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hard_waters David Waters


over 4 years ago 2018-01-27

Mega Man Zero

Mega Man Zero é um Platformer com foco em ação desenvolvido pela Inti Creates.

- A história por trás do jogo
Yoshihisa Tsuda, diretor da Inti Creates é muito fã da série Mega Man, e após tanto falar sobre querer fazer um jogo da franquia para Inafune em convenções, conseguiu o convencer, então Inafune propôs a ele que fizesse um jogo com Zero sendo o protagonista, e assim começou a série Mega Man Zero.

- Enredo
Mega Man Zero se passa séculos depois da série X. O jogo começa com uma garota, Ciel e sua cyber-elf Passy, e seus soldados sendo perseguidos por alguns Phanteons e Golems. Alguns soldados morrem no caminhos até que Ciel dá de frente com um porta, Passy sente uma grande energia emanando de lá, então os soldados arrombam e eles adentram, e lá estava o "cadaver" de Zero, inativo por 100 anos e protegido por uma espécie de escudo.

Eles começam a ser encurralados quando o soldado Milan tentando proteger Ciel, mas infelizmente morre, e Passy se vê sem opção e se sacrifica para desfazer o escudo, então Zero é revivido.

Zero vai protegendo Ciel dos inimigos até chegar a uma sala onde Ciel é capturada por um Golem, Zero tenta de tudo com seu poder mais não consegue, quando surge uma voz misteriosa a qual lhe entrega seu bom e velho Z Saber, e assim com um único golpe Zero resolve este impasse.

Zero não possui suas memórias, pois nem sabia seu próprio nome, só se lembra quando X é mencionado, pois Ciel lhe conta que X governa Neo Arcadia, um lugar supostamente de paz para Humanos e Reploids, mas muitos dos Reploids estão sendo injustamente acusados de Mavericks sem motivos para isso, então Ciel, que é Humana decidiu criar a Resistance, um lar para esses Reploids acusados sem motivos, a maioria militarizado para poder se proteger dos ataques os quais sofriam. Ciel então fala que Zero é a única salvação deles para continuarem se protegendo, ele então decide ajuda-los, fazendo missões de resgate à soldados, recolhendo ou resgatando informações, sabotando os suprimentos de Neo Arcadia, defendendo a Resistance Base ou buscando formas de gerar energia.

Logo percebemos que o jogo tem bem mais história a ser contada, um amadurecimento no enredo em comparação com as séries antigas, e uma levada bem mais séria no geral. A história vai sendo contada através das conversas com Ciel, antes ao inicio ou entre missões (muito melhor do que em Mega Man X5 onde você era interrompido), mas também conversando com os moradores da Resistence Base ou mesmo com inimigos mais notáveis, como os Four Guardians, criados com Base no X, sendo eles seus principais guerreiros. 

Um aspecto interessante de se reparar é que o termo Maverick não é mais usado como na série X para Reploids rebeldes que causavam realmente alguma maldade, mas sim a quem fosse julgado como tal, ou aos 'inimigos' de Neo Arcadia, tanto que se pararmos para pensar, há apenas um Maverick nesse primeiro jogo. Zero agora não é mais aquele amigão que apoia com um sorriso, e sim um cara mais sério que continua fazendo de tudo por quem acredita, e é respeitado até por seus inimigos. Pra fechar, os personagens, sejam principais ou secundários, possuem suas próprias personalidades e bem marcantes por sinal, ou seja, Mega Man Zero tem um enredo sólido e personagens muito cativantes.

- Jogabilidade
Mega Man Zero segue a jogabilidade da série X como base, pulo, dash, tiro, espadada, tudo muito fluido como sempre, mas com suas próprias características, como armas gimmicks sendo neste primeiro jogo a Recoil Rod, uma lança que ajuda atacar de uma maior distancia em 8 direções, ou o Shield Boomerang, que já está no nome sua função, o ruim disso é que para conseguir o potencial total de cada arma, você precisa farmar, derrotar diversos inimigos para chegar ao potencial máximo com cada uma. Mas a principal característica de mudança são os cyber-elves, programas personificados, que se sacrificados podem dar alguma habilidade momentânea a Zero, como não morrer em espinhos ou não cair em um buraco, ou habilidades fixas como aumentar seu HP ou se traformarem em sub-tanks, pois é, agora essas características bem sedimentadas da série X se perderam, pois também existe um sistema de Rank para cumprir as missões que varia indo de 0 à 100, de F à S, logo, existem penalidades, e você vai perdendo conforme não vai cumprindo as metas, há um tempo limite para completar as missões, há um numero de inimigos para serem derrotados durante as fazes, perdendo se usar retry, levar dano ou usar cyber-elves, então lhe dão a opção, mas se quiser um rank bom  automaticamente te privam dela, sem contar que, muitos cyber-elves precisam ser alimentados com E-Crystals, a moeda do jogo e 'fonte de alimentação', para serem utilizados e o grinding aqui é tão chato o quanto, pois é necessário muito e você consegue muito pouco, e para pegar um cyber-elf é necessário ir até um trans server, que serve para teletransportar de uma área à outra, mas também para alimentar e pegar o cyber-elf (que ja está no menu do jogo) para aí então poder utilizar, nada otimizado. Zero agora, diferente da série X, não aprende mais uma técnica baseada no Boss, e sim energiza suas armas com 1 dos 3 chips elementais, Ice, Fire e Thunder. Nem tudo são flores, seus maiores pecados são, possuir um sistema de vida falho o qual você acumula e perde não em uma missão, mas em todas, ou seja, perdeu todas as vidas, tem que voltar atrás no save, e não voltar ao inicio da missão, o que é bem desleal, e sim não são 8 bosses selecionáveis como é de praxe na franquia Mega Man, neste primeiro jogo temos uma lista de missões a serem cumpridas, em poucas áreas as quais são todas interligadas, o interessante é que em missão por mais que seja no mesmo local, o reaproveitamento é bem diferente, fazendo as coisas ficarem bem diversificadas, o ruim é que ele se torna uma tentativa de metroidvania falha, por dois motivos, um é que você só pode andar livremente pela área após completar todas as missões nela, e não há praticamente nada para fazer a não ser passear, a segunda é que alguns cyber-elves são conseguidos apenas durante a missão em si derrotando certo numero de inimigos, e não há como repetir a missão pois há a premissa de poder passear na área, então, não conseguiu durante a missão, perdeu sua única chance. Ele não tem nem um bom sistema de fases como Mega Man pela forma como obtém os chips e não pode voltar para a missão (algo estabelecido desde Mega Man 4), nem como metroidvania pois o sentido da exploração para obter coisas novas não há, bem, ao menos explorar a Resistance Base e conversar com os NPCs é um ponto positivo. Falando em fase, ele tem um level design excelente no geral, mas não é perfeito, pois comete um grande erro que são os pontos cegos em áreas de queda e espinhos, talvez os desenvolvedores não souberam lidar com a resolução do GBA nesse inicio? Bem, não da pra culpar o console por algo não solucionado pelo designer. Em suma, é um Mega Man X sendo jogado com o Zero mas de forma diferente, com grandes acertos e grandes falhas.

- Audio
Uma característica muito forte da franquia Mega Man é nunca pecar em trilha e efeitos sonoros, Mega Man Zero mistura Rock, Eletrônica, World Music, com uma pegada as vezes mais etérea ou épica, as vezes triste, mas geralmente com um tom mais de ação, as loucuras experimentais de Ippo Yamada, porém apesar de um som de qualidade (em composição, o áudio do GBA é triste) com essa variação que tinha tudo pra dar certo pra cada coisa casar em seu lugar, as vezes a ambientação não é boa, ou seja, a musica é boa, o stage é legal ambos ambos não casam, além de muitas faixas se repetirem em missões em áreas diferentes. Ótimas composições por mais que muitas vezes fugindo do cerne Rock & Roll da franquia, mas com uma ambientação mediana.
https://www.youtube.com/watch?v=go6mALmh7Zg

- Gráficos / Arte
Bem, a capacidade de áudio do GBA é fraca, em compensação a questão a gráfica é muito boa, e Mega Man Zero usa bem dela, com cenários bem variados ao ponto de ter um detalhe numa fase que não se repete mais nela, inimigos interessantes que casam bem com elas, com tons de cores menos vibrantes, até pra dar um ar um pouco mais sóbrio, mas ao mesmo tempo colorido, vivo, a ambientação visual é excelente assim como a sua direção de arte. Aqui entra um ponto em que muitos fãs, principalmente da série X reclamam, o design dos personagens, principalmente o de Zero que agora é mais andrógino, mas cá entre nós, a arte do Toru Nakayama é fantástica, e que mesmo sendo mais "cute" passa bem a seriedade e a situação dos personagens, os Reploids agora parecem mais humanos, e não só mais um bando de cópia do X com a quelas pernas e braços gordos como foi sendo feita após o X4, a solução de design dentro do jogo mesmo ficou muito bem feita, não há do que reclamar, não só por isso, os personagens são mais expressivos e com ótimas animações na hora da movimentação. Resumindo, ele é muito bem ambientado, muito bem animado, expressivo, e a nova cara dada por Toru Nakayama é bem marcante.

- Veredito
Mega Man Zero pode soar como um jogo experimental, mas é apenas um começo nas mãos da Inti, um começo um pouco complicado, um jogo deve ser avaliado principalmente pela proposta e realização, e ele cumpre em alguns aspecto e outros não, está longe de ser um jogo ruim, mas comete diversas falhas como ambientação sonora, erros de level design, má implementação do sistema de cyber-elves, mas ao mesmo tempo a trilha é boa, é um jogo muito bonito visualmente, a gameplay é muito fluida e o enredo é muito acima do esperado para Mega Man. É aquela parada, tem muito conceito bom, só que na hora de aplicar, vacila, mas é um bom jogo no fim das contas.

6.5 6.5 10
Overall
6.0 Gameplay
8.5 Story
7.0 Music
7.0 Graphics
Enredo / storytelling muito bem trabalhado
Personagens cativantes
Controle de personagem fluido
Sistema de Cyber-Elves mal implementado
Grinding excessivo
Sistema de vidas / game over mal implementado
Falhas de level design na questão de enxergar alguns locais com quedas / espinhos
Tenta ser um metroidvania, que além de falho, prejudica outros aspectos do jogo

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