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sound_and_vision Cristiano Santos

[Biografia Musical] #1 - Joy Division (+ um filme)

E está de volta esse "quadro", que já tinha antes no OFFMusic, e agora aqui estará ainda mais biográfico.

Pensei em muitas, mas muitas, opções para ser a primeira banda. Pensei no quesito importância, gosto... Mas decidi ir para um caminho diferente, fazer algo mais simples, que eu não precisasse dividir em várias partes.

Então decidi falar sobre essa banda que teve uma história curta, apenas 4 anos, mas que teve uma grande importância e influência no Post-Punk: Joy Division.

A banda foi criada na cidade inglesa de Manchester, no ano de 1976, e para falar sobre ela é preciso contextualizar sobre a cidade na época. 

Durante os anos 70, o antigo berço da revolução industrial passava por uma situação de calamidade: muita pobreza, desemprego, poluição e fábricas. Tudo era cinzento, nublado e sujo. Pouco verde e pouca esperança. Tudo isso influenciou fortemente o espírito "down" dos jovens da época, que tinham uma fraca visão de futuro.

Mas as coisas mudaram um pouco para os jovens em Junho de 1976, quando os Sex Pistols fizeram um show na cidade. Influenciados pelo espírito "Do it yourself" do punk, vários deles começaram a montar bandas, e assim, o guitarrista Bernard Summer e o baixista Peter Hook decidiram seguir o mesmo caminho.  

Através de um anúncio de jornal eles conhecem o vocalista, Ian Curtis, e juntos eles fazem a primeira gravação com o nome de "Warsaw", e fazem seu primeiro show em Maio de 1977, acompanhando o Buzzcocks e outras bandas locais.

O nome da banda foi escolhido por causa de uma música chamada "Warszawa", do álbum Low do David Bowie. Além do Bowie (principalmente sua trilogia de Berlim) e do punk dos Pistols, a banda tinha como influência nomes como o Velvet Underground, The DoorsIggy Pop e Kraftwerk.

Entretanto no final daquele ano, pouco tempo depois de escolherem o baterista Stephen Morris como definitivo, a banda descobre que em Londres havia uma banda punk chamada Warsaw Pakt. Decidem mudar o nome para Joy Division, termo que eles haviam encontrado no livro "The House Of Dolls", escrito por Yehiel De-Nur, em 1956; mas que também tem um significado polêmico, pois esse era o nome dado a uma área dos campos de concentração aonde os soldados abusavam sexualmente de judias durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1978 eles lançam independentemente o primeiro EP, An Ideal for Living, que ainda tinha uma sonoridade fortemente influenciada pelo punk. Mas isso foi o suficiente para chamar a atenção do empresário Tony Wilson, dono de um programa de TV no canal local Granada Television e fundador da Factory Records, uma casa de shows e gravadora local. 

A banda então assina com a Factory, em um lendário contrato de guardanapo assinado com sangue por Tony (essa história é boa), que além da publicação dos discos, garantiu à banda duas apresentações em seu programa de TV.

Nessa época, a banda contrata o produtor Martin Hannett, e juntos eles mudam a sonoridade da banda, definindo aquilo que se influenciaria e praticamente se tornaria o post-punk e o gótico: um baixo extremamente presente, muitas vezes tocado como da mesma maneira que uma guitarra, vocais cavernosos, batidas marcadas e quase eletrônicas, letras depressivas e melancólicas.

Em 27 de Dezembro daquele mesmo ano (78), na volta de seu primeiro show em Londres, Ian Curtis passa mal e é levado para o hospital. Lá descobre que sofria de epilepsia, fato extremamente importante para a história da banda.

Em 1979, eles lançam o seu primeiro e mais conhecido álbum: Unknown Pleasures, que causou grande alvoroço entre o público e a crítica, devido à sua sonoridade soturna e às letras intimistas. Destaque para algumas faixas como "Disorder", "New Day Fades", "She's Lost Control" e "Shadowplay".

A sua (extremamente) famosa capa foi encomendada à um artista da época, que não conhecia nada sobre a sonoridade da banda, mas que escolheu algo que casou perfeitamente: a imagem representa a morte de uma estrela.

Ainda em 79 a banda lança um Single que consegue atingir relativo sucesso, "Transmission", que lhes garante sua primeira e única apresentação em um programa de TV de transmissão nacional.

Durante os anos de 1979 e 1980, a banda faz vários shows pela Europa enquanto continua fazendo algumas gravações. Lançam inclusive seu single mais famoso: "Love Will Tear Us Apart".

Nesse período, o problema de saúde de Ian piora muito, sofrendo ataques epiléticos inclusive dentro do palco, fato que o deixa ainda mais deprimido. Além disso, Curtis estava passando por um conturbado divórcio com sua esposa Deborah Curtis, com quem se casou aos 18 anos e tinha uma filha; além de um caso extra-conjugal com a jornalista belga Annik Honoré.

Em 18 de maio de 1980, um dia antes do Joy Division embarcar para os Estados Unidos para sua primeira turnê norte-americana, Ian comete suicídio na cozinha de sua casa, se enforcando com a corda do varal enquanto ouvia o disco The Idiot do Iggy Pop. Ele tinha apenas 23 anos de idade. Poucos meses antes, ele já havia tentado suicídio ingerindo uma dose letal de remédios.

O álbum que tinham acabado de gravar, Closer, foi lançado em julho daquele ano, com destaque para faixas como "Isolation", "Passover", "Heart and Soul" e "Twenty Four Hours".

A capa, que mostra a foto de uma lápide, foi escolhida antes da morte de Ian Curtis, mas acabou sendo uma infeliz coincidência se tratando de um álbum póstumo.

A banda, que se desfez após a morte de Ian, ainda fez mais alguns lançamentos, como o single "Atmosphere" e várias coletâneas.

Após o término, os membros remanescentes formaram a banda de synth-pop, post-punk e dance music: New Order. Que inclusive lançou o Single de 12'' mais vendido de todos os tempos: Blue Monday.

A influência do quarteto no rock é visível até hoje,em bandas como Editors, Plus Ultra, Interpol, Franz Ferdinand, She Wants Revenge e The Killers, além de serem ídolos de outros artistas, como Trent Reznor do Nine Inch Nails, Thom Yorke do Radiohead, Billy Corgan do Smashing Pumpkins e no Brasil o falecido líder da banda Legião Urbana, Renato Russo.

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[Extra] - Filme: Control (2007)

E para terminar, deixo mais essa indicação de uma cinebiografia para quem quiser saber mais dessa história. O filme Control conta a história do Ian Curtis e passa bem o clima da época e de como ele se sentia, sendo especialmente filmado em preto e branco para ser ainda mais melancólico.

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Então é isso.

Isso foi um pouco da história do Joy Division, uma banda que apesar da pequena duração, ainda teria mais coisas para se detalhar

Foi uma banda importante para sua época, e que recentemente começou a ser "mais lembrada" devido à algumas aparições em alguns filmes que ficaram bem populares... 

Bom, o importante é que música boa seja escutada, independente do modo em que é popularizada...

E para fechar, a pergunta: você prefere Joy Division ou New Order?

Abraços.

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    onai_onai · almost 3 years ago · 2 pontos

    Poxa! Eu conheço muito pouco de Joy Division mas essa música Love will tear us apart acho foda demais. E dá pra sentir muito bem a influência que essa banda exerceu na Legião Urbana, não só o som mas também o forma como o Renato Russo cantava era bem semelhante. Eu tenho que escutar as duas discografias pra decidir qual das duas gosto mais. Hehe...

    4 replies
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    leopoldino · almost 3 years ago · 2 pontos

    Muito bom.

    7 replies
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    igor_park · over 2 years ago · 1 ponto

    Recomendo asssitir o heavy lero do Gastão sobre o Joy Division não sou fã mais o Gastão é um profundo conhecedor de música e sempre legal assistir o mesmo

    3 replies
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