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juninhonash Juninho Rodrigues

It's gonna be a hell of a party


about 1 year ago 2020-06-01

Final Fantasy Tactics: The War of The Lions

Final Fantasy Tactics, ignorado por muitos por não ter um número da série principal e obviamente por ser um jogo tático, aqui trata-se de uma aventura típica de tabuleiro, e vejo o quão injustiçado esse jogo é pelos próprios fãs da franquia.

Em Ivalice (sim, o mesmo reino do XII), a guerra acabou e um trono fica vago e o herdeiro é uma criança, então alguém precisa assumir, certo? E isso gera a seguinte situação: A Guerra dos Leões, como o título bem sugere.

Temos Ovelia como meia-irmã do Rei, candidata legítima ao trono e Larg, irmão da Rainha, também possível candidato ao trono, ambos representados pela família Beoulve e são chamados de Leões Brancos. Do outro lado, temos Duque Goltanna, que é representado pelos Leões Negros, sugeridos pelo parlamento do mundo de Ivalice.

O jogo começa tempos antes do verdadeiro começo, onde Goltanna ataca a família Beoulve e tudo era uma distração pra que Ovelia fosse raptada por Delita, melhor amigo de infância do protagonista.

Que é ninguém menos que Ramza, um cara que foi apagado da história e temos a vivência de sua verdadeira jornada contada por um cara que não jogamos, mas seu nome é Arazlam, e ele está contando exatamente como tudo aconteceu. Em meio a uma disputa de guerra, Delitasequestra a princesa Ovelia e nisso começamos voltando no tempo até mostrar a "origem" de Delita como Escudeiro até chegar no posto de Cavaleiro Sagrado e suas motivações, que convenhamos, são fortes. MUITO fortes.

Vale lembrar, que o sequestro de Ovelia é algo que vai sendo mostrado, e ao passar de tudo, vamos entendendo o seu lado, o lado de Delita e a história progride de uma maneira bem natural. Com várias revelações, conflitos e o motivo pelo seu sequestro é mais inesperado possível. Principalmente levando em conta que Delita era da Igreja, um membro fundamental daquele mundo, e que funciona como parte do governo.

Nisso, o jogo volta ao presente e nos dá o que normalmente NÃO temos em Final Fantasy: uma narrativa realmente rica, com vilões realmente bons, traições, surpresas, motivações boas e um amontoado de personagens realmente bons como o próprio Ramza, Mustadio, Agrias, Orladeau, Bewulf, Reis e derivados. Incluindo convidados como Cloud de Final Fantasy VII, Balthier de Final Fantasy XII e Luso de Final Fantasy Tactics A2.

Vale citar que Luso e Balthier são exclusivos da versão "War of the Lions", ou seja, além de revisarem e traduzirem corretamente o texto do japonês, adicionaram personagens que são da série Tactics como um extra divertido.

Porém, existe um único ponto negativo nisso, os personagens uma vez explorados, seu desenvolvimento acaba ali, e eles são realmente curtos em muitos casos como Mustadio, medianos como Bewulf, e longos em outros como Agrias e Orlandeau.

Ou seja, nesse ponto existe uma inconsistência, porém... Existe um motivo pra isso, a narrativa e o mundo em si é mais importante do que você jogador, que controla Ramza e os demais, e isso é MUITO bem explorado no decorrer da trama, entretanto, a respeito dos personagens não deixa de ser uma falha. Mas a trama central é simplesmente brilhante, e o motivo é simples: Os vilões. 

O roteiro trabalha muito bem, gerando diálogos tanto dentro quanto fora de batalha, porém SOMENTE com Ramza e o personagem envolvido da quest, deixando os personagens mesmo citados como bons, calados e ficam literalmente mudos em toda a batalha. Fora de batalha alguns fogem da regra, mas são poucos.

O defeito principal do jogo é o capítulo 1, que é MUITO difícil sem necessidade - gerando momentos super frustrantes, você tem poucos Jobs e dinheiro e pra piorar... te gerando situações onde o jogo te induz a salvar e se você salva tem como sequências de batalhas extremamente difíceis sem poder voltar. Então ande sempre com 2 saves, pra garantir que pode voltar e treinar. Não muito longe do outro, obviamente, mas sempre tenha isso em mente.

Em termos de combate o jogo é legal e te dá várias classes, ao evoluir uma, você libera outras e vai gerando condições pras próximas que virão, e isso é justamente uma faca de dois gumes.

O jogo fica entre o divertido e o quebrado.

Existe um sistema de evolução de jobs (profissões) e níveis, os níveis não são tão importantes, mas dos jobs sim e com as combinações certas... rapaz....

Afinal de contas, você tem habilidades principais da classe, secundárias das quais já dominou, habilidades de reação, habilidades de movimento e por aí vai, gerando setups absurdamente fortes onde você pode facilmente quebrar o jogo, o que não é uma tarefa muito difícil quando se entende bem os conceitos de personagens masculinos e femininos (que tem atributos diferentes), jobs (profissões), bravura (bravely) e fé (faith).

Então sabendo do que se faz, é possível criar combinações SURREAIS de classes e habilidades primárias e secundárias, além das reativas e de movimento.

Ou seja, os mais experientes em jogos do tipo, vão passar o carro e criar setups super absurdos mas isso não torna o jogo menos divertido, ainda que inevitavelmente algumas classes se tornem inúteis ao longo do jogo.

O que apesar de ser negativo, creio que seja normal, afinal são 20 e tantas classes então naturalmente algumas serão melhores que outras primariamente ou secundariamente, e repito, apesar de quebrado, é bem divertido.

A trilha sonora esbanja elementos épicos e tons de fantasia, mesclando bem e gerando batalhas tensas nos momentos certos, principalmente pra quem não sabe como quebrar o jogo e progride naturalmente. O gráfico do jogo é bem bonito e esse "remake" tem cinematics, que normalmente na sua versão original do PS1 seriam textos com sprites, o que deixa o jogo com um charme a mais.

Graficamente o jogo é bem bonito e esbanja carisma embora tenha personagens sem nariz, o que é algo... difícil de acostumar, mas eu vou entender como uma forma do artista se expressar, e deixar de lado. Afinal são sprites, vistos de longe.... você se acostuma. Confie em mim.

Um detalhe ruim são os leves slowdowns quando se usa magias devido a restrições do console, existem patches que em emuladores principalmente, dão resultados absurdamente bons e que fazem o jogo rodar como se estivesse normal. Mas acredite, funciona no console também (se tiver desbloqueado, obviamente).

Apesar das leves escorregadas no capítulo 1 com a dificuldade exacerbada, Final Fantasy Tactics é de longe o melhor roteiro da franquia, com heróis e vilões em tons meio cinza, nunca se sabe quem é o verdadeiro lado certo, chegando ao ponto de se questionar se os dois estão certos ou errados, e quem faz esse papel é contraste entre Delita e Ramza, um agindo e jogando o jogo da forma como se deve e outro que age nas sombras realizando as verdadeiras tarefas no mundo sujando suas mãos de sangue ao ponto de ser apagado da história. Gerando consequências no final que são muito legais e surpreendentes.

O jogo tem um sistema complexo porém interessante, não é muito amigável pra iniciantes mas uma vez entendido, é divertido e com ótimas variações de cenários, classes, possibilidades e um enredo MUITO, mas muito diferente do que se vê na franquia, e diferente pra melhor.

9.0 9.0 10
Overall
9.0 Gameplay
10 Story
10 Music
9.0 Graphics
Narrativa complexa e muito bem feita, nem parece Final Fantasy
Trilha sonora ótima, com tons de fantasia e boa parte delas lembra uma marcha pra guerra
Ramza, Delita e demais personagens
Missões secundárias legais e bastante coisa pra fazer no jogo
Gameplay divertido
O capítulo 1 é absurdamente mais difícil que quase tudo do jogo, o mesmo vale pra batalha contra Wiegraf
O sistema de jobs se usado corretamente é super quebrado
Caso jogue o original, slowdowns em magias serão muito frequentes (o que foi arrumado com patch pirata)

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