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sound_and_vision Leandro "Tommy"

[Álbuns] #4 - Houses Of The Holy (Led Zeppelin)

E o disco de hoje é o meu favorito da maior banda de rock n' roll de todos os tempos, Led Zeppelin com seu 5º álbum de estúdio, Houses of the Holy (o primeiro sem numeração rsrs).

Desde seu lançamento o álbum foi certificado pela RIAA, nos Estados Unidos, como 11 Discos de Platina, por ter vendido uma quantidade superior a 11 milhões de cópias. Também foi classificado em 148° lugar na lista dos 500 melhores álbuns da revista Rolling Stone.

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Ficha Técnica

Lançamento: 28 de março de 1973

Gravação: Janeiro a Agosto de 1972

Gênero: Hard Rock, Blues Rock, Folk Rock e Rock Progressivo

Duração: 40:58

Gravadora: Atlantic Records

Produtor: Jimmy Page

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História

O álbum foi gravado em vários lugares diferentes, sendo boa parte dele em uma antiga propriedade rural de Mick Jagger em Berkshre, utilizando o estúdio móvel dos Rolling Stones.

Este foi o último álbum do Led Zeppelin lançado pela gravadora Atlantic Records antes de formarem sua própria gravadora, Swan Song Records, em 1974. Foi também o único álbum da banda a conter todas as letras completas impressas no encarte.

Musicalmente falando, ele representa um ponto de virada para o Led Zeppelin, onde começaram a usar mais camadas e técnicas de produção para gravar suas canções, além de mais experimentações em diferentes estilos.

Foi também durante a turnê desse disco que o Led gravou seu famoso álbum ao vivo e filme, The Song Remains The Same.

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Capa

A capa do álbum foi inspirada no final do livro "Childhood's End" de Arthur C. Clarke, e combina várias fotos tiradas na "Calçada dos Gigantes" na Irlanda do Norte.

A capa foi criada pelo grupo de designers Hipgnosis, famoso por criar várias capas de rock excêntricas como boa parte das do Pink Floyd, várias do Genesis, UFO, ELO e do próprio Zeppelin.

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Músicas

E se tratando de provavelmente o álbum mais variado da banda, cada faixa merece uma atenção especial.

1. The Song Remains The Same (5:29)

"Any little song that you know / Everything that's small has to grow"

E já começando com o "épico" do disco, uma porrada hard rock com elementos de progressivo, com um ritmo acelerado que diminui nas partes cantadas e depois volta. Com destaque para o solo do Jimmy Page próximo dos três minutos que é sensacional.

A versão que coloquei primeiro é do famoso filme/show, de 1976, que recebeu o mesmo nome da música. Mas recomendo muito escutarem a versão de estúdio depois, que tem bem mais camadas instrumentais, incluindo duas linhas de guitarra e uma linha baixo sensacional.

2. The Rain Song (7:39)

"This is the springtime of my loving / The second season I am to know / You are the sunlight in my growing / So little warmth I've felt before"

E depois dessa porrada, o disco vai para simplesmente UMA DAS COISAS MAIS LINDAS QUE EU JÁ OUVI EM TODA MINHA VIDA. Desde a introdução calma no violão, os vocais suaves do Robert Plant, ao solo onde a música explode com vários instrumentos de corda, todo o arranjo, essa música é simplesmente perfeita

Uma outra versão excelente dessa música foi feita, acústica, em 1994 por Page e Plant.

Toda vez que escuto me pergunto: Como esses caras, que na época estavam no auge do "sexo, drogas e rock n' roll", conseguiram fazer algo tão lindo?

Enfim, continuando.

3. Over The Hills And Far Away (4:51)

"Many is a word that only leaves you guessing / Guessing about a thing / You really ought to know"

Mais uma música com mais de um "momento", começando acústica com uma pegada bem folk e antes da metade partindo para aquele hard rock bem estilo Zeppelin.

4. The Crunge (3:18)

"Tell me baby what you want me to do! / You want me to love you, love some other man too? / Ain't gonna call me Mr. pitiful, no!"

Quase que uma peça de disco music, uma música bem atípica com um compasso esquisito, uma guitarra 'funkeada', um baixo comandando a música, e outros instrumentos, que não consegui identificar na verdade, mas que criam um efeito curioso. Se não fosse a voz do Plant talvez nem daria para dizer que é uma música do Led Zeppelin.

Parece uma música totalmente fora de contexto mas que, na minha opinião, funciona bem nesse álbum. Se estivesse em qualquer um dos anteriores provavelmente não daria certo.

5. Dancing Days (3:43)

"I said it's alright, you know it's alright/ I guess it's all in my heart"

Apesar do nome, e diferentemente da anterior, essa música não tem nada de 'dance' e que, não, não tem nada a ver com aquela novela brasileira dos anos 80 hahaha

Pode-se dizer que é até uma música meio repetitiva, principalmente comparada com as demais mais experimentais, mas não deixa de ser muito boa e cativante.

6. D'Yer Mak'er (4:23)

"But I still love you so, I can't let you go / I love you, oh baby, I love you"

E quando eu disse que esse disco é cheio de experimentações com diferentes estilos musicais, eu não estava brincando, principalmente nessa e na próxima música. D'Yer Mak'er é, praticamente, um reggae, talvez um pouco mais pesado, principalmente devido à batida forte do Bonham, mas com vários elementos desse estilo claramente presentes.

Uma curiosidade é que a expressão 'D'Yer Mak'er' vem de uma antiga piada que faz trocadilho sobre sua pronúncia no inglês britânico, que soa similar a "Jamaica", mas também pode ser confundido com "did you make her". 

A primeira vez que eu ouvi essa música eu tive a forte impressão dela me ser bem familiar... Eu tenho quase certeza que alguém a regravou e foi essa versão que eu ouvi em algum momento da minha vida... Mas até hoje (felizmente) eu não descobri quem foi.

7. No Quarter (7:03)

"They choose the path where no one goes / They hold no quarter"

Essa foi difícil de procurar uma definição. Pode-se dizer que o principal nela são os teclados, com um som que eu penso como "aquático", é difícil definir. Junto com a guitarra e os vocais meio sintetizados, meio cavernosos, criam um clima que eu definiria como uma "neblina", algo meio nebuloso. 

Uma mistura de hard rock, com progressivo e psicodelia, que inclusive me fez dar uma definição um tanto quanto psicodélica para o som haha Mais uma figura meio atípica, que se estivesse em um dos álbuns anteriores talvez não funcionasse.

8. The Ocean (4:31)

"Singing about the good things and the sun that lights the day / I used to sing on the mountains, has the ocean lost it's way?"

E o álbum termina com a música mais "tradicional" dele. Com uma base bem hard rock, um riff cativante, forte influência de blues e aquele vocal rasgado do Plant, a música poderia soar até normal demais para estar nesse disco, mas a sessão acapella na metade, e a virada de ritmo mais no final, demonstram que ela também possui leves toques experimentais. Um excelente encerramento.

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Então é isso.

Eu sei que esse texto ficou gigantesco e que eu quase escrevi um livro para cada música, mas é que não teve jeito. Cada faixa desse disco é tão única, tão bem gravada, tão diferente, que não tem como não dar atenção para elas.

Além disso, esse é um álbum extremamente especial para mim, tanto que eu até tenho a capa dele pendurado na parede do meu quarto. (Confira na foto que eu postei do desafio cara limpa, aqui)

Se você leu até aqui, comenta aí qual é para você o melhor disco do Led Zeppelin. Eu particularmente fico bem dividida entre esse, o II e o IV.

Abraços.

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    onai_onai · almost 3 years ago · 2 pontos

    Foda! Foda! Foda demais! Esse aí foi o primeiro álbum do Led Zeppelim que escutei e também é meu preferido. Dancing Day's é também a música que mais gosto da banda, curiosamente Led Zeppelim é também a banda de rock que mais aprecio também, seguida de Legião Urbana. Quem regravou a D'yer Mak'er foi a Cláudia Leite, ainda quando ela era da banda Babado Novo, eu nem gostava e nem gosto mas tocava tanto por aí que era obrigado a escutar. Sorte sua não ter ouvido. Lembro que eu ficava puto quando estava ouvindo a versão original e vinha um maluco e falava: - Olha, a música do Babado Novo!

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    diegomatias · almost 3 years ago · 2 pontos

    Acho que The Song Remains The Same é a faixa de abertura mais poderosa de todos os discos do Zeppelin. Esse álbum é sensacional e tem um fato curioso, infelizmente não sei onde eu li (deve ter sido na wikipedia): George Harrison chegou pro Page e falou "caras, a banda de vocês é sensacional mas vocês não tem nenhuma balada!" - não sei se ele ouviu o Led II, mas enfim.

    Em retribuição à sugestão do Harrison, Page compôs The Rain Song e a introdução dela usa os dois primeiros acordes de "Something" dos Beatles, composta por Harrison, um acorde maior, seguido do mesmo acorde com 7ª aumentada.

    Depois que eu soube dessa história, as duas faixas, do Zeppelin e dos Beatles ganharam uma ligação foda.

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    lgd · almost 3 years ago · 2 pontos

    Pra mim, não o melhor, mas meu preferido é o IV junto ao Physical Graffiti. Ótimo texto.

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