2022-06-20 12:30:46 -0300 2022-06-20 12:30:46 -0300
anduzerandu Anderson Alves

Registro de finalizações: Diablo Immortal

Zerado dia 20/06/22

Ah, eu nunca vou me esquecer como conheci Diablo II: Lord of Destruction aleatoriamente virando a noite numa lan house no Rio De Janeiro com amigos quando eu tinha uns 13 anos de idade. Que jogo sensacional aquele! Alguns anos depois tive meu primeiro PC e achei o jogo para comprar e lá se foram meses ou anos de muita jogatina, primeiro sozinho (e ficando preso na batalha contra o próprio Diablo pois fiz uma build de paladino completamente aleatória) e depois online com amigo(s) e até aleatórios por aí. Essa era a vida! Adorava como o jogo era criado aleatório a cada campanha, as mil e umas possibilidade e customizações com cada classe de herói, o enredo da campanha, explorar os cenários que pareciam contar uma história e a ambientação! Que ambientação! Eu diria que D2 era exatamente o que Dark Souls é para mim hoje em dia em todos os aspectos!

O fato é que os anos foram passando e eu fui finalmente cansando, mas ainda o considero uns dos melhores jogos já criados e perfeito no que propunha. Sensacional! Não voltei para jogar sue remake, Resurrected, justamente por ter jogado muito o original (até joguei a demo/beta mas tive problemas de performance e realmente eu já estou satisfeito com D2 no momento). Mais tarde anunciaram Diablo 3 e eu pirei! Mas foram anos até conseguir o jogar pois inicialmente ele estava muito além do poder do meu computador e eu nem sonhava em ter um console como Xbox 360 ou PS3 pelo meu poder aquisitivo, mas quando finalmente chegou a hora... Achei o jogo uma grande decepção! Muito fácil, linear, limitado e com visuais infantis. O impacto daquela experiência foi tão grande, de forma negativa, que não me animei com nada mais da franquia, nem mesmo Diablo 4.

Há alguns anos, assim que entrei na Alvanista, joguei o primeiro Diablo (se não me engano foi o primeiro jogo que escrevi uma crítica por aqui). Gostei bem mais dele, mas também é um jogo bem curtinho e limitado e que seria muito melhorado em sua sequência. Ainda assim o considero um bom jogo e muito mais interessante do que o baby-like D3.

Mas e Diablo Immortal? Anunciaram esse jogo numa conferência da Blizzard e eu achei a ideia interessante enquanto a fanbase odiou! Todo mundo querendo um título novo de peso e os caras anunciam algo para celulares!

Mas eu curti a ideia, e sendo grátis ainda, não perdi a fé enquanto todos pediam o seu imediato cancelamento antes da hora, haha. Lembro ainda que fiz o pré-cadastro para baixar DI assim que ele fosse lançado, mas demorou bastante, viu? Fui até perdendo o interesse e achando que poderiam desistir de lançá-lo.

Há poucas semanas atrás o jogo finalmente ficou disponível e logo quando eu tinha decidido baixar e jogar outra coisa no smartphone: Fallout Shelter. Diablo teria que esperar um pouco, mas decidi baixar logo seus 2GB e a primeira sacanagem aconteceu quando a Play Store disse que eu precisava de mais espaço e sem querer eu apaguei o Fallout e meu progresso de alguns dias! 

Na minha curiosidade e já sabendo que jogaria DI em breve pelo hype do povo e liberar espaço no celular, resolvi dar uma conferida no jogo e logo na tela inicial ele sugere que há mais download a ser feito, embora tenha me parecido relativamente opcional. E isso porque haviam pacotes de coisas como texturas ou feições dos personagens ou algo assim, mas também haviam mapas (que agora sei que são localidades obrigatórias na campanha). Mandei baixar tudo mas sempre precisava de mais e mais espaço e meu celular (de 64Gb de HD) estava mesmo meio cheio pois costumo gravar vídeos e tirar fotos em alta definição. 

Isso me obrigou a deletar muitos arquivos interessantes, mas creio que a Google tenha feito os backups certinho (espero). No final das contas, DI pesa, atualmente, 12GB!

Iniciando a aventura, pude escolher entre algumas das classes clássicas, como Bárbaro, Feiticeira, Caçador de Demônios, Monge etc. É possível ainda escolher entre o gênero feminino e masculino, o que trás mudanças visuais e na voz do personagem, que fala durante as missões. A minha escolha foi o Necromante pois fiquei com medo de a jogabilidade exigir muita precisão e velocidade na touchscreen e meus summons poderiam fazer o trabalho pesado!

Bom, os primeiros momentos de DI resumem a campanha inteira, que age quase que como um grande tutorial 95% do tempo: o jogo te manda ir para algum lugar falar com alguém ou derrotar certos monstros e uma espécie de GPS se ativa na tela. Você segue as pegadas até o seu destino e faz o que é preciso e depois novamente e novamente e... Mais uma vez.

Tudo é muito simplificado e não há a menor necessidade de exploração visto que você pode seguir o "GPS" mas mesmo se optar por o desligar, o mapas são abertos, genéricos e vazios (senão pelos monstros andando por aí).

Visualmente o jogo é muito bonito e se assemelha muito a D3. Até me sentia jogando uma DLC dele ou coisa assim. Nem preciso dizer que para mim isso chega a ser um ponto negativo pois esse artstyle que a Blizzard adotou é muito colorido, cheio de neons e até infantil, como se eu estivesse jogando algo oriundo de League of Legends ou sei lá.

Dei uma olhada nas opções e há alguma customização de nível gráfico. Bizarramente o meu celular não suporta a opção de 60fps, então tive que me contentar com os 30 mesmo (e é um ótimo celular recente). Mas ele deixam você melhorar texturas, efeitos visuais etc e mencionam que isso pode afetar o desempenho e consumo da bateria (tem até uma barra indicando o quão "pesado" o jogo está naquelas configurações. Fiquei trocando entre o modo de baixa, média e alta performance mas não notei diferença (só no fraco que talvez tenha visto um pouco de serrilhado, mas é completamente jogável e nada feio).

O que me incomodou mesmo na parte visual é a interface de usuário, ou seja, as informações na tela do jogo que são demais e fazem jus ao lado "MMO" de DI. Há botões de combate e movimento mas há foto com informações, mini mapa, menus, nomes e barras de vida dos inimigos, o analógico virtual e se você deixar aberta a aba com as instruções da missão atual e o chat de texto, fica um verdadeiro caos! Infelizmente um caos um tanto necessário e que deve ser melhor disposto jogando num PC. Infelizmente não tenho nenhuma imagem que faça jus ao que eu disse.

Nesse início você vai perceber que o personagem ganha níveis muito rapidamente. Eu mal testei o jogo e já estava no nível 17 e a última missão principal se dá no 56. 

Outra coisa que me desagrada é que o loot é, assim como em Destiny, totalmente aleatório em relação a estética. O que eu quero dizer é que nos jogos antigos você começava com roupas de couro, vestes simples, e passava pelo metal e assim por diante (mais uma vez, como Dark Souls). Aqui na primeira hora o seu personagem já tem vestimentas que se parecem lendárias, como cores mais fortes e mais efeitos neon. Todo mundo aprece super forte, haha.

Para finalizar a parte bizonha de DI, ele é cheio de menus e menus dentro de menus dentro de menus. Há vários bônus por completar missões específicas, determinados atos, ganhar níveis no passe de batalha (sim, tem um PB) e mesmo cosias para te seduzirem a gastar alguma grande depois. Porém, reivindicar todas essas cosias exigem que você acesse diversos menus e ícones dentro de outros e por aí vai. Que bagunça! Não podia juntar tudo num lugar só?

Enquanto você deseja avançar na campanha e reza para que o próximo nível do personagem melhore uma das quatro habilidades que você equipou e está usando, DI insiste em te ensinar mais e mais lugares para jogar multiplayer. Tem um que você joga em grupo derrotando monstros e um chefe no fim. Tem outro que é basicamente a mesma coisa, e mais outro, e mais outro. Tem lugares que você precisa jogar muito ou pagar para ganhar joias e coisas assim para equipar nos seus equipamentos e tal, tem um lugar que demanda que obrigatoriamente 8 jogadores lutem contra um mega chefe e até um lugar que funciona exatamente como um MOBA, fora os modos convencionais de PVP.

Há muito foco no multiplayer e as cidades e demais mapas estão sempre cheio de pessoas paradas (ao maior estilo WoW) ou andando por aí e até roubando as kills de monstros que você precisa para missões. É definitivamente um jogo social.

Durante a campanha, é tudo muito fácil, ridiculamente fácil, e os desafios de verdade ficam a critério das missões opcionais que você arranja gente aleatória, inclusive pelo chat do servidor, para conseguir loot e tal, mas geralmente não vi nenhuma vantagem.

Para mim, o pior lado de DI é que em certos momentos dessa campanha o jogo simplesmente te obriga a alcançar certos níveis, como 5 acima do seu, e a partir de um ponto, isso fica muito lento, muito mesmo, Esses últimos dias eu passava horas apenas upando o personagem para fazer uma missão e logo em seguida me obrigarem a subir mais 5. Isso é bem chato.

Resumindo: Diablo Immortal é um jogo que parece direcionado para quem curte Diablo 3, MMOs ou ambos. É uma aventura completamente simples e automatizada e com um enredo meios em sal, que se passa a seguir de D2. Felizmente a experiência é gratuita e é totalmente possível terminar sem gastar um centavo, mas exige paciência em certos momentos com muita repetição para alcançar o nível que por algum motivo é obrigatório pela campanha ou mesmo aguentar esse festival de missões genéricas, diversas vezes cada.

De bom: belos visuais e um dos melhores de celular. Para um jogo mobile, ele me parece bem caprichado em detalhes visuais e até um enredo com cutscenes e tal. Jogabilidade simples e com alguma estratégia em desafios mais tensos. Campanha com duração boa, senão fossem as necessidades de ganhar níveis para prosseguir. Dá para terminar gratuitamente. Bastante conteúdo para quem quiser continuar jogando.

De ruim: muito simples. Muito mais MMO do que eu imaginava, incluindo missões de ficar matando monstro para consegui itens e a poluição visual de nomes de personagens e de clãs na tela. Cenários vazios e desinteressantes, com alguma exceções (que ainda são vazios). Desafios em grupo se baseiam em muitos monstros na nossa direção e todo mundo usando qualquer habilidade que tiver disponível e toda aquela bagunça de efeitos especiais. Todo mundo parece alto nível desde o início. Builds muito limitadas e todo mundo acaba sendo igual. Muitos menus dispersos com muitas finalidades. Matar monstros parece não dar XP nenhum, mesmo os mais fortes que você e o foco deve ser missões de passe de batalha e afins. Que paga tem vantagens e o PvP deve ser impossível se você não gastar nada. Em questão técnica, DI devora a sua bateria, pode variar o desempenho bastante e requer conexão com a internet o tempo todo.

No geral, achei que a experiência foi um bom passatempo, mas longe do que eu espero de uma jogatina de Diablo. Achei ainda que ele se estendeu um pouco demais com essa coisa de me fazer ganhar níveis para prosseguir. Poxa, me deixa jogar! Eu nem estou fraco! Vi aqui os recentes gameplay de D4 e, mesmo parecendo algo muito superior, parece mesmo que eles vão seguir esse artstyle mais pop e todo o lance social, cheio de gente perambulando na tela ao invés daquela sensação de solidão bacana. Sobre DI, completamente passável.

Diablo Immortal

Platform: Android
6 Players
1 Check-in

11
  • Micro picture
    seufi · 5 months ago · 2 pontos

    "Ainda assim o considero um bom jogo e muito mais interessante do que o baby-like D3." Concordo. Joguei a versão de psx a pouco tempo e ele ainda se sustenta como um bom jogo, limitado, mas bom. Já o D3... maçante. Não te estimula muito a procurar novos equipamentos.
    Por exemplo: To com um druida 91 no d2. Achei uma besta muito boa pra ele. Agora, como tiro muito dano, o comportamento dos boss muda e ele fica tentando me atacar. Com a besta velha, ele ficava tranquilo batendo no urso. Fora a dificuldade do tormento. Mas no d3, sinceramente, nem de muito equip você precisa.

Keep reading → Collapse ←
Loading...