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anduzerandu Anderson Alves

Registro de finalizações: Earthbound Beginnings

Zerado dia 08/06/22

Jogo número 5 da minha lista terminado! Só mais 4!

Lá para 2008 eu resolvi conhecer Earthbound do SNES emulando no PC por algum motivo (provavelmente para conhecer o tal do Ness que estava em tudo quanto era Smash Bros.) e curti demais o jogo! E desde então não voltei a ele, mas seu conceito parece ficar cada vez mais interessante conforme conheço outros jogos, sobretudo RPGs, tanto da época quanto atuais, desde as experiências com Final Fantasy e Undertale até mesmo por reviews como o AVGN fez para ele. Que jogo maneiro!

Anos depois de terminar o jogo de SNES e enrolar de conhecer Mother 3 do GBA fiquei sabendo que na verdade Earthbound era o segundo jogo da franquia e que existia um título anterior no NES, chamado apenas de Mother, e que nunca tinha dado as caras no ocidente. As imagens pareciam bem legais!

Já lá para 2014 e acompanhando a cena do meu até então atual Wii U, a Nintendo resolveu lançar o jogo em inglês na eshop. Uau! Não sei se ele já tinha dado as caras por aqui pelo Virtual Console do Wii anteriormente, mas fiquei muito contente.

Por outro lado, tinha muitas dúvidas sobre jogar um RPG da época e não chegava a hora de comprar e jogar o que veio para cá com o nome de Earthbound Beginnings. Acho que até me esqueci com o tempo e mais tarde troquei meu Wii U num Xbox One (e então num PS4).

Mais recentemente eu vinha me lembrando como eu queria conhecer esse jogo, até porque os jogos de NES do meu interesse parecem estar acabando e eu só iria jogar Mother 3 depois de finalizar Mother 1. Não queria emular nos PSP da vida pois tinha fé que ele viria no serviço de emulação oficial do Switch, que daria um gás à experiência. E não é que finalmente veio?

No dia que saiu eu já comecei de tanta curiosidade e vi o início. Você começa dando nomes aos personagens como em Earthbound e como eles não tem um por padrão no jogo tive que pesquisar na internet do que deveria os chamar para deixar a coisa original: Ninten é o garoto que parece o Ness e seus companheiros são Ana, Lloyd e Teddy. Tive que dizer qual era minha comida predileta e afins. Acho estranho tudo isso mas vamos entrar no clima.

Já no jogo, começa bem parecido com a de seu sucessor com o Ninten em casa, um pouco de enredo e lutas contra objetos inanimados como abajures e afins. Tinha me esquecido como no mundo dessa franquia os inimigos são coisa bem diferentes e divertidas, fora que tudo acontece num mundo bem contemporâneo, ao contrário da enxurrada de RPGs de fantasia medieval (que já até me cansaram um pouco).

Depois de conhecer a família, o clássico "pai-telefone" e coletar uns itens, parti na minha aventura rumo à...algum lugar. Segui o caminho que tinha.

Inclusive essa coisa de não saber exatamente o que está acontecendo ou para onde ir é um defeito que me perseguiu a aventura quase toda. Eu simplesmente ia para onde podia, falava com todo mundo e tentava resolver problemas com base em direções e contexto. Felizmente o início até ajuda bem e você tem que ir ao sul em busca de uma garotinha que desapareceu e levá-la de volta ao prefeito.

Fui para lá e você anda e anda e anda e aí comecei a perceber um segundo grande defeito de EB: a bizarramente grande taxa de encontros aleatórios com inimigos! Você mata um monstro, volta ao controle do Ninten e as vezes mal dá um passo e já se inicia outra batalha! Haja saco!

Você pode pensar que ao menos ficaria bem forte rapidamente, mas o level up é muito lento e muitas batalhas são...estranhas, mas já entro em detalhes. Enfim, para se ter uma noção, eu terminei a campanha com um personagem mais forte no nível 28!

Mas também me equipei rápido e a coisa toda fez diferença: os inimigos ficaram uma piada. Aparentemente esse jogo é famoso por ser extremamente dependente de "grinding" ou seja, ficar mais e mais forte ganhando níveis ao invés de usar estratégia e pude comprovar que é exatamente isso. E é aquilo: mil e uma batalhas para passar um nível.

Salvei a garota e completei a missão. Estava curtindo. Segui caminho e haviam guardas bloqueando caminhos até que eu resolvesse algo no zoológico que eu não fazia ideia de onde era, então andei e andei e andei. Andei tanto que pensei que não podia estar certo pois era muito longe da cidade mas adivinha só! Cheguei no zoológico.

Aqui que o jogo começou a ficar chato pois além de muitas batalhas os inimigos eram muito fortes mesmo e a cura é muito limitada. Vencia algumas lutas, morria e felizmente você não perde progresso, apenas uma pequena quantidade de dinheiro e tem que andar tudo de novo desde o hospital. Tudo isso pra ganhar mais umas batalhas e quem sabe um nível até morrer novamente.

Depois de algum tempo comecei a perceber que Earthbound Beginnings se assemelha bastante à um gigante da época: Dragon Quest! Os visuais são parecidos, as batalhas em primeira pessoa, o estilo de arte e até as magias.

Eu não nego que gosto demais de DQ, mas alguns jogos envelheceram mal e eu não jogaria, como os primeiros jogos da franquia que vacilei em não jogar os remakes de celular e tive muita dificuldade de me interessar mesmo em suas versões de Game Boy há quase 10 anos atrás. EB segue essa mesma linha de ser difícil de digerir e diria que os DQ ainda trabalham muitas coisas de forma muito superior, como o enredo, continuidade, level up, equipamento, mapa e interações em NPCs. Aqui é tudo tão básico e limitado, sem direcionamento algum, cansativo. E cá estou eu, o jogando (arrastando) em 2022.

Enfim, cheguei num lugar psicodélico e com os famosos birdmen que vejo nos Smash Bros. Bacana! Descobri então um fundamento para a minha jornada: encontrar as 8 melodias para uma rainha.

Uma cidade nova e diálogos completamente sem noção. Eu estava muito perdido na história e contexto, mas estava indo para frente. E digo isso sendo uma pessoa que adora Earthbound!

Uma coisa que ODEIO nesses RPGs da época é que toda ação é feita abrindo um menu e escolhendo uma ação. Por exemplo, você quer falar com uma pessoa então anda até ela e aperta A, mas se abre um menu e você escolhe Talk pressionando mais uma vez A. As vezes você vai até a pessoa, abre o menu e escolhe Talk mas ela se move antes de você conseguir então você tem que fechar o menu, andar até sua nova posição, abrir o menu e rezar para que ela não ande mais uma vez.

O problema da lentidão se estende por toda a aventura já que muitas vezes um toque do botão não é o suficiente para fazer o Ninten reagir e há sempre muito delay nos comandos. As vezes você aperta o menu, depois para baixo para a opção de verificar o inventário e A para confirmar, mas o jogo não registra direito e confirma na primeira opção, Talk e você fica falando com ninguém. Haja paciência!

Outra coisa muito irritante é que, por exemplo, você quer equipar um personagem com 3 itens, ou usar diversos itens ou mesmo mandar algo do inventário de um para outro, mas cada vez que você faz uma ação, o menu confirma e depois se fecha! Sendo assim você tem que abrir o menu, navegar até o inventário e usar o que quiser para cada item, um por vez. Deus do céu!

Além de não ter indicação de nada do que fazer, não há sequer comparativos dos itens nos mercados ou o que eles fazem ou quem pode os usar. Com um inventário mega limitado, fica difícil administrar o que é ou será útil, o que jogar fora, o que pode ser equipado ou o que devo comprar. Que bagunça!

Cheguei a ir para mapas futuros antes da hora e sem saber se deveria ter mais gente no grupo pois é muito fácil sequer estrada sem encontrar os demais personagens e o mapa se abre demais, fora que alguns lugares são difíceis de ver ou alcançar e tem cara quase de segredo ou opcionais. Cheguei a conclusão de que você tem que jogar EB com algum guia nem que seja para saber seu próximo rumo, e foi assim que fiz.

Resumindo: Earthbound Beginnings foi um jogo que me deixou na vontade por anos, mas infelizmente não chegou a cumprir com a expectativa e não passa nem perto de sua sequência no SNES. Vi muita gente comentado que ele é como um protótipo do que seria o Mother 2 e essa é a descrição perfeita! Sabe aquele papo do Demon's Souls ser um rascunho para Dark Souls? É o mesmo sentimento, com a diferença de que Demon's Souls é um jogo muito bom.

De bom: visuais legais. Trilha sonora fantástica. Muitas boas ideias que felizmente foram levadas e aprimoradas em sua sequência.

De ruim: pouquíssima informação para o jogador. Gameplay dependente de level up. Ganhar níveis é muito lento. Muitas batalhas são aleatoriamente difíceis e um inimigo simplesmente usa magia que causa, sei lá, 180 de dano e dizima seu personagem (o último chefe causa entre 30 e 40 de dano por ataque). Delays de comando e jogabilidade lenta demais. Muitas dúvidas, tempo perdido e confusões desnecessárias se você não tiver o mínimo de ajuda de um guia te dando ao menos uma dica do seu próximo passo.

No geral, fiquei decepcionado com o jogo, mas ao menos valeu conhecer a fundo um pouco mais das origens da série Mother, coisa que eu poderia ter feito vendo um vídeo no Youtube ou um speedrun ou sei lá. Jogo ruim, não recomendo.

EarthBound Beginnings

Platform: Wii U
20 Players

9
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