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thecriticgames Matheus Pontes

Autor do livro Canções de Bruxas e Rapsódias de Fadas Negras disponível na Amazon em ebook.


11 months ago 2020-10-26

Strider

Strider é um dos personagens mais jogados de lado da Capcom e um dos mais subestimados pelo público em geral, sempre renegado a cameos e crossovers e muito conhecido hoje em dia pelos jogos da franquia Marvel vs Capcom onde muita gente o conheceu (incluindo eu). O estiloso ninja foi criado sob medida e encomendada pela Capcom, tal qual foi a criação de Sonic para bater de frente com Mario, sendo criação de Moto Kikaku, que apesar do nome é na verdade um grupo de mangakas, nisso o personagem surgiu em três projetos simultâneos, um manga, um jogo para NES e o jogo de arcade que é assunto da critica.

Um elemento simples mas muito distinto do combate é o fato do herói não se ferir ao encostar nos inimigos humanos, ele é simplesmente empurrado para trás.

Diferente do jogo de NES e do manga a versão de arcade possui uma trama própria (e sendo a versão de maior sucesso foi a base das sequencias) que ocorre no ano de 2048 (tamo quase lá!) onde a humanidade vive em sua maioria sob dominio de Grandmaster Meio, um misterioso ser que dominou toda a tecnologia do planeta e que governa o mundo com suas tropas de uma base artificial denominada Terceira Lua. Um dos exércitos a serviço de Meio a Federação de Kazakh (uma versão do Cazaquistão sob domínio soviético absoluto) entra em conflito contra grupos rebeldes que resolvem contratar o lendário grupo de mercenários assassinos os Striders, ninjas que fazem uso e excelência de algumas tecnologias futurísticas em suas missões, notavelmente suas laminas Cyphers. O Strider enviado é o mais novo e mais habilidoso deles (não faz muito sentido o mais novo ser o melhor, a não ser que o restante deles fossem velhos caquéticos) Strider Hiryu que parte na difícil missão de assassinar Grandmaster Meio. No controle do estilos ninja podemos andar, pular e atacar com a cypher, apesar de simples tais descrições estes poucos comandos se fundem em um gameplay que presa pela liberdade de movimento, Hiryu pode saltar praticamente para tudo quanto é canto, rotacionar no ar em um salto estrela caso o botão seja pressionado e segurado no salto indo também mais rápido e mais longe, pode correr entre superfícies íngremes sejam subidas ou descidas, podendo de quebra grudar em qualquer superfície, parede ou teto com auxilio de um tipo de picareta podendo inclusive subir/ descer ou ir da direita para a esquerda enquanto preso a estas. 

O jogador conta com um sistema de vidas, barra de energia e continues para encarar as fases, e você vai precisar se quiser finalizar o jogo.

O ataque principal de Hiryu cria ondas de energia com a sua cypher que não são interrompidas pelos saltos do herói fazendo o jogador criar praticamente uma onda cortante mortal a sua frente desde que continue pressionando o botão de ataque. Além disso o herói conta com um tipo de slide que pode matar inimigos e power-ups como itens de vida e invencibilidade temporária, um power-up que aumenta a extensão dos cortes da cypher, kanjis que podem recuperar energia, vida ou até fornecer um upgrade para a barra de energia, mas sem duvida o item mais notável são os "options" ajudantes robóticos encontrados em caixas, são eles Option A que tem a forma de um droid voador que circula o heroi destruindo inimigos e disparando projéteis podendo até 2 serem coletados ao mesmo tempo, Opt B que tem a forma de um tigre robótico e avança sobre os inimigos atacando eles sendo o mais poderoso dos options e Opt C que tem a forma de uma aguia robótica que temporariamente sobrevoa o herói atacando inimigos aéreos, salvo pelo C os demais tem uma conexão com um dos blocos de vida do personagem, ao receber dano e perder este bloco (que é marcado por uma cor diferente) o option vai embora. São 5 fases ao todo com 10 chefes e sub-chefes a serem encarados, os cenários variam até bastante com bases militares, florestas amazônicas com dinossauros e bases no gelo da Sibéria e posso dizer que as fases em si são o maior obstáculo aqui colocando armadilhas, abismos ou obstáculos físicos terríveis de se superar, principalmente nas fases finais com a maldita mudança de gravidade, não bastasse isso os checkpoints são do tipo demarcados pela fase, ao morrer você retorna em um ponto fixo como em jogos de consoles de mesa e não como costuma ser nos arcades onde cada ficha lhe fazia voltar no exato mesmo lugar.

Strider recebeu incontáveis portes, dois dos mais notáveis são o de Mega Drive e o de PC Engine, e alguns deles contam com novidades como a fase Oil Fields da imagem e dois chefes extras.

A trama simplória acaba por ser enfeitada em matérias externos com backgrounds mais elaborados de alguns chefes (algo bem permitido já que o dinamismo dos arcades não da vão para esse desenvolvimento) como as mercenárias Kuniang lideradas por Tong Pooh, que são mercenárias chinesas que conseguem emular o plasma das cyphers dos striders com seus pés tornando-os rivais (Tong Pooh inclusive é um aliado especial de Marvel vs Capcom), Captain Bear que era um aliado mas que passou servir a Meio após uma derrota humilhante, General Mikiel e seus oficiais cazaques que a serviço de Meio se fundem em uma centopeia robótica gigante o Ourobouros ou talvez o mais legal de todos Solo, um mercenário que foi contratado para caçar Hiryu mas que não faz parte das tropas de Meio (decisão dos criadores para elucidar que nesta guerra haviam mais do que dois lados) e que utiliza uma armadura completa repleta de armas com obvias influencias de Han Solo e Boba Fett e cujo nome simples foi deu a ideia do nome de outro personagem com nome igualmente simples da Capcom, Zero de Mega Man X. Nos aspectos técnicos o jogo chega a impressionar com seus efeitos visuais notavelmente os cortes e desmembramentos da cypher entre outros efeitos de armas em tela, ainda que seus sprites sejam menores, menos detalhados e menos impressivos do que outros jogos da época como o Final Fight tambem da Capcom, já na trilha sonora ele é repleto de temas bem legais como Intro do St. Petersburg, Peterburg Mid Boss, Petersburg 3 (minha favorita), Syberian Wilderness, Adventure in Amazon 2 com seus toques nipônicos (que não fazem o MENOR SENTIDO), toda essa trilha sonora acaba sendo acompanhada pelo estiloso efeito sonoro do corte de plasma da cypher, mas o jogo acaba se auto sabotando neste ponto com uma verdadeira corrupção sonora que toma os canais de audio entre cortes, musicas, gritos de inimigos, sons de alarmes ou explosões que impedem de apreciar a boa sonoridade do jogo.

O jogo também é dono de um voice acting bizarro por parte de Meio e seus seguidores.

Strider é um jogo de ação muito bom e original para sua época, sua dificuldade claro pode afastar os jogadores mais novos, mas não é nada absurdo pra quem gosta de um desafio mais hardcore.

8.2 8.2 10
Overall
8.0 Gameplay
8.0 Story
8.5 Music
8.5 Graphics
Sistema de saltos com movimentação e ataque livres, sistema de options (os robôs invocáveis), efeito de corte da cypher e chefes interessantes.
Dificuldade massiva de algumas fases e sequencias de obstáculos, sistema de checkpoints sofrível.

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