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thecriticgames Matheus Pontes

Autor do livro Canções de Bruxas e Rapsódias de Fadas Negras disponível na Amazon em ebook.


about 1 month ago 2021-04-03

Remnant: From the Ashes

A Franquia Souls já causou todo tipo de influencia no mundo gamer da melhor para o pior desde Demon's Souls (critica aqui) seja tentando emular sua arte sombria, ou sua dificuldade, nem todos conseguem ter autenticidade e identidade ao fazer isso, pior, muitos se apoiam apenas na dificuldade e projetam jogos com nível de dificuldade elevada sem chão para os jogadores, ou com pouquíssima identidade própria, Remnant é um jogo que veio nesta onda mas como uma grata surpresa conseguiu encontrar qualidade e identidade própria.

No inicio podemos após adentrarmos a base podemos escolher entre 3 classes diferentes cada uma focada em uma distancia para o combate, o Sobrevivente é o porradeiro que luta a curta distancia e traz consigo uma enorme marreta, o Ex-cultista, funciona a média distancia e pode invocar campos de cura para si e para os aliados, enquanto o Caçador é feito para longas distancias, possuindo poderes que permitem rastear os inimigos e marca-los no mapa.

Em Remnant controlamos um personagem criado por nós mesmos em um mundo pós-apocalíptico decimado por um mal conhecido como a Raiz, uma forma de vida divida em vários seres de madeira que antagonizam, caçam e matam tudo que é vivo. Isso até a chegada de nosso protagonista ao Setor 13, uma base que serve de resistência e abrigo humano contra a Raiz onde reside um Cristal do Mundo, um ponto de controle que permite a nós viajar entre mundos e de onde o jogador partira para desvendar os mistérios que circundam a raiz enquanto busca uma forma de para-la. O jogo funciona como um game de tiro em terceira pessoa, podemos andar, correr, rolar para nos esquivar ou para pular por objetos ou janelas, nos equipar com equipamentos de proteção para a cabeça, tórax e pernas além de três armas diferentes, sendo uma arma de fogo principal como uma shotgun, uma pistola de bolso como uma magnum ou uma sub-metralhadora e uma arma branca. O jogador possui uma barra de vida e uma barra de estamina para as esquivas, com todos estes elementos da quase pra compreender o sistema de batalha como um Dark Souls de tiro, e é quase por ai mesmo, mas tem suas diferenças.

Enquanto em Dark Souls tínhamos os Frascos de Estus aqui temos os Corações de Dragão, que se recuperam nos cristais e que assim como sua contraparte medieval também podem ser evoluídos.

Diferente de Dark Souls Remnant é muito mais frenético em sua proposta, o jogo até permite e da margem pra você ser furtivo e cuidadoso como em Dark, mas o padrão é se ver correndo, atirando e lutando contra vários inimigos ao mesmo tempo mesclando tiros com esquivas, correria em parte por uma sutil diferença, ele não traz castigos graves após a morte. Ao morrer você não perde dinheiro ou XP, você simplesmente retorna ao check-point anterior no ultimo cristal e isso da uma identidade própria ao jogo, facilitando também a adesão de novos players que nunca conseguiram se adequar a dificuldade de Dark Souls e a seus castigos, ah mas isso não o torna fácil demais? Não porque Remnant consegue manter seu nível de desafio lá no topo por outras vias que não seja o castigo pela morte, e isso é funcional e genial em Remnant. 

Apesar do sistema de classes, com as quests corretas é possível obter todos os itens e habilidades das classes não selecionadas, a escolha de classe diz muito mais respeito a como começar o jogo do que como termina-lo.

Além dos equipamentos e armas o combate possui outras minucias como os mods de armas, uma espécie de tiro secundário que pode ser equipado até 2 por vez nas armas de fogo sendo 30 ao todo no jogo principal e e vão incluir poderes de danos como projeteis explosivos, ou de projéteis radioativos, buffs como dano de fogo temporário aos tiros principais da arma, um aumento na resistência ou até utilitários como o campo de cura do ex-cultista ou a habilidade de invocar cães do deserto aliados, lembrando que algumas armas especiais possuem mods fixos travados que não podem ser retirados. Temos também as Características, "perks" que podemos conquistar e evoluir ate o nível 20 sendo algumas destas iniciantes dependendo da nossa classe e outras obtidas após quests ou ações especificas, o Escalador por exemplo que acelera a velocidade do salto do jogador e é obtida após saltar 50 vezes por objetos ou janelas, sendo aparentemente 37 características diferentes no jogo base, alias, o sistema de XP e nível se chama grau de característica, após matar o inimigo e coletarmos 1500 de XP (a quantidade de XP necessário não aumenta, a facilidade de se conseguir evoluir é a mesma do inicio ao fim do jogo) ganhamos 1 ponto de característica que colocamos em uma das características previamente obtidas e temos várias como Espírito (aumenta a geração de poder de Mod), conhecimento antigo (fornece mais XP), vitalidade (aumenta a barra de vida) ou benção do sentinela (da resistência elemental ao jogador). Some isso ao sistema de resistência e efeitos com tipos especiais de danos que podem ser causados a inimigos ou sofridos por ataques destes como sangramento, queimadura, infecção, radiação, corrosão e alguns bem criativos como a sobrecarga (o jogador ou inimigo fica eletrificado, e ao se aproximar de outro jogador ou inimigo eletrificado uma explosão ocorre causando danos a ambos) e você tem todo um sistema super criativo e estratégico de evolução de personagens, permitindo se adaptar as mais variadas estratégias e ameaças.

As armas podem ser evoluídas na base com a sucata (o dinheiro do jogo) e com materiais encontrados pelos mapas, mas para evoluir para o nível máximo a arma (20 ou 10 em armas especiais) o jogador necessita do simulacro, um item raríssimo que só da as caras no máximo uma vez no mundo, o mesmo item é usado para evoluir o coração de dragão.

O jogo é dividido por mundos que viajamos através de cristais (que possuem a função também de bonfires) temos a Terra que tem todo o charme de um mundo pós apocalíptico urbano, com prédios quebrados e abertos, ruas devastadas tomadas pela natureza, Yaesha um mundo florestal habitado por criaturas similares a pans que vivem em um sistema tribal, Corsus um pântano gigante (que convenhamos é um bioma feito na preguiça que podia muito bem ser parte de Yaesha) que traz um grupo de seres humanoides tomados pelos Iskall, uma praga insectoide parasita de consciência coletiva e Rhom, um deserto belíssimo e instigante cheio de ruinas habitados por um povo humanoide de conotações alienígenas que conseguiu se livrar temporariamente da raiz e de longe o meu mundo favorito parecendo um dos mundos fantásticos exóticos saídos diretos das artes de Roger Dean (artista responsável pela capa dos jogos Shadow of the Beast e de um monte de capas de álbuns de banda dos anos 70), alem deles temos também as sub-regiões sem inimigos do Setor 13 onde interagimos com NPCs, documentos e computadores descobrindo mais informações da trama e o Labirinto por onde viajamos pelos mundos a primeira vez. Os mundos possuem suas próprias características tanto em inimigos como em lores e desafios, alguns possuem quests únicas, alias, é preciso citar aqui outro charme do gameplay de Remnant que esta em seus mapas de produção procedural e aleatórias, basicamente ao adentrar um dos mundos o jogador lidara com mapas e áreas aleatórias, podendo ou não encontrar com NPCs e eventos especiais (como um vendedor louco ou uma árvore da Raiz que lhe da uma característica nova se você usar a mascara correta ao interagir com ela) e até alternando os chefes a serem encontrados, estes alias se dividem em dois tipos os mini-chefes (denominados no jogo como chefes de masmorras) que existem em maior quantidade de 3 a 6 por mundo e muitos são versões mais poderosas de inimigos comuns, além dos chefões (ou chefes de mundo in-game) chefes que marcam o final da trajetória sendo normalmente 2 por mundo, com isso você dificilmente ira encarar a mesma aventura naquele mapa que seu amigo fez no jogo dele, a boa noticia é que através do Modo Aventura o jogador pode rejogar e reiniciar quantas vezes desejar o mesmo mapa até ver todos os chefes, sub-chefes e eventos enquanto coleta os itens e poderes necessários.

Vale lembrar que cada chefe fornece itens e mods de armas únicos, mas os chefes finais do mundo fornecem itens mais cobiçados na dificuldade hardcore, além de alguns como o Ent podem fornecer mais de um item mesmo na normal dependendo da forma como for derrotado, seja atacando seu corpo ou destruindo suas pernas antes de meta-lo.

Remnant vai encontrar seu brilho mesmo e verdadeira força no multiplayer, o jogo pode ser jogado até três pessoas e é extremamente viciante e divertido de se jogar assim, pior, o game foi feito para ser jogado assim contrario a sua inspiração Dark Souls, ao se jogar co-op todos os jogadores ganham uma característica de brinde o "trabalho em equipe" que aumenta a área do buff homônimo que os jogadores possuem por estarem próximos um do outro, sendo este buff um aumento no XP ganho, nas forças e resistências. Varias habilidades foram feitoas para auxiliar varios jogadores de uma vez ao invés de apenas um e para complementar ainda mais o meu ponto os corações de dragão além de te curarem podem ser utilizados para reviver aliados caídos, no gameplay solo ao ter sua vida zerada o jogo ja era. Só que a pedra no sapato do melhor elemento do jogo fica por conta de sua conexão, BUGS, MAIS BUGS, UMA VERDADEIRA CARNIÇA! Um monte de problemas permeiam o gameplay co-op do jogo, as vezes você pode jogar uma dia inteiro sem problemas e a noite começar a ter transtornos de conexão, são amigos voando, entrando na terra, caindo e subindo a conexão, as vezes o amigo loga e o personagem dele aparece mas na câmera dele fica como se ele estivesse morto (alternando a câmera dele entre você e seu outro amigo mesmo que o personagem dele esteja ali vivo e parado), um verdadeiro show ods horrores, e é algo que sofremos até o fim de nosso gameplay, mesmo na batalha final e no final da ultima DLC.

Rhom é a menina dos olhos com respeito a diferentes mundos do jogo, de longe o mundo mais bem feito do jogo base (abaixo uma das artes de Roger Dean o artista famoso por mundos alienígenas exuberantes).

No aspecto técnico precisamos ser francos, Remnant é um jogo datado ainda que isso não pese demais o jogo claramente tem a cara de um jogo de PS3, em suas texturas de roupa, cabelo, pele, ainda que conte com efeitos de luz e brilho proveniente dos poderes e cenários bem bonitos (os dois sóis de Rhom que o diga) mesmo indo pelo caminho do cartunesco ao invés do realista da pra ver como ele não é um jogo feito por uma empresa com um departamento gráfico não muito poderoso, ainda que compense isso em parte com a direção artística (que é legal em uns mundos, excelente em outros e meh com respeito a algumas coisas) ele acaba apanhando em alguns setores, partes mal-feitas ou mal projetadas dos mapas são presentes mesmo que raramente, no Terra por exemplo, é possível ver em uma das varias variações de mundo um portal e toda uma região preta sem textura fora do mapa mas bem visível pra qualquer jogador que simplesmente vire para o lado. A trilha sonora é mais legal do que aparenta e traz como o tema tranquilo da tela de titulo, ou os temas tribais cheio de tambores, flautas e cantoria indígena, bastante musicas variadas, embora muito disso pode passar despercebido pelos jogadores em diálogos e gritaria online, mas o jogo possui ótimas musicas, principalmente nas batalhas contra os chefes que tem seus temas próprios, ainda que o jogo não chegue e um nível Dark Souls da vida neste ponto.

A trama não é o ponto forte do jogo, ele possui uma lore até legal nos itens, mas quase nada sobre seus inimigos e pouco valor além dos mistérios do núcleo da trama como a origem da Raiz e o fim que teve o fundador do setor 13 Ford, além das ligações com Cronos, o jogo que funciona sem prévio aviso como seu prequel.

E QUANTO AS DLCS???

O jogo recebeu alguns updates gratuitos (nada que melhore as conectividades online), além de DLCs gratuitas de skins especiais para as 3 classes e de uma mochila com condimentos e itens extras. Mas veio no decorrer de sua vida a receber 2 DLCs de aventura sendo a primeira o Pantano de Corsus. Aqui finalmente podemos visitar o mundo de Corsus no Modo Aventura para enfrentar os mini-chefes restantes para obter mais itens e encarar algumas áreas exclusivas da DLC além de uma nova NPC e de um novo mini-chefe, a Rainha Iskall encontrada na campanha principal apenas como NPC que aqui pode ser enfrentada se for encontrada em sua toca em uma batalha dificílima. A DLC ainda introduz o Modo Sobrevivência onde os jogadores entram sem item nenhum no nivel 1 e devem conquistar itens e características totalmente aleatórios no decorrer da matança que vai ficando mais dificil, o legal deste modo é poder experimentar alguns mods e armas que as vezes você nunca obteve ou nunca ligou muito, é através deste modo também que se pode conquistar os fragmentos brilhantes, com este item é possível conseguir novas skins com o Cochichador um novo NPC da base ou obter alguns itens especiais como a sua outrora quebrada espada do inicio da campanha. É uma DLC legal, mas que foi feita claramente com preguiça, visto que tanto o pântano como o modelo da Rainha Iskall já eram pré-existentes. 8 características novas, 4 mods novos de armas, além do novo status negativo "parasita" são adendos da DLC.

Pântano de Corsus é uma DLC que vale a pena para o jogador dependendo do estilo de gameplay dele, leia no fim desta seção o porque.

A segunda DLC Cobaia 2923 é uma DLC de história que pode ser acessada ao resetar a campanha no cristal (algo que vai apagar seu progresso na história mas não seu personagem) e se passa após o final do jogo, mostrando o personagem se aventurando pela nova região da Terra o Setor Primário tomado de raízes e dos novos inimigos, os ratos humanoides de Reisun, um mundo de gelo que é a maior novidade da DLC e é tão bonito e bem feito quanto Rhom, trazendo também um novo efeito negativo, o congelamento, o mundo alias, passa a ser acessado também no modo aventura. O destaque real desta DLC é que ela traz a conclusão da trama envolvendo as origens da Raiz, e trazendo maior foco nos Sonhadores, as pessoas que conseguem sonhar e se conectar com outros mundos além do verdadeiro chefe final. 6 novos mods de armas e 5 novas características.

Quem se arriscou a ler textos e textos nos computadores da base já ouviu previamente falar da cobaia 2923 "Clementine" e como ela desapareceu se teleportando levando um pedaço do laboratório do Setor 13 com ela, sementes da DLC plantadas previamente na campanha.

Agora estas DLCs valem a pena? Depende de você, vamos dividir o gameplay em estilos, existem aqueles que só querem fazer o modo história, o essencial, aqueles que querem estender um pouco seu gameplay visitando o modo aventura o suficiente pra ver todos os chefes (meu caso) e os extremistas que vão querer colecionar todos os itens, ver todos os eventos de cada mundo e derrotar os chefões no modo hardcore, atividades que vão tomar muito tempo e gerar mais tempo de gameplay e co-op. Se você for do terceiro tipo que quer fazer tudo e espremer cada gota de cada mundo pode comprar as duas DLCs tranquilo, elas vão render horas extras de conteúdo e jogo para você, agora se você foi de um dos dois primeiros tipos ESQUEÇA o Pantano de Corsus, ela não vale a pena em nada, não com o preço x duração dela, somente vai valer em uma promoção e olhe lá. Digo mais se você for do primeiro tipo apenas abraçando o principal do jogo, a segunda DLC de história vale a pena mas o preço x conteúdo ainda soara meio salgado, elas são bem carinhas, uma vez que a grande promessa de conteúdo delas é muito mais para o jogador do terceiro tipo que quer coletar tudo do que para o cara que quer conclui-las e ver as conclusões e desenrolares da trama. 

Remnant é um jogo divertidíssimo e uma grata surpresa pra quem busca um multiplayer co-op online divertido e repleto de conteúdo pra tomar suas noites de gameplay, mas fique sábio que isto é o jogo em co-op, a jornada solitária em Remnant não tem metade do charme de se encara-lo com companheiros.

8.0 8.0 10
Overall
9.0 Gameplay
7.5 Story
8.0 Music
7.5 Graphics
Multiplayer, sistema de combate em todo seu aspecto; variedade provida ao gameplay por conta do sistema de geração de mapas dinâmicos e procedurais.
Conexões online TERRÍVEIS, gráficos ultrapassados e datados em alguns pontos e a DLC Pântano de Corsus.

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