2017-03-10 10:08:11 -0300 2017-03-10 10:08:11 -0300
netobtu João Paulo Bonome Neto

50 horas em Breath of the Wild

Disclaimer: O texto tem uma ou outra coisa que pode ser considerada spoiler, como nome de uma habilidade, nome de uma localização (e uma breve descrição da mesma)... mas eu acho tranquilo de ler, não tem nada grande de spoiler, nada que vá prejudicar sua experiência de alguma maneira.

Amigos, é reta final em Breath of the Wild. 50 horas de jogo, não fiz metade dos shrines (até agora foram 58, li que são 120 no total) e tem muita coisa que não investiguei. Mas muita mesmo.

Além disso, falta uma Divine Beast (o mais próximo de dungeon que o jogo tem), e depois correr para Hyrule Castle combater o Calamity Ganon e finalmente ver a lendária Princesa Zelda (a essa altura eu imagino que ela seja a rainha em exercício de Hyrule, mas enfim).

Já peguei a Master Sword, e ela, como tudo no jogo, não é obrigatória, e nem mesmo apareceu uma quest para eu ir atrás dela... talvez aparecesse após fazer as quatro Divine Beasts? Não sei, mas eu me aventurei por mim mesmo em uma parte do mapa e encontrei a Master Sword.

Não foi tão simples encontrar a Master Sword, porque ela fica em uma floresta cheia de névoa, onde a gente tem que achar o caminho certo, ou a névoa nos engole e voltamos lá pra trás. Sim, é Lost Woods, a lendária, que tem quase em todo Zelda.

Só ontem que "abri" todo o mapa, subindo na última Sheikah Tower que faltava... foi a mais difícil de achar, fica muito escondida, mas foi legal procurar ela, porque nessa jornada acabei encontrando um novo inimigo (que me matou facilmente), um boss, bastante animal pra caçar, acampamentos de inimigos, novas plantas e cogumelos... Nisso também acabei encontrando alguns shrines, que sempre me fazem desviar de minha rota e entrar neles.

O que faz os shrines serem tão atraentes é que todos são diferentes e baseados em um conceito. Esses conceitos giram em torno da engine e física do jogo, sempre, e vários temos mais de uma solução... por exemplo, eu estive em um que eu tinha que queimar umas folhas, mas eu não estava conseguindo pelo método "convencional" que o design do dungeon sugeria, peguei uma flecha de bomba que eu tinha e queimei tudo dessa forma. Eu adoro isso.

Mas os meus shrines favoritos são os que o desafio acontece fora deles. Que ficam escondidos até que você cumpra alguma missão diferente, mesmo que implícita.

Eu também gosto de quando algo bem diferente acontece. Por exemplo, eu estava jogando essa semana (ou semana passada, não sei) e vi um cavalo branco. Não tinha visto nenhum até o momento, e aquilo me encantou. Antes tirei uma foto e o Hyrule Compendium, do Sheikah Slate, me disse que os cavalos brancos são da linhagem real de cavalos de Hyrule.

Aquilo eu li e falei "eu tenho que pegar o cavalo e domá-lo". Demorei mais de 10 minutos, porque ô bicho bravo que me derrubava! E aí o estábulo mais próximo para eu registrá-lo ficava muito longe, e o caminho até lá foi uma jornada, porque eu tive que passar perto do Hyrule Castle... foi inclusive a primeira vez que cheguei perto de lá. Que medo, Deus do céu, não de morrer, mas de perder o cavalo de alguma forma... cruzei boa parte de Hyrule a cavalo, no pelo, até chegar ao estábulo e registrá-lo.

Essas "pequenas jornadas" completamente fora de quaisquer scripts são maravilhosas e te fazem perceber como esse mundo é vivo, chamativo, imersivo. Não tinha nenhum marcador para onde esse cavalo estava, eu simplesmente o encontrei. Foi uma descoberta minha, própria, ninguém nem tinha citado o mesmo no jogo.

Ontem, dias depois de domá-lo, encontrei um cara em um estábulo que, ao ver o meu cavalo (dei-lhe o nome de Scadufax), o reconheceu como da linhagem lendária de cavalos reais e me deu uma sela real também, para usar com meu Scadufax. Nisso pipocou uma missão paralela, mas concluída. Ou seja, o jogo me falaria desse cavalo, mas eu o encontrei antes, e então o jogo reconheceu que eu havia feito a missão, mesmo sem eu saber que era.

Essa liberdade é sem igual. Em outro jogo de mundo aberto esse cavalo só apareceria após a missão paralela em questão ter sido ativada, e ainda por cima apareceria um marcador perto de onde ele estaria... nesse Zelda poucas missões paralelas mostram onde está o que você deve procurar. Normalmente o NPC te dá pistas do que está ocorrendo ou do que ele quer, com algumas direções, como "após a ponte tal, a Torre forma uma sombra que aponta para o lugar certo a certa hora do dia"...

Isso me faz lembrar de algo que não sei se falei: se você for um jogador bem atento, você não precisa de minimap. Eu jogo de minimap, porque sou meio desleixado e esquecidão (mas se for missão principal ou paralela o diálogo com o NPC que te incumbiu da missão aparece no menu de missões), mas a imersão sem mini mapa aumenta muito. Todo NPC te dá direções (em The Witcher é assim também). Isso é possível porque cada ponte tem um nome, cada ruína tem um nome, cada cidade, floresta, lago, rio... tudo nesse Zelda possui um nome. O mapa é gigantesco, mas é orgânico, fluido e cheio de localizações únicas.

Sei que estou com medo de ir encarar o Calamity Ganon. Eu não me sinto preparado. Eu ainda, antes de ir pra lá, vou encarar a última Divine Beast que me falta, e procurar dar upgrade nas minhas armaduras, pra melhorar a minha defesa... ainda perco muito coração contra inimigos comuns, e corro de várias situações... pegar uns 4 inimigos juntos não é fácil, flechas são recurso escasso, que podemos gastar nossas suadas rúpias ou, ocasionalmente, encontrar em baús ou loot de inimigos, as armas quebram... eu me pego sempre planejando como vou atacar um acampamento de Bokoblin, como vou encarar um grupo de Moblins... e corro de todo e qualquer Lynell que encontro, me dá um frio na barriga gigantesco quando vejo um, e sempre penso "fodeu"... pior que matar esse bicho é primordial para conseguir dar upgrade em alguns equipamentos, então mais ora menos ora eu vou encarar de vez.

E outros amigos que estão jogando me falam de lugares que eu nunca nem cheguei perto! Lugares misteriosos, com desafios diferentes... Breath of the Wild nunca cai na mesmice, um jogo de 50 horas que sempre te apresenta novas situações, novos enigmas (sejam de shrine ou contextuais)... Ontem entrei em uma tempestade de areia que deixou meu minimap fora do ar! E havia um shrine perto, a visibilidade era baixa, o lugar desértico e calorento, com Lizalfos camuflados na areia. Foi outra jornada, e dei sorte de ter o poder de Rivali's Gale, que forma um tufão e me lança pra cima de paraglider, o que me ajudou a encontrar o shrine mais facilmente. Quando saí, a tempestade havia terminado.

50 horas e alguns minutos. E o jogo tem muito a me mostrar, eu ainda encontro novas situações. Esse jogo é maravilhoso. Tem uns problemas, que vou relatar no meu review final, mas são irrelevantes perto do que esse Zelda está fazendo não só para a série, mas para os open worlds em geral... ele revoluciona o gênero, tudo é interativo, as físicas interagem entre si a todo momento, formando situações sempre diferentes, mesmo que em um mesmo lugar. É nota 10. Não tem como ser menos. São 50 horas em 9 dias... acho que nunca joguei tanto na minha vida, tão intensamente.

The Legend of Zelda: Breath of The Wild

Plataforma: Wii U
722 Jogadores
498 Check-ins

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  • Micro picture
    jeopaladino · quase 2 anos atrás · 1 ponto

    É verdade o que estão dizendo que é melhor que o ocarina??????

    3 respostas
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