2021-07-04 21:28:30 -0300 2021-07-04 21:28:30 -0300
anduzerandu Anderson Alves

Registro de finalizações: Fuser

Zerado dia 04/07/21

Fuser é um daqueles jogos que você vê nessas conferências de video games e meio que ignora pois parece que já existem vários outros do tipo por aí. Eu lembro de ter visto seu vídeo de anúncio e não ter entendido bem do que se tratava, inclusive.

Esse não é o tipo de jogo que eu compraria, para ser sincero: que simula instrumentos musicais e tal, provavelmente cansado até hoje dos anos e mais anos de Guitar Hero e Rock Band, mas o liberaram de graça por uma semana para assinantes do Nintendo Switch Online e eu tive que aproveitar o Trial. IT'S FREE!

Vou mencionar também que eu não cheguei a jogar DJ Hero, então não posso fazer comparações. Além disso, me sinto na oportunidade de dizer que gosto de música eletrônica, mas não de todos os seus sub-gêneros. Digo isso porque a galera meio que vira a cara quando toco no assunto, mas achar que todo Electro é igual é ser igual aquele povo que acha que todo rock é Thrash Metal. Sem noção!

Quando eu instalei Fuser eu já tinha noção que se tratava de um jogo de DJ, mas como era isso? Vi no howlongtobeat.com que ele levaria em torno de 8 horas para ser terminado. Ótimo!

Ao abrir o jogo pela primeira vez, eu tive que criar um personagem. Criei meio que de qualquer forma pois não me importava muito (os modelos parecem um bocado aqueles avatares do Xbox 360). Escolhi gênero, altura, gordura, cor, coloquei barba, depois parti para a parte do vestuário e equipei um boné, uma jaqueta, uns acessórios etc.

Já na campanha um personagem fala com você e você só assiste em primeira pessoa. O jogo é dublado e os personagens falam com você como se estivessem meio drogados e pagando de descolados com gírias traduzidas ao pé da letra e vozes bestas. Essa parte é meio irritante, mas tem como pular. Eu mesmo assisti todas pois acreditei que o enredo pudesse ficar interessante.

Vale mencionar também que, embora esses vídeos pareçam pré-renderizados, aparentemente não é o caso! O jogo trava bastante nessas cenas entre as fases e as vezes sequer executa, ficando congelado apenas com as legendas trocando.

Apenas no final da campanha que pude ter a certeza de que toda aquela aventura servia como um grande tutorial, quase que como um mini curso para você poder arrasar nas festas com seus amigos ou mesmo curtir um pouco de música e cores no seu quarto. Achei até justo.

Ao selecionar a primeira fase, você tem meia dúzia de músicas obrigatórias no seu set e deve preencher o restante dos espaços vazios. Essa parte é bem curiosa, pois há uma boa variedade de músicas disponíveis e diferentes gêneros, além de mais um bocado para desbloquear com dinheiro do jogo (difícil de ser conseguido para fazer você gastar seu dinheiro de verdade).

As músicas passam pelo Pop, R&B, Country, Rock, Rap/Hip Hop, Dance etc. Há muitas músicas contemporâneas daquelas que tocam nas rádios e redes sociais (The Weeknd, Dua Lipa, Coldplay)e até algumas meio inusitadas, como Don't Fear the Reaper do Blue Oyster Cult, Killing in the Name of do Rage Against the Machine ou Any Man of Mine da Shania Twain.

Imagine mixar essas músicas juntas!

Pois bem, o jogo funciona assim de início: você controla uma retícula na tela e ao passar por cima de uma das capas de músicas do seu set, você pode apertar um dos ABXY para colocá-la para tocar.

-Y equipa a música no espaço de bateria, deixando apenas essa parte daquela música audível.

-B inclui o baixo (base) daquela música ao mix.

-Y inclui instrumentos de melodia como a guitarra e seus riffs.

-A adiciona a voz daquela música à mixagem.

O grande lance do jogo é ficar trocando os discos e fazendo diferentes mixagens e, seguindo o tutorial de QUANDO trocar as músicas, fica bem fácil e os resultados são muito bons 95% das vezes. Faz você até querer ser DJ!

Com o passar das fases você vai aprender muito mais coisas com os demais botões tanto do controle quantos os disponíveis digitalmente na sua mesa de mixagem: há a possibilidade de silenciar um dos quatro discos, de tocar apenas aquele disco até quando você desejar trazer os demais de volta, de tirar um disco, de fade-in e fade-out com os controladores de volume, há a possibilidade de alterar o tom, mudar a velocidade de reprodução, fazer várias músicas serem tocadas ao mesmo tempo substituindo o mix atual, efeitos de som, instrumentos que você mesmo toca e assim por diante.

O interessante é que essas novidades aparecem até o final da campanha, o que me ajudou bastante a suportar o jogo pois depois de um tempo ouvindo a minha limitada coleção de músicas, você começar a ouvir algumas delas um pouco demais. Outra coisa legal é que mesmo no final do jogo e com tantas possibilidades, nunca pareceu coisa demais pra lembrar!

Na verdade o maior desafio mesmo é tentar ser criativo. Dá para jogar ou mesmo animar uma festinha de amigos com conhecimentos basicamente nulos? Tranquilamente! Mas acredito que alguém que entenda melhor do assunto ou já tenha experiência com o jogo consiga fazer algo ainda mais legal.

Mas afinal, há algum desafio? Claro!

O grande desafio é cumprir as missões que aparecem na tela. Em parte as fases tem missões fixas que sempre aparecerão quando você as jogar. Essas missões são do tipo: adicione uma música específica, retire um disco, adicione tal cor de disco, adicione tantas discos da mesma cor específica, adicione um efeito qualquer ou específico em uma música qualquer ou específica e muito mais.

Já da outra parte, a plateia pede músicas. Geralmente são faixas específicas ou pedem por um gênero, uma década ou um instrumento musical.

Sendo assim durante uma partida você fica o tempo todo olhando as missões na tela, tentando as cumprir antes do tempo acabar, tentando encaixar as novas adições no tempo certo para não perder "HP" e ainda correndo contra o curto tempo de pedidos da plateia. Imagine uma missão que pede que você deixe tocando duas músicas do gênero Dance ao mesmo tempo por um tempo enquanto outra dessas missões exige que uma música vermelha tenha efeito. Já a plateia está pedindo a adição de uma nova faixa de voz e uma música da década de 1980. E você trocando músicas no tempo certo, esperando o marcador chegar na posição correta e fazendo coisas extras para ganhar seu "HP" que fica constantemente acabando.

Cuidado para não substituir uma música de outra missão antes que ela seja cumprida, cuidado para não perder o timing, cuidado para não ficar sem HP nem confundir os botões e comandos!

E assim que você terminar essas missões, logo entram novas. Pode ser estressante! 

Ao terminar uma fase (set), você ganha experiência (ao passar de nível você ganha 300 de dinheiro e cada música custa 200) e prêmios cosméticos de acordo com a sua pontuação, que basicamente exige fazer muita coisa no seu set e cumprir as missões todas. Os cosméticos exigem 3 e 5 estrelas para cada parte em cada fase.

Depois disso há mais história e uma nova fase é aberta.

A campanha é dividida em 6 capítulos, sendo a maioria deles com 6 sets cada. Cada capítulo ainda apresenta um novo personagem que fica enchendo seu saco e uma nova fase, mas todas são bem psicodélicas bem ao estilo Tomorrowland e não há quase nenhuma sensação de progresso.

Cada set demora uns bons minutos e fazer uma fase as vezes é meio chato, não dá pra mentir.

Resumindo: Fuser é um jogo legal  que funciona muito bem. Dá pra jogar casualmente e fazer grandes sons e dá pra levar a sério e criar um mega mix maneiro. Dá pra imaginar algum tipo de coisa profissional envolvendo o jogo. Dá também pra se divertir um bocado em festas com amigos por conta do fator "freestyle" de mixar como quiser, e as possibilidades são muuuuitas, mesmo querendo que tivesse ainda mais músicas. A campanha é um grande tutorial e os personagens são genéricos e horríveis, mas o foco aqui deve ser definitivamente o gameplay.

De bom: eu fiz muitos mixes bem bacanas e entendi bem melhor a lógica por trás de ser um DJ e como pode ser legal! O jogo conseguiu incorporar muito bem os comandos de uma mesa de remix dessas. Músicas dos mais variados gêneros! Possibilidade de jogar free play, multiplayer e até tocar online! Jogo totalmente em PT-Br.

De ruim: personagens e enredo terríveis. O jogo tem problemas de desempenho demais no Switch, mas felizmente fora da área de gameplay. Fuser chegou a travar e fechar várias vezes durante a campanha e muitas vezes do meio pro final de uma fase, o que me fez concluir que, apesar de ter me divertido, no Switch seria uma péssima escolha. Imagine jogar para os outros e o jogo fechar do nada! Achei que poderia ter mais músicas e grande parte das que tem demoram demais para conseguir desbloquear (faltou um monte pra mim, fora as de DLC). Odeio a estética Tomorrowland.

No geral o jogo funciona muito bem e definitivamente os desenvolvedores fizeram um belo trabalho, e ainda vou além dizendo que a comunidade no PC provavelmente vai fazer esse jogo bem mais completo no futuro com mods e afins. Se você é do público de DJs e música eletrônica, é um jogo bem legal e eu recomendo. Se você não curte, a ideia ainda é boa e tal, mas as músicas vão cansar rapidamente.

FUSER

Platform: Nintendo Switch
5 Players

8
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