2016-12-15 08:31:49 -0200 2016-12-15 08:31:49 -0200
netobtu João Paulo Bonome Neto checked-in to:
Post by netobtu: <p><strong></strong><strong>[Primeiras Impressões]
The Last Guardian

Platform: Playstation 4
815 Players
115 Check-ins

[Primeiras Impressões] The Last Guardian

Caríssimos, joguei um bom tanto já, e acho que já dá pra fazer um apanhadão geral do que estou achando.

- É fato que Fumito Ueda é mito em um world building que te intrigue. Lembro que as Forbidden Lands me conquistaram rapidamente em Shadow of the Colossus, e onde se passa The Last Guardian lembra bem esse cenário. Não sei se é, e nem em que ponto da cronologia está The Last Guardian. Se fosse para chutar, eu acho que se passa antes de SOTC, ou seja, é a prequel, já que ICO se passa após. Não me falem, por favor, se eu estou certo ou errado nesse meu achismo.

- Não consigo entender como alguém acha esse jogo feio, sério. Sou 200x mais um "feioso" The Last Guardian do que um jogo com arte genérica. Artisticamente, TLG é um espetáculo, os detalhes da arquitetura, um visual bem único, seguindo a linha de ICO e SOTC nesse ponto, que também são um espetáculo visual artisticamente falando. Nem ligo da textura zoada e etc, porque artisticamente é maravilhoso.

- A animação de movimento do menino que a gente controla é ruinzinha, regular no máximo. Mas o Trico é todo espetáculo nisso. Um bichão enorme cheio de penas, com umas características meio de rato, meio de pássaro, que tem uns movimentos bem felinos, cada movimento dele é significativo e demonstram exatamente o que querem no momento, seja agressividade, curiosidade, afeto. Eu também gostei da animação das "armaduras" (únicos inimigos que encontrei no jogo), a movimentação delas é meio "múmia", e em posição de combate achei bem legal.

- Em questão de sonoplastia, os sons do Trico são bem fortes e amedrontadores, especialmente quando ele está rugindo, demonstrando agressividade. A trilha sonora é sutil e aparece em alguns poucos momentos específicos, é competente, mas até agora não ouvi nenhuma música a nível de The Opened Way (só para citar uma) de Shadow of the Colossus, até porque não houve nenhum momento em que isso coubesse, eu acho.

- A história do jogo é simples, porém o universo é complexo. É um jogo que gira completamente em volta do que está no entorno do garoto e de Trico. Ou seja, enquanto há um enredo falando da amizade que vai ficando cada vez mais forte entre os dois e da busca do garoto por um caminho de volta para sua vila, o universo também intriga. Eu adoro esse tipo de jogo, que não fica me contando as coisas, mas sim que me mostra e me deixa tirar conclusões. As coisas são misteriosas e implícitas, deixadas para a subjetividade do jogador supor o que aconteceu naquele mundo. Quem é Trico, quem são as armaduras, quem viveu naquele lugar? O ambiente vai dando pistas.

- Diferentemente de SOTC, onde o que você faz é em tempo real (do jogo), The Last Guardian se passa em uma memória do menino. O jogo possui um narrador (que é o protagonista, só que mais velho) que vai contando o que aconteceu conforme a ocorrência de alguma coisa. Por exemplo, após lutar com as primeiras armaduras que aparecem no jogo, é narrado que o menino afagou a fera até ela se acalmar. Por sorte isso não acontece a todo momento, porque se não estaríamos sempre fazendo o que o narrador manda, e é mais para adicionar um drama na história (já que diálogos por palavras inexistem, porque Trico não fala), além de dar um rumo a ela.

- Até agora o jogo não se mostrou aberto. É bastante linear, com sessões de puzzle para se resolver. Por enquanto, os puzzles são contextuais com o ambiente, onde devemos usar o Trico para alcançar lugares mais altos, ou fazê-lo pular um portão bem alto para que alcancemos o outro lado. Tudo bem simples, mas...

- ... O Trico não faz o que você quer na hora que você quer. Ele possui uma inteligência artificial bem própria, que faz o que bem entende. É um NPC extremamente vivo e reativo ao ambiente, e é um show à parte observar o que o Trico vai fazer. Por exemplo, em uma parte encontrei uma poça de água enorme e, quando olhei, lá estava o Trico rolando, brincando nela. É de se ficar admirando, também, ele curioso com caixas, ou desesperado por algum aroma ou colocando a cabeça em uma passagem pequena demais para ele, esperando que você abra um caminho para ele. E o bicho chora, urra, demonstra afeto e agressividade conforme o que acontece.

- Tem como tentarmos dar comandos ao Trico, e cheguei em uma parte onde esses comandos ficam mais complexos. Na verdade foi onde parei, logo que essa nova mecânica é introduzida. Brinquei um pouco com ela e não aprendi direito como fazer, o bicho não me obedeceu tanto assim, ou eu estava fazendo errado, mas depois descubro.

- Não tem um combate direto, ao menos por enquanto. No começo do jogo encontramos um escudo que emite uma luz e faz um raio vermelho ser disparado direto da cauda do Trico para onde essa luz está apontando. Ainda não tive a oportunidade de usar isso em um combate, portanto, caso alguma armadura venha para cima de você, o melhor a fazer é correr para perto da fera e deixar ela se virar, o que a deixa extremamente agressiva e irritada, mas é só fazer um carinho no pescoço ou na cabeça dela que tudo fica melhor. Por enquanto tudo o que eu pude fazer no combate, além de fugir dos inimigos, foi retirar lanças que são cravadas na pele do pobre coitado Trico.

- Infelizmente controlar o menino é nada mais do que muito ruim. Com um input lag enorme, ele demora a responder seus comandos, o que pode prejudicar o platforming que o jogo tem em alguns momentos, o que me frustra bastante e também me tira da imersão daquele universo. Ah, eu preferia do jeito que era SOTC, onde eu tinha que segurar R1 para escalar. Aqui se você chegar perto do bicho ou de alguma área escalável, o protagonista já vai se agarrar, o que deixa bem ruim você se soltar, pois mesmo apertando X para se soltar, o menino acaba grudando de novo no Trico, causando mais frustração. E eu não aceito fã falando que a jogabilidade "é pra ser ruim mesmo", que é a "proposta", acho que passar pano pra isso é bem nocivo.

- A taxa de quadros é horrível, o jogo tem engasgos feios, fica abaixo dos 30 FPS direto e reto, especialmente em ambientes mais abertos. Isso é ruim, mas posso conviver. Tecnicamente falando, é um bem ruim, e eu acho que não há motivos para isso, é só uma incompetência da dev mesmo, mas é assim desde ICO, né?

Bom, o saldo é positivo até agora. O jogo é muito intrigante e esperar para ver o que o Trico vai fazer em várias situações é muito legal, aprender a lidar com ele é essencial. Bastante único em diversos pontos, a parte negativa fica para os controles extremamente ruins e para a performance bem abaixo do esperado. Se o universo não fosse tão interessante e o Trico tão único, esse jogo seria um dos piores jogos da história. Como não é o caso, o jogo é no mínimo estranho, e, para mim, a palavra que define é "intrigante", e é isso que está me fazendo seguir jogando, porque eu quero saber o que é o Trico, por que ele estava lá, quem são as armaduras, o que é aquele universo, quem é o garoto e como ele foi parar lá. Eu acho que o jogo vai dar poucas respostas diretas, o que muito me agrada, pois gosto de teorizar e colocar minha subjetividade para tentar perceber as coisas.

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    sergiotecnico · almost 3 years ago · 1 ponto

    Concordo com tudo. Esse jogo vai ficar legal no PS5 ou PS6, rodando a 60fps, aí sim...
    Sobre o esquema de dar comandos, na verdade é bem simples, como ele narra quando introduz essa característica. Ele "imita" os movimentos do menino. Então vc faz os movimentos normais porém segundando o R1. Então triangulo faz o menino pular, com R1+triangulo o menino faz um movimento parecido com pulo pra que o Trico pule. Achei bem intuitivo e inteligente essa forma de comandar o Trico.
    Mas é bem o que vc falou, vc não tem total controle sobre ele, ele faz o que quer. Mesmo indicando o que vc quer que ele faça, tem que esperar ele querer fazer aquilo.

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    lukazz · almost 3 years ago · 1 ponto

    nossa o pessoal realmente ta falando mal da jogabilidade e fps.. to pensando em deixar esse jogo de lado, comprar quando ficar bem baratinho mesmo. obrigado pela analise, pelo jeito é um jogo bem único. :)

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    marcusmatheus · almost 3 years ago · 1 ponto

    Vou pegar um Play 4 emprestado mês que vêm com um amigo do trabalho que vai viajar nas férias. Ele tem o Final Fantasy XV que estou bastante no hype. Mas eu preciso desesperadamente dar um jeito de arrumar esse jogo ai, kkkk.

    E aqui no rio locadoras de jogos nem existem mais. ^_^
    Nessas horas eu sinto falta!

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