2017-02-14 16:04:22 -0200 2017-02-14 16:04:22 -0200
sound_and_vision Cristiano Santos

[Biografia Musical] #3 - Cream

Antes de começar, você que acompanhou os posts que eu fazia no meu perfil pessoal sabe que eu já falei dessa banda, mas como muito tempo passou desde então, achei justo fazer um post mais completo aqui na persona. Enjoy!

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Então a biografia musical de hoje é dessa banda considerada a pioneira nos formatos de supergrupo  e power trio, formada pela "nata" (crème de la crème) dos músicos da época: Cream.

Para analisar a origem dessa banda, primeiramente vamos ver um pouco de cada um de seus membros: Jack Bruce, Ginger Baker e Eric Clapton.

A começar pelo mais famoso deles, a primeira grande banda do guitarrista Clapton foi os Yardbirds, a qual acabou saindo antes da banda começar a fazer sucesso (essa inclusive teve nomes como Jeff Beck e Jimmy Page em formações posteriores). Após os Yardbirds, foi tocar com John Mayall’s and the Bluesbreakers, ficando bem famoso na cena inglesa e sendo até chamado de "deus da guitarra".

Enquanto isso, Baker e Bruce tocavam juntos no Graham Bond Organization, uma banda mais importante na cena local, mas que já mostrava o alto nível técnico de ambos músicos. Principalmente de Baker, que tinha uma grande influência de jazz, e era considerado um dos melhores bateristas da época.

Jack Bruce conhece Clapton ao tocar por um curto período com os Bluesbreakers. Entretanto, foi Ginger Baker quem teve a ideia inicial de fazer uma banda com Clapton, que decidiu convidar seu amigo Bruce para ser baixista e vocalista principal. Mas logo de início os problemas começam, pois Ginger, apesar de já ter tocado com Bruce, tinha sérios problemas com o cara. Os dois viviam brigando e quase não aceitaram o fato de estarem juntos novamente em uma nova banda.

No começo, Clapton tinha a ideia de fazer um quarteto ao invés de um trio, com Steve Winwood nos teclados, fator que daria mais espaço e segurança para ele solar com a guitarra, e também poderia ajudar a equilibrar o clima de tensão entre os outros dois membros. Entretanto essa parceria não deu certo, e Clapton só foi conseguir tocar com Steve anos depois em outro projeto, o Blind Faith.

Voltando ao Cream, como os três eram membros de outras bandas naquele momento, começaram a ensaiar em segredo. Isso até Baker contar sobre o projeto em uma entrevista e a banda acabar tendo que começar a fazer shows em julho de 1966, antes mesmo do lançamento do primeiro álbum. 

(A banda mal havia começado, e Bruce já tinha chamado Baker para a briga por causa desse deslize. E quando eu digo que eles brigavam, era na porrada mesmo. Enfim, voltando.)

Logo de cara, já se destacam pelo som diferente que faziam, uma mistura de influências do rock blues, com uma pitada de jazz e psicodelia. Com um curto repertório em mãos, a banda é obrigada a fazer longas versões das músicas para prolongar o show, popularizando as hoje conhecidas como 'jam sessions'. Esses podem ser considerados os dois principais fatores musicais que a banda deixou como influência para o mundo.

Em dezembro de 1966, eles finalmente lançam seu primeiro álbum: Fresh Cream.

O álbum, apesar de não ter nenhuma composição de Clapton e vários covers de blues, consegue chegar ao Top 10 das paradas britânicas. Algumas músicas interessantes para se citar são: a balada 'Dreaming', 'I'm So Glad' que é uma ótima música apesar da letra simples, e 'Toad' que foi uma das primeiras músicas de estúdio a ter um solo de bateria.

Mas o destaque mesmo fica com 'I Feel Free', composta por Jack Bruce, pode ser considerada a principal faixa do disco. Com suas harmonias vocais e uma sonoridade única, encaixou e foi abraçada pelo movimento hippie que estava em seu auge.

Com isso, a banda que no primeiro álbum era mais voltada ao blues, começa a cair para o psicodélico, fato que fica bem expressivo no próximo álbum. Aliás, o lançamento deste segundo disco chegou a ser adiado para que a capa fosse refeita, inserindo uma nova arte multicolorida que desse uma imagem para a banda que a conectasse ainda mais ao som psicodélico.

Assim, em 2 de novembro de 1967, é lançado Disraeli Gears, um álbum que eu particularmente considero perfeito do início ao fim. (E que eu até faria um faixa a faixa aqui, mas vamos deixar isso para a "sessão álbuns")

Gravado nos EUA, o disco atinge o Top 5 das paradas, e a banda faz uma turnê no país para sua divulgação, onde toca em estádios com longas jams para que o show alcançasse duas horas de duração.

Nesse álbum tem simplesmente o maior hit da banda, e um dos maiores riffs de guitarra da história, 'Sunshine of your Love'. (Saudades Guitar Hero)

Outros destaques desse álbum, na minha opinião, são: Strange Brew, World of Pain, Dance The Night Away, Tales Of Brave Ulysses, SWLABR e Take It Back, que era uma clara crítica à Guerra do Vietnã, mostrando mais uma vez a ligação da banda com a contracultura e com os EUA.

No ano seguinte, em 1968, eles já eram comparados às grandes bandas da época, como The Who e Beatles. Lançam então, em agosto daquele ano, seu terceiro álbum Wheels of Fire, um disco duplo que foi gravado metade em estúdio e metade ao vivo.

Sendo um álbum ainda mais experimental, acabou passando mais baixo no radar da crítica comparado aos anteriores, e possui várias músicas menos lembradas como 'Sitting On Top Of The World' 'Deserted Cities of the Heart'.

Mas isso não significa que ele não tenha feito sucesso, já que tem duas músicas que se tornaram grandes: White Room, uma das minhas favoritas, e um cover do lendário Robert Johnson, em 'Crossroads'.

Para divulgar o álbum, a banda faz uma turnê de 5 meses, e os problemas começam a se agravar. Um dos principais e mais curiosos fatores era a competição entre Baker e Bruce no estilo "quem toca mais alto", com Bruce adquirindo uma enorme parede de amplificadores, só com a intenção de irritar o baterista.

Todo esse clima de brigas e "infantilidade", acaba sendo um dos fatores que fazem Clapton começar a perder interesse pela banda. Outro ponto foi o surgimento da The Band e do estilo 'Americana', que começou uma nova onda musical para além do blues. Sem falar do fato que, em 1968, Clapton é convidado para tocar com os Beatles no White Album, e lá se torna um amigo próximo de George Harrison que futuramente o convidaria para outras parcerias.

Com dois membros que não se suportam, e um terceiro membro sem ânimo para intermediar, a banda decide lançar fazer uma última turnê e encerrar as atividades.

Os últimos dois shows, feitos no Royal Albert Hall, foram gravados e mostram uma banda cansada, desgastada e sem ânimo para tocar. (É só olhar a cara do Jack no começo do vídeo para ter uma ideia)

Os shows dessa turnê, inclusive, têm entre as bandas de abertura o Deep Purple, Taste e Yes, todas no início de carreira, e que receberam influências do Cream mesmo seguindo vertentes diferentes.

Em 1969, já após o término da banda, é lançado o último álbum com nome e capa bem irônicos: Goodbye.

Com apenas 30 minutos de duração, três versões ao vivo de músicas previamente lançadas e três inéditas, o álbum foi mais feito por pressão da gravadora do que por vontade da banda.

A partir daí, cada um segue o seu caminho, com Eric e Ginger ainda chegando a tocar juntos no Blind Faith, mas que logo após sua curta duração, separou os três músicos definitivamente...

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Isso até 2005, quando eles fizeram quatro shows de reunião na casa em que haviam se despedido, Royal Albert Hall, lançando um disco ao vivo e um dvd compilando as quatro noites.

Poderia ser um sinal de uma volta, mas foi só uma semana para ficar para história. Atualmente, com o falecimento de Jack Bruce em 2014 e Ginger com a saúde bem debilitada, pode se considerar a história do Cream encerrada.

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Então é isso.

Apesar da curta duração de pouco mais de dois anos, o Cream foi uma banda muito importante como um power trio e jam band. Influenciou e foi influenciada pelo jazz, blues, psicodélico e até progressivo.

Após ela, o guitarrista Eric Clapton se aventurou em diversos outros projetos como o já citado Blind Faith, o Derek and the Dominoes, além de sua extensa carreira solo. Assim, entre todas essas, qual fase do Clapton é a sua favorita?

Abraços.

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    igor_park · about 2 years ago · 2 pontos

    O riff de sunshine of love não sai da cabeça e foi criado no baixo essa música

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    onai_onai · about 2 years ago · 2 pontos

    Não sei bem qual fase do Eric Clapton foi a melhor pois nunca escutei a discografia dele. Mas tem uma música dele que acho muito foda, e é uma das melhores que ouvi na vida: Layla. Escutei ela pela primeira vez no filme Os Bons Companheiros, outro filme doideira. Eis a música, mas na certa você deve conhecer: https://www.youtube.com/watch?v=3n92zksrhbc

    1 reply
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