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Games & Desgaste: Como os anos podem cansar sua atividade preferida

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Você é uma daquelas pessoas que tem dificuldades para se apegar a alguns jogos, onde hoje em dia raramente irá ficar por horas e horas até que tenha alcançado o final da história?

Se apegar naquele jogo em que todo mundo está jogando atualmente lhe causa até uma certa inveja?

Vamos falar sobre isso e mais.

“ Eu acho que não consigo gostar mais de videogames como eu gostava. Não! O que que eu tô falando?? Me interna!”

Uma pessoa que joga videogames por muitos anos provavelmente teve ou terá esse pensamento? A causa disso pode variar bastante.

E se a vida de repente parece pequena demais para tantos jogos, um desespero bobo pode aparecer. Não vai soar tão bobo quando paramos pra pensar que gastamos tanto dinheiro com isso, construímos todo o momento para estar em nossas salas, confortáveis, prontos para aproveitar suas novas aquisições, mas o aproveitamento não dura nem trinta minutos. A causa disso tudo pode ter várias fontes.

Jogar um videogame como um jogador significa entrar na atmosfera videogame, não necessariamente no mundo do jogo, mas na zona de conforto da mídia, que pode ser acompanhada com nostalgia ou zeitgeist (que é ser compelido em algum furor causado por algum jogo, em nosso caso, quando toda a comunidade está por exemplo falando do novo Fallout e o prazer mora em saber que você está por dentro também, da forma mais oficial, aproveitando aqueles novos bytes que pouca gente do mundo tenha descoberto até então). Aproveitar esses jogos fora de sua janela quente de furor para alguns jogadores significa aproveitar uma mesma fruta, mas não tão fresca, não com o mesmo sabor inicial, o que por si próprio já impede de continuar alguma tentativa de gameplay extensa. O preço disso tem correlação quase literal: tudo pode resultar em gastos indesejados para uma faixa de pessoas que ainda estão potencialmente correndo atrás de se estabilizarem na vida. O problema ainda é maior quando você descobre que o produto adquirido na verdade não é tudo aquilo, quando despido pelo pouco tempo que se passou após o furor propriamente dito.

Algumas pessoas porém tem paciência e sabedoria suficiente para aguentar os gritos de regozijo do vizinho e negam seguir o que a indústria quer e mais ainda: muitas vezes querem seu dinheiro até bem antes de algo existir oficialmente (pre orders) ou até antes de algo existir como objeto realizado em si (campanhas de crowdfunding).

Consumir videogames pode ser uma tarefa ingrata se fora dele há algum problema persistente, acontecimento crônico ou momentâneo que abala seu psicológico de alguma maneira. Definitivamente não só afeta a atividade videogame como outras. Na forma de jogo, um breve remediamento pode ser aplicado quando o usuário recorre à nostalgia, para figurar o que ele define como os bons tempos, mesmo que aqueles tempos tivessem coisas ruins, mas que a mente preferiu ignorar. Por si própria, essa atividade é bem sadia, mas pode comprometer o engajamento em material inédito que a pessoa procura consumir e em alguns indivíduos pode produzir uma alienação contínua, o famoso cara que só sabe dizer “antes que era bom”.

Talvez pelo fato de termos tantos amigos que falam e até trabalham com isso e as outras mídias que consumimos também estarem muitas vezes conversando com jogos, nos sentimos pressionados a andar num ritmo que não é mais natural comparado ao ritmo de quando tínhamos todo tempo do mundo. Isso faz com que você queira abraçar muitas coisas ao mesmo tempo e então as deixe cair, não ficando com nenhuma no fim das contas. Essas coisas podem ser os jogos em si. Mas saiba que as pessoas possuem outros problemas.

Assim como existem pessoas compulsivas por compras, gastar exorbitantes quantias em dinheiro em shoppings só para ter a sensação de ter algo desejado, ou simplesmente ter algo, nunca deixando um vazio que elas inventam imperar em seus dias, existem jogadores que adquirem jogos de forma desordenada e fica difícil se focar em consumir plenamente uma coisa apenas.

Para um comprador compulsivo, a parte mais angustiante é não ter. Pesquisar pode ser a hora mais emocionante, tendo em vista de que a compra para este já está realizada, e que seja apenas uma questão de tempo até que ponha as mãos no produto. O ápice do prazer mora nos segundos em que primeiro é recebido o jogo, mas também pode aparecer em pequenas doses ao se olhar para a estante (virtual ou não) e ter o rápido pensamento “eu tenho isso!”. Definitivamente é uma sensação tão curta que de forma alguma valeria o valor cobrado. Após isso, o produto é descartado do uso e segue-se para o pensamento de uma próxima aquisição.

Esse processo todo pode ser encurtado e muito se colocarmos no exemplo a prática de compra de jogos digitais, principalmente no Steam e suas promoções e política de quantidade versus preços baixos.

Assim, o aglomerado de jogos adquiridos que sequer foram jogados ou terminados só aumenta e dificulta mais que um dia qualquer um desses seja lembrado.

A paixão pelos games pode ser recuperada depois de um descanso da atividade, o foco em outra coisa, mas também o avanço da bancada intelectual de desenvolvedores, escritores e diretores, serpenteando pela indústria de jogos, com novidades em jogabilidade e narrativa pode ajudar bastante nesse refresco.

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Dota 2

Platform: PC
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