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manoelnsn Manoel Nogueira

O evil adult dos RPGs


over 7 years ago 2015-01-25

Final Fantasy V Advance

Após inovar a sua franquia com Final Fantasy IV, a Square se preparava para lançar seu novo jogo. Entretanto ao invés de evoluir a jogabilidade da franquia, a empresa decide... Regredir. E assim surge Final Fantasy V: um jogo errado, que veio na hora errada e da maneira errada. Tudo, absolutamente tudo que ele fez e se propôs a fazer já havia sido empenhado por seus antecessores, incluindo personagens carismáticos, dungeons intermináveis, veículos, jobs. OK, ele trouxe os superbosses Omega e Shinryu, mas os coitados são brincadeira de criança perante às apelações que esse jogo pode oferecer...


A história deste não é menos terrível: temos novamente um mundo onde o equilíbrio é regido por 4 cristais, que são defendidos pelos Guerreiros da Luz e temos um vilão sem conteúdo que quer destruí-los, e consequentemente o mundo. Seu elenco consiste de Bartz, um viajante acompanhado de seu chocobo, que encontra um velho e uma princesa caídos perto de um meteoro e decide ajudá-los POR QUE SIM; Leene, a princesinha Disney cor-de-rosa super boazinha e meiga, que come até ervas envenenadas para curar um dragão doente, Faris, uma pirata que não age como pirata, e que na verdade é irmã da Leene e gosta de se vestir de macho para passar a impressão de um exterior mais forte, mas é só uma garotinha sem seu papa ; Galuf, um guerreiro de outro mundo que veio impedir certa árvore de fazer terrorismo, sendo o único personagem aduto da trama, mas que morre para que se complete o elenco shounen da mesma, dando lugar para sua neta Krile, mais uma companheira do Mickey Mouse, que fala com animais e roteiristicamente absorve as habilidades de seu vovô depois de sua morte.

Essa turminha do barulho tenta salvar os cristais, mas são sempre passadas para trás pro Exdeath, o vilão Power Rangers da trama que parece o Golbez, é clichê como o Golbez, gosta de quebrar cristais como o Golbez, tem uma risada maligna como o Golbez e que apanha de magias de uma pirralha, apanha de tartarugas milenares, apanha de moleques shounen e então mostra sua forma cruel e maligna...

UMA ÁRVORE!!!

Só posso imaginar que os produtores da Square estavam fumando um baseado na época e tiveram essa ideia brilhante, tal como todo o resto do jogo. Ah, e o Exarvore tem como objetivo aniquilar o mundo, levando-o ao nada, provavelmente porque ficou indignado quando algum cachorro mijou em seu tronco quando ele era um simples vegetal...


O gameplay do jogo consiste das já conhecidas jobs, que tal como em FFIII, não são fixadas no personagem, podendo ser mudadas conforme a necessidade. Contudo aqui foram abolidos os Capacity points(CP), portanto tu pode trocá-las quando lhe der na telha, como se fosse um guarda-roupas mesmo. Aí é que mora o perigo, pois cada uma destas possui acesso a habilidades únicas, que podem ser combinadas com outras, transformando cada um dos 4 personagens em uma máquina de matar imbatível. Por exemplo, posso fazer uma equipe de monks que jogam magias, usam lanças e dão um tremendo dano a cada acerto. Isso sem mencionar as jobs Freelancer e Mime, que podem combinar de  2 até 3 habilidades diferentes, podendo até mesmo utilizar todo o tipo de arma e copiar os ataques do parceiro sem o menor gasto de mp, respectivamente, tornando toda e qualquer dificuldade nesse jogo simplesmente relativa, pois se não conseguir derrotar boss X, quer dizer que não utilizou as habilidades/jobs/equipamentos corretos, nem sendo necessário um nível muito alto. Claro que essas habilidades têm um preço: a cada batalha você ganha certo número de pontos que são distribuídos entre suas jobs ativas e depois de certa quantidade, esta evolui um nível, até conseguir o nível máximo! É deprimente ter que treinar jobs inteiras apenas por alguma habilidade relevante! Mesmo os bosses extras das versões do GBA e Mobile, como Neo Shinryu e seu Hide, não podem fazer muito perante às diversas possibilidades que esse sistema desequilibrado pode oferecer...

Ah sim, o único ponto positivo no gameplay de FFV foi que ele foi o primeiro jogo a mostrar o medidor da ATB na janela de batalha. Mas isso apenas na versão SNES, já que posteriormente FFIV também recebeu essa função, acabando de vez com único real mérito do jogo.


Concluindo...

Alguns mais positivistas dizem que Final Fantasy V não é muito conhecido porque não foi lançado aqui no ocidente nas épocas do Super Nintendo, mas não é tão simples assim. Infelizmente o jogo é apenas mais do mesmo, em todos os sentidos, além de ter um sistema tão poderoso que torna toda e qualquer dificuldade obsoleta, desde que seja utilizado de maneira correta. Felizmente a Square era racional na época e lançou em seguida o melhor jogo de sua franquia: Final Fantasy VI, que evoluíra o sistema de jobs fixas de Final Fantasy IV, lançando esse projeto falho no esquecimento. Só consigo ver qualquer tipo de afeição por este jogo sendo relacionada à saudosismo ou falta de experiência no gênero, sendo definitivamente o pior Final fantasy da série clássica. E que continue esquecido, como sempre foi.

6.5 6.5 10
Overall
6.0 Gameplay
6.5 Story
8.0 Music
7.5 Graphics
Primeira aparição de superbosses como Omega e Shinryu
Barra de ATB visível(na versão SNES)
Sistema maçante e apelativo de jobs "guarda-roupa"
História linear e superficial
Elenco shounen
Vilão ridículo
Leseira de cristais e Guerreiros da Luz sendo utilizada novamente

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