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thecriticgames Matheus Pontes

Autor do livro Canções de Bruxas e Rapsódias de Fadas Negras disponível na Amazon em ebook.


9 months ago 2020-12-16

Strider

Strider foi um hack'n slash de sucesso nos arcades que serviu de influencia direta ou indireta para toda uma leva de games do gênero nos anos posteriores como God of War e Devil May Cry coisa já mencionada em entrevistas com desenvolvedores destes. O primeiro jogo recebeu seus devidos ports inferiores para PCs e consoles e convertendo os ports de PC que nasceu este triste subproduto que é o Strider de Master System.

Acostume-se a ver a amazona repetindo a mesma frase, ela vai fazer isso o jogo inteiro.

Lançado em 1991 o port visava reproduzir a experiência original o máximo possível, mas mesmo o melhor que o Master System podia fazer ainda seria triste se comparado ao original, agora se eu lhe disser que o port ainda sofre de má programação? Assim como no original devemos controlar Strider Hiryu o ninja assassino de armamento futurístico e devemos percorrer 5 estágios derrotando inimigos e chefes em sua busca de assassinar Grandmaster Meio a misteriosa figura que tomou o poder politico e militar do mundo. Hiryu pode atacar com sua espada cypher, pular, escalar e se mover para os lados, mas diferente da versão original o herói não possui seu slide característico, o movimento é cheio de slowdowns e lento (matando boa parte do apelo do jogo original que era sua velocidade) além de faltar sprites o herói nem estica o braço para atacar (ao apertar o botão de ataque a onda de corte da cypher simplesmente flui que nem um vento sem origem na frente do heroi). Não há boa parte dos power-ups inclusive na parte dos Options os minions robóticos do herói apenas o primeiro que rotaciona em torno dele se faz presente e o jogo não aguenta processar mais que um inimigo em tela, alias, um monte de batalhas estão simplificadas, a batalha do Ourobouros o chefe da primeira fase que era um ser excêntrico até o limite (sendo uma centopeia robótica formada de políticos militares) não pode mais ser escalado e é bem simples, um monte de outros chefes foram "digitalmente castrados", particularmente os gigantes que tem sprites estáticos e ataques simples.

A vida do herói agora é marcada pelo número indicado acima da pontuação.

Visualmente o jogo é todo capado, ele tenta reproduzir em 8-bits o jogo original e suas fases, e embora ele não corte fases ou chefes igual costuma ocorrer nessas conversões para 8-bits ele se sai muito mal nesta missão ainda mais com tanta coisa que acontecia visualmente no original de arcade, para começar ele não possui background apenas fundos estáticos pretos, a maior parte dos sprites como mencionado esta podado com alguns deles nem sendo animados, a escolha de cores tambem não deixou muitos acertos, hjá sim algumas conversões visuais fieis na aparencia ao original como o próprio vilão Meio, mas sem a funcionalidade adequada a maior parte das ameaças são papelões 8-bits em cores toscas. A história praticamente não muda comparado a original, o problema é a viagem de acido que são as cutscenes que são as mesmas do jogo original mas num rearranjo aleatório e sem sentido saltando na tela entre as fases de forma desconexa jogando personagens que não apareceram até então dando as caras em diálogos antes da hora, pior ainda é o caso das amazonas, adversarias do estagio 4 elas aparecem em TODAS as cutscenes repetindo o mesmo dialogo, não bastasse toda essa loucura o final do jogo é diferente e é um insulto, já spoilando (sei que você não se importa com esse spoiler) nada do jogo real, ao fim tudo é revelado como uma simulação de treino do ninja. 

Um dos anti-climaticos encontros com um chefe de sprite desanimado.

Pra terminar de pregar a tampa no caixão a trilha sonora é terrivel e só possui (eu calculo) 3 ou 4 musicas enquanto o original tinha suas mais de 20, e embora tenhamos uma conversão lega de uma das musicas no caso o tema "Strider" ele tem na contramão um maldito tema dos chefes desafinado e que não soa em lugar nenhum como um tema de batalhas. Strider de Master System não deveria existir simples assim, talvez não seja culpa total da programação mas sim do console, ele não conseguia registrar o o nivel de loucura do jogo original, nem suas varias camadas gráficas, devia ter ficado na lista de conversões impossíveis.

4.5 4.5 10
Overall
5.0 Gameplay
4.5 Story
3.0 Music
5.5 Graphics
Um jogo mediano para ruim se não comparado ao jogo original ou com o que se tinha na época.
Depredado de toda a qualidade de gameplay, visual e musical do original.

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