2017-03-05 23:06:26 -0300 2017-03-05 23:06:26 -0300
netobtu Nícolas Oliveira

Hands on The Legend of Zelda: Breath of the Wild

Amigos, infelizmente poucos de nós estão jogando The Legend of Zelda: Breath of the Wild, então eu me sinto na obrigação de falar um pouco mais do jogo aqui, agora que não estou mais com somente 9 horas de novo, mas com 37 e alguns minutos...

Há muito tempo que nenhum jogo me prende dessa forma. Acho que desde Bloodborne. O mundo do jogo me prendeu totalmente... em Bloodborne eu queria descobrir mais da lore, daquele mundo, e em Breath of the Wild é o mesmo, mas vai mais além: eu sou livre para explorar onde eu quiser quando eu quiser, desde que eu tenha forças para tanto (Bloodborne tem um caminho mais straight-forward, com algumas bifurcações, além de não ser um open world propriamente dito).

O mapa é gigantesco, porém não é nem um pouco vazio. Temos lugares mais difíceis, e o caminho "normal" do jogo é mais ou menos bem delimitado, pois tem lugares com inimigos muito fortes e que te dão hit-kill tranquilamente. Mas o jogo não é vazio não por conta de inimigos, mas por conta da quantidade de novidades que cada passo nesse jogo te apresenta.

Subir no topo de uma montanha ou em uma Sheikah Tower (view point que libera o mapa da região - Assassin's Creed aqui hehe) e visualizar ao longe pontos curiosos é muito, mas muito gratificante, e aguça demais a curiosidade. Pontos vermelhos longe, quando aproximados, revelam-se Shrines (mini-dungeons quase sempre baseadas em resolução de puzzles, porém algumas são focadas em batalha contra um Guardiãozinho Miniboss)... mas é muito mais do que caçar shrines: é encontrar lugares diferentes mesmo.

Vou dar um exemplo: Ontem subi em uma montanha bem alta e lá na frente, em outra montanha, encravado na pedra estava um desenho de raios. Eu fiquei intrigado com aquilo, e tive que desviar minha rota para passar por lá. O caminho tem inimigos, armadilhas com pedras caindo, mas eu também poderia ter dado a volta, feito um caminho diferenciado. Na rota, um NPC falou comigo sobre aquilo, que parecia ter sido feito por homens, e não pela natureza, e pipocou a sidequest para investigar. Cheguei lá e me frustrei, porque precisava de um tipo de flecha (aparentemente), que eu não tinha, e tive que desligar. Estou até agora pensando naquele ponto, apesar de já imaginar o que libera quando ativado.

O combate do jogo é o melhor e mais bem bolado da série em 3D. É difícil na medida certa, não é nem Dark Souls e nem Zelda 3D antes desse, onde as lutas eram bem fáceis. Agora os inimigos, quando em bando, adotam posturas bem definidas de grupo... enquanto um espera o momento certo pra te atacar com espada, outro vai à frente com uma lança, um terceiro te manda flechada, e um quarto, ainda, te taca pedra. Com armaduras resistentes e armas fortes, isso não é muito problema... mas vá sem preparo e a morte é certa. Eu vivo correndo de combates, passando longe de acampamentos de inimigos, mesmo sabendo que o loot será bom.

Tem um pessoal preocupado com armas, arcos e escudos quebrando facilmente... e eu também me remoía com isso no começo. Ficava chateado de uma espada legal quebrar, ainda mais se ela tiver dano elemental... mas hoje eu não ligo. Logo o jogo me providencia outra, e eu uso outros tipos de armas. Tem alguns combates com inimigos fortes que chego a usar três armas, e nisso eu acabo bolando estratégias, trocando de arma antes mesmo de ela quebrar, ou lançando-a na cabeça do bicho para ela quebrar nele, dando um dano maior.

O jogo te dá todas as ferramentas para sobrevivência logo cedo, na primeira hora de jogo você já tem as quatro runas básicas (que fazem o papel dos itens que as dungeons te dariam antes): bomba (dois tipos), stasis (que para o tempo de algo do cenário), magnesis (que serve como detector de metal e também manipula ele) e cryonis (que faz água virar gelo, criando pontes para você e também auxiliando em alguns puzzles).

Depois você ganha mais uma runa, uma "máquina de fotos". Lembram em Ocarina of Time que a Navi te falaria sobre determinado inimigo? A câmera faz esse papel: tire uma foto de um inimigo e ele entrará em um bestiário armazenado no Sheikah Slate (espécie de tablet do Link, que armazena mapa, runas e o bestiário). Mas não é só isso (momento Polishop): também serve para tirar fotos de animais selvagens e itens que encontramos pelo mundo, como flores e cogumelos. Isso é importante porque mostra onde encontramos mais facilmente estes, visto que são imprescindíveis para a sobrevivência em Hyrule: não dá para sair na jornada despreparado de forma alguma! De repente você entra em uma área muito fria ou muito quente, e sem uma refeição que te esquenta ou refresca a coisa vai ficar ruim pro seu lado. Os animais dão carne de variadas qualidades, que, quando cozidas, fazem pratos que recuperam corações, e ainda podem ser combinadas com outros itens para efeitos especiais, como boost de velocidade, defesa, ataque, recuperação de stamina, entre outros... também é possível cozinhar insetos e pequenos animais junto com partes de monstros para elixires poderosos que dão vários efeitos especiais.

O difícil, às vezes, é encontrar, no meio da jornada, uma panela em cima de uma fogueira. Encontramos muitas vezes nos acampamentos ou em grupos de inimigos... muitas vezes dei graças a Deus por encontrar, pois estava longe já de um warp point (que ficam em shrines, laboratórios e em Sheikah Towers), e estar precisando de novos elixires e comida.

E tudo isso está orgânico na jornada... quanto mais avançamos, mais animais encontramos para caçar, mais inimigos para pegar loot e encontrar fogueiras... também podemos armar nossas próprias, mas até agora não sei se tem como eu carregar uma panela comigo. E também contratempos começam a acontecer, várias vezes praguejei por começar a chover e trovejar, pois se eu estiver usando escudo e espada de metal eles atraem raios, que causam dano, e me via obrigado a usar itens mais rústicos, como escudos de Bokoblins e espadas deles, que são feitas de madeira e ossos. Mais fracas, mas também servem. Ou eu também poderia simplesmente esperar passar... ah, e na chuva as fogueiras se apagam, e não dá para acender uma nova, a não ser que eu fique embaixo de uma cobertura, que não é encontrada tão facilmente no mundo aberto. Se anoitecer, a coisa também complica, pois inimigos mortos começam a voltar em forma de esqueletos (os chamados Stalfos, genericamente). Chuva forte à noite é uma condição extremamente adversa. Por outro lado, há determinados cogumelos e flores que só aparecem nesse tipo de condição.

O jogo não tem dungeons normais da série. Eu acredito que essa é a maior diferença e o maior turning point da série nesse jogo. Mas, tudo isso é muito bem substituído com os Shrines e com o que mais se aproxima das dungeons nesse jogo: as Divine Beasts, enormes colossos antigos que ajudam a enfraquecer Calamity Ganon, o chefe final do jogo. Nessas Divine Beasts, temos que ativar vários terminais para que ela volte a ficar ativa, pois está corrompida e causando problemas para a população perto. No jogo há quatro, e cada uma tem uma mecânica diferente.

Por enquanto fiz apenas duas (são quatro): Divine Beast Vah Ruto, um elefante mecânico que tem em sua mecânica principal mover sua tromba para girar complexos mecanismos, e a Divine Beast Vah Naboris, um camelo mecânico que tem uma mecânica de mover o meio do corpo em círculos para acessar áreas mais altas da mesma.

Tudo parece simples, mas é muito engenhoso e inventivo. Uma enorme e bem-vinda modificação na série. Os puzzles, agora, também são muito bem bolados e bem menos óbvios do que antes, e isso é graças à ausência de "itens de dungeon". Tudo gira em torno das bombas, cryonis, stasis, magnesis, armas e flechas, interagindo com o cenário. Temos shrines bem curtas, com puzzles rápidos e óbvios, porém outros já me fizeram pensar, além de serem bem longos e requererem uma boa perícia... e várias vezes os puzzles têm mais de uma resolução. Alguns itens da série estão disponíveis ainda, mas em forma de arma, como uma espada-boomerangue, que pode ser lançada num arco que volta para você.

Já falei sobre os gráficos na outra publicação, e continuo dizendo que são ótimos e a Nintendo acerta em fazer jogos artisticamente bonitos do que mais realistas. O Nintendo Wii U (e o Switch, agora) não é forte e a direção de arte é o que vai falar alto mesmo. Todos os pontos são únicos, a arquitetura de cada lugar é diferente (os clássicos Zora têm uma cidade completamente diferente das brutas Gerudo). É bonito, mesmo tendo serrilhados, texturas não tão bonitas, rodar em 720p... Não tenho reclamações... isso é o que o Wii U aguenta, e acho milagroso aguentar tanto, o mundo é gigantesco e não tem um loading no mundo aberto entre regiões e construções (só há loadings para entrar em shrines, Divine Beasts e fast travel).

Imagens estão inclusas aí, porém levem em conta que o Facebook prejudica demais as imagens vindas direto do Wii U: o jogo é muito mais bonito do que isso.

Amigos, esse jogo é um milagre. É o jogo mais RPG da série, ficam claras as influências de vários medalhões do gênero, tanto WRPG quanto JRPG (Skyrim e Xenoblade são duas grandes influências), com crafting, status, buffs, diferentes armas, equipamentos... E ao mesmo tempo é o jogo mais Zelda em 3D já lançado. Finalmente a sombra de Ocarina of Time foi deixada para trás, porque a série desde lá caminhava a passos largos para a irrelevância. Afinal, Twilight Princess e Skyward Sword influenciaram quem?

Ao mesmo tempo em que tudo nesse jogo é familiar, tudo é novo. É super Zelda, inteiramente Zelda, é o Zelda que mais entende o que é ser Zelda, mais calcado nas raízes da série... descobrir algo, explorar uma região nova é uma aventura por si só, me traz sempre um sorriso encontrar algo novo e ser recompensado por isso.

É dever do legado da série The Legend of Zelda influenciar, ditar tendências. Isso não era feito desde 1997. Demorou 20 anos, mas a série novamente atingiu o patamar mais alto dos videogames. Revolucionou na década de 80, revolucionou na década de 90, e está revolucionando em 2017. Eu tenho certeza que os jogos de aventura com toques de RPG não serão mais os mesmos após Breath of the Wild. E nem a série Zelda.

Ainda bem.

(Ah, e acham que escrevi muito? Vocês nem imaginam o TANTO que eu deixei de fora!)

The Legend of Zelda: Breath of The Wild

Plataforma: Wii U
722 Jogadores
498 Check-ins

67
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    nickzim · quase 2 anos atrás · 4 pontos

    O jogo parece sensacional, mas revolucionar a indústria acho que é um pouco demais. Ao contrário, o jogo que foi influenciado pela industria, como você mesmo disse as influências dos RPGs atuais são claras e o que vier pra frente dificilmente deve ser influenciado por esse Zelda, que querendo ou não ainda vai ficar na sombra (como influenciador) de Skyrim, The Witcher 3 e outros. Ótima resenha a propósito.

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    hdpatrick · quase 2 anos atrás · 2 pontos

    Que texto bom.

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    leandro · quase 2 anos atrás · 2 pontos

    Lendo isso da vontade de jogar o mais rápido possível. E tipo você citou o lance da dificuldade e como os inimigos estão inteligentes e teve um camarada que disse. em um grupo do jogo, la no face, que meio que lembrou os embates em Dark Souls. E parabéns ai por citar os detalhes do jogo com cada ponto importante.

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    sergiotecnico · quase 2 anos atrás · 2 pontos

    Mesmo sentimento que tive com o Horizon Zero Dawn. Comecei na terça-feira e terminei ontem. Queria cada vez mais explorar aquele mundo tão rico em detalhes. Inclusive não usei fast travel justamente pra poder explorar cada canto, dá gosto de olhar pra esse mundo tão bonito.

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    gradash · quase 2 anos atrás · 2 pontos

    A melhor parte desde jogo que não tem a babaquice que tudo está marcado no mapa como fazem em todo jogo Open World hoje em dia, ele REALMENTE te recompensa por explorar assim como na série Elder Scrolls

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    rafaschiabel · quase 2 anos atrás · 2 pontos

    Concordo totalmente com seu texto! É um milagre ele ter saído para Wii U.
    É um jogo impressionante! Cada vez que jogo descubro meios novos de fazer as mesmas coisas, e coisas diferentes que ainda não tinha visto. E por mais que tente explorar, eu sinto que não conheço nada daqueles lugares ainda, porque são incrivelmente grandes! Sem falar das conversas hilárias com NPCs. Aqueles dois homens da primeira estalagem, que você começa a falar com um deles e ele fica bravo, tipo, "quem é você para entrar no meio da conversa de dois estranhos!" HUSAUSA Há falas são muito engraçadas.
    Os inimigos continuo fugindo da maioria, e eles progressivamente vão ficando mais fortes conforme encontro armas melhores. Estou me acostumando com o desapego. É uma ótima mecânica, na verdade, porque o jogo sempre te dá novas armas boas, e tem a questão de armas de madeira pegarem fogo e armas de metal atraírem raios.
    E o mundo, então? Ah, o mundo, minha gente! Hsuahusha É muito vivo! A gente ficava receoso antes, "será que vai ser só um grande mundo desabitado e chato?" NÃO! Tem vida em todo canto! Desde uma vila até um simples lagarto que passa correndo!
    Sério, tá incrível esse jogo. Cheguei no boss da 2ª Divine Beast, no vulcão.

    Queria saber a sua opinião, já que testá com mais de 37 horas (estou com umas 22h): você acha que esse é um jogo para crianças? É um jogo acessível, fácil para elas?
    (relacionado aos comentários desse post http://alvanista.com/jugemu/posts/3463181)

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    manoelnsn · quase 2 anos atrás · 1 ponto

    Eu ainda estou me segurando pra não comprar um switch e jogar essa belezinha... Vou esperar mais um pouco pra ver os eventuais problemas do console, além de mais jogos, porque este Zelda é certeza que irei gostar :3

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    natnitro · quase 2 anos atrás · 1 ponto

    Ainda bem que saiu pra WiiU também porque o switch aqui vai demorar um poucão... xD
    Não sou a maior fã de Zelda do mundo mas esse detalhe ai do jogo ser muito criativo está me deixando na maior curiosidade...

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