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papm22 Galard Malvic Featured

O jogo do ano 2019

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Salve, salve galera! Aqui é o Galard, com o que (espero que seja) querido artigo anual sobre os indicados ao TGA. Sendo curto e grosso, aqui está a minha reação deste "querido" ano:

É ... já sabem que lá vem alguns pitacos tão controversos quanto algumas das indicações. 2019, foi um ano CONSIDERAVELMENTE inferior aos anos de 2015, 17 e 18, talvez empatando (ou perdendo por pouco) de 2016, em termos de qualidade de lançamentos e até mesmo em volume. Só não achei tão fraco quanto 2014, por não ter tantas decepções assim. Mas fácil não foi não, sinceramente.

Não quer dizer que as indicações foram injustas (vamos digerir isso melhor mais para frente), e nem que tenhamos grandes ausências (talvez Disco Elysium no goty?), mas que o nível dos indicados eu realmente achei bem fraco, se compararmos com outros lançamentos de anos anteriores.

Contudo, tenho alguns palpites para isto ocorrer: 
1) é o penúltimo ano de uma geração. E desde 2012, vejo que a indústria guarda o melhor possível para dar o "sprint final" no último ano da geração, tal qual fora em 2013. 

2) tivemos bons jogos sim, mas tal qual ano passado, foram poucos, e quando tem, são apenas um ou dois que se destacam no gênero. 

3) o penúltimo ano de uma geração costuma ser um período formulaico, especulativo e de pouca inovação. Seria como a indústria estivesse se preparando para uma grande despedida e transição.

E vejam bem, não fui o único a reclamar: observei inúmeros comentários nas comunidades "PS4 Brasil" do facebook (que só tenho usado para isso, ultimamente), canais gringos, canais brasileiros, como o The Enemy, catando bons lançamentos como se catasse tatuí na areia seca:

PS: o vídeo é vergonhoso, para variar.

Bom, lembro que no meu artigo passado, o clima foi de despedida, por estar bem focado nos estudos, e etc. E continua sendo, mas como não quis parar pela metade da geração, fiz novamente um grande esforço, novamente adquiri e joguei diversos lançamentos do ano, só que dessa vez, infelizmente não pude zerar nenhum. Mas joguei o bastante de cada um deles para fazer uma análise em relação às suas indicações, em cada categoria.

Uma não recomendação: eu comprei o meu The Outer Worlds em pré-venda pela submarino, mas eles me entregaram o jogo errado e eu tive de comprar outro!  Esse daí é o segundo que comprei, pois o primeiro até agora não recebi. 

Novamente a estrutura do artigo, terá pequenas mudanças: exibirei um comentário do que conheço dos indicados, comentando algumas presenças ou ausências, em quem eu votei (trouxeram de novo a possibilidade de votar, naquele mesmo percentual, 10% para o público e 90 aos juízes convidados. Prefiro assim ou sempre os jogos mais populares seriam os vencedores de tudo.) e quem eu acho que vai ganhar e o porquê disso. Mas não farei isso em todas as categorias dessa vez, pois há MUITA peculiaridade em algumas situações. 

Quem quiser conferir os meus artigos dos anos anteriores, segue os links abaixo: 

O jogo do ano 2018

O jogo do ano 2017
O jogo do ano 2016
O jogo do ano 2015

Tal qual ano passado, indico também outros artigos (JABÁ DETECTED), que discutem um pouco sobre os motivos de eu não ter gostado nem um pouco do ano de 2014, que fiz em estrutura de retrospectiva e não de análise de uma premiação específica; outro sobre algumas características que eu creio que sejam comuns entre os gotys, usando o gotypicks como parâmetro; e por fim uma opinião que acabei acertando, que fora sobre a importância de 2017 para esta geração:


O ano em foco - 2014: o pior ano dos games?

O jogo do ano: o que faz de um jogo um goty??

Galard Opina: 2017 será um ano decisivo para a 8ªgeração?

E seguem algumas fontes importantes:

-Site do TGA2019: https://thegameawards.com/

-As regras do evento (sim, preciso delas para a minha análise, este ano): https://thegameawards.com/faq

-Link com os jurados do evento: https://thegameawards.com/voting-jury

Sites com as médias:

-gamerankings: https://www.gamerankings.com/browse.html?site=&cat...

-metacritic: https://www.metacritic.com/browse/games/score/meta...

E de novo, o site do gotypicks para vocês acompanharem o saldo geral dos gotys, para ver quem será o "The Big Winner" deste ano: https://gotypicks.blogspot.com/

OBS: a tradução direta das categorias eu retirei do site do Voxel, que será um dos jurados. 

https://www.voxel.com.br/noticias/tga-death-stranding-control-outros-indicados-goty-veja_846570.htm

Enfim, vamos logo começar essa joça (vai ser difícil ...).

Melhor NarrativaA Plague Tale: Innocence (Asobo/Focus Home)Control (Remedy/505)Death Stranding (Kojima Productions/SIE)Disco Elysium (ZA/UM)The Outer Worlds (Obsidian/Private Division)


Essa categoria, provavelmente é uma das que mais me agradou. Não tem um indicado ruim, todos são ótimos nesse aspecto. O único que não pude jogar, foi A Plague Tale: Innocence, que pelas gameplays que pude ver, é o ponto mais alto do jogo.

Control é uma salada de frutas de influências, tendo como o gênero literário "new weird" (para ter uma ideia, recomendo aquele filme da Netflix, "Aniquilação") e as obras de David Lynch (especificamente, Twin Peaks) como principal referência. Isso sem conta na propria autoreferenciação da Remedy aos seus jogos anteriores. Notei isso desde o início do jogo. Ele te conquista pelo estranho, peculiar, incomum, macabro, sombrio, alem de unir muito bem isso à jogabilidade com a Arma de Serviço, que é um objeto vivo e até então, quase que senciente. A única coisa que não curti muito foi o elenco de apoio, que é um tanto sem sal. Ainda bem que a Jesse segura as pontas. Me surpreendeu bastante!

Death Stranding é Kojima na veia! Enredo que se desenvolve beeeeem lentamente, através de sua curiosidade, autoexplicativo e misterioso na medida certa. Os personagens são incríveis, bem interpretados (vejam os comentários na categoria de melhor atuação), a história intrigante favorece a estranheza deles, inclusive. Fora que a direção é primorosa, os ângulos de câmera são certeiros e mesmo sendo um jogo longo, não vi uma cutscene sem necessidade. todas serviram muito bem à narrativa da trama. Por isso, que eu acho que será a escolha do TGA. É um jogo tecnicamente impecável nesse aspecto.

Disco Elysium é ÚNICO! Pensem em uma versão "neonoir" de "Divertida Mente", só que muito mais niilista, engraçada na medida certa, com ótimas falas. Isso, sem falar que a mecânica principal do jogo são os diálogos, você evolui (literalmente) o seu personagem através das conversas, a narrativa e jogabilidade se influenciam de modo único neste jogo. Pode ser que surpreenda e seja leve essa categoria (acho até melhor que o Death Stranding neste aspecto).

Mas meu voto pessoal e sentimental é para The Outer Worlds. Simplesmente por ser um jogo leve, suave, engraçado, divertido e com diversas histórias. Caiu como uma luva para o meu momento complicado de concurseiro e sempre que jogo, saio rindo. Mas reconheço que não é lá muito original, por ser MUITO parecido com os primeiros Fallouts ... mas como são os mesmos criadores da série,  não vejo problema.  Melhor Direção de ArteControl (Remedy/505)Death Stranding (Kojima Productions/SIE)Gris (Nomada Studio/Devolver)Sayonara Wild Hearts (Simogo/Annapurna)Sekiro: Shadows Die Twice (From Software/Activision)The Legend of Zelda: Link's Awakening (Grezzo/Nintendo)

Essa é uma categoria que eu costumo gostar muito, mas este ano, ela me chamou mais a atenção pela estranheza do que beleza.

Control oscila entre escritórios simplistas, algumas vezes até minimalistas, com uma confusão lógico-espacial que me lembra uma obra do Escher. É esquisito, mas gostei.

Death Stranding é aquela direção de arte que tende ao realismo máximo, contudo, há um excessivo foco no vazio intencional, muito comum na cultura japonesa.  É o que eles chamam de "Ma". para entender melhor, recomendo este vídeo do Entreplanos:

Gris e Sayonara são similares e diferentes em diversos aspectos, tendendo a um minimalismo mais artístico. Contudo, por conta do traçado fino e melhor trabalhado de Gris, acho que este sai em destaque e pode ser o voto do TGA.


Eu ADOREI as escolhas artísticas em The Legend of Zelda: Link's Awakening ! Criativa, inovadora, lembra um brinquedo vivo! Nunca vi isso antes e fiquei bem feliz com isso.  Excelente reimaginação para um clássico desses! É a melhor coisa desse jogo. E também pode ser a escolha da academia! Se ganhar, será merecidíssimo.

Mas não me surpreenderia em nada se a academia escolhesse que nem eu: Sekiro! É impressionante, como uma atmosfera oriental, que costuma nos remeter a uma tranquilidade e relaxamento, passe uma sensação de um presságio pulsante e pungente de uma inevitável morte, sendo macabro nos mínimos detalhes, seja numa madeira meio quebrada, um telhado decadente... Isso sem falar no design grotesco dos inimigos, que alguns conseguem ser até realistas, como o Gyobu, enquanto que outros como o Demônio do Rancor, não aprecem nem conseguir se soerguer (mas que vai te matar com um ou dois golpes). Apesar de que, a From Software não me incomoda pelo design, mas por outros motivos ...   

Melhor Trilha Sonora/MúsicaCadence of Hyrule (Brace Yourself Games/Nintendo)Death Stranding (Kojima Productions/SIE)Devil May Cry 5 (Capcom)Kingdom Hearts III (Square Enix)Sayonara Wild Hearts (Simogo/Annapurna)

Aqui as coisas já complicam um pouco para o meu lado, pois não joguei muito desses jogos. Mas pude ouvir um cadinho da ost de alguns dos candidatos. De longe, os que mais gostei, foram DMC V e Death Stranding. Meu voto e da academia: Death Stranding, sem dúvidas! Reúne a melhor ost e melhor trilha licenciada do ano! Mas eu tenho uma ressalva: o tema de DMC V, "Devil Trigger" é o melhor do ano! Empolga que é uma beleza pra matar demônios. 

Melhor Design de ÁudioCall of Duty: Modern Warfare (Infinity Ward/Activision)Control (Remedy/505)Death Stranding(Kojima Productions/SIE)Gears 5(The Coalition/Xbox Game Studios)Resident Evil 2(Capcom)Sekiro: Shadows Die Twice(From Software/Activision)




Aqui é aquilo né: categoria que ninguém liga muito, mas eu gosto quando é bem utilizado nas mecânicas de gameplay do jogo. E adivinha qual jogo faz isso melhor? Sim, Resident Evil 2 remake! Sem dúvidas, voto do TGA, meu voto, etc. Mas como que ele usa? Simples, para criar atmosfera e causar medo no jogador. Isso não é o que se espera de um survival horror? Então ... é um jogo para se jogar com o ouvido, prestar atenção em cada ruído, que pode ser um zumbi na espreita. 

 Outro jogo que faz um pouquinho disso, só que com menor intensidade é o Death Stranding com as EPs. Mas nem chega perto de RE2.

Só uma ressalva: quando o jogador acaba com um inimigo no stealth em Sekiro, faz um barulhinho bom demais! Não da para explicar, só jogando.

Melhor AtuaçãoAshly Burch como Parvati Holcomb, The Outer WorldsCourtney Hope como Jesse Faden, ControlLaura Bailey como Kait Diaz, Gears 5Mads Mikkelsen como Cliff, Death StrandingMatthew Porretta como Dr. Casper Darling, ControlNorman Reedus como Sam Porter Bridges, Death Stranding

Aqui já começa a ficar difícil de falar, mas basicamente, acho que é Death Stranding concorrendo contra ele mesmo. Isso pq o jogo favorece muito a atuação, o foco é esse! A engine favorece a atuação demais, da para reparar em cada nuance (tanto é que o próprio TGA nem fez questão de colocar as fotos reais dos atores de tão bom que são os gráficos desse jogo).

Então creio que o TGA deva dar o prêmio para o Norman Reedus, por ser o protagonista e aparecer mais. Já eu, fico com o Mads Mikkelsen, por achar um ator mais competente, com mais nuances.

Mas preciso fazer alguns apontamentos:

Courtney Hope CARREGA o jogo nas costas, só que a sua atuação começa a ficar meio monótona depois de um tempo, a Jesse tá sempre no mesmo tom e se questionando. Sei que não deve ser culpa dela, mas poderia ser melhor.

Eu gosto bastante da Ashly Burch e Laura Bailey, são excelentes dubladoras, até estão bem, mas dessa vez não notei um grande diferencial nas atuações. Já performances melhores delas em Horizon Zero Dawn e Tales From Borderlands.

E por fim, Matthew Porretta ... merecia meu voto só por causa desse nome HAHAHAHHAHAHAHA.

Jogos de Impacto (mensagens sociais legais ou impactantes)Concrete Genie (Pixelopus/SIE)Gris(Nomada Studio/Devolver)Kind Words(Popcannibal)Life is Strange 2(Dontnod/Square Enix)Sea of Solitude(Jo-Mei Games/EA)


Normalmente,eu fico meio perdido com essa categoria, e costumo só saber de um ou dois jogos, mas dessa vez, só tenho um mínimo de noção de Gris (que por sinal é de 2018, mas que entrou no ano fiscal de 2019) e Concrete Genie. Por isso que não tenho como dizer muito e meu voto, deve ser no escuro em Griss. #saudadesceleste. Próxima.

Melhor Jogo Contínuo (jogos de serviço)Apex Legends (Respawn)Destiny 2 (Bungie)Final Fantasy XIV (Square Enix)Fortnite (Epic Games)Tom Clancy's Rainbow Six Siege (Ubisoft Montreal/Ubisoft)

Já deixei claro nos outros anos que não gosto dessa categoria, mas ao menos tivemos dois candidatos de peso neste ano: Apex e FF XIV.  Acho que irá para algum desses dois (espero que não seja Fortnite, mas que tá com um futm de ser ele, isso tá). Torço para FF XIV, só por conta de sua história peculiar de renascimento das cinzas, mas não tenho voto certo não.

Melhor Jogo de AçãoApex Legends(Respawn/EA)Astral Chain(Platinum Games/Nintendo)Call of Duty: Modern Warfare(Infinity Ward/Activision)Devil May Cry 5(Capcom/Capcom)Gears 5(The Coalition/Xbox Game Studios)Metro Exodus(4A Games/Deep Silver)

Aqui a coisa começa a complicar de verdade. Observem a descrição dessa categoria: "FOR THE BEST GAME IN THE ACTION GENRE-FOCUSED PRIMARILY ON COMBAT."

Então, sinceramente, sabe de quem foi o melhor combate do ano? SEKIRO! Isso é quase indiscutível, foi inovador, com a retirada da barra de stamina para uma barra de postura, bom uso dos parrys e ainda acho que o jogo tem muito mais foco na ação e combates do que qualquer outro lançado neste ano ... quase...

Em se tratando de inovação de combate, Sekiro é o melhor, mas em se tratando de ação frenética e ininterrupta, aí temos alguém que foi melhor: Devil May Cry 5. Embora não seja o jogo mais inovador nesse aspecto, ele faz TUDO certo em seu combate: mistura muito bem jogabilidade, trilha sonora, efeitos de luz, de som. É muito prazeroso lutar nesse jogo, e há anos que não sinto tanta satisfação com um hack n slash. Meu voto e voto do TGA.

Mas essa categoria têm uns poréns:

Apex Legends conseguiu inovar nos Battle Royale. Apesar de não jogar esse estilo de jogo, reconheço seu mérito.

Astral Chain conseguiu inovar bastante no hack n slash, com aquela mecânica de sempre controlar dois personagens simultaneamente nos combates. Não seria surpresa se o TGA votasse nesse jogo e não no DMC V.

CoD, Gears 5 são mais do mesmo, só que mais refinados. E Metro Exodus, ahh Metro Exodus, que pena terem te indicado só nessa categoria! Justo na que ele menos se destaca =/. Poderia ter sido indicado em melhor performance com a Anna, melhor direção de arte, melhor direção de áudio, narrativa, mas tinha que ser justo na de ação? O jogo é muito cadenciado para estar aqui. Acho que só foi indicado pois essa categoria substituiu a antiga categoria "best shooter". Mas eu preferia ter visto era outro shooter nessa categoria no lugar do Metro ... 

Melhor Jogo de Ação e AventuraBorderlands 3(Gearbox/2K)Control (Remedy/505 Games)Death Stranding(Kojima Productions/SIE)Resident Evil 2(Capcom)The Legend of Zelda: Link's Awakening(Grezzo/Nintendo)Sekiro: Shadows Die Twice(From Software/Activision)

Essa categoria costumava ser a melhor. Em 2017 e 2018 praticamente repetiam os indicados ao goty. Ainda está boa, mas já esteve melhor.

Primeiro, a descrição: "FOR THE BEST ACTION/ADVENTURE GAME, COMBINING COMBAT WITH TRAVERSAL AND PUZZLE-SOLVING."

Bom, se é para combinar resolução de puzzle com combate, o que Borderlands 3 tá fazendo aqui? O jogo tem a sua exploração, mas é só combate, zero puzzles! Preferia que ele tivesse trocado de categoria com o Metro Exodus.

Control realmente se destaca muito no combate, mas ele não é muito equilibrado em termos de puzzles. Só mesmo nos chefes.

Death Stranding está aqui simplesmente por ter de estar em alguma categoria de gênero, enquanto não criam a "best strand game". O foco do jogo é a exploração do mundo, o mapa é um grande puzzle. Mas como o próprio Kojima diz, ele quer utilizar a corda e não o bastão como mecânica principal. Por isso, o combate não tem muito o que oferecer, sendo mais funcional do que algo que tenha destaque.

Resident Evil 2 é ótimo na parte de puzzles (apesar de ter 0 inovação, é um remake né), mas o seu combate foi pensado para ser impreciso, travado. Claramente o foco do jogo não é esse. Ainda bem.

The Legend of Zelda: Link's Awakening , tecnicamente falando, é o que melhor representa essa categoria, sendo extremamente equilibrado entre combate e resolução de puzzles, só que igual ao  Resident Evil 2, é um remake tb, então não é lá muito inovador. Pode ser o voto do TGA.

Aproveito a brecha e dou logo a minha opinião sobre remakes participarem das premiações:  tal qual foi com PUBG em 2017, eu não sou totalmente contra a indicação, mas já em premiar, eu tenho minhas reservas. Pelo simples motivo de que acho um certo desprestígio com os jogos 100% originais lançados no ano. Ah, "mas trouxeram inovações". Sim, de fato. Mas inovar em algo, que já teve a sua chance em anos posteriores, e que de fato se destacaram naquela época, é complicado.  Acredito que essas obras poderiam sim ter um lugar próprio numa categoria, tal qual era a bendita da "best remaster" em 2014. Esses jogos, ainda que se esforcem ao máximo, nunca irão ter toda liberdade criativa do mundo que nem um jogo 100% original. Eu ainda vou falar mais sobre isso lá pra frente. 

Sendo assim, sobrou Sekiro. Por exclusão, é o meu voto. Tb pode ser voto da academia. A exploração do jogo, verticalizada, é muito boa (mas ainda acho mais genial o modo como os mundos de Dark Souls e Bloodbonre se interligam), o combate é excelente, tanto é que por isso que acho que esse jogo deveria estar em outra categoria, a de melhor jogo de ação. E os puzzles? Que puzzles? Digo eu. O máximo que vi de puzzles são os malabarismos para obter todos os finais (que é mais esforço e tentativa do jogador do que um level design intuitivo), ou como derrotar os macacos do biombo. Acho o jogo meio fraco nesse sentido.

Enfim, não gostei muito dessa categoria dessa, pois, apesar de gostar dos jogos dela, não creio que eles a representem muito bem.

Melhor Jogo de RPGDisco Elysium(ZA/UM)Final Fantasy XIV(Square Enix)Kingdom Hearts III(Square Enix)Monster Hunter World: Iceborne(Capcom)The Outer Worlds(Obsidian/Private Division)

A categoria do meu gênero favorito, anda bem capenga ultimamente...
Na sua descrição temos: "FOR THE BEST GAME DESIGNED WITH RICH PLAYER CHARACTER CUSTOMIZATION AND PROGRESSION, INCLUDING MASSIVELY MULTIPLAYER EXPERIENCES.". Tecnicamente falando , sem problemas FF XIV competir né?  Ouso discordar: acho que houve uma falha na digitação e esqueceram de colocar um "shadowbringers" ali, pois o que foi lançado este ano fora a expansão do FFXIV. E não da para entender isso, já que no Monster Hunter World, eles acertaram e colocaram a "Iceborne" ali no título

Como são expansões de jogos já lançados em anos anteriores, eu prefiro dar crédito que for 100% um jogo novo e não expandindo algo que já teve a sua chance antes. Mantenho a mesma opinião de quando The Witcher 3: Blood and Wine fora indicado em 2016 (que por sinal, ainda que concordasse com a sua vitória pela qualidade do jogo, por outro lado eu discordei, por querer dar espaço a um jogo novo), principalmente em relação a Iceborne, que veja bem, é incrível também, quase que um jogo novo.

Mas vamos ser fieis à descrição da categoria? Então, lamento fãs de KH3, mas nem de longe ele se aproxima do que a categoria procura para premiar.

Assim, sobraram Disco Elysium e The Outer Worlds, que cumprem MUITO bem o role playing. 

Creio que Disco Elysium leva essa, se o TGA seguir à risca a descrição da categoria: esse jogo leva o role play tão a sério a ponto de ser a própria árvore de habilidades e evolução do personagem. Eu nunca vi isso antes, é inovador, é criativo e único. As suas escolhas se amoldam ao seu personagem, que se amolda à história, de forma completamente orgânica. Recomendo a todos que gostam de um rpg no seu sentimo mais literal possível.

Mas, passionalmente, eu discordo. The Outer Worlds, apesar de ser bem familiar, ele é um jogo excelente, utiliza muito bem o role play, a interpretação, os diálogos. É divertido conversar nesse jogo, você sempre quer saber do "e se". E se tivesse escolhido diferente? E se tivesse matado fulano? E se meu personagem fosse um completo imbecil? é muita liberdade para a sua interpretação, só que diferente de Disco Elysium, que acaba por ser um jogo mais nichado e pesado, The Outer Worlds é mais abrangente e leve. Por isso me conquistou tanto e é meu voto (que novamente, não me surpreenderia se a academia escolhesse este jogo também).
 

Melhor Jogo de LutaDead or Alive 6(Team Ninja/Koei Tecmo)Jump Force(Spike Chunsoft/Bandai Namco)Mortal Kombat 11(NetherRealm/WBIE)Samurai Showdown(SNK/Athlon)Super Smash Bros. Ultimate(Bandai Namco/Sora/Nintendo) 

Aqui começa a putaria, como diria o saudoso Mr Catra (cujo inventário me traz uma curiosidade sem limites). Vamos por partes:

Dead or Alive 6 é um jogo medíocre, sem graça. Não tem nada demais. Nunca gostei dessa série e não vai ser agora que vou gostar.

Jump Force é DE LONGE, o pior jogo indicado em TODAS as categorias do TGA 2019. Não faz sentido a sua presença e chega a ser uma ofensa aos concorrentes. A Bandai deveria era ser processada por propaganda enganosa, isso sim.

Sendo assim, sobraram 3 controvérsias no formato de jogos:

MK 11 e as suas microtrasações terríveis, seu preço sem sentido, cheio de polêmicas desnecessárias. Para entenderem melhor, vejam esse vídeo aqui:

Não me levem a mal, o jogo é bom sim, e se não fosse isso (e outro sujeito indicado...), arrisco dizer que seria a escolha mais óbvia. Mas essa atitude foi uma AFRONTA aos fãs mais fieis dessa série. Não merece nem ganhar eleição síndico do prédio.

Ainda bem que os fãs responderam de modo gentil e cortês:

Samurai Showdawn, se não fosse o super smash, provavelmente levaria. Mas esse jogo me incomoda um pouco em sua narrativa, algo que o troço do MK11 faz muito bem. Parece que não se atualizou muito e manteve as suas raízes. Bom por um lado, que agrada de forma certeira seu público-alvo, ruim por outro, que vai ser difícil de arrumar novos fãs. Pelo menos participou da evo.

E por fim, meu voto e voto da academia: Super Smash Bros. Ultimate. É o jogo mais aclamado, sem muitos problemas, otimizado, bem elaborado, para quem curte notinha, tá com média 93 no metacritic da mídia especializada e 8.7 dos jogadores, tudo certo né? Quaaaase. O jogo é sim EXCELENTE, mas lembra lá de 2014? É do super smash bros WiiU? Então, não da pra negar que o Ultimate é quase que uma versão remasterizada e expandida da versão do WiiU. Tem coisa nova? Sim, mas poderia ter beeeeem mais. Ah, e só para lembrar:  foi lançado em 7/12/18,  porém, ainda no ano fiscal do TGA 2019:

WHAT IS THE CUTOFF DATE FOR GAMES TO BE ELIGIBLE THIS YEAR?

Games eligible for The Game Awards this year must be available for public consumption on or before November 15, 2019. Titles that are released after this date will be eligible for The Game Awards ceremony in 2020. (Similarly, games that were released in December 2018 are eligible for this year’s awards).

éééé... não gosto muito disso, mas falemos disso depois.

Melhor Jogo para famíliaLuigi's Mansion 3(Next Level Games/Nintendo)Ring Fit Adventure(Nintendo EPD/Nintendo)Super Mario Maker 2(Nintendo EPD/Nintendo)Super Smash Bros. Ultimate(Bandai Namco/Sora/Nintendo)Yoshi's Crafted World (Good-Feel/Nintendo)

Ou seria, melhor jogo da Nintendo? O Doritos até comenta essa "curiosidade" no vídeo de revelação dos indicados:

4:27, para verem com seus olhos.

E bem, essa categoria, sempre foi confusa para mim. Pq na descrição cosnta: "FOR THE BEST GAME APPROPRIATE FOR FAMILY PLAY, IRRESPECTIVE OF GENRE OR PLATFORM.".

Então não sei se é um jogo para todo mundo da família jogar junto, tipo ... em família né!??!!? Ou se é um jogo que independe de classificação etária e todo mundo poderia jogar tranquilamente?

Seja lá qual for o significado disso, a escolha para ambas as opções é uma só: Super Smash Bros. Ultimate. Da para toda a família, independente de idade, se matar em paz e harmonia na frente da tv da sala (e é ótimo isso).

Melhor Jogo de EstratégiaAge of Wonders: Planetfall(Triumph Studios/Paradox)Anno 1800(Blue Byte/Ubisoft)Fire Emblem: Three Houses(Intelligent Systems/Koei Tecmo/Nintendo)Total War: Three Kingdoms(Creative Assembly/Sega)Tropico 6(Limbic Entertainment/Kalypso Media)Wargroove (Chucklefish)

Essa categoria já foi melhor antes e eu já fui mais interessado nela. Tanto é que não joguei nenhum dos indicados, mas pelo pouco de conhecimento que tenho, acho que o TGA irá oscilar entre Fire Emblem: Three Houses e Wargroove. Eu votaria no Wargroove, só por gostar de favorecer os indies. Mas nem arrisco em nada aqui dessa vez. Próxima!

Melhor Jogo de Esportes/CorridaCrash Team Racing Nitro-Fueled(Beenox/Activision)DiRT Rally 2.0(Codemasters)eFootball Pro Evolution Soccer 2020(PES Productions/Konami)F1 2019(Codemasters)FIFA 20(EA Sports)

É impressionante a falta que um forza faz por aqui! Dos 3 jogos de corrida indicados, só o remake é mais eclético. A surpresa para mim foi não indicarem um jogo de basquete e pes voltar a ser indicado. Pra mim tanto faz, não gosto muito de nenhum dos indicados, exceto o estilo de corrida mais arcade do Crash. Não faço ideia de como a academia irá votar por aqui, mas meu voto é no Crash, por pura empatia e ... ah, é remake de novo? Esquece...

Em tempo: sabiam que a Beenox, que produziu o remake do Crash Tem Racing Nitro-Fueled é conhecida pelos seus ports de má qualidade, em especial aquele do spiderman 3 de pc, que tem as melhores mortes não intencionalmente engraçadas já vista num jogo?

Assistam, é hilário!

Melhor Jogo MultiplayerApex Legends(Respawn/EA)Borderlands 3(Gearbox/2K)Call of Duty: Modern Warfare(Infinity Ward/Activision)Tetris 99(Arika/Nintendo)Tom Clancy's The Division 2(Massive Entertainment/Ubisoft)

Esse ano essa categoria me trouxe uma dúvida: Death Stranding deveria ou não ter sido indicado? Pq o foco do jogo é o seu multiplayer assimétrico e inovador. Por outro lado, você só joga no single player. Seria o tal do "strand game" um limbo entre o single player e multiplayer? Bom, deixo a indagação ao amigo leitor para refletir sobre isso, junto do sentido da vida e o porquê de o Kojima ser tão ... Kojima.

 No que sobrou: CoD e The Division 2, apesar de serem muito bons nesse sentido, eles não inovam muito. Só evoluem uma fórmula já vista. 

Menos ainda fez Borderlands 3, que nem inovou nesse aspecto, até involuindo o multiplayer local ... só que eu simplesmente amo jogar o coop local desse jogo e passionalmente é o meu voto. É mais forte que eu, malz ae.

Mas creio que o voto da academia deve ser pelas inovações que Apex Legends e Tetris 99. Ambos são battle royales, mas acho que só por trazer o universo de tetris nesse gênero, acho que Tetris 99 deve ganhar o voto da academia.

Melhor Jogo IndieBaba Is You(Hempuli)Disco Elysium(ZA/UM)Katana ZERO(Askiisoft/Devoler)Outer Wilds(Mobius Digital/Annapurna)Untitled Goose Game(House House/Panic)

Olha, os indicados merecem esse reconhecimento, mas na boa: cadê Slay The Spire? É o segundo melhor indie do ano em termos de média! Merecia ser lembrado, poderia ser um sexto indicado.

Mas já que não foi, temos um problema aqui: tirando Baba Is You, que não gostei muito, todos os 4 que sobraram são de excelência. E aqui eu vou pela diversão, claro que tem que ser o jogo do ganso!! Untitled Goose Game é o melhor indie do ano para mim, em termos de diversão. Mas em termos de qualidade técnica e proposta, Disco Elysium, que deve ser o voto do TGA.

Mas, um adendo: Outer Wilds (e não The Outer Worlds!) é um jogo INCRÍVEL também. Vejam a análise do Nautilus para entenderem melhor a proposta única do jogo:

Melhor Jogo MobileCall of Duty: Mobile(TiMi Studios/Activision)GRINDSTONE(Capybara Games)Sayonara Wild Hearts(Simogo/Annapurna)Sky: Children of Light(Thatgamecompany)What the Golf?(Tribland)

Eu não sou o público alvo dessa categoria, nem deveria comentar ela, na verdade, mas faço uns apontamentos rápidos:

CoD mobile é um milagre! Esse deve ser o voto do TGA. E o meu também, na verdade. O jogo parece exatamente com as suas mil versões de console e pc.

What the golf é hilário.

Sky=Journey no ar.

Sayonara é um negócio estranho

E não conheço Grindstone. Valeu. Próxima.

Melhor Suporte para ComunidadeApex Legends (Respawn/EA)Destiny 2(Bungie)Final Fantasy XIV(Square Enix)Fortnite(Epic Games)Tom Clancy's Rainbow Six Siege(Ubisoft Montreal/Ubisoft)

Eu não vou comentar dessa categoria, mas queria ressaltar uma dúvida: se essa categoria existisse em 2015, a CD Projetk Red teria ganho.

Melhor Jogo VR/ARAsgard's Wrath(Sanzaru Games/Oculus Studios)Blood & Truth(SIE London Studio/SIE)Beat Saber(Beat Games)No Man's Sky(Hello Games)Trover Saves the Universe(Squanch Games)

Eu, como todo e qualquer brasileiro, não somos o público-alvo desse troço, mas dessa vez eu PRECISO comentar sobre os indicados:

Asgard's Wrath é tipo o Skyrim que deu certo no VR, é um rpg denso, com os melhores gráficos já vistos num jogo de VR. Acho que ele ganha, inclusive.

Blood & Truth é o Uncharted que deu certo no VR.

Beat Saber é o Fruit Ninja musical que deu certo no VR.

No Man`s Sky saiu do inferno e literalmente, com perdão do trocadilho, foi parar no céu da realidade virtual. Também deveria ter sido indicado na categoria de ongoing game.

Trover Saves the Universe é o Rick and Morty que deu certo no VR.

Esse ano, foi o melhor ano para a realidade virtual, sem dúvidas! 

Para as demais categorias de esports, jogo deputante, criador de conteúdo que ninguém liga e etc:

E finalmente as duas últimas categorias: game direction e o goty.

Melhor Direção de JogoControl (Remedy/505 Games)Death Stranding (Kojima Productions/SIE)Resident Evil 2 (Capcom/Capcom)Sekiro: Shadows Die Twice (From Software/Activision)Outer Wilds (Mobius Digital/Annapurna)

Vamos por partes:

Essa categoria significa o que afinal? Eu, sempre pensei que era sobre o game design, pois a descrição diz: "AWARDED FOR OUTSTANDING CREATIVE VISION AND INNOVATION IN GAME DIRECTION AND DESIGN."

Só que também fala em "direção de jogo" separado de "game design". Então é mais próximo de que? Da direção de um filme ou projeção de game design? Fica confuso né.

 A verdade, é que se tem um sujeito que acaba com essa minha dúvida é o Kojimão da massa! Tanto num sentido de conduzir a narrativa quanto de elaboração de game design, acho que Death Stranding foi quem mais inovou nesse aspecto. Seja na narrativa, em que Kojima evolui ao máximo a sua própria fórmula ou mesmo no game design em estrito senso. Por isso que é o meu voto e deve ser o voto do TGA também.

Contudo, reconheço de que em se tratando de level design, Sekiro é maravilhoso nos combates; Control é excelente tanto nos combates quanto na exploração, usando muito bem a fórmula metroidvania num tps; Outer Wilds explora o tempo como uma mecânica interessante, não burocrática e Resident Evil 2 conseguiu se reinventar muito bem, atualizando as suas mecânicas.

E finalmente: GOTY

Game of the Year (GOTY)Control (Remedy/505 Games)Death Stranding(Kojima Productions/SIE)Super Smash Bros. Ultimate(Bandai-Namco/Sora/Nintendo)Resident Evil 2(Capcom/Capcom)Sekiro: Shadows Die Twice(From Software/Activision)The Outer Worlds(Obsidian/Private Division)

Até então, o artigo seguiu o padrão que eu costumo trabalhar. Mas no caso do goty, vai ter de ser diferente...

Primeiro, a descrição: "RECOGNIZING A GAME THAT DELIVERS THE ABSOLUTE BEST EXPERIENCE ACROSS ALL CREATIVE AND TECHNICAL FIELDS."

Melhor experiência do ano, né? Então, eu entendo, mas é bem difícil de concordar com o Super Smash Bros Ultimate sendo indicado, pelo simples fato dele não ter tido impacto algum nesse ano.  Fora do fato de EU, não concordar muito em um jogo com um certo nicho levar o prêmio. Mas nada disso me incomoda tanto quanto do fato de o Ultimate ser uns 70% reciclagem do Super Smash Bros do WiiU. É quase que uma remasterização (de excelente qualidade, frise-se), neste caso. É mais evolucionário do que revolucionário.

The Outer Worlds, parece sofrer de um mal um pouquinho semelhante, só que menos. Esse jogo, vejam bem, é um Fallout no espaço, só que reduzido a um orçamento de AA e infinitamente melhor polido. Em minhas quase 30h de jogatina, não tive um único bug! Ele faz tudo certo, é um jogo nota 10 em sua proposta, a história é criativa, a jogabilidade é excelente, seu role play é divertidíssimo, os diálogos são hilários, a trilha sonora é cativante, os gráficos são lindos (apesar de simples), mapas muito bem construídos, estilo próprio, etc. Mas devo, quase que a contragosto, dizer que ele peca em um ponto, que é a inovação. Não que não tenha algumas inovações, mas de modo geral, é um jogo familiar. Apesar de tudo, este é o meu goty pessoal. #thegotyworlds! Parabéns à Obsidian! 

O problema mesmo é o voto do TGA ...

A verdade é que ele nunca fora tão imprevisível. Bom, se tivesse de arriscar e seguir a lógica que ocorre desde 2015, quem leva o prêmio de melhor estúdio/melhor direção de jogo, ganha o goty.

Só que dos 4 jogos que temos:

Death Stranding: é um jogo MUITO controverso, divisor de opiniões, as na minha opinião, ele tem sim tudo para ser um goty bem digno. O problema é: será que a academia vai querer manter a sua credibilidade? Porque esse jogo tem o Geoff Keighley, simplesmente o idealizador e o host do evento como NPC! E sabemos de sua relação com o Kojima:

https://twitter.com/geoffkeighley/status/1007114976102772736

Eles são bem amigos. Isso sem falar que Death Stranding tem muita bajulação estadounidense também. Mas dando créditos aos bois, a inovação desse jogo é gigantesca, o que o faz ser um merecedor de um goty. Se o Kojima não tivesse colocado toda a sua gangue para fazer cameos no jogo, talvez eu não pensasse dessa forma. e por conta disso, talvez os jurados pisem no freio. Ou não: o troço tem muita qualidade técnica também, é um excelente jogo. É de longe, o jogo mais inventivo e inovador do ano. Finalizando o assunto Death Stranding, ele ainda tem um probleminha: é um jogo de nicho, para aquele jogador que curte algo mais contemplativo, introspectivo, reflexivo.

Falando em qualidade técnica, Resident Evil 2 tem de sobra também: gráficos, áudio, jogabilidade reformulada ... mas, mantendo o que disse antes: ainda assim é um remake, e o original já teve a sua chance em 1998. Inclusive, ele foi aclamado desde aquela época. Não posso dizer que foi um produto que falhou em seu momento originário: pelo contrário, alavancou a série em graus astronômicos. E a pergunta que se faz é: porque esse jogo precisava existir? Claro que a Capcom (inclusive, parabéns para ela, melhor estúdio do ano, disparado, lançou dois grandes jogos e uma das melhores dlcs da história! Nem parece a mesma Capcom mercenária de uns anos atrás) quis fazer um cashback, mas Resident Evil 2 já era um jogo de sucesso na época e é um clássico consagrado no tempo. Sigo a lógica de que um remake precisa justificar a sua existência.

Querem um exemplo similar? Lembram daquele filme de 2002, o  Mou Gaan DouNão? A tradução dele aqui no Brasil te ajuda? "Conflitos Internos".  Não faz muito sentido ainda né? Mas se formos falar da refilmagem dele, "Os Infiltrados", de Martin Scorsese, feita em 2006, e ganhador do óscar de melhor filme em 2007? Faz mais sentido né. É um exemplo claro de um remake que SERVIU à obra original. Serviu para torná-la popular ao resto do mundo e atingir ao seu sucesso. E naquela época, o óscar de melhor filme se justificou pois ele realmente era o melhor filme dentre os indicados. Era uma superioridade clara. O que sinceramente, não acho que seja o caso do Resident Evil 2.

É a mesma coisa com "Scarface", do Brian de Palma (ainda mais similar ao caso do Resident Evil 2), de 1983, que é um remake  do filme de 1932. Aqui mudou MUITA coisa da história original, reconsagrando um filme que já era bem conceituado naquela época.

Esse rodeio todo é para dizer que não sei o que dizer sobre Resident Evil 2 ganhar o goty. Acho que preferia ver uma produção 100% original levando. E por conta dessa controvérsia toda, e querendo manter a credibilidade, talvez a academia pense dessa forma também (ou não, vai saber).

E assim restam dois:

Sekiro Shadows Die Twice, é uma escolha quase segura. Digo isso, pois esse jogo têm características de goty, é inovador, bem feito, acessível (já falo sobre isso) na medida do possível, divertido, excelente jogabilidade, etc. Só que manja a "acessibilidade"? Bom, isso ele é, nas suas mecânicas, porque na sua dificuldade... VIXE! É de longe o jogo mais difícil da geração. E não tem nada de errado com isso, ele só não tem a principal característica de um goty: universalidade de público. pelo contrário, ele é bem excludente até. E isso causou uma série de questionamentos:

https://www.forbes.com/sites/davidthier/2019/03/28/sekiro-shadows-dies-twice-needs-to-respect-its-players-and-add-an-easy-mode/#41329cd71639 como este artigo famoso da Forbes, sobre a necessidade de um "easy mode" em Sekiro.

O que é claro que o gênio do mal, jamais iria adicionar, certo?

É a minha principal crítica em relação aos Soulsborne. E tenho a minha experiência pessoal nessa opinião: eu não consegui zerar o Sekiro até agora. Não por desistir por causa de sua dificuldade, mas que por causa dela, eu gasto muito tempo, e esse é meu bem mais precioso, ultimamente. Isso que me faz ter essa birra com esse gênero. Isso sem contar com a dificuldade, que para mim, retira um pouco da diversão do jogo.

É algo muito pessoal a minha experiência pessoal com Sekiro. Seria meu goty pessoal se não fosse The Outer Worlds.

Contudo, ainda que uma escolha arriscada, para fins de mídia e credibilidade, não duvido em nada que a academia presenteie o goty ao Sekiro: jogo aclamado, de notória qualidade, tem a médiazinha café com leite boa de 90 no metacritic, essas besteiras.

E finalmente (pq já to caindo de sono aqui tb): Control. É a maior surpresa do ano para mim, eu não imaginava as 8 indicações que esse jogo recebeu, mas sempre confiei na Remedy. Creio que esse jogo só tenha se saído pior nas análises por conta de sua PÉSSIMA otimização no lançamento: 

Tudo bem que tudo ficou ótimo depois do patch 1.03:

Sinceramente, o que separa esse jogo do goty é o peso que os demais concorrentes possuem, pois este sim: de todos os demais indicados, ele têm características de um goty, é acessível, abrange ao maior público-alvo possível, tem uma história pouco convencional que te prende muito, jogabilidade redondinha. 

E ele já queimou a largada levando nada mais que o goty pelos críticos do golden joystick awards 2019: https://www.gamesradar.com/uk/Golden-Joystick-awards-2019-winners/

E a Remedy merece esse reconhecimento: se a From Software é reconhecida pela dificuldade incomum em seus jogos, a Remedy deveria ser mais reconhecida pelas melhores mecânicas de tiro em 3ª pessoa e suas histórias enigmáticas. Eu só não digo que essa é de fato a escolha mais segura para os críticos jurados do TGA por conta do peso que os nomes de Sekiro e Death Stranding carregam.

Ufa! Acho que fui claro né? Por isso que não da para ter um chute certeiro dessa vez, só que eu vejo uma leve vantagem desses 4 jogos, cada um por conta desses fatores que já disse. E diferente do que vem sido dito, eu não discordo das indicações não, acho que foram merecidas. Mas fico triste por não abrirem mais espaço para o Metro Exodus ou o Gears 5, por exemplo.

 E com isso, mais um ano se encerra para essa mídia. Infelizmente, um ano bem medíocre e abaixo da média. Cabe a nós, consumidores, esperarmos por lançamentos melhores em 2020 (Cyberpunk 2077 e The Last of Us Part II prometem! Além de Ghost of Tsushima e outros),  sem que nos acomodemos, aceitemos práticas abusivas, como loot boxes, microtransações sem noção, etc. E para vocês, quais os seus palpites? O que acharam dos lançamentos do ano? Quais as suas ausências que foram sentidas? Comentem aí embaixo já que com o diálogo, todo mundo cresce junto! Um abraço e até a próxima!
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Esse deu trabalho ...

Sekiro: Shadows Die Twice

Platform: Playstation 4
150 Players
92 Check-ins

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  • Micro picture
    guicarneirol · 16 days ago · 3 pontos

    @papm22 muito irado a tua postagem, se não se importar quero te deixar um convite ;D

    Eu montei faz 4 meses uma rede social para Gamers (Pyre) e acredito que o pessoal lá amaria tuas postagens. Dá uma chegada lá e compartilha os teus textos e check-inks ;D

    https://pyre.gg

    2 replies
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    kratos1998 · 23 days ago · 2 pontos

    Adorei seu texto!! N joguei quase nenhum jogo da lista e gostei de acompanhar sua opinião sobre os jogos. Estou jogando Death stranding e amando cada segundo, eu previ as indicações q ele recebeu pq realmente merece, o grande problema é isso q vc falou mesmo, se ganhar, os haters vão falar q é por causa da trupe de amigos do Kojima.
    Até a premiação quero jogar Sekiro e Re2 pelo menos, e claro finalizar Death Stranding, afinal, pelo q já vi, o prêmio máximo fica entre eles três mesmo!

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    msvalle · 23 days ago · 2 pontos

    Parabéns pela análise detalhada das categorias! Apesar de (ainda) não ter jogado nenhum dos indicados, gostei do modo como você fundamentou suas opiniões sobre seus preferidos e o que você acha que pode ser o ganhador.

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    artigos · 21 days ago · 2 pontos

    Parabéns! Seu artigo virou destaque!

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    dan8d · 18 days ago · 2 pontos

    Oi, tudo bem? gostaria de trocar mensagens sobre um projeto que estou querendo começar, porem não estou conseguindo mandar mensagem direta para você, é sobre esta publicação, poderia entrar em contato comigo aqui pelo alvanista mesmo?

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    aclmjr · 15 days ago · 2 pontos

    Excelente artigo! Concordei bastante tambem. Terminei Death Stranding agorinha. Que jogo! Pra mim, ate mesmo considerando os jogos desse ano, Death Stranding é o GOTY. Control também é excelente e merecia ser lembrado. Disco Elysium também. Dos mencionados, só não joguei Outer Worlds. Na dúvida se pego ele ou Fallen Order. O que indica? Boa sorte nos concursos.

    1 reply
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