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Um final pra Half-Life 3

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Senhoras e senhores, hoje a internet acordou explodindo. Marc Laidlaw, ex-roteirista da Valve, responsável pelas histórias da saga Half-Life, decidiu revelar toda a plot do que seria Half-Life 2: Episode Three.

Isso tem diversas, diversas, diversas implicações e a ideia desse texto é falar delas, do futuro da saga e do que o texto representa. Mas antes de tudo, vamos dar uma geral em como vai funcionar esse texto.

Primeiro de tudo - Marc falou que todo o texto é uma fanfic dele. Mas, nas palavras da internet - "fanfic do autor é canon". Claro, isso não é canônico e está longe disso, mas provavelmente é o mais próximo do que vamos chegar no cânone de Half-Life.

Segundo, é claro - aqui tem spoilers pra caramba, de toda a saga Half-Life e Portal. Se você não conhece a plot, tem interesse e não liga pra spoilers, eu fiz um apanhado gigante de toda a história aqui, mais de 2 anos atrás, na própria Alva. O texto é meio antigo, mas eu espero que seja útil!

Dito isso, vamos começar pelo começo - o texto! Você pode encontrá-lo neste link, e, para nos poupar tempo, vou tentar resumi-lo o melhor que posso aqui, mas recomendo a leitura na íntegra. Vale dizer que está em inglês.

A plot de HL3 começa com todo o grupo de pesquisa confuso, após a morte de Eli Vance - porém, Alyx consegue motivar todos a voltarem a trabalhar e acreditar. Gordon e a senhorita Vance estavam, antes da morte de Eli, indo embarcar num helicóptero em direção ao Borealis, no Ártico, seguindo as coordenadas de Judith Mossman.

O problema é que o grupo se divide em o que fazer com o barco. Eli queria destruí-lo, e sua filha segue do mesmo propósito, mas boa parte acredita que o barco pode ser a chave para a vitória contra os Combine, devido à sua tecnologia com portais. Bom, sem barco não se pode decidir nada, e lá vão eles em direção ao Ártico.

O helicóptero cai, por motivos desconhecidos, mas Gordon e Alyx conseguem chegar nas coordenadas que Mossman passou. Porém, ao invés do navio, o que eles encontram é uma grande instalação dos Combine. Entrando furtivamente no local, eles veem algo que está como se estivesse entrando e saindo da própria realidade, e descobrem que esse algo é, na verdade, o próprio navio, o Borealis.

Eles acabam capturados - não por soldados Combine, mas por agentes do recém-revivido Dr. Breen. Em algum ponto, os aliens salvaram uma versão anterior de sua consciência, e a implantaram numa gosma, que virou o BreenSlug. Porém, ele admitiu também ser um prisioneiro dos extraterrestres, e a dupla acaba com sua vida de uma vez por todas.

Não longe dali, eles também encontram Judith Mossman sendo detida numa sala de interrogação. Alyx e Judith estavam bem tensas uma com a outra, principalmente porque Alyx culpava Mossman pela morte de seu pai - notícia da qual ela não sabia e tomou com surpresa e tristeza. De qualquer forma, o trio consegue uma ressonância com o navio e embarca.

O que acontece após é a descoberta de que o barco não só estava viajando entre lugares via portais, mas pelo próprio tempo. A história é que, na época da invasão, os cientistas da Aperture estavam construindo o Borealis com o Bootstrap Device, que permitiria-os viajar para qualquer lugar no espaço, criando um meio super eficiente de transporte. Porém, após a Seven Hour War, os Combine começaram a tomar controle dos centros de pesquisa, e, desesperados, os cientistas mandaram o navio incompleto para o Ártico.

O problema é que o Bootstrap Device viajou não só no espaço, mas no tempo.

O navio viajava pra frente e pra trás no tempo, da Guerra para o tempo atual, como as cordas de um violão - e em um desses harmônicos foi onde eles embarcaram. O navio foi parar até mesmo na Aperture, de onde forças Combine surgiram da terra, mar e ar. Eles viram os laboratórios, o ártico e vários, vários outros mundos, no futuro e no passado, vendo até mesmo áreas centrais de planejamento dos Combine - enquanto defendiam o barco contra eles.

Judith queria tomar posse do navio e entregá-lo para a resistência, mas Alyx jurou para seu pai destruir o local. Ela tinha um plano para auto-destruir o navio (e a todos dentro), jogando-o numa estação de invasão e planejamento alienígena. As duas brigaram, e quando Judith estava próxima de retirar o Bootstrap Device e parar o navio no gelo, um tiro é ouvido, e Judith cai morta - um tiro disparado por Alyx Vance.

Com Mossman fora do jogo, o plano havia sido decidido pelo plano suicida. Mas, enquanto eles colocavam o navio em rota, uma figura misteriosa, de terno azul e gravata vermelha apareceu - O misterioso G-Man. Mas não por Freeman. Por Alyx. E ela reconheceu o homem que a salvou do Incidente da Black Mesa, anos atrás.

"Venha comigo agora, temos lugares para ir e coisas para fazer."

E ela vai.

Sem modos de sair, Freeman fica sozinho no navio. Em direção ao coração dos planos Combine, ele vê uma brilhante Esfera de Dyson, que mostrava toda a futilidade do que estavam batalhando, e como o Borealis, a massiva arma que ele estava dentro, não faria mais que um arranhão no esquema Combine.

Antes de mais nada, porém, os Vortiguants aparecem e tiram Freeman dali. E lá estava Freeman, de volta à sua terra, mas uma terra mudada, onde tempo suficiente se passou para que poucos se lembrem dele, e se a resistência falhou ou sucedeu, não foi por sua culpa. Ele não reconhece mais ninguém dos pesquisadores, apesar de que ele ainda acredita que o espírito de rebelião exista. E, nas palavras do texto...

"Eu espero que você saiba melhor do que eu o curso apropriado de ação, e eu deixo ele para você. Não espere mais relatos meus sobre esse assunto - esse é meu episódio final."

E o texto acaba.

Vamos lá, então - O que isso tudo quer dizer?

Primeiro, um final amargo para Freeman. Ele não era mais que um peão para o G-Man, e no momento necessário para o engravatado, o trocou por Alyx Vance, e só Marc Laidlaw sabe onde (e quando) eles foram parar.

Mas toda essa história de não ser mais reconhecido e um futuro distante... Essa parte não parece fazer parte da história - não a de Freeman, mas a do próprio Laidlaw. Ele saiu da Valve em Janeiro de 2016, vale dizer, e a última parte parece falar bastante dele.

"É surpreendente ver como o terreno mudou", desde o começo de Half-Life e as coisas na Valve, 20 anos atrás. "Tempo suficiente passou para que poucos se lembrem de mim, ou o que falei pela última vez, ou o que queríamos alcançar." Isso resume bem o que parece ser HL dentro da empresa - poucos se importam com o que a série queria alcançar, poucos se importavam com o que Marc talvez queria construir.

"Nesse ponto, a resistência vai ter vencido ou perdido, não graças à mim" - afinal, ele saiu da Valve, e se a série vai continuar ou não, não é graças à ele. "Velhos amigos foram silenciados, ou caíram para os lados. Eu já não conheço mais a maior parte do time de pesquisa." Ele já não conhecia mais a maior parte dos funcionários da Valve - o time antigo de Half-Life se desmantelou.

E a parte final - ele espera que quem esteja lendo a mensagem saiba melhor que ele como continuar. Seria como continuar a saga? Muita gente interpretou que isso seja um pedido para os fãs continuarem, com esse roteiro, ou mesmo que seja uma mensagem direta para Gabe Newell.

Mas esse é o episódio final dele - Marc Laidlaw.

É um final amargo tanto pra ele, quanto pra Freeman.

E quanto ao resto da história? A humanidade parece estar se virando bem após isso - na verdade, podemos supor que, sem o Portal da Citadel (que Freeman e Alyx fizeram o favor de explodir) e sem os portais do Borealis, os Combine não tinham mais como chegar à Terra, ao menos não sem se transportarem fisicamente pra lá. 

Provavelmente, deixaram a Terra pra lá e foram buscar mundos menos resistivos para colonizar. Provavelmente os Combines restantes no planeta buscaram luta, mas não era uma luta que eles podiam vencer.

Não é como se os Combine pudessem ser vencidos, mesmo, não sem um esforço absurdo. Vocês sabem o que é uma Esfera de Dyson, citada no texto?

Descrita por Freeman Dyson, uma Esfera de Dyson é uma estrutura que rodeia uma estrela, rodeando-a completamente e obtendo energia a partir dela. Dyson especulou que essa seria a etapa final de uma civilização muito tecnologicamente avançada, uma megaestrutura capaz de energizar toda uma civilização intergalática.

O ponto máximo de avanço de uma civilização. E foi aí que Gordon tentou tacar um navio explosivo.

Imagine tacar um navio no Sol, o impacto (quase) nulo que isso teria? É basicamente essa a ideia desse final - não importa a nossa luta, a guerra estaria vencida fácil se eles quisessem. 

Outro ponto interessantíssimo do texto - a Aperture desenvolveu (seja de propósito ou não) com o Borealis uma tecnologia de portais, como esperado, mas não só no espaço, mas no tempo. Isso é um conceito... Impressionante, pra dizer o mínimo. Todos estavam atrás do navio pela tecnologia de portais e viagens rápidas pelo espaço, mas ainda tinha uma carta coringa nessa corrida - o tempo.

O Borealis era capaz de quebrar a barreira do espaço-tempo, e não importa o quão desenvolvidos os Combines eram - a tecnologia de portais deles era arcaica, e até a Portal Gun era mais eficiente. O fato de que a Aperture desenvolveu e aplicou pesquisas no espaço-tempo é algo digno de muita nota.

Talvez essa guerra não estivesse tão vencida assim...?

Isso é algo que fazia Half-Life tão especial. Olha os conceitos físicos de viagens no espaço-tempo que estavam no projeto. É sensacional, pra dizer o mínimo, e algo que todos queriam ver num Half-Life 3 de verdade.

Um último adendo antes de finalizar - A Valve Time, uma das maiores fontes de notícia da Valve, publicou e deletou isso logo em seguida.

Vale dizer que isso é apenas uma fonte, sem confirmação nem nada, mas...

Antes de encerrar, eu quero falar algo, como fã. É triste ver isso. É triste ver uma companhia como a Valve, criadora de projetos realmente incríveis como toda a saga Portal e Half-Life, Left 4 Dead, Counter-Strike... Ficar, simplesmente, vivendo da Steam e de atualizações de seus jogos multiplayer.

Eu realmente, realmente espero que haja mais um jogo single-player da Valve num futuro próximo. É basicamente o desejo dos fãs atualmente. Dá pra ver isso na reação da galera quando Artifact foi anunciado - o primeiro jogo inteiramente da Valve desde Portal 2, em 2011, e é um cardgame de Dota.

E quanto a Half-Life?

... Half-Life morreu. Eu ainda vou continuar com aquela esperança, lá no fundo, de ver o jogo ser anunciado. Ver as conferência na E3 com esperança de ver HL3. Mas... 

Com o autor da história revelando praticamente tudo, e um encerramento desses no fim? Parece claro que a Valve não tem interesse em continuar HL3, seja por medo de não atingir as expectativas ou o que for - e, novamente, é uma pena. 

Valeu por tudo, Marc Laidlaw. Foi um final e tanto. Até um dia, Freeman.

Half-Life 2: Episode Two

Platform: PC
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64 Check-ins

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  • Micro picture
    felipefabricio · about 2 years ago · 7 pontos

    Um texto imenso, mas eu precisava escrever isso. Se você leu, valeu, do fundo do meu coração.

    ;-;

    2 replies
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    xualexandre · about 2 years ago · 2 pontos

    Nossa, vc que fez esse texto em br, parabéns, mas não vou ler por hora por estar começando agora o primeiro HL

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    pauloaquino · about 2 years ago · 2 pontos

    Será uma perspectiva de "ladeira abaixo" para a Valve?

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    hanzy · about 2 years ago · 1 ponto

    É realmente uma pena ver uma serie como Half-Life ser descontinuada assim.
    O texto ficou ótimo parabéns! o//

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    carlossantana1701 · about 2 years ago · 1 ponto

    Espero jogar HL 3 antes de ficar velho demais

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    artigos · about 2 years ago · 1 ponto

    Parabéns! Seu artigo virou destaque!

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    zefie · about 2 years ago · 1 ponto

    Eu perdi a esperança com a Valve já. Ela só vai mexer de novo nas franquias dela quando a água bater na bunda, que nem aconteceu com Team Fortress 2. Ficou anos no esquecimento, com atualizações só pra acrescentar cosméticos, aí a Blizzard anunciou Overwatch e rapidinho eles começaram a mexer no jogo (pra pior, ainda por cima).

    2 replies
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