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vianna Rafael Vianna

Ni No Kuni II, por que devo jogar?

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Ni No Kuni II é um grande presente do Studio Ghibli para os apreciadores de RPGs de qualidade, mas também é uma grande oportunidade de debate de questões atuais da nossa sociedade.

Aqui, irei tentar fazer um paralelo entre a mensagem e a engrenagem, ou seja, atrelar as escolhas técnicas dos criadores com o conteúdo que ele te apresenta. E vou tentar fazer isso sem spoilers relevantes, então por mais que hajam algumas informações de enredo, vou tentar não me aprofundar muito para não estragar a experiência de você que quer jogar também.


A irresistível arte gráfica característica das criações Ghibli, aliada a um discurso extremamente atual em uma roupagem poética única dão vida a esse excelente RPG.

Ni No Kuni II te joga, assim como seu antecessor, em uma realidade paralela, onde o mundo é habitado por diferentes raças evoluídas pensantes. Os caninos, felinos, tritões, roedores, humanos entre outros dividem espaço nessa que pode ser interpretada como uma clara alusão as etnias do nosso mundo.

O enredo consiste em premissas comuns, onde o protagonista anseia por uma conquista significativa, encontrando aliados que acreditam eu sua visão em busca do bem comum. 

As mecânicas também não são nenhuma novidade, como RPG você será desafiado em  graus lineares de crescimento de dificuldade, terá a necessidade de grinds e farms de itens, além de dinâmicas comuns de quests.


"Tá, mas então qual é o diferencial do jogo?"

Em questões de jogabilidade, existem implementações muito interessantes que conduzem os jogadores nesse título, e as principais se dão por 3 principais categorias:

- Um sistema de gerenciamento do reino:
Aqui os cidadãos são os principais responsáveis pelos aprimoramentos do jogo. Quer melhorar suas magias? Você vai depender de pessoas com essas aspirações morando no seu reino. Quer encontrar um item específico para craft? Vai depender dos caçadores, fazendeiros, pescadores... e assim por diante!

"Aqui, o que vale são as aspirações dos seus cidadãos, e você fica dependente das habilidades deles e seu desenvolvimento pessoal para conseguir atingir a otimização em campos importantes do jogo, como por exemplo o craft de armas, armaduras e novas habilidades."


- Batalhas de exércitos.
O protagonista também fica dependente de sua população para realizar a defesa de seus lares, ele reúne os melhores combatentes do reino para defendê-lo de ameaças a segurança.

Você como protagonista lidera o grupo, mas não define os combates. Novamente há a clara intenção criativa de mostrar ao jogador que existe uma interdependência do governante e seus governados. 


- Sistema de Combate.
Poucos são os jogos que você simplesmente pode remover o protagonista da party e jogar apenas com os secundários. Isso não é 100% novidade, mas tem tudo a ver com a filosofia adotada nesse jogo.

Além disso, o combate ficou mais dinâmico e atraente, sendo um dos melhores sistemas que eu já tenha experimentado em RPGs desse estilo.

Partindo para o Enredo!

Assuntos pouco usuais foram escolhidos para direcionar a busca do rei Evan por todo seu percurso pela paz e harmonia entre os grandes reinos.

E em época de grande turbulência política esses tópicos não poderiam ter sido melhores escolhidos:

- A ganância dos governantes;
Em um dos reinos, há uma manipulação de resultados para que a população seja obrigada a pagar altíssimas taxas de impostos, e o governador corrompido anseia sempre por cada vez maiores arrecadações. É impossível não traçar um paralelo entre a ficção e a realidade que enfrentamos. 


- A vigilância da privacidade das pessoas;
Há uma obsessão pelo controle das pessoas, proibições esdrúxulas e exposições dos cidadãos a um controle rígido. É extremamente cirúrgico o momento do lançamento do jogo com os escândalos de vazamentos de dados do Facebook e a influência direta nas eleições americanas. Será que esse assunto foi abordado coincidentemente?

"DE OLHO EM VOCÊ!"


- Os problemas da exigência cada vez maior das empresas com seus empregados;
Em meio a discussões de reforma trabalhista, o jogo aborda um líder obcecado por seu trabalho, exigindo demandas exaustivas de seus empregados, relações abusivas de trabalho e escancara a necessidade de proteção social que há de existir entre patrão e empregado. 


- A segregação e preconceitos raciais.
Logo na primeira cena do jogo, você testemunha um golpe de estado onde o personagem de raça de roedor Otto Mausinger depõe o rei Evan Pettiwhisker, que é de raça felina. Seu discurso vingativo mostra o resultado de intolerância racial, onde ao longo do desenvolvimento da trama, ele esclarece que sua motivação se deu a anos de humilhação na submissão de sua raça. E seu reinado passa a perseguir os felinos, invertendo o papel de opressor e oprimido, mas ainda sim alimentando um ciclo de ódio.

Evan consegue colocar um fim a esse ciclo de ódio?


Tudo isso é abordado de forma brilhante e elucida muito bem a utopia do garoto Evan em busca de um mundo onde as pessoas possam viver felizes. 

E baseado em tudo isso, acredito eu que além de ser um excelente jogo, com um sistema de batalha muito divertido , gráficos primorosos e trilha sonora épica, a motivação que deveria nortear a sua jogatina em Ni No Kuni II é a reflexão desses temas tão presentes no nosso cotidiano como cidadãos comuns.

Ni no Kuni II: Revenant Kingdom

Platform: Playstation 4
273 Players
39 Check-ins

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    andre_andricopoulos · over 1 year ago · 2 pontos

    QUERO!

    4 replies
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    santosmurilo · over 1 year ago · 2 pontos

    Amei o primeiro! Se Deus quiser, um dia terei a versão de colecionador desse jogo, q vinha com uma versão física do livro de magias do Oliver e jogarei esse segundo game numa tv 4k com suporte a HDR

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    raiden · over 1 year ago · 2 pontos

    Dizem que as batalhas são ridículas de fáceis. Confere? ^^

    2 replies
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