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thecriticgames Matheus Pontes

Autor do livro Canções de Bruxas e Rapsódias de Fadas Negras disponível na Amazon em ebook.


8 months ago 2020-11-25

Strider

Strider é um personagem que acho da hora desde os tempos de Marvel vs Capcom, infelizmente ele parece ser mal aproveitado, mal utilizado e até mal lembrado pelo mundo o que chega a ser estranho visto que o personagem foi praticamente encomendado pela Capcom ao grupo Moto Kikaku que criou o herói em um manga de mesmo nome que viria a dar a luz a dois jogos, o jogo de arcade (critica aqui) que é mais despretensioso mas que serviu de base para saga em si por ter caído no gosto do público e o assunto da critica, sua contraparte de NES. Diferente do jogo de arcade o jogo de NES tem como base o manga do herói trazendo muito em questão de personagens, mundo e trama do mesmo.

No mundo do jogo assim como na sua contraparte de arcade existem o grupo de assassinos mestres Striders do qual o protagonista faz parte, a trama toda tem como base eventos similares aos do manga onde Hiryu esta aposentado de suas atividades como Strider por ter sido obrigado a matar sua irmã, Strider Mariya no passado quando esta enlouqueceu. Porem, o herói acaba sendo convocado por seu ex-superior Strider Matic a retornar ao grupo para descobrir o paradeiro de seu antigo amigo Strider Kain que foi capturado quando investigava um misterioso Projeto Zain e se possível elimina-lo para que ele não revelasse segredos aos inimigos. A trama ira colocar Hiryu mais uma vez ao lado de outros aliados como Strider Ryuzaki e Strider Sheena e ao mesmo tempo em pistas do motivo de sua irmã ter enlouquecido.

O manga possui 6 capítulos e ainda conta com um Gaiden lançado posteriormente que elucida melhor alguns eventos póstumos a saida de Hiryu do grupo após a morte de sua irmã, tal Gaiden é um dos mangas mais raros de todos por nunca ter sido reimpresso nem saído via tankobon. Aos interessados na leitura do original:https://m.manganelo.com/manga-bn115907

O jogo funciona como um hibrido de jogo de ação e de metroidvania 8-bits com mapas longos ramificados, mas separados (pense em algo como uma versão 8-bits de Castlevania Order of Ecclesia e você entendera mais ou menos). Através de um teletransporte em sua base o jogador pode visitar diferentes mapas de tamanhos variados que devem ser explorados atrás de itens chave como cartões ou disquetes de informação que podem ser acessados na base, power-ups que permitem chegar a um novo lugar. Hiryu pode andar, pular, se abaixar, atacar com sua cypher de frente ou acima da sua cabeça ao segurar para cima além de posteriormente ganhar novas habilidades como a de disparar projéteis pelo cypher, deslizar (como nos arcades) ou suas "tricks" que são magias invocadas por ele como bolas de fogo, cura ou boosts de saltos conquistadas através do sistema de níveis, mas veja bem, o jogo não possui sistema de XP, Hiryu pode subir através de 10 níveis de poder ao cumprir objetivos que vem a fornecer algumas de suas habilidades além de um aumento na barra de vida (indicada pelo H no topo da tela) e da barra de magia/tricks (indicada pelo E).

Strider Wesk.. Digo Strider Matic da ordens para Hiryu na base, através dela visitamos e revisitamos os diferentes mapas, há uma dose média de backtracking aqui, nada que irrite os fãs de metroivania da vida desde que você saiba onde se deve ir.

São 7 mapas ao todo (8 na verdade, mas Australia e Africa são interligados) pelos quais o jogador deve explorar e encarar inimigos começando pela famosa Kazakh também presente nos arcades, os mapas seguem de forma semi-linear e contam em sua maioria com tubos que permitem a viagem rápida entre alguns pontos (além de alguns tubos posteriores que são essencialmente armadilhas de progresso lhe mandando para trás). O progresso não apenas é prejudicado pelas ameaças na forma dos diversos inimigos, como também pelos próprios controles do heróis que são bem travados e engessados no salto, em dado ponto podemos concordar que isso se inclui nas limitações do console (Castlevania feelings) mas o problema maior é que alguns movimentos são obrigatórios para se transpor obstáculos naturais e o jogo não apenas não os ensina como torna seu uso difícil, dois exemplos práticos disso estão no acceleration jump um salto com corrida realizado ao correr morro abaixo, nem sempre o desgraçado salta mais alto como deveria, o outro e mais famoso é o triangle jump um salto idêntico ao salto entre paredes da Samus, mas que é tremendamente difícil de se fazer devido aos controles que não respondem direito e a má programação, elementos dignos de fazer muita gente desistir de terminar o jogo como quase me ocorreu.

Strider podia atacar inimigos acima de sua cabeça com tal posição, a mesma também é utilizada para carregar tiros energizados.

Apesar desses pormenores de controle o combate em si é simples e legal, principalmente ao se obter mais algumas habilidades, os poucos chefes também são até legais de se enfrentar pelo desafio proposto de se descobrir como feri-los (uma vez descoberto um chefe se torna deveras fácil nas revanches) principalmente o penúltimo chefe, mas nem nisso o jogo tem só louros já que a comparação com os inimigos de arcade super variados, criativos e exóticos é inevitável e os inimigos e chefes de NES não chegam aos pés da criatividade das ameaças de sua contraparte menos ambiciosa de fliperama contando ainda com chefes repetidos (incluindo o chefe final o que torna tudo mais gritante). O jogo possui um visual simples mas bonito até para seus padrões, tanto em sprites como em cenários, o primeiro mapa Kazakh tentava até fazer um show-off gráfico com relâmpagos cruzando seu céu escuro embora o jogo vá fazer um pouco feio em alguns mapas com bugs gráficos, visíveis principalmente ao entrar em uma área mais rápido que o normal. Na trilha sonora o resultado é ainda mais acertado com as composições de Harumi Fujita, compositora com pequenos e médios trabalhos pela indústria como em Final Fight,  Gargoyle Quest, Mega Man 3 e até o recente Streets of Rage 4, aqui cada mapa conta com seu próprio tema dando um tom único a cada local, o bom é que o jogo consegue apesar de sua péssima programação não falhar nesta parte com respeito a mescal de musicas e efeitos sonoros como o dos relâmpagos de Kazakh ou dos sons da cypher do herói.

O bakctracking aqui se faz necessário principalmente depois de power-ups que lhe permitem acessar novas areas como as botas magnéticas que lhe deixam andar sobre certas superficies ou as botas acqua que lhe permitem caminhar acima de rios e lagos.

Strider de NES é um jogo prejudicado por seus próprio gameplay buggado e mal programado e mesmo sendo teoricamente o produto grande com o nome do herói o arcade que acabou caindo mais no gosto do público com razão, eu podia tentar defender que ao menos com relação a trama ele sai bem perto da versão de arcade, mas os plot-twists são todos previsíveis e alguns NPCs como Strider Sheena tem apenas um mal uso dentro da trama.

7.3 7.3 10
Overall
5.0 Gameplay
7.5 Story
9.0 Music
8.0 Graphics
Trilha sonora e combate.
Inimigos, chefes, trama previsível com personagens mal utilizados, movimentação travada, bugada e o maldito uso do salto triangular.

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