso até finalmente conseguir abrir caminho à primeira "dungeon" do jogo, a escola. Lembra quando falei que achava que essa parte da escola e o seu puzzle do piano poderiam ser próximos do final da campanha? Hahaha, mal sabia eu! Menos de duas horas foi o tempo que levei para chegar nessa parte.

Mas enfim, quando você consegue acesso à escola é que o jogo fica mais bizarro do que nunca. O céu esbranquiçado dá lugar à noite, visão ainda mais limitada, mais monstros e ambientes esquisitos. Para fechar, o ambiente da escola a noite é muuuuuito bizarro e claustrofóbico! Eu estava jogando nervoso, meus amigos! E juntando uns problemas pessoais na família e que meu outro jogo era Doom 2, tudo estava muito deprê ou maligno.

Há ainda um vai e volta gigante. O jogo te obriga a fazer os caminhos mais longos pela escola até chegar do outro lado e conseguir destrancar uma porta, que agora serve de atalho, para assim poder acessar o próximo andar grandão.

O jogo é cruel no lance do terror com essa fórmula de ter que explorar muitas e muitas salas em corredores escuros e muito parecidos, progressão lenta e puzzles que dependem de itens e dicas que podem estar em qualquer lugar. Tem salas que você só vai voltar no final da dungeon! Bacana não ter aquela sensação de linearidade, mas durante o jogo você só quer terminar aquilo o quanto antes e sair dali!

Logo me foram apresentados novos inimigos, cosia comum conforme você avança no jogo, inclusive uma coisa que meus amigos e eu nunca esquecemos: fantasmas de bebês aqui e ali. O gritinho sempre dá uma agonia, assim como vários outros sons de SH. Engraçado que quase não há jump scares durante a aventura, e isso não impediu o jogo de ser mil vezes mais medonho que qualquer coisa.

Depois de um tempo, a exploração foi ficando mais tranquila. Matei os inimigos todos, que felizmente não dão respawn, e as peças foram se encaixando. Há uns puzzles bizarros, como esse do piano ou um de colocar uma bolinha de brinquedo num espaço de uma calha quase imperceptível, mas o jogo estava andando.

Quando eu achava que o jogo não poderia ficar mais medonho, eu abri uma porta que me levou para uma escola quase idêntica, mas meio que de um mundo paralelo ainda pior.

O ambiente escuro de uma escola antiga deu lugar à um mapa igual, mas todo trabalhado nas plaquetas de metal, cercas e afins sujos de vermelho, algo como um grande abatedouro ou um local das piores torturas imagináveis. Escuro e fechado,  a claustrofobia bateu mais forte do que nunca, e toda a coisa ensanguentada estava me dando, mais uma vez, uma baita agonia.

Cara, eles conseguiram fazer o verdadeiro jogo de terror psicológico, uma sensação que não tinha desde que jogava Resident Evil na infância, mas esse mesmo Resident Evil hoje é dia é quase uma piada pra mim, super hollywoodiano e com zumbis bestas, enquanto SH parece mais adulto do que nunca, quase que como um jogo proibido e altamente não recomendável para pessoas de psicológico fraco.

Conforme o enredo avançava, mas eu ficava curioso. O que diabos estava acontecendo? O interessante também é que não há algo estilo sci-fi acontecendo, mas sim algo dos nossos piores pesadelos, algo mental, algo que nem o protagonista entende quando ele começa a ir e vir, sem intenção, de uma realidade para outra, inclusive conhecendo pessoas que estão presas do outro lado. Bizarro? Medonho? Sinistro? Diabólico?

Depois da primeira "dungeon" o jogo aliviou um pouco de volta à realidade, claridade nas ruas, apresentação de novos personagens e avanço geral. Eu mesmo comecei a fica bem menos abalado com o jogo. Estava pegando o jeito, cheio de curas e armas e super confiante.

Logo o terror deu lugar à um jogo mais de ação (pra mim), inclusive graças aos próximos cenários, mais claros e fáceis (apesar de dungeons sem mapa que são super confusas). No final das contas eu devorei quase metade do jogo só hoje. O jogo continuou bizarro, mas mais tranquilo e mais e mais interessante. Minha aventura durou 6 horas e meia e 45 saves, mas pareceu muito mais pois muita coisa acontece num curto período de tempo.

Resumindo: Silent Hill é sensacional e passou completamente no teste do tempo, a ponto de eu duvidar que exista um jogo de terror mais sinistro em sua temática, complementada pelos visuais que acredito que, no caso de um remake, poderiam arruinar a experiência. Diferentemente de outros jogos do gênero da época e depois que parecem bestas e artificiais, isso daqui é muito convincente!

De bom: ambientação nota mil. Visuais complementam a experiência de uma forma medonha, principalmente no escuro com a sua lanterna (joguei no PSP, que geralmente dá uma melhoradinha no serrilhado etc). Dificuldade justa. Enredo muito interessante, embora no final eu tenha mantido várias dúvidas, que talvez sejam sanadas nos próximos jogos. Sonoplastia fenomenal. A opção de Continue faz com que você fique menos doido de salvar a todo momento (salvar é importante se você for desligar o console). Cidade bem detalhada. Terror que o visual dos jogos atuais não consegue replicar.

De ruim: a câmera as vezes não mostra a sua frente ou dificulta demais isso. Alguns elementos são usados com frequência, inclusive a volta a certos lugares por motivo de reciclagem num jogo já relativamente curto. Controles de tanque podem não agradar aos jogadores mais modernos.

No geral, curti demais apesar de que nas primeiras horas eu arrastei por pura agonia graças aos efeitos psicológicos de SH, mas acabei engrenando depois. Esse é O VERDADEIRO jogo de terror, e eu recomendo para quem quer ter uma experiência verdadeira com o gênero. Feliz por ter jogado algo da franquia até o final e já ansioso pelos próximos no futuro. Jogão!

Silent Hill

Platform: Playstation
6700 Players
177 Check-ins

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    jcelove · about 2 months ago · 3 pontos

    Boa! Nunca é tarde pra classicos assim. RE é brincadeira de criança em termos de ambientação se comparado a SH, a história é realmente sinistra, adulta e assustadora e a escola é de longe a pior parte do jogo tento o unico chefe que realmente é perigoso tbm ja que mata com 1 hit e no hard demora pacas pra morrer.

    N ps1 não tinha franquia que chegasse perto em termos de terror, só no PS2 com Siren e Fatal Frame que rolaram coisas parecidas.

    Tbm acho que ele resiste demais ao teste do tempo, continua um jogão.

    A camera é ruim mas se apertar os L e R no menu d eopções aparece um menu secreto que permite mudar algumas coisas inclusive ter a opção de camera no ombro com triângulo, que ajuda muito a se localizar.

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    darleysantos676 · about 2 months ago · 3 pontos

    Ei, já pensou em transforma esse check-in em crítica? (...) Tô brincando!!! Cara, senti até um quentinho no coração ao ler esse texto, quantas lembranças não me vêm à mente!!! É simplesmente um dos jogos da minha vida! Pra mim, a melhor saga de jogos do gênero de terror/horror! Joguei em 2001 ainda, e quanta coisa também lembro associada a esse jogo. É um universo único! Esse jogo e a trilogia clássica de Resident Evil me envolveram bastante naquela época. Sou fã incondicional dessa franquia, que hoje está abandonada, infelizmente... Quase sempre salvo os textos seus usando a função de republicar, são muito bons, conseguem quase sempre traduzir muito bem o feeling dos jogos.

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    santz · about 2 months ago · 3 pontos

    Esse é um também que zerei recentemente. Consultava direto um detonado assim que topava com um puzzle.

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    andre_andricopoulos · about 2 months ago · 3 pontos

    Que jogo ❤️

    Orgulhosamente digo que, após muitos rabiscos no papel (copiando o poema e desenhando as teclas do piano) passei nesse puzzle sem detonado.

    Mas se não me engano encalhei em algum puzzle do hospital (versão INFERNO) que passei com algum tipo de ajuda...

    Enfim... jogão ❤️👌🏻

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    seufi · about 2 months ago · 2 pontos

    Eu sempre adorei assistir meu irmão jogar isso. Eu mesmo, nunca tive coragem de jogar...

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    jcelove · about 2 months ago · 2 pontos

    Fez o melhor final? Salvando aCybil e a bebê alessa? O jogo tem 5 finais, uma pena que o MELHOR só faz no Ng+, o final UFO.hehe

    7 horas é o tempo médio pra primeira run de praticament etodo survivor horror classico, mas depois que pega o jeito e tem tudo decorado da pra terminar em menos de 2h no NG+ sem correr muito.

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    thii · about 2 months ago · 2 pontos

    SH > qlq Mario.
    SH 2 > qlq jogo

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    seufi · about 2 months ago · 2 pontos

    Essa cena da penúltima foto... a Not Tomorrow tocando...

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