• anduzerandu Anderson Alves
    2019-01-13 17:46:45 -0200 Thumb picture

    Registro de finalizações: Papers, Please

    Zerado dia 13/01/19

    Antes de começar o meu texto, vou avisar duas coisas: a primeira é que a única versão desse jogo registrada aqui no Alvanista é a do PC! Se não me engano há outras, talvez no celular e a que eu joguei, no Vita. Se alguém dar uma complementada no site, esteja avisado (por mais que seja fácil fazer isso, eu sempre fico com preguiça). Segundo, as imagens que uso nos meus posts eu sempre pego no Google, então pode rolar fotos da versão de computador e possivelmente serão todas em inglês, mas eu joguei ele completamente em Pt-BR.

    Papers, Please é praticamente um "job simulator" em que você trabalha como agente de imigração de fronteira permitindo ou não a entrada das pessoas no país de Arstotzka. O jogo tem um climão meio Guerra Fria e cada pessoa que você atende tem algo a dizer, uma história pra contar ou um argumento diferente para tentar te convencer a entrar no país por debaixo dos lençóis.

    O visual da aventura é do típico indie querendo ser 8bit, mas não tinha como ser melhor. Inclusive, a paleta de cores ajuda bastante na imersão de trabalhar um país são sério e cheio de regras.

    A jogabilidade lembra um bocado a de jogos como Ace Attorney. A pessoa te entrega os documentos, você verifica as informações de cabo a rabo e tenta encontrar discrepâncias. Depois fica a seu critério deixar a pessoa entrar ou não no país, mas claro que deixar uma pessoa passar com a papelada falsificada ou vencida ou ainda não deixar alguém que tinha tudo certinho gera punições. E você definitivamente não quer punições.

    O jogo tem regras básicas para serem sempre executadas, como fazer raio-x naqueles que estão acima do peso documentado para verificar se carregam armas e afins. Essas regras serão levadas até o final da aventura.

    Por outro lado, as regras podem ser alteradas a cada dia (fase) e você deve estar sempre atento ao que fazer. Se ontem eu não permitia a entrada de ninguém de determinado lugar ao país, hoje eles podem entrar sem problema.

    PP ainda se reinventa com mecânicas e adição de mais documentos obrigatórios (logo, mais informações para você prestar atenção de cada pessoa) conforme você avança na estória.

    No final do jogo, você vai ter juntado muitas regras e mecânicas básicas para vários tipos de situações + regras provisórias para prestar atenção. Não é fácil, mas você acaba organizando as idéias e sistematizando tudo na sua cabeça.

    Ainda assim, não vou mentir que nos últimos dias eu deixei gente passar depois de verificar tudo e ainda recebia uma notificação ou mais por algo errado que deixei passar sem ver.

    A sensação de jogar Papers, Please pra mim foi exatamente como trabalhar no guichê de verdade. você quer trabalhar rápido, mostrar serviço, mas ser chamado à atenção é tenso, de dar um frio na barriga.

    Mas por que não trabalhar tranquilo e lendo tudo devagar? Bom, o jogo tem tempo em cada fase (uns 6 minutos?) e a fila de pessoas é infinita. Quanto mais pessoas você atender até dar o horário de "ir embora", mais dinheiro você vai receber.

    E pra quê dinheiro? Você tem uma família em casa pra ser sustentada. Eles passam fome, frio, ficam doentes no no final do seu expediente, você deve escolher o que comprar com o pouco que ganhou. Investir em aquecimento? Comida? Comprar um remédio pro seu filho ou pra sua sogra? Tá todo mundo sofrendo nesse país, amigo!

    Quando zerei o jogo, o meu tio morreu no meio da aventura e o filho lá pros 2/3 da campanha. No final sobraram esposa, sogra e prima. Nas minhas primeiras jogatinas, o povo morreu depois de poucos dias e deu Game Over.

    Falando em Game Over, PP permite que você recomece a jogar da parte que desejar, já que o jogo faz um save automático pra cada dia de cada campanha que você jogar. Basicamente, você pode iniciar um novo jogo quando quiser mas todos os dias que completou estarão abertos classificados por campanhas iniciadas e dias.

    Fez besteira no último dia? Você tem a opção de tentar refazê-lo direito. Fez uma escolha infeliz que te deu um zeramento ruim dos 20 possíveis prematuramente? Volta no dia que você fez aquela decisão e faz diferente! Isso é bem legal, principalmente se você tá perto do último dia (30) e ganha um zeramento ruim por algo que nem imaginava, evitando ter que rejogar tudo. Isso também ajuda bastante àqueles que querem ver todos os finais possíveis (inclusive o jogo registra isso e provavelmente dá uma conquista).

    Pra quem jogou 9 Hours 9 Persons 9 Doors ou Zero Escape vai se familiarizar com esse esquema.

    Resumindo: Papers, Please é mais ou menos como eu já imaginava pelo pouco que eu conhecia. Um jogo que exige bastante atenção e um bocado de leitura com uma atmosfera interessante. Senti que a estória poderia ser um pouco mais profunda, principalmente no zeramento, mas é possível que fazendo mais finais e pegando rotas diferente isso seja melhor (apesar que escolhas e zeramentos diferentes são tão simples e rápidos ou acabam com seu jogo de uma forma bem sem graça).

    De bom: jogabilidade simples (possivelmente melhor no PC) e idioma brasileiro, que qualquer um consegue jogar (a barreira do idioma impediu que eu recomendasse Phoenix Wright pra muita gente, por exemplo). Inclusive, serve como uma ótima entrada para esse mundo de jogos de leituras e contradições. Alguns personagens aparecem mais de uma vez e o jogo sabe disso, o que faz você se apegar a eles e suas estórias. Vários finais. Possibilidade de voltar para rejogar os dias que você quiser da campanha. Visual bacana. Encontrar contradições com base em regras é legal pois não exige contexto pros personagens. Variações constantes no gameplay e missões.

    De ruim: as vezes é difícil saber o que você fez de errado pra ter ganhado um zeramento ruim do nada. As primeiras jogatinas não são tão amigáveis assim e fiquei meio perdido (mas ainda assim a jogatina só durou 4h30min). Meu dedo gordo as vezes tinha dificuldade de pegar a coisa certa no meio de tantos papéis na tela do Vita e não tem opção de usar analógico como cursos (apenas como câmera). Mesmo trabalhando bem rápido e certo, achei difícil pacas conseguir manter a família sempre bem e as vezes o povo tinha uma doença e eu comprava remédio pra eles, mas na tela seguinte dava Game Over porque eles morreram. Achei o fim da estória meio sem graça, pouco melhor que o fim de um dia comum.

    No geral, gostei muito do jogo, mesmo ele ficando repetitivo aqui e ali. Os dias são rápido e tem como jogar um pouco por dia (mas não recomendaria largar por muito tempo a não ser que você planeje reiniciar a estória, pois tem muito detalhezinho pra lembrar). Gostaria de ver uma versão dublada pra não ter que olhar pros balões de fala de tudo que dizem haha. Experiência muito boa!

    PS: busque terminar o último dia (23 de Dezembro)/zeramento 20/20 para considerar o jogo terminado!

    Papers, Please

    Platform: PC
    776 Players
    66 Check-ins

    33
    • Micro picture
      jcelove · 8 months ago · 3 pontos

      Parabêns. É um jogo surpreendente mesmo. Viu o curta metragem. Adaptou perfeitamente.

      2 replies
    • Micro picture
      onai_onai · 8 months ago · 3 pontos

      Bem legal esse jogo.

    • Micro picture
      seigouhh · 8 months ago · 2 pontos

      Achei interessante a ideia do jogo, vou colocar na minha lista.

      1 reply

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