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"Videogame é coisa de criança"

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"Videogame é coisa de criança", dizem alguns adultos (ou pseudo-adultos), tentando nos julgar menos capazes e menos maduros só porque curtimos uma jogatina de vez em sempre.

Hahaha, ouvi isso essa semana e tive vontade rir. Quem usa esse argumento deveria conhecer minha família melhor para entender que videogames são para todas as idades e isso não nos torna adultos menos sérios.

Quando ganhei meu primeiro videogame, um Super Nintendo, ninguém manuseava o console a não ser eu e minhas irmãs, porque "videogame é coisa de criança" e meus pais o enxergavam como algo fora da realidade adulta. Mas tudo mudou quando adquirimos a fita do Dr. Mario. 

Eu e minhas irmãs vivíamos em duelo nesse game-puzzle, sempre dando aquele "show" quando ganhava ou perdia. Nossa reação chamou a atenção da minha mãe que rapidamente pediu por uma partida, e aí POFT!, um mundo novo se abriu para ela, pois o que antes era um brinquedo para as crianças, se tornou uma boa opção de entretenimento, relaxamento e trabalho mental.

Não preciso nem dizer que ela acabou conosco, preciso? 

Hahaha, foi aí que o meu pai entrou na jogatina. Por sempre ganhar das filhas, meu pai a provocou dizendo que "ganhar de criança é fácil, quero ver ganhar de mim", e POFT!, começou a jogar também.

Por mais bobo que o game Dr. Mario possa parecer, ele foi um divisor de águas dentro da minha casa. Chegou ao ponto deles nos mandarem dormir mais cedo só para fazerem uma melhor de três no Dr. Mario sem interrupções, porque descobriram o quanto jogar videogame era apaixonante (agora eu acho isso engraçado, mas na época eu ficava brava, kkkk).

Dr. Mario foi apenas o começo por aqui. A partir dele, minha mãe se apaixonou por games-puzzle, fechou Kirby's Avalanche e um outro game que não me recordo o nome. Hoje ela joga os mais elevados níveis de Sudoku (sério gente, eu até me assusto com os níveis de Sudoku que ela consegue fazer), e o Android está cheeeeio de jogos estilo raciocínio e quebra-cabeça.

Já o meu pai foi para o lado estratégico da força, indo de Dr. Mario para Desert Strike (que ele fechou), The Hunt for Red October (fechou também), e depois, por não ter se adaptado ao PS1, migrou para os games de PC, e fechou Outlive, WarCraft (não sei qual deles), e atualmente é um grande viciado em Travian.

O que eu quero dizer com tudo isso é que meus pais não se tornaram menos sérios ou menos maduros, só porque curtiam videogames. E mais, ambos são professores da rede pública (um já se aposentou e o outro está quase), são educadores e formadores de opinião e o trabalho com as crianças nunca se tornou menos eficiente só porque eles curtem videogames.

E nem vou comentar sobre minhas irmãs, cunhado, sobrinhas, alguns tios e muitos primos, para que o texto não fique muito extenso. Muita gente por aqui curte videogames e 90% é adulto.

O grande problema de quem reclama dos videogames é o preconceito, pois, ou ela nunca experimentou jogar um game na vida, ou ela tem preconceito com os consoles e não se deu conta que PCs e celulares também podem se tornar videogames.

De acordo com o dicionário (ESSEESSE), videogame é um jogo eletrônico cujas imagens são exibidas numa tela. Não se resume apenas a consoles, as plataformas são muitas. Se rodamos um game no celular, ele se torna nosso videogame; se rodamos no PC, ele se torna nosso videogame também; e em muitos casos, as pessoas que dizem que "videogame é coisa de criança" está com o computador ou o celular repleto de jogos.

Videogame é videogame, independente da plataforma, desde o mais simples puzzle até a mais alta definição de um MMORPG. Alguns games são lançados especificamente para crianças, outros para todas as idades e há os que são especificamente para adultos. O mercado gamer é muito extenso, mas ainda assim existem chatolinos  que insistem em taxar videogames como coisa de criança.

Sério, gente assim me faz rir, porque se elas conhecessem direito a minha família, ficariam escandalizados com a quantidade de jogadores que tem dentro dela, hahahaha.

Nem canso a minha beleza com isso, não vale a pena, deixo a pessoa falando com a minha mão e vou curtir um joguinho básico B)

Tetris & Dr. Mario

Plataforma: SNES
306 Jogadores
4 Check-ins

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    raiden · mais de 1 ano atrás · 7 pontos

    "Brinquedo" caro esse de videogame hein!! Fatura bilhões por ano (mais do que cinema) mas é pra criança. ^^

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    pauloaquino · mais de 1 ano atrás · 5 pontos

    Caralho raça humana!!
    EM QUAL SÉCULO VOCÊS VIVEM????

    Qual é o público alvo do Rapelay?? Hã?? Bebezinho???
    Qual é o público alvo dos Mortal Kombat mais recentes??? Hã????
    Qual é o público alvo de QUALQUER GAME DE SOUTH PARK????
    Qual é o público alvo de game de neonazista???? Me fala!!!

    Sério, em 2017, quase em 2018, tem gente que ainda tá no tempo do "videogame estraga a televisão"!! Vá se fuder...

    Aliás, eu queria saber onde eu arrumo essa foto do molequinho chato. Já tô com algumas idéias na cabeça.

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    santz · mais de 1 ano atrás · 5 pontos

    Talvez se meu pai morasse comigo, ele jogaria junto, pois chegou a frequentar os fliperamas na época dele, mas lá em casa só os irmão que jogam. Ninguém vê aquilo como coisa de criança e nem de adulto, é só entretenimento, tipo TV ou música.

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    manoelnsn · mais de 1 ano atrás · 4 pontos

    Relato interessante! Aqui em casa sou só eu quem joga mesmo, mas conheço muita gente com essa mentalidade. O engraçado é que a maioria joga jogos de celular toda hora e nem sabem que também estão jogando videogame, hauhua

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    darth_gama · mais de 1 ano atrás · 4 pontos

    É mais ou menos assim: PESSOA ENXERIDA: "Videogame é coisa de criança, por que perde tempo com isso?" GAMER SUPER SINCERO: "Porque compro com o meu dinheiro e quanto mais tempo passo jogando videogame, menos tempo tenho de me intrometer na vida alheia.". Fim de papo.

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    marcusmatheus · mais de 1 ano atrás · 4 pontos

    Que relato bacana. Nos últimos dois anos minha missão como pai esta sendo apresentar esse maravilhoso mundo para o meu filho. Entre erros e acertos descobri um título que finalmente o fisgou: Lego Marvel Super Heroes.
    Agora, em alguns dias que chego bem cansado do trabalho, preciso inventar uma desculpa para não ligar o videogame (jogo no PC, mas como vc bem definiu no artigo e eu concordo totalmente: Nosso videogame é onde jogamos).
    Apesar de estar vivendo a experiência inversa que vc teve, acho que era o post certo pra compartilhar. Os momentos que passo jogando com meu filho são alguns dos mais prazerosos do meu dia. Os videogames podem aumentar o vínculo familiar, segundo algumas pesquisas científicas realrealizadas e, tanto na minha família quanto na sua, essas pesquisas encontram sustento.

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    mastermune · mais de 1 ano atrás · 3 pontos

    Transforma em Artigo, pq tá muito bom!!!! ^^

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    leoaldrighi · mais de 1 ano atrás · 3 pontos

    eu digo que hoje em dia maioria das pessoas que jogam são adolescentes a adultos, porque aqui no brasil, games foram difundidos mesmo nos anos 90, meu caso com 27 anos cresci dentro desse mundo, hoje sou uma amante dos games convicto

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    yon · mais de 1 ano atrás · 3 pontos

    Lembro quando eu era novinho, com meu snes.. Meu pai e meus tios tinham 20 e poucos anos, eram bem novos.. E adoravam ficar jogando, principalmente Top Gear 2. Só que hoje em dia metade me torra o saco "Quando vai largar isso? Coisa de criança!" E o resto acha um absurdo o tempo e dinheiro que invisto pra um coisa "tão boba"
    Isso é um preconceito que o brasileiro tem até hoje, jogos tão aí ultrapassando qualquer outro tipo de entretenimento no resto do mundo e os tiozões tão aí, falando merda todo domingão
    O mais engraçado é ver agora, com os jogos pra smartphones, esses mesmos tiozões felizes jogando candy crush e mesmo assim não conseguindo nem ter respeito aos nossos gostos.
    Sorte que com isso as pessoas vão evoluindo. A geração que vem agora já joga desde a infância e sabe o quanto isso é bom.

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    artigos · mais de 1 ano atrás · 3 pontos

    Parabéns! Seu artigo virou destaque!

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    venomsnake · mais de 1 ano atrás · 3 pontos

    Até hoje meus pais acham que videogame é uma fase, pobre deles que fiquem esperando que eu um dia largue de jogar meus consoles ( claro que tem dia que eu não suporto nem ligar o videogame, mas nunca parei de fato de jogar). Brasil é um pais onde videogame ainda é visto como brinquedo pra criança, e que historias contadas em jogos são supérfluas e totalmente ignoráveis ( meu pai é viciado em cinema e é crente disso). Eu nem perco muito tempo discutindo com gente que fala coisas do tipo, adoram falar que é perca de tempo jogar mas adoram ir numa baladinha encher a cara e perder uma noite que poderia ter sido gasta num role menos bosta ( ou jogando e vivenciando uma nova historia), e o legal é que as pessoas da minha familia que criticam que eu jogue são as primeiras a vir me pedir ajuda pra instalar algo ou arrumar os seus computadores pois fizeram algo que até o diabo duvida que era possível fazer. Mas confesso que com as minhas cutucadas a visão deles tem mudado um pouco a cada 5 anos mais ou menos, eles até chegam a comentar... " esse ai é castlevania né ?"

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    luiscarneiro · 7 dias atrás · 3 pontos

    Serei uma "eterna criança" então!

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    jclove · mais de 1 ano atrás · 2 pontos

    Puxa, que legal que vcs conseguiram arrastaros pais pros GAEMS desde cedo!hehe
    Aqui tenho uma tia que era dessas de torcer o nariz pra videogame mas quando descobrimos emuladores anos atrás e a coroa bateu o olho no Puzzle Bubble do Snes (jogos de puzzle tem uma chance grande de atrair "adultos" XD) Viciou tanto que parava de escrever a dissertação de mestrado pra ficar jogando até terminar os 100 níveis XD Tbm foi a unica coisa que a vi jogado.hehe

    Geralmente quem tem essa visão de videogame é pra criança é o pessoal mais velho, que não teve contato com jogos ou os viu apenas no começo ja que até a Sony chegar com o PS1, videogame era vendido pelas próprias fabricantes como brinquedo mesmo (jogos de PC eram outra história). Ai fica difícil tirar esse estigma da cabeça deles. Nesses casos nem adianta tentar mudar mesmo.

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    xonas_kun · mais de 1 ano atrás · 2 pontos

    Falava sobre isso com um amigo meu. Em certa oportunidade, um primo veio 'tirar satisfações' comigo dos meus investimentos de tempo e dinheiro nos ditos 'brinquedos eletrônicos'. Dizia ele que isso era perda de tempo e que eu não queria crescer. Ouvi atentamente e perguntei quanto custava aquela camisa de time de futebol oficial que ele usava, me deu o preço, e depois perguntei quanto ele já tinha gasto para assistir os jogos de futebol que ele tanto amava.

    Depois de fazer as contas, só constatei: 'você acaba gastando mais que eu no seu lazer e nem por isso ,ainda que eu ache, vou desacreditar ou desvalorizar a sua experiência. A questão não é melhor ou pior, é a experiência que você vive no seu, e eu no meu, lazer'.

    Minha namorada exemplifica bem essa coisa de experiência. Ela jogou (e gosta até hoje) de Crash no Play 1. Ela não entendia bem o pq do meu fascínio por games, ainda que respeitasse. Um dia, a gente conversando, ela falou q gostava muito de 'jogos de corridinha'. Então peguei meu Wii, coloquei um Mario Kart para rodar e tivemos horas de diversão juntos. Depois chamei ela pra jogar um Super Mario World e ela gostou demais, ainda que tenha morrido bastante. Depois de conversas e mais experiências ela não se tornou 'gamer', mas entendeu o porquê do meu gosto, além de ser superior a mim em TODOS os jogos de corrida que jogamos juntos xD.

    Acho que quando alguém chega com esse tipo de argumento -'é coisa de criança'- erra em diversos aspectos: julga antes de experimentar, não pratica a tão cara empatia (tentando entender o porquê do gostar do outro) e perde a oportunidade de uma experiência nova. E, mesmo se fosse 'coisa de criança', não vejo demérito algum nisso: o problema do mundo, talvez, é ter adultos demais. E, principalmente, adultos que perderam as qualidade tão bonitas que as crianças tem.

    Desculpa o textão, mas esse assunto toca muito particularmente em mim. E, talvez, seja um dos motivos por eu ainda ser minimamente ativo aqui no Alva: pessoas que entendem meu lazer e compartilham desse amor comigo.

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    cleitonaruto937 · mais de 1 ano atrás · 2 pontos

    Sempre achei exatamente isso. Confere esse post meu http://alvanista.com/cleitonnaruto937/posts/3539726-serious-games

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    andre_andricopoulos · mais de 1 ano atrás · 2 pontos

    Tenho muita pena de pessoas com baixo intelecto e seus tristes pré conceitos (de merda)

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    armkng · mais de 1 ano atrás · 2 pontos

    @ntampinha parabéns pelo artigo...
    Sei bem como é este sentimento, muitas pessoas que se dizem "Adultos Sérios", e acabam passando pela pessoa que tem maturidade o suficiente a nos dizerem algo...o que acho uma grande besteira.
    Todos nós passamos por uma infância, todos nós fantasiamos coisas no qual eram nossas brincadeiras diárias, pois nessa fase, precisamos ter este nível de imaginação, pois ajuda em nosso desenvolvimento...
    É mais fácil uma pessoa te deferir palavras para te machucar, do que apenas perguntar para saber porque nos divertimos tanto com os jogos de videogame...
    Escrevi um artigo meio parecido, mas expressando minha opinião na persona @talk_to_the_hand
    link: http://alvanista.com/talk_to_the_hand/posts/3362693-videogame-e-coisa-de-crianca

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    kess · 10 meses atrás · 2 pontos

    Já ouvi muito disso, mas ultimamente não tenho sofrido com tal questão... Mas já ouvi até que os jogos são coisa do capeta. Sério, vindo direto do inferno. Aconteceu no natal de 2016, quando meu sobrinho juntou dinheiro no lugar dos presentes e gastou tudo na steam. E nos últimos tempos tenho sido incomodado com o tempo que gasto jogando, pq deveria estar estudando e fazendo algo para melhorar a vida...

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    lukenakama · mais de 1 ano atrás · 1 ponto

    eu fico puto com isso,eu to la me matando pra passar de uma fase de ninja gaiden,tentando não perder meu personagem em fire emblem,pensando em como resolver puzzles de zelda,e ainda nego me fala isso,pior o que fazem com a nintendo ``só joguinho bobinho e infantil´´,quero verem platinar donkey kong

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