• 2017-03-15 10:57:11 -0300 Thumb picture

    [Biografia Musical] #4 - Creedence Clearwater Revival

    -- E a biografia musical de hoje é meio reciclada por motivos já brevemente apontados no último post rsrsrs--

    E depois de outra pausa voltei com mais uma biografia musical, dessa vez com uma grande banda classificada como "Southern Rock"  mas que na verdade era de San Francisco: Creedence Clearwater Revival.

    A banda era centrada nos dois irmãos Fogerty, John e Tom, que se mudaram para San Francisco com a família após a grande depressão americana de 1929. O pai os abandonou quando John tinha apenas 9 anos de idade e seu único conforto foi a música, em especial, Elvis Presley.

    Apesar de terem crescido na costa oeste, acabaram não se influenciando pela contra-cultura dos anos 60, preservando um estilo mais "rural" em meio às bandas psicodélicas, com uma fusão de blues, rockabilly, country e R&B.

    Mas a história começa antes do final dos anos 60, já que os irmãos Fogerty, o baterista Doug Clifford e o baixista Stu Cook já tocavam juntos desde 1959, como The Blues Velvet, chegando a lançar alguns compactos em 1964 como The Golliwogs. 

    Em 1967 assumiram o nome de Creedence Clearwater Revival, sendo "Credence" o nome de um amigo deles, "Clear Water" uma marca de cerveja e "Revival" colocado por estarem "renascendo" como banda.

    Em 1968 lançam seu autointitulado álbum de estreia, que logo de cara já ganha um disco de ouro. John Fogerty já começa a mostrar seus dons como compositor e cantor, mas a sonoridade marcante da banda ainda estava a ser desenvolvida.

    Nele se destacaram dois covers, que também foram lançados como singles, “Suzie Q” e “I Put a Spell On You".

    No ano seguinte, 1969, a banda lança TRÊS discos de estúdio. O primeiro foi em janeiro, Bayou Country, e atingiu disco de platina. 

    Nele há clássicos como "Born On The Bayou", "Keep On Chooling" e "Proud Mary", que ficaria ainda mais famosa por suas diversas regravações, anos depois.

    O segundo, lançado em agosto daquele ano, é o Green River que também recebeu disco de platina. 

    Algumas faixas a se destacar nele são a faixa título "Green River" e o clássico "Bad Moon Rising".

    E o último de 1969, lançado em novembro, foi Willy And The Poor Boys que, olhem só, também atingiu disco de platina. 

    Nesse álbum mais um clássico, "Fortunate Son", o manifesto de John Fogerty contra a guerra do Vietnã, além de outro clássico, "Down On The Corner".

    No final daquele ano, o Creedence já tinha sido lançado ao topo das paradas, tocando no festival de Woodstock e se tornando a única banda americana a desbancar os Beatles do topo da parada inglesa. 

    Um fato curioso sobre o show deles no festival, é que a banda não permitiu o uso das imagens no filme de Woodstock '69. Eles justificaram que a banda não estava em seu máximo e o clima do show foi fortemente prejudicado devido ao ser atraso, tendo sido realizado de madrugada, com boa parte do público dormindo.

    Além disso, naquele ano, tocaram no mais importante programa de TV que uma banda poderia ir nos EUA, o Ed Sullivan Show.

    O mais impressionante é que eles compuseram e gravaram três álbuns de estúdio sem parar de fazer shows pelo país, tocando em outros festivais além de Woodstock, como o Atlanta Pop Festival.

    Antes de cada álbum, a banda lançava singles, que acabavam sendo as principais músicas do álbum e atingiam disco de ouro. Nessa altura, John Fogerty já dominava tanto as composições quanto as questões administrativas da banda.

    No ano seguinte, 1970 a banda lançou mais DOIS álbuns de estúdio. O primeiro, Cosmo's Factory, foi o disco de maior sucesso comercial da banda, vendendo mais de três milhões de cópias.

    Entre os singles lançados na época e as principais músicas do disco estão "Travelin' Band",  "Lookin' Out My Back Door", "Who'll Stop The Rain" e um cover de Marvin Gaye"I Heard It Through The Grapevine".

    E em dezembro daquele ano foi lançado Pendulum, considerado o disco mais bem produzido deles, o quinto álbum de estúdio, quarto álbum de platina.

    O disco foi um grande sucesso, possuindo, além de outras excelentes músicas como "Hey Tonight", o maior hit global do CCR de todos os tempos: "Have You Ever Seen The Rain?"

    Entretanto, apesar do enorme sucesso, a banda estava totalmente implodida, e Tom Fogerty abandona o barco no ano seguinte, em 1971.

    Eles ainda seguem fazendo shows como trio e em 1972 lançam seu último álbum: Mardi Grass. Dessa vez, atendendo a reclamação dos outros membros, John Fogerty decide dividir igualmente o trabalho: cada um compõe um terço do disco e canta suas próprias músicas.

    Os singles desse álbum foram "Door To Door" e "Sweet Hitch-Hiker", mas nem essas e nem nenhuma das outras músicas do álbum chegaram perto da qualidade e do sucesso das anteriores.

    Com o fracasso do disco e os atritos internos, a banda termina em 1972, com 5 anos de estrada e 7 álbuns de estúdio.

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    Nos próximos anos, os membros iriam passar por diversos processos judiciais contra a gravadora, empresário e pelos direitos das músicas. 

    John Fogerty inclusive chega a ser processado por auto-plágio, devido à semelhança de uma música de sua carreira solo com outra do CCR (The Old Man Down The Road com Run Through The Jungle). Com isso fica proibido de tocar as próprias músicas por anos.  

    Há inclusive uma história de que, mesmo depois de autorizado, ele não queria tocar as músicas do Creedence em sua carreira solo. Esse hiato durou até 1985, quando Bob Dylan e o ex-beatle George Harrison, grandes amigos seus, convenceram-no de que ele deveria tocar seus antigos sucessos novamente para o público. Harrison lhe disse que "se você não fizer, todos vão pensar que 'Proud Mary' é uma música da Tina Turner".

    Stu e Doug mais tarde formariam o Creedence Clearwater Revisited, que precisou de dois membros para substituir o insubstituível John Fogerty.

    Infelizmente, uma reunião completa nunca será possível, já que Tom Fogerty morreu em em 1990 vítima de AIDS, adquirida por meio de uma transfusão de sangue durante uma cirurgia nas costas. John diz que até hoje se arrepende por nunca ter feito as pazes com o irmão.

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    Então é isso.

    CCR é uma banda bem única e muito querida, então deixem aí o que vocês acham dela.

    Sei que, com a falta de tempo que estou agora, seria bom escrever posts menores para que eles sejam mais fáceis de fazer e  assim mais frequentes... Mas não consigo... Tenho a necessidade de fazer algo que eu sinta que está completo o suficiente... Mesmo que isso signifique que os posts serão mais esporádicos...

    Por último, queria deixar como recomendação um dos melhores canais de música do YouTube, se não o melhor: Kazagastão. Deixo aqui o vídeo do Creedence, de onde tirei boa parte das informações desse texto.

    Abraços.

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      herics · over 2 years ago · 3 pontos

      Pra mim uma das melhores bandas da época

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      raccoon · over 2 years ago · 2 pontos

      Pra mim uma das melhores bandas EVER! É realmente bem triste toda a treta que rolou, e era a mistura única do quarteto que gerava o resultado final brilhante, mesmo que o John fosse o grande arquiteto pro trás das composições. Sempre tive dúvidas em relação aos lançamentos dos discos e seu texto ajudou abastante. É surpreendente o volume de material que os caras entregaram em tão pouco tempo. Foi uma explosão do mais puro Rock 'N' Roll, algo que não dá pra repetir.

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      diegomatias · over 2 years ago · 2 pontos

      John Fogerty: que homem.

      1 reply
  • 2017-02-20 16:52:36 -0300 Thumb picture

    [Álbuns] #5 - The Number Of The Beast (Iron Maiden)

    E o álbum de hoje é de uma das maiores instituições do heavy metal, uma das bandas mais queridas e com muitos fãs fervorosos aqui no Brasil, Iron Maiden.

    E entre os muitos discos excelentes dessa banda, decidi ir um pouco pelo óbvio e pegar o provavelmente mais famoso deles, que marcou o início de uma nova fase: The Number of the Beast.

    Sendo o terceiro álbum da banda, o primeiro com Bruce Dickinson e o último com Clive Burr, foi o primeiro a chegar ao primeiro lugar das paradas britânicas, vendendo 14 milhões de cópias  mundialmente.

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    Ficha Técnica

    Lançamento: 22 de março de 1982

    Gravação: Janeiro a fevereiro de 1982, no Battery Studios, Londres

    Gênero: Heavy metal

    Duração: 39:11

    Gravadora: EMI

    Produtor: Martin Birch

    Músicos:  Steve Harris – baixo, segunda voz,

                        Dave Murray – guitarra,

                        Clive Burr - bateria,

                        Adrian Smith – guitarra, segunda voz,

                        Bruce Dickinson – voz.

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    História

    No ano de 1981, o Maiden já era uma das principais bandas da Nova Onda do Metal Britânico (NWOBHM), com dois álbuns lançados, bem conhecidos no circuito europeu e com relativo sucesso no Japão e Estados Unidos. 

    Entretanto, o vocalista Paul Di'anno, que era visto como um punk dentro do meio metal, já mostrava sinais de desgaste devido às extensivas turnês e seu comportamento auto-destrutivo. Além disso, Steve Harris estava começando a ter novas ideias para a banda, que necessitariam de alguém com maior alcance vocal.

    Assim, Di'anno é demitido e Steve chama o vocalista da banda Samson, que já havia tocado várias vezes com o Maiden no circuito dos pubs ingleses, Bruce Dickinson.

    A performance operística de Dickinson o fez um ícone metal imediato, desafiando até Rob Halford, e ajudando a elevar a banda às alturas. Falando no Judas Priest, a sonoridade do Maiden foi fortemente influenciada pelo seu material do final dos anos 70, com ritmos agressivos, alternância entre as duplas guitarras e vocais poderosos de alto alcance.

    Com uma intensidade sonora que não comprometeu a excelente técnica dos músicos, o álbum é uma coletânea de canções icônicas, onde o nível de composição de Harris se torna ainda mais ambicioso, abandonando em grande parte a violência das ruas e partindo para temáticas históricas, de ficção científica e terror. Diferentemente do álbum anterior Killers, nenhuma música era alguma sobra pronta, dando à banda um verdadeiro novo começo.

    Sendo muito bem recebido na Europa, a situação foi diferente nos Estados Unidos, onde The Number of the Beast criou grande controvérsia com os conservadores por utilizar temáticas religiosas em algumas das composições e na arte da capa, gerando acusações de satanismo contra a banda. Entretanto, isso acabou funcionando como publicidade gratuita, alavancando ainda mais as vendas do álbum.

    (Ahh Rock N Roll... Desde o Elvis causando polêmica rsrsrs)

    A banda alega que nenhum deles possui qualquer ligação com assunto, e a ideia da adoção da temática iniciou quando compuseram a faixa título do álbum (conto essa história logo ali em baixo), pensando que poderia ser algo engraçado, e não levado tão a sério.

    Apesar disso, dizem as lendas que diversos incidentes estranhos ocorreram durante a gravação, como luzes que acendiam e apagavam sem motivo aparente e um equipamento que se quebrou misteriosamente. Estes incidentes chegaram ao seu clímax quando o produtor Martin Birch bateu seu automóvel contra um ônibus com, se não me engano, seis freiras. O custo do conserto de seu carro foi de exatamente 666 libras esterlinas.

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    Capa

    A imagem da capa, assim como nos álbuns anteriores, foi feita pelo ilustrador Derek Riggs. O design original possuía uma coloração acinzentada (como a imagem no começo desse post), mas devido à um erro de prensagem, acabou sendo lançado com um fundo azul, deixando a imagem mais colorida.

    Uma curiosidade é que durante a turnê desse álbum o até então baterista da banda francesa Trust, Nicko McBrain, foi convidado para se fantasiar do demônio da capa e encenar junto com o Eddie no palco. No ano seguinte ele assumiria as baquetas da banda.

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    Músicas

    Antes de ir para o que interessa, só mais um pequeno detalhe.

    Segundo entrevistas, Bruce estava fortemente envolvido na composição de várias das faixas do álbum, especialmente "Children of the Damned", "The Prisoner" e "Run to the Hills". Porém, devido a assuntos contratuais com sua banda anterior, ele não poderia assinar nenhuma das novas músicas, fazendo com que ele apenas realizasse "contribuições morais", ajudando na construção das canções.

    Praticamente todos os créditos de composição vão para Steve Harris, com algumas parcerias dele com Adrian Smith e Clive Burr.

    1. Invaders (3:25)

    Uma acelerada música de abertura com a letra fazendo referência ao tempo das navegações vikings, já possui um pouco do estilo de baixo galopante que se intensificaria em músicas futuras.

    2. Children of the Damned (4:35)

    A mais melódica do disco, lenta porém pesada, nos moldes das canções mais suaves de Ronnie James Dio no Sabbath e Rainbow. A letra é inspirada no filme de ficção científica e terror de 1964 com o mesmo nome escrito por John Briley.

    3. The Prisoner (6:04)

    Bruce Dickinson teve a ideia inicial para essa música a partir da frase "I'm not a number, I'm a free man" tirada de uma série de TV britânica de mesmo nome, em que um ex-agente secreto é raptado e levado para uma estranha prisão. 

    Uma curiosidade é que o trecho inicial da música foi retirado diretamente do seriado, com o produtor tendo ligado para o criador Patrick McGoohan e pedido autorização para o uso.

    4. 22 Acacia Avenue (6:37)

    Uma das músicas que foge da temática geral do disco, é uma continuação da música "Charlotte The Harlot" do primeiro álbum. Segundo Adrian Smith, esse seria o endereço de Charlotte, uma garota de programa que supostamente vivia no número 22 da Avenida Acacia.

    5. The Number of the Beast (4:52)

    Escolhida para dar nome ao álbum, a história contada nessa faixa surgiu a partir de um pesadelo recorrente de Steve Harris. O início climático, com uma narração inicial e uma parte cantada finalizada por um grito antes de ir para a sessão mais acelerada, foi moldado pelo produtor Martin Birch, que segundo Bruce o fez gravar essa única parte por cerca de quatro horas seguidas

    Apesar da polêmica, a letra da música não cultua o diabo ou coisa do tipo, e sim conta uma história de terror assim como Sabbath sempre fez. Claro que eles imaginavam que havia a hipótese de dar alguma polêmica, especialmente nos EUA, mas eles obviamente não se preocuparam com isso.

    6. Run to the Hills (3:54)

    Sendo escolhida como single para ser lançada antes do álbum, foi o primeiro da banda a entrar no Top 10 Britânico. Um hino que narra os conflitos entre nativo-americanos e os invasores ingleses, possuindo um ritmo galopante comandado pelo baixo de Harris, algo que se tornaria característico da banda.

    7. Gangland (3:48)

    Um conto das ruas que não teve Harris na composição da letra, juntamente com 22 Acacia Avenue é uma exceção temática ao disco, trazendo as leves influências punk deixadas por Paul Di'anno.

    8. Hallowed Be Thy Name (7:14)

    E para finalizar um hino, uma das favoritas de alguns membros da banda, Hallowed Be Thy Name entra inteiramente na definição de um épico. Narra a história de um prisioneiro prestes a ser enforcado refletindo sobre seus últimos momentos de vida, apresentando uma das letras mais filosóficas de Harris.

    Com um início bem climático que abre para sequências instrumentais memoráveis e uma profunda interpretação de Dickinson, consegue transitar suavemente entre as mudanças de tempo, e nas performances ao vivo costumava acelerar cada vez mais até o final. (Chegando perto do ridículo segundo Bruce rsrs)

    A versão remasterizada do disco lançada em 1998 ainda trouxe como extra a música Total Eclipse.

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    Então é isso.

    Um clássico do Iron Maiden para deixar sua semana mais metal, uma boa pedida para uma preparação mental antes do carnaval hahaha.

    Queria deixar como última recomendação o episódio da série de documentários Classic Albums que fala desse disco. Tirei várias coisas desse texto de lá, incluindo as imagens do Nicko e do Mustaine. Confere lá que tem algumas outras histórias e fatos bacanas.

    Dica: tem até no YouTube, o legendado em português está faltando uma parte mas acha inteiro em inglês.

    Abraços.

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      volstag · over 2 years ago · 2 pontos

      Uma curiosidade interessante é que o nome verdadeiro do Bruce Dickinson é Paul também.

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      ogawara · over 2 years ago · 2 pontos

      Clássico!

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      diegomatias · over 2 years ago · 2 pontos

      Já tenho um álbum pra ouvir no caminho pro trabalho. Obrigado!

      1 reply
  • 2017-02-14 16:04:22 -0200 Thumb picture

    [Biografia Musical] #3 - Cream

    Antes de começar, você que acompanhou os posts que eu fazia no meu perfil pessoal sabe que eu já falei dessa banda, mas como muito tempo passou desde então, achei justo fazer um post mais completo aqui na persona. Enjoy!

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    Então a biografia musical de hoje é dessa banda considerada a pioneira nos formatos de supergrupo  e power trio, formada pela "nata" (crème de la crème) dos músicos da época: Cream.

    Para analisar a origem dessa banda, primeiramente vamos ver um pouco de cada um de seus membros: Jack Bruce, Ginger Baker e Eric Clapton.

    A começar pelo mais famoso deles, a primeira grande banda do guitarrista Clapton foi os Yardbirds, a qual acabou saindo antes da banda começar a fazer sucesso (essa inclusive teve nomes como Jeff Beck e Jimmy Page em formações posteriores). Após os Yardbirds, foi tocar com John Mayall’s and the Bluesbreakers, ficando bem famoso na cena inglesa e sendo até chamado de "deus da guitarra".

    Enquanto isso, Baker e Bruce tocavam juntos no Graham Bond Organization, uma banda mais importante na cena local, mas que já mostrava o alto nível técnico de ambos músicos. Principalmente de Baker, que tinha uma grande influência de jazz, e era considerado um dos melhores bateristas da época.

    Jack Bruce conhece Clapton ao tocar por um curto período com os Bluesbreakers. Entretanto, foi Ginger Baker quem teve a ideia inicial de fazer uma banda com Clapton, que decidiu convidar seu amigo Bruce para ser baixista e vocalista principal. Mas logo de início os problemas começam, pois Ginger, apesar de já ter tocado com Bruce, tinha sérios problemas com o cara. Os dois viviam brigando e quase não aceitaram o fato de estarem juntos novamente em uma nova banda.

    No começo, Clapton tinha a ideia de fazer um quarteto ao invés de um trio, com Steve Winwood nos teclados, fator que daria mais espaço e segurança para ele solar com a guitarra, e também poderia ajudar a equilibrar o clima de tensão entre os outros dois membros. Entretanto essa parceria não deu certo, e Clapton só foi conseguir tocar com Steve anos depois em outro projeto, o Blind Faith.

    Voltando ao Cream, como os três eram membros de outras bandas naquele momento, começaram a ensaiar em segredo. Isso até Baker contar sobre o projeto em uma entrevista e a banda acabar tendo que começar a fazer shows em julho de 1966, antes mesmo do lançamento do primeiro álbum. 

    (A banda mal havia começado, e Bruce já tinha chamado Baker para a briga por causa desse deslize. E quando eu digo que eles brigavam, era na porrada mesmo. Enfim, voltando.)

    Logo de cara, já se destacam pelo som diferente que faziam, uma mistura de influências do rock blues, com uma pitada de jazz e psicodelia. Com um curto repertório em mãos, a banda é obrigada a fazer longas versões das músicas para prolongar o show, popularizando as hoje conhecidas como 'jam sessions'. Esses podem ser considerados os dois principais fatores musicais que a banda deixou como influência para o mundo.

    Em dezembro de 1966, eles finalmente lançam seu primeiro álbum: Fresh Cream.

    O álbum, apesar de não ter nenhuma composição de Clapton e vários covers de blues, consegue chegar ao Top 10 das paradas britânicas. Algumas músicas interessantes para se citar são: a balada 'Dreaming', 'I'm So Glad' que é uma ótima música apesar da letra simples, e 'Toad' que foi uma das primeiras músicas de estúdio a ter um solo de bateria.

    Mas o destaque mesmo fica com 'I Feel Free', composta por Jack Bruce, pode ser considerada a principal faixa do disco. Com suas harmonias vocais e uma sonoridade única, encaixou e foi abraçada pelo movimento hippie que estava em seu auge.

    Com isso, a banda que no primeiro álbum era mais voltada ao blues, começa a cair para o psicodélico, fato que fica bem expressivo no próximo álbum. Aliás, o lançamento deste segundo disco chegou a ser adiado para que a capa fosse refeita, inserindo uma nova arte multicolorida que desse uma imagem para a banda que a conectasse ainda mais ao som psicodélico.

    Assim, em 2 de novembro de 1967, é lançado Disraeli Gears, um álbum que eu particularmente considero perfeito do início ao fim. (E que eu até faria um faixa a faixa aqui, mas vamos deixar isso para a "sessão álbuns")

    Gravado nos EUA, o disco atinge o Top 5 das paradas, e a banda faz uma turnê no país para sua divulgação, onde toca em estádios com longas jams para que o show alcançasse duas horas de duração.

    Nesse álbum tem simplesmente o maior hit da banda, e um dos maiores riffs de guitarra da história, 'Sunshine of your Love'. (Saudades Guitar Hero)

    Outros destaques desse álbum, na minha opinião, são: Strange Brew, World of Pain, Dance The Night Away, Tales Of Brave Ulysses, SWLABR e Take It Back, que era uma clara crítica à Guerra do Vietnã, mostrando mais uma vez a ligação da banda com a contracultura e com os EUA.

    No ano seguinte, em 1968, eles já eram comparados às grandes bandas da época, como The Who e Beatles. Lançam então, em agosto daquele ano, seu terceiro álbum Wheels of Fire, um disco duplo que foi gravado metade em estúdio e metade ao vivo.

    Sendo um álbum ainda mais experimental, acabou passando mais baixo no radar da crítica comparado aos anteriores, e possui várias músicas menos lembradas como 'Sitting On Top Of The World' 'Deserted Cities of the Heart'.

    Mas isso não significa que ele não tenha feito sucesso, já que tem duas músicas que se tornaram grandes: White Room, uma das minhas favoritas, e um cover do lendário Robert Johnson, em 'Crossroads'.

    Para divulgar o álbum, a banda faz uma turnê de 5 meses, e os problemas começam a se agravar. Um dos principais e mais curiosos fatores era a competição entre Baker e Bruce no estilo "quem toca mais alto", com Bruce adquirindo uma enorme parede de amplificadores, só com a intenção de irritar o baterista.

    Todo esse clima de brigas e "infantilidade", acaba sendo um dos fatores que fazem Clapton começar a perder interesse pela banda. Outro ponto foi o surgimento da The Band e do estilo 'Americana', que começou uma nova onda musical para além do blues. Sem falar do fato que, em 1968, Clapton é convidado para tocar com os Beatles no White Album, e lá se torna um amigo próximo de George Harrison que futuramente o convidaria para outras parcerias.

    Com dois membros que não se suportam, e um terceiro membro sem ânimo para intermediar, a banda decide lançar fazer uma última turnê e encerrar as atividades.

    Os últimos dois shows, feitos no Royal Albert Hall, foram gravados e mostram uma banda cansada, desgastada e sem ânimo para tocar. (É só olhar a cara do Jack no começo do vídeo para ter uma ideia)

    Os shows dessa turnê, inclusive, têm entre as bandas de abertura o Deep Purple, Taste e Yes, todas no início de carreira, e que receberam influências do Cream mesmo seguindo vertentes diferentes.

    Em 1969, já após o término da banda, é lançado o último álbum com nome e capa bem irônicos: Goodbye.

    Com apenas 30 minutos de duração, três versões ao vivo de músicas previamente lançadas e três inéditas, o álbum foi mais feito por pressão da gravadora do que por vontade da banda.

    A partir daí, cada um segue o seu caminho, com Eric e Ginger ainda chegando a tocar juntos no Blind Faith, mas que logo após sua curta duração, separou os três músicos definitivamente...

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    Isso até 2005, quando eles fizeram quatro shows de reunião na casa em que haviam se despedido, Royal Albert Hall, lançando um disco ao vivo e um dvd compilando as quatro noites.

    Poderia ser um sinal de uma volta, mas foi só uma semana para ficar para história. Atualmente, com o falecimento de Jack Bruce em 2014 e Ginger com a saúde bem debilitada, pode se considerar a história do Cream encerrada.

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    Então é isso.

    Apesar da curta duração de pouco mais de dois anos, o Cream foi uma banda muito importante como um power trio e jam band. Influenciou e foi influenciada pelo jazz, blues, psicodélico e até progressivo.

    Após ela, o guitarrista Eric Clapton se aventurou em diversos outros projetos como o já citado Blind Faith, o Derek and the Dominoes, além de sua extensa carreira solo. Assim, entre todas essas, qual fase do Clapton é a sua favorita?

    Abraços.

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      igor_park · over 2 years ago · 2 pontos

      O riff de sunshine of love não sai da cabeça e foi criado no baixo essa música

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      onai_onai · over 2 years ago · 2 pontos

      Não sei bem qual fase do Eric Clapton foi a melhor pois nunca escutei a discografia dele. Mas tem uma música dele que acho muito foda, e é uma das melhores que ouvi na vida: Layla. Escutei ela pela primeira vez no filme Os Bons Companheiros, outro filme doideira. Eis a música, mas na certa você deve conhecer: https://www.youtube.com/watch?v=3n92zksrhbc

      1 reply
  • 2017-02-09 19:39:04 -0200 Thumb picture

    [Álbuns] #4 - Houses Of The Holy (Led Zeppelin)

    E o disco de hoje é o meu favorito da maior banda de rock n' roll de todos os tempos, Led Zeppelin com seu 5º álbum de estúdio, Houses of the Holy (o primeiro sem numeração rsrs).

    Desde seu lançamento o álbum foi certificado pela RIAA, nos Estados Unidos, como 11 Discos de Platina, por ter vendido uma quantidade superior a 11 milhões de cópias. Também foi classificado em 148° lugar na lista dos 500 melhores álbuns da revista Rolling Stone.

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    Ficha Técnica

    Lançamento: 28 de março de 1973

    Gravação: Janeiro a Agosto de 1972

    Gênero: Hard Rock, Blues Rock, Folk Rock e Rock Progressivo

    Duração: 40:58

    Gravadora: Atlantic Records

    Produtor: Jimmy Page

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    História

    O álbum foi gravado em vários lugares diferentes, sendo boa parte dele em uma antiga propriedade rural de Mick Jagger em Berkshre, utilizando o estúdio móvel dos Rolling Stones.

    Este foi o último álbum do Led Zeppelin lançado pela gravadora Atlantic Records antes de formarem sua própria gravadora, Swan Song Records, em 1974. Foi também o único álbum da banda a conter todas as letras completas impressas no encarte.

    Musicalmente falando, ele representa um ponto de virada para o Led Zeppelin, onde começaram a usar mais camadas e técnicas de produção para gravar suas canções, além de mais experimentações em diferentes estilos.

    Foi também durante a turnê desse disco que o Led gravou seu famoso álbum ao vivo e filme, The Song Remains The Same.

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    Capa

    A capa do álbum foi inspirada no final do livro "Childhood's End" de Arthur C. Clarke, e combina várias fotos tiradas na "Calçada dos Gigantes" na Irlanda do Norte.

    A capa foi criada pelo grupo de designers Hipgnosis, famoso por criar várias capas de rock excêntricas como boa parte das do Pink Floyd, várias do Genesis, UFO, ELO e do próprio Zeppelin.

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    Músicas

    E se tratando de provavelmente o álbum mais variado da banda, cada faixa merece uma atenção especial.

    1. The Song Remains The Same (5:29)

    "Any little song that you know / Everything that's small has to grow"

    E já começando com o "épico" do disco, uma porrada hard rock com elementos de progressivo, com um ritmo acelerado que diminui nas partes cantadas e depois volta. Com destaque para o solo do Jimmy Page próximo dos três minutos que é sensacional.

    A versão que coloquei primeiro é do famoso filme/show, de 1976, que recebeu o mesmo nome da música. Mas recomendo muito escutarem a versão de estúdio depois, que tem bem mais camadas instrumentais, incluindo duas linhas de guitarra e uma linha baixo sensacional.

    2. The Rain Song (7:39)

    "This is the springtime of my loving / The second season I am to know / You are the sunlight in my growing / So little warmth I've felt before"

    E depois dessa porrada, o disco vai para simplesmente UMA DAS COISAS MAIS LINDAS QUE EU JÁ OUVI EM TODA MINHA VIDA. Desde a introdução calma no violão, os vocais suaves do Robert Plant, ao solo onde a música explode com vários instrumentos de corda, todo o arranjo, essa música é simplesmente perfeita

    Uma outra versão excelente dessa música foi feita, acústica, em 1994 por Page e Plant.

    Toda vez que escuto me pergunto: Como esses caras, que na época estavam no auge do "sexo, drogas e rock n' roll", conseguiram fazer algo tão lindo?

    Enfim, continuando.

    3. Over The Hills And Far Away (4:51)

    "Many is a word that only leaves you guessing / Guessing about a thing / You really ought to know"

    Mais uma música com mais de um "momento", começando acústica com uma pegada bem folk e antes da metade partindo para aquele hard rock bem estilo Zeppelin.

    4. The Crunge (3:18)

    "Tell me baby what you want me to do! / You want me to love you, love some other man too? / Ain't gonna call me Mr. pitiful, no!"

    Quase que uma peça de disco music, uma música bem atípica com um compasso esquisito, uma guitarra 'funkeada', um baixo comandando a música, e outros instrumentos, que não consegui identificar na verdade, mas que criam um efeito curioso. Se não fosse a voz do Plant talvez nem daria para dizer que é uma música do Led Zeppelin.

    Parece uma música totalmente fora de contexto mas que, na minha opinião, funciona bem nesse álbum. Se estivesse em qualquer um dos anteriores provavelmente não daria certo.

    5. Dancing Days (3:43)

    "I said it's alright, you know it's alright/ I guess it's all in my heart"

    Apesar do nome, e diferentemente da anterior, essa música não tem nada de 'dance' e que, não, não tem nada a ver com aquela novela brasileira dos anos 80 hahaha

    Pode-se dizer que é até uma música meio repetitiva, principalmente comparada com as demais mais experimentais, mas não deixa de ser muito boa e cativante.

    6. D'Yer Mak'er (4:23)

    "But I still love you so, I can't let you go / I love you, oh baby, I love you"

    E quando eu disse que esse disco é cheio de experimentações com diferentes estilos musicais, eu não estava brincando, principalmente nessa e na próxima música. D'Yer Mak'er é, praticamente, um reggae, talvez um pouco mais pesado, principalmente devido à batida forte do Bonham, mas com vários elementos desse estilo claramente presentes.

    Uma curiosidade é que a expressão 'D'Yer Mak'er' vem de uma antiga piada que faz trocadilho sobre sua pronúncia no inglês britânico, que soa similar a "Jamaica", mas também pode ser confundido com "did you make her". 

    A primeira vez que eu ouvi essa música eu tive a forte impressão dela me ser bem familiar... Eu tenho quase certeza que alguém a regravou e foi essa versão que eu ouvi em algum momento da minha vida... Mas até hoje (felizmente) eu não descobri quem foi.

    7. No Quarter (7:03)

    "They choose the path where no one goes / They hold no quarter"

    Essa foi difícil de procurar uma definição. Pode-se dizer que o principal nela são os teclados, com um som que eu penso como "aquático", é difícil definir. Junto com a guitarra e os vocais meio sintetizados, meio cavernosos, criam um clima que eu definiria como uma "neblina", algo meio nebuloso. 

    Uma mistura de hard rock, com progressivo e psicodelia, que inclusive me fez dar uma definição um tanto quanto psicodélica para o som haha Mais uma figura meio atípica, que se estivesse em um dos álbuns anteriores talvez não funcionasse.

    8. The Ocean (4:31)

    "Singing about the good things and the sun that lights the day / I used to sing on the mountains, has the ocean lost it's way?"

    E o álbum termina com a música mais "tradicional" dele. Com uma base bem hard rock, um riff cativante, forte influência de blues e aquele vocal rasgado do Plant, a música poderia soar até normal demais para estar nesse disco, mas a sessão acapella na metade, e a virada de ritmo mais no final, demonstram que ela também possui leves toques experimentais. Um excelente encerramento.

                                             ----------------------//---------------------

    Então é isso.

    Eu sei que esse texto ficou gigantesco e que eu quase escrevi um livro para cada música, mas é que não teve jeito. Cada faixa desse disco é tão única, tão bem gravada, tão diferente, que não tem como não dar atenção para elas.

    Além disso, esse é um álbum extremamente especial para mim, tanto que eu até tenho a capa dele pendurado na parede do meu quarto. (Confira na foto que eu postei do desafio cara limpa, aqui)

    Se você leu até aqui, comenta aí qual é para você o melhor disco do Led Zeppelin. Eu particularmente fico bem dividida entre esse, o II e o IV.

    Abraços.

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      onai_onai · over 2 years ago · 2 pontos

      Foda! Foda! Foda demais! Esse aí foi o primeiro álbum do Led Zeppelim que escutei e também é meu preferido. Dancing Day's é também a música que mais gosto da banda, curiosamente Led Zeppelim é também a banda de rock que mais aprecio também, seguida de Legião Urbana. Quem regravou a D'yer Mak'er foi a Cláudia Leite, ainda quando ela era da banda Babado Novo, eu nem gostava e nem gosto mas tocava tanto por aí que era obrigado a escutar. Sorte sua não ter ouvido. Lembro que eu ficava puto quando estava ouvindo a versão original e vinha um maluco e falava: - Olha, a música do Babado Novo!

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      diegomatias · over 2 years ago · 2 pontos

      Acho que The Song Remains The Same é a faixa de abertura mais poderosa de todos os discos do Zeppelin. Esse álbum é sensacional e tem um fato curioso, infelizmente não sei onde eu li (deve ter sido na wikipedia): George Harrison chegou pro Page e falou "caras, a banda de vocês é sensacional mas vocês não tem nenhuma balada!" - não sei se ele ouviu o Led II, mas enfim.

      Em retribuição à sugestão do Harrison, Page compôs The Rain Song e a introdução dela usa os dois primeiros acordes de "Something" dos Beatles, composta por Harrison, um acorde maior, seguido do mesmo acorde com 7ª aumentada.

      Depois que eu soube dessa história, as duas faixas, do Zeppelin e dos Beatles ganharam uma ligação foda.

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      lgd · over 2 years ago · 2 pontos

      Pra mim, não o melhor, mas meu preferido é o IV junto ao Physical Graffiti. Ótimo texto.

      2 replies
  • 2017-01-29 18:28:20 -0200 Thumb picture

    [Álbuns] #3 - In Rock (Deep Purple)

    E para combinar com um domingo tranquilo, o disco de hoje é uma porrada, Deep Purple com In Rock.

    Deep Purple In Rock é o quarto álbum de estúdio lançado por essa banda britânica de hard rock, sendo o disco que marcou a estreia da segunda e mais bem sucedida formação da banda, conhecida como "Mark II".

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    Ficha Técnica

    Lançamento: Junho de 1970

    Gravação: Agosto de 1969 - Maio de 1970

    Gênero: Hard Rock

    Duração: 41:46

    Gravadora: Harvest (UK), Warner Bros. Records (US)

    Produção: Deep Purple, Roger Glover

                                                      ----------------\\---------------

    História

    A banda foi formada em 1968 pelo guitarrista Ritchie Blackmore e pelo tecladista Jon Lord, que chamaram o baterista Ian Paice, o baixista Nick Simper e o vocalista Rod Evans, e que tinha uma sonoridade mais próxima ao R&B dos anos 60.

    Entretanto tudo muda quando eles conhecem o Led Zeppelin, onde Blackmore se identifica com a sonoridade mais pesada e decide fazer algo parecido. Mas para isso, ele iria precisar de um vocalista com uma maior potência vocal, despedindo assim o vocalista e também o baixista, e chamando Ian fucking Gillan para os vocais e Roger Glover para o baixo.

    Antes do In Rock, eles ainda gravam um disco com a Royal Philharmonic Orchestra chamado Concerto for Group & Orchestra, feito inédito na época. 

    Mas só no ano seguinte, com o lançamento desse álbum, que os cinco músicos mostraram todo o estrondoso potencial em seus instrumentos, criando um som novo, único e influente.

                                                       ----------------\\---------------

    Capa

    A capa é uma releitura da famosa escultura do Monte Rushmore, localizada próxima a Keystone, Dakota do Sul, nos Estados Unidos. Ao invés dos quatro antigos presidentes americanos George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln, há os cinco membros da banda.

                                                             --------------\\---------------

    Músicas

    O disco já começa com um soco no ouvido, Speed King, uma das minhas favoritas, já emendando com outra música excelente, Bloodsucker. O lado A ainda termina com um grande clássico da banda, Child In Time, onde Gillan mostra seu alto alcance vocal e Jon Lord mostra sua influência por música clássica, arrasando nos teclados.

    1. Speed King (5:53)

    2. Bloodsucker (4:13)

    3. Child In Time (10:13) (Que coisa linda)

    "Sweet child in time you'll see the line / The line that's drawn between the good and the bad"

    Apesar de um pouco mais fraco (na minha opinião) que o lado A, o lado B tem outras quatro músicas ótimas: Flight of the Rat; Into the Fire, que é  minha favorita; Living Wreck com vocais mais melódicos; e terminando com Hard Lovin' Man.

    4. Flight Of The Rat (7:55)

    5. Into The Fire (3:29) (Tenho a impressão que todo mundo nesse vídeo está meio chapado kkkk)

    6. Living Wreck (4:32)

    7. Hard Lovin' Man (7:11)

    O disco foi relançado em 1995 e, além de versões alternativas e outtakes, têm um famoso single que foi lançado na mesma época do lançamento original, Black Night.

                                                    ----------------\\---------------

    Então é isso.

    Fiquem com esse clássico do hard rock, meu disco favorito de uma das três principais bandas que influenciaram o surgimento do heavy metal.

    Uma obra prima feita por cinco caras lembrados como mestres no que faziam (alguns ainda fazem). Extremamente recomendado!! Essencial.

    Rest In Peace mestre Jon Lord, um dos caras que mais me influenciaram a tocar teclado.

    Abraços.

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      igor_park · over 2 years ago · 2 pontos

      Tá aí uma banda que merecia minha atenção, mas nunca parei para ouvir sério, eu até ouvi algumas músicas com David Coverdale e Gleen Hughes e viajei no som, eu amo melodias vocais, e curto demais bandas com mais de um vocalista e com melodias vocais fodas tipo Alice in Chains, essa fase do cantor original nunca ouvi nada ,só smoke on the water que você escuta até sem querer kkkk.

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      onai_onai · over 2 years ago · 2 pontos

      Uma das minhas bandas favoritas, mas ainda não cheguei a ouvir a discografia completa.

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  • 2017-01-27 12:39:08 -0200 Thumb picture

    [Biografia Musical] #2 - Jimi Hendrix

    "O blues é fácil de tocar. Mas não é fácil de sentir."

    E aí pessoas, para o nosso segundo post biográfico decidi falar um pouco sobre a curta e extremamente influente carreira dele, que é considerado por muitos o maior guitarrista de todos os tempos, Mr. James Marshall "Jimi" Hendrix.

    Nascido em Seattle em 27 de novembro de 1942, viveu parte da infância com sua avó índia e ganhou sua primeira guitarra aos 12 anos do pai. Após tocar com algumas bandas locais, serviu o exército americano como paraquedista, tendo sido dispensado por uma torção no tornozelo (na verdade há outra história sobre isso, mas não vamos entrar em detalhes).

    Desde cedo possuía muito carisma no palco e inicialmente tocava em bandas de apoio de músicos de Blues e Soul, incluindo nomes famosos como Curtis KnightB.B. King e Little Richards.

    Logo formou sua própria banda e foi para Nova York, onde conheceu Frank Zappa que o apresentou ao recém-criado pedal de “wah-wah”, elemento que se tornou uma das principais características de sua música. Durante esse período conhece também Chas Chandler, baixista do The Animals, que o leva para a Inglaterra e o ajuda a formar sua nova banda, o The Jimi Hendrix Experience.

    Logo começa a ganhar fãs e ser visto por grandes personalidades como Pete Townshend, Eric Clapton e Jeff Beck, que se surpreendem com seu estilo performático e "distorcido".

    Começa a gravar singles que chegam rapidamente no Top 10 britânico, lançando logo em seguida seu primeiro disco "Are You Experienced?" em 1967, o ano auge do Rock Psicodélico. O álbum é considerado um dos melhores discos de estreia da história.

    Curiosidade: Esse disco possui diferentes versões na Europa e na América, a diferença se dá em algumas músicas exclusivas de cada uma, sendo "Red House" na primeira e "Purple Haze" na segunda.

    No mesmo ano, volta para os Estados Unidos e toca no Monterey Pop Festival, graças ao apoio de Paul McCartney, que se ofereceu como produtor do evento caso aceitassem Hendrix. Uma das cenas mais famosas desse show é a em que Jimi incendeia a própria guitarra (não pela primeira vez).

    Enquanto isso, na Inglaterra, sua imagem de “selvagem” e de cheio de recursos para chamar atenção (como tocar a guitarra com os dentes e com ela às costas) continuava a trazer-lhe notoriedade. Entretanto, Jimi se sentia frustado pela maior atenção dada pela mídia e pelo público à sua performance do que à sua música.

    Seu segundo álbum "Axis: Bold as Love" quase não é lançado, pois Hendrix esquece a fita com a gravação final do lado 1 do LP em um táxi, perdendo-a. Com a proximidade do prazo de lançamento, os produtores são forçados a fazer às pressas uma remixagem a partir das gravações multi-canais, versão esta lançada em dezembro de 1967, e que não agradou Hendrix por ser inferior à original.

    (Algumas músicas são difíceis de se encontrar no YouTube por questões de direitos autorais. Então essa próxima vai acabar sendo só um trecho do filme "Easy Rider" em que a música é tocada)

    -- Gostaria de recomendar também a música 'Bold as Love', que não encontrei no YouTube --

    A terceira gravação da banda, o álbum duplo "Electric Ladyland" de 1968, era mais eclético e experimental, incluindo uma longa seção de blues, elementos de jazz e um cover de “All Along the Watchtower” de Bob Dylan.

    A capa original desse disco foi censurada, pois era uma foto de 19 mulheres nuas, sendo substituída por essa imagem meio alaranjada de Hendrix. (Sim, eu censurei a imagem, por precaução)

    Frustrado pelas limitações da gravação comercial, Hendrix decide por voltar aos EUA e criar seu próprio estúdio em New York, no qual teria espaço ilimitado para desenvolver sua música. Mesmo com a gravação problemática, muitas das faixas do álbum mostram a visão de Hendrix se expandindo além da sonoridade original do trio, fato que acabou acompanhado pelo fim da banda em 1969.

    --- Desse álbum também acrescento a 'Gypsy Eyes', outra que não se encontra no YouTube ---

    Em agosto do mesmo ano Hendrix forma uma nova banda para tocar no Festival de Woodstock. Sua performance sofre atraso e só ocorre na segunda-feira de manhã, com menos da metade do público dos dias anteriores presente (boa parte só de corpo ainda, a alma estava longe rsrs). 

    Apesar de notoriamente sem ensaio e desigual,  a apresentação ficou marcada por uma extraordinária versão instrumental improvisada, distorcida e quase irreconhecível do hino nacional norte-americano, The Star Spangled Banner, acompanhada de sons de guerra, como metralhadoras e bombas, produzidos por Hendrix em sua guitarra. A criação desses efeitos na época foi inovadora, expandindo para além das técnicas tradicionais das guitarras elétricas.

    Em Agosto toca no Festival da Ilha de Wight e expressa desapontamento no palco em face do clamor de seus fãs por ouvir seus antigos sucessos em lugar de suas novas ideias.

    Em 18 de Setembro de 1970, Jimi Hendrix morre em Londres, em circunstâncias que nunca foram completamente explicadas.

    Segundo os primeiros depoimentos de sua namorada Monika (que em outras declarações teve detalhes alterados e se tornaram contraditórios), Hendrix teria tomado (sem que ela soubesse), na noite anterior, nove comprimidos de um remédio para dormir que ela utilizava.

    Entretanto o médico John Bannister, que o atendeu inicialmente, informou em uma entrevista ao The Times:

    "A quantidade de vinho que estava sobre ele era fora do comum. Seus cabelos e sua camisa estavam embebidos, também seus pulmões e estômago estavam completamente cheios de vinho. Eu nunca tinha visto tanto vinho".

    Além disso, declarações publicadas no um livro de um ex-roadie de Hendrix, afirmam que o empresário do guitarrista, Mike Jeffrey, teria confessado ter contratado um grupo que teria invadido o quarto de hotel e forçado Jimi a tomar vinho e soníferos. O empresário, que tinha uma apólice de seguro no nome de Hendrix no valor de US$ 2 milhões, morreu em 1973 em um acidente de avião.

    (Uma das últimas fotos tiradas de Hendrix, pouco antes de sua morte)

                                            -------------------//-----------------

    Então é isso.

    Esse foi um resumo da história de um dos mais importantes guitarristas da história.

    Algumas pessoas costumam usar a seguinte associação para definir a sua influência: "A guitarra já existia e era usada muito antes de Hendrix, mas foi ele que a ligou na tomada"

    Abraços.

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      joanan_van_dort · over 2 years ago · 3 pontos

      Pude ler com calma, agora. Excelente! Obrigado por essa biografia resumida mas muito cheia de conteúdo, ao mesmo tempo! =D

      1 reply
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      jhonatasantos · over 2 years ago · 3 pontos

      Muito boa publicação. Obrigado por @sound_and_vision ter feito, e pelo @caramatur por ter compartilhado.

      2 replies
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      riihpeter · over 2 years ago · 3 pontos

      Qualquer coisa relacionada à música é bem vinda! Recomendo uma publicação de Joy Division :DDD

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  • 2017-01-19 13:22:41 -0200 Thumb picture

    [Álbuns] #2 - Who's Next (The Who)

    --Antes de começar: se você é uma pessoa que frequenta bastante o YouTube, e não sabe de onde vem ISSO... Bom, fica aqui que você descobre--

    Eu já tinha feito um OFFMusic falando sobre a banda, mas esse álbum é tão bom, que decidi coloca-lo nessa série de posts e falar mais só sobre ele. Então...

    O álbum de hoje é o grande clássico do The Who:  Who's Next.

    Quinto álbum de estúdio da banda, é considerado um dos melhores álbuns do The Who e um dos melhores da história, estando em 13º lugar na lista de melhores álbuns feita pelo canal VH1, e em 28º na lista feita pela revista Rolling Stone.

                                                      ----------------//--------------

    Ficha Técnica

    Lançamento: 2 de agosto de 1971

    Gravação: Março a maio de 1971

    Gênero(s): Rock, Hard Rock

    Duração: 43:38

    Gravadora: Decca Records (US); Polydor Records (UK)

    Produtor(es): The Who, Glyn Johns

                                                        ----------------//--------------

    Produção

    O álbum surgiu das cinzas de um álbum chamado Lifehouse, um projeto de Pete Townshend para uma nova, complicada e desastrosa ópera rock, que devido a diversos problemas de produção foi cancelada. A banda decide então esquecer toda essa ideia e recomeçar do zero.

    Para a sorte deles, o novo álbum pôde ser produzido em uma época em que ocorriam grandes avanços no setor de engenharia de som. Isso permitiu que as músicas formassem uma "parede sonora", dando ainda mais destaque para a bateria de Moon e o baixo de Entwistle, além da introdução de piano e sintetizadores em algumas músicas. O resultado foi um som absolutamente espantoso para a época.

                                                         ----------------//--------------

    Capa

    A capa, uma fotografia dos quatro membros da banda acabando de urinar em um bloco de concreto, além de ser uma óbvia referência ao monolito do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, é também uma metáfora ao seu passado, com o grupo mostrando  que estava em busca de novos caminhos.

                                                      ----------------//--------------

    Músicas

    Finalmente vamos para o que mais importa, as músicas.

    1. Baba O' Riley (5:09)

    Já começando com um dos maiores clássicos da banda, dono de um dos melhores introduções de teclado do rock e um refrão cantado como hino nos shows. Tenho nem o que falar dessa maravilha.

    "Don't cry / Don't raise your eye / It's only teenage wasteland"

    2. Bargain (5:33)

    Minha favorita do álbum, uma verdadeira explosão sonora no estilo The Who. Destaque para o trecho mais lento cantado pelo Pete Townshend por volta dos 2 minutos, onde o baixo do John Entwistle reina. Simplesmente demais.

    "I'd pay any price just to get you / I'd work all my life and I will / To win you I'd stand naked, stoned and stabbed"

    3. Love Ain't For Keeping (2:10)

    A mais curta do álbum, tem um violão acústico no comando, sem sintetizadores, tendo um clima levemente mais puxado pro folk e country devido a isso.

    "Lay down my darling me / Love ain't for keeping"

    4. My Wife (3:41)

    A única música do álbum que não foi composta pelo Pete Townshend, e sim pelo John Entwistle, que usou de um humor tão ácido quanto o de Pete nessa curiosa letra e melodia. Assim como algumas outras, essa seria parte do "Lifehouse", contando a velha história de um cara que bebeu demais, não consegue voltar para casa e começa a inventar soluções para fugir do sermão de sua esposa.

    "Gonna buy a fast car / Put on my lead boots / And take a long, long drive"

    5. The Song Is Over (6:41)

    Uma bela peça cantada parte por Pete parte por Roger, com várias camadas de piano, sintetizadores e guitarra, somada com a já clássica cozinha e uma das minhas letras favoritas da banda.

    "The song is over / Excepting one note, pure and easy / Playing so free, like a breath rippling by"

    6. Getting In Tune (4:50)

    Uma música que brinca com as palavras, onde a primeira vista parece uma metalinguagem sobre música, mas que na verdade é mais metafórica. Uma belíssima introdução de piano feita por Nicky Hopkins, que é quebrada pela vibrante bateria de Moon.

    "I'm singing this note 'cause it fits in well / With the way I'm feeling / There's a symphony that I hear in your heart / Sets my head a-reeling"

    7. Going Mobile (3:43)

    Peça sobrevivente do "Lifehouse", mostra a força que o The Who tinha mesmo como trio, já que a música não possui a participação do Roger Daltrey, sendo cantada inteiramente por Pete. Uma música que evidencia a grande energia da banda mesmo com a guitarra sem amplificação. 

    "Well, I'm gonna find a home / And we'll see how it feels / Goin' mobile / Keep me movin"

    8. Behind Blue Eyes (3:42)

    Ahh e o que falar dessa música? Composta originalmente para o "Lifehouse", teve que ter seu contexto adaptado para funcionar fora da ópera-rock, e acabou se tornando uma madura e poderosa performance sobre a dupla natureza de um homem. 

    Uma curiosidade que, pelo menos eu quando entendia menos de inglês acabei me confundindo, é o fato de "Blue" ser utilizado para se referir à tristeza, e não necessariamente olhos azuis (apesar de que tanto Pete quanto Roger possuírem olhos azuis).

    "But my dreams, they aren't as empty / As my conscience seems to be / I have hours, only lonely / My love is vengeance, that's never free"

    9. Won't Get Fooled Again (8:32)

    E para fechar, SÓ essa música, que é simplesmente um épico. ( Quem conhece já sabia que era dela que eu estava falando no começo do post... E quem não sabia descobriu agora rsrs)

    Enfim, resumindo uma história longa e complexa, a letra da música se relaciona com alguns acontecimentos do começo dos anos 70, durante a queda do movimento "Flower Power", onde as ações de luta e protesto pareciam não ter mais efeito. Assim Pete passa, de certo modo, sua visão sobre o cenário: "[...] há pouco que podemos fazer para mudar o sistema, o poder irá inevitavelmente corromper até mesmo o mais nobre, e assim, em vez de mudar o mundo ao nosso redor, talvez precisamos começar mudando à nós mesmos [...]" (Trecho tirado de uma review, em inglês, sobre a música, no site allmusic.com)

    "Change it had to come / We knew it all along / We were liberated from the fall that's all"

    (Apesar do Keith Moon já não estar nos seus melhores dias, essa versão ao vivo dessa música continua sendo sensacional.)

    Para os mais fanáticos, assim como eu, ainda há a versão remasterizada (disponível no Spotify) que possui sete faixas bônus, algumas sendo demos do Lifehouse: Pure and Easy, Baby Don't You Do It, Naked Eye (ao vivo), Water (ao vivo), Too Much of Anything, I Don't Even Know Myself, e uma versão alternativa de Behind Blue Eyes. 

                                                           ----------------//--------------

    Então é isso.

    Se você curte Rock, curte música boa tocadas por três monstros em seus instrumentos, e nunca ouviu esse álbum inteiro... O que você fez da sua vida até hoje?

    Abraços.

    17
  • 2017-01-16 00:36:26 -0200 Thumb picture

    [Biografia Musical] #1 - Joy Division (+ um filme)

    E está de volta esse "quadro", que já tinha antes no OFFMusic, e agora aqui estará ainda mais biográfico.

    Pensei em muitas, mas muitas, opções para ser a primeira banda. Pensei no quesito importância, gosto... Mas decidi ir para um caminho diferente, fazer algo mais simples, que eu não precisasse dividir em várias partes.

    Então decidi falar sobre essa banda que teve uma história curta, apenas 4 anos, mas que teve uma grande importância e influência no Post-Punk: Joy Division.

    A banda foi criada na cidade inglesa de Manchester, no ano de 1976, e para falar sobre ela é preciso contextualizar sobre a cidade na época. 

    Durante os anos 70, o antigo berço da revolução industrial passava por uma situação de calamidade: muita pobreza, desemprego, poluição e fábricas. Tudo era cinzento, nublado e sujo. Pouco verde e pouca esperança. Tudo isso influenciou fortemente o espírito "down" dos jovens da época, que tinham uma fraca visão de futuro.

    Mas as coisas mudaram um pouco para os jovens em Junho de 1976, quando os Sex Pistols fizeram um show na cidade. Influenciados pelo espírito "Do it yourself" do punk, vários deles começaram a montar bandas, e assim, o guitarrista Bernard Summer e o baixista Peter Hook decidiram seguir o mesmo caminho.  

    Através de um anúncio de jornal eles conhecem o vocalista, Ian Curtis, e juntos eles fazem a primeira gravação com o nome de "Warsaw", e fazem seu primeiro show em Maio de 1977, acompanhando o Buzzcocks e outras bandas locais.

    O nome da banda foi escolhido por causa de uma música chamada "Warszawa", do álbum Low do David Bowie. Além do Bowie (principalmente sua trilogia de Berlim) e do punk dos Pistols, a banda tinha como influência nomes como o Velvet Underground, The DoorsIggy Pop e Kraftwerk.

    Entretanto no final daquele ano, pouco tempo depois de escolherem o baterista Stephen Morris como definitivo, a banda descobre que em Londres havia uma banda punk chamada Warsaw Pakt. Decidem mudar o nome para Joy Division, termo que eles haviam encontrado no livro "The House Of Dolls", escrito por Yehiel De-Nur, em 1956; mas que também tem um significado polêmico, pois esse era o nome dado a uma área dos campos de concentração aonde os soldados abusavam sexualmente de judias durante a Segunda Guerra Mundial.

    Em 1978 eles lançam independentemente o primeiro EP, An Ideal for Living, que ainda tinha uma sonoridade fortemente influenciada pelo punk. Mas isso foi o suficiente para chamar a atenção do empresário Tony Wilson, dono de um programa de TV no canal local Granada Television e fundador da Factory Records, uma casa de shows e gravadora local. 

    A banda então assina com a Factory, em um lendário contrato de guardanapo assinado com sangue por Tony (essa história é boa), que além da publicação dos discos, garantiu à banda duas apresentações em seu programa de TV.

    Nessa época, a banda contrata o produtor Martin Hannett, e juntos eles mudam a sonoridade da banda, definindo aquilo que se influenciaria e praticamente se tornaria o post-punk e o gótico: um baixo extremamente presente, muitas vezes tocado como da mesma maneira que uma guitarra, vocais cavernosos, batidas marcadas e quase eletrônicas, letras depressivas e melancólicas.

    Em 27 de Dezembro daquele mesmo ano (78), na volta de seu primeiro show em Londres, Ian Curtis passa mal e é levado para o hospital. Lá descobre que sofria de epilepsia, fato extremamente importante para a história da banda.

    Em 1979, eles lançam o seu primeiro e mais conhecido álbum: Unknown Pleasures, que causou grande alvoroço entre o público e a crítica, devido à sua sonoridade soturna e às letras intimistas. Destaque para algumas faixas como "Disorder", "New Day Fades", "She's Lost Control" e "Shadowplay".

    A sua (extremamente) famosa capa foi encomendada à um artista da época, que não conhecia nada sobre a sonoridade da banda, mas que escolheu algo que casou perfeitamente: a imagem representa a morte de uma estrela.

    Ainda em 79 a banda lança um Single que consegue atingir relativo sucesso, "Transmission", que lhes garante sua primeira e única apresentação em um programa de TV de transmissão nacional.

    Durante os anos de 1979 e 1980, a banda faz vários shows pela Europa enquanto continua fazendo algumas gravações. Lançam inclusive seu single mais famoso: "Love Will Tear Us Apart".

    Nesse período, o problema de saúde de Ian piora muito, sofrendo ataques epiléticos inclusive dentro do palco, fato que o deixa ainda mais deprimido. Além disso, Curtis estava passando por um conturbado divórcio com sua esposa Deborah Curtis, com quem se casou aos 18 anos e tinha uma filha; além de um caso extra-conjugal com a jornalista belga Annik Honoré.

    Em 18 de maio de 1980, um dia antes do Joy Division embarcar para os Estados Unidos para sua primeira turnê norte-americana, Ian comete suicídio na cozinha de sua casa, se enforcando com a corda do varal enquanto ouvia o disco The Idiot do Iggy Pop. Ele tinha apenas 23 anos de idade. Poucos meses antes, ele já havia tentado suicídio ingerindo uma dose letal de remédios.

    O álbum que tinham acabado de gravar, Closer, foi lançado em julho daquele ano, com destaque para faixas como "Isolation", "Passover", "Heart and Soul" e "Twenty Four Hours".

    A capa, que mostra a foto de uma lápide, foi escolhida antes da morte de Ian Curtis, mas acabou sendo uma infeliz coincidência se tratando de um álbum póstumo.

    A banda, que se desfez após a morte de Ian, ainda fez mais alguns lançamentos, como o single "Atmosphere" e várias coletâneas.

    Após o término, os membros remanescentes formaram a banda de synth-pop, post-punk e dance music: New Order. Que inclusive lançou o Single de 12'' mais vendido de todos os tempos: Blue Monday.

    A influência do quarteto no rock é visível até hoje,em bandas como Editors, Plus Ultra, Interpol, Franz Ferdinand, She Wants Revenge e The Killers, além de serem ídolos de outros artistas, como Trent Reznor do Nine Inch Nails, Thom Yorke do Radiohead, Billy Corgan do Smashing Pumpkins e no Brasil o falecido líder da banda Legião Urbana, Renato Russo.

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    [Extra] - Filme: Control (2007)

    E para terminar, deixo mais essa indicação de uma cinebiografia para quem quiser saber mais dessa história. O filme Control conta a história do Ian Curtis e passa bem o clima da época e de como ele se sentia, sendo especialmente filmado em preto e branco para ser ainda mais melancólico.

                                                      ------------------\\--------------

    Então é isso.

    Isso foi um pouco da história do Joy Division, uma banda que apesar da pequena duração, ainda teria mais coisas para se detalhar

    Foi uma banda importante para sua época, e que recentemente começou a ser "mais lembrada" devido à algumas aparições em alguns filmes que ficaram bem populares... 

    Bom, o importante é que música boa seja escutada, independente do modo em que é popularizada...

    E para fechar, a pergunta: você prefere Joy Division ou New Order?

    Abraços.

    20
    • Micro picture
      onai_onai · over 2 years ago · 2 pontos

      Poxa! Eu conheço muito pouco de Joy Division mas essa música Love will tear us apart acho foda demais. E dá pra sentir muito bem a influência que essa banda exerceu na Legião Urbana, não só o som mas também o forma como o Renato Russo cantava era bem semelhante. Eu tenho que escutar as duas discografias pra decidir qual das duas gosto mais. Hehe...

      4 replies
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      leopoldino · over 2 years ago · 2 pontos

      Muito bom.

      7 replies
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      igor_park · over 2 years ago · 1 ponto

      Recomendo asssitir o heavy lero do Gastão sobre o Joy Division não sou fã mais o Gastão é um profundo conhecedor de música e sempre legal assistir o mesmo

      3 replies
  • 2017-01-10 13:08:13 -0200 Thumb picture

    [Álbuns] #1 - Ziggy Stardust (David Bowie)

    Hoje, 10 de Janeiro de 2017, completa um ano da morte de David Bowie. Dois dias atrás, ele estaria completando 70 anos de idade. Por isso, para abrir nossa lista de álbuns, eu escolhi esse que alçou Bowie ao estrelato: The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars.

    O quinto álbum de estúdio do músico britânico, sendo seu maior sucesso comercial até aquele momento, é lembrado como um dos principais discos do Glam Rock dos anos 70.

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    Ficha Técnica

    Lançamento: 16 de Junho de 1972

    Gravação: Setembro a Novembro de 1971 e Janeiro de 1972; Trident Studios, Londres

    Gênero(s): Pop Rock, Glam Rock

    Duração: 38:37

    Gravadora: RCA

    Produção: Ken Scott, David Bowie

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    Conceito

    Sendo um disco conceitual apresenta, mesmo que vagamente, a história do personagem Ziggy Stardust, a manifestação humana de um ser alienígena que está tentando apresentar à humanidade uma mensagem de esperança nos cinco últimos anos de sua existência. 

    Ziggy Stardust representa o rock star definitivo: sexualmente promíscuo, selvagem no uso de drogas, porém portador de uma mensagem que, no fim das contas, é sobre paz e amor. 

    Ele é destruído pelos consumos que faz e pelos fãs que inspirou.

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    História

    Durante o ano de 1970, o período marcado pelo seu disco The Man Who Sold The World, Bowie iniciava sua experimentação com um visual andrógeno e uma sonoridade mais pesada. Nesse mesmo período, e no ano seguinte com o disco Hunky Dory, Bowie iria conhecer e se associar a diversas pessoas importantes para a fase Ziggy, como o guitarrista Mick Ronson, o baixista Trevor Bolder, o produtor Ken Scott, além de seus amigos proto-punks Iggy Pop e Lou Reed.

    Juntamente com os dois instrumentistas previamente citados, e o baterista Mick Woodmansey, Bowie forma a Spiders From Mars, banda que acompanha o personagem Ziggy. A banda durou por mais dois discos, Alladin Sane e Pin Ups.

    Musicalmente, o disco marcou uma diferença do rock que predominava no final dos anos 1960 e no começo dos anos 1970, com grandes desenvolvimentos e solos de guitarra de Mick Ronson, evocando os guitar heroes da época, mas acrescentando mais dinamismo, sendo essencial para a sonoridade do disco.

    Outro fato marcante foi a forma que Bowie realmente entrou no personagem. Ele agia o tempo todo como Ziggy, um verdadeiro alien, tanto nos palcos quanto fora deles em entrevistas. Isso até 1973, quando ele sentiu que era hora de "matar" o personagem, tanto pelo desgaste da imagem quanto pelo cansaço físico (e "químico") das turnês, sendo sua última apresentação no Hammersmith Odeon, Londres, em 3 de julho de 1973. Ocorre um 'Rock N' Roll Suicide', para que mais uma reinvenção pudesse ocorrer e Bowie seguir por outros caminhos.

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    Capa

    As fotografias que ilustram o álbum foram tiradas em 1972 pelo fotógrafo Brian Ward durante uma noite chuvosa em Heddon Street, em Londres. No total, foram tiradas 17 fotografias em preto e branco, dos quais duas foram escolhidas como capa e contracapa, respectivamente, depois sendo coloridas à mão, dando esse aspecto de "desenho" à imagem.

    A imagem em si é bem simples, mostrando David Bowie/Ziggy Stardust vestindo um macacão azul, com uma guitarra na mão direita e com o pé esquerdo apoiado em uma lata de lixo, próximo ao portão número 23 dessa rua.

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    Músicas

    Já que se trata de um álbum conceitual, podemos ter uma pequena análise sobre o que cada música significa.

    1. Five Years: Anunciando que a Terra está condenada à destruição em cinco anos, devido ao esgotamento dos recursos naturais, Ziggy a canta para conscientizar o planeta.

    2. Soul Love: Faz referência a vários tipos de amor: o amor para com as pessoas queridas que já morreram, o amor romântico e o religioso.

    3. Moonage Daydream: Ziggy se apresenta como o invasor espacial que quer salvar o mundo, transformando-se em uma“rock’n’roll bitch”.

    4. Starman: Nela um extraterrestre procura entrar em contato com os jovens para lhes prometer a salvação, apesar de o mundo não estar preparado para sua mensagem. Segundo Bowie, é uma canção repleta de mentiras que Ziggy conta para que os habitantes da Terra lhe sigam.

    (O vídeo acima, inclusive, foi a primeira aparição de Bowie na TV a causar alguma polêmica, que em partes o deixou chateado por muitas pessoas se preocuparem mais em questionar sua sexualidade do que ouvir sua música)

    5. It Ain’t Easy”: É a única canção do disco que não foi escrita por Bowie, se tratando de uma cover do músico estadunidense de blues Ron Davies. Trata das dificuldades enfrentadas até o estrelato.

    6. Lady Stardust: Uma balada com o piano como instrumento principal, nela Ziggy começa a se travestir, causando a admiração do público.

    7. Star: Descreve o desejo de Ziggy de se tornar um rock star.

    8. Hang On To Yourself: Ziggy e sua banda estão no cume do sucesso e têm aos seus pés muitos admiradores que desejam relações sexuais com eles. O riff da canção é inspirado pelo rockabilly.

    9. Ziggy Stardust: é a canção que relata a história principal de Ziggy e, juntamente com “Starman”, a mais conhecida do disco. Nela, Ziggy tem o início de sua decadência e resolve terminar sua banda.

    10. Suffragette City: após a ruptura com seu grupo, Ziggy deixa de lado seus propósitos e sua vida anterior e só se interessa em sexo e drogas.

    11. Rock’n’Roll Suicide: o disco acaba com Ziggy convertendo-se a um suicida do rock’n’roll. A inspiração para os primeiros versos da canção foi um poema de Manuel Machado, cujo primeiro verso é “La vida es un cigarrillo”.

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    Então é isso.

    Decidi aproveitar a data para inaugurar a categoria [Álbuns] com esse disco, que também é meu favorito do David Bowie. 

    Vou seguir mais ou menos esse formato para trazer diversos clássico obrigatórios da música, sem uma ordem muito específica na verdade, vai ir sendo os que derem vontade de ouvir de novo e escrever sobre.

    Comenta quais são as suas músicas favoritas desse álbum, qual é o seu disco favorito do Bowie, e quais discos não poderão faltar nessa "série".

    Abraços.

    16

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