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sound_and_vision Leandro Cirilo

[Álbuns] #2 - Who's Next (The Who)

--Antes de começar: se você é uma pessoa que frequenta bastante o YouTube, e não sabe de onde vem ISSO... Bom, fica aqui que você descobre--

Eu já tinha feito um OFFMusic falando sobre a banda, mas esse álbum é tão bom, que decidi coloca-lo nessa série de posts e falar mais só sobre ele. Então...

O álbum de hoje é o grande clássico do The Who:  Who's Next.

Quinto álbum de estúdio da banda, é considerado um dos melhores álbuns do The Who e um dos melhores da história, estando em 13º lugar na lista de melhores álbuns feita pelo canal VH1, e em 28º na lista feita pela revista Rolling Stone.

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Ficha Técnica

Lançamento: 2 de agosto de 1971

Gravação: Março a maio de 1971

Gênero(s): Rock, Hard Rock

Duração: 43:38

Gravadora: Decca Records (US); Polydor Records (UK)

Produtor(es): The Who, Glyn Johns

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Produção

O álbum surgiu das cinzas de um álbum chamado Lifehouse, um projeto de Pete Townshend para uma nova, complicada e desastrosa ópera rock, que devido a diversos problemas de produção foi cancelada. A banda decide então esquecer toda essa ideia e recomeçar do zero.

Para a sorte deles, o novo álbum pôde ser produzido em uma época em que ocorriam grandes avanços no setor de engenharia de som. Isso permitiu que as músicas formassem uma "parede sonora", dando ainda mais destaque para a bateria de Moon e o baixo de Entwistle, além da introdução de piano e sintetizadores em algumas músicas. O resultado foi um som absolutamente espantoso para a época.

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Capa

A capa, uma fotografia dos quatro membros da banda acabando de urinar em um bloco de concreto, além de ser uma óbvia referência ao monolito do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, é também uma metáfora ao seu passado, com o grupo mostrando  que estava em busca de novos caminhos.

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Músicas

Finalmente vamos para o que mais importa, as músicas.

1. Baba O' Riley (5:09)

Já começando com um dos maiores clássicos da banda, dono de um dos melhores introduções de teclado do rock e um refrão cantado como hino nos shows. Tenho nem o que falar dessa maravilha.

"Don't cry / Don't raise your eye / It's only teenage wasteland"

2. Bargain (5:33)

Minha favorita do álbum, uma verdadeira explosão sonora no estilo The Who. Destaque para o trecho mais lento cantado pelo Pete Townshend por volta dos 2 minutos, onde o baixo do John Entwistle reina. Simplesmente demais.

"I'd pay any price just to get you / I'd work all my life and I will / To win you I'd stand naked, stoned and stabbed"

3. Love Ain't For Keeping (2:10)

A mais curta do álbum, tem um violão acústico no comando, sem sintetizadores, tendo um clima levemente mais puxado pro folk e country devido a isso.

"Lay down my darling me / Love ain't for keeping"

4. My Wife (3:41)

A única música do álbum que não foi composta pelo Pete Townshend, e sim pelo John Entwistle, que usou de um humor tão ácido quanto o de Pete nessa curiosa letra e melodia. Assim como algumas outras, essa seria parte do "Lifehouse", contando a velha história de um cara que bebeu demais, não consegue voltar para casa e começa a inventar soluções para fugir do sermão de sua esposa.

"Gonna buy a fast car / Put on my lead boots / And take a long, long drive"

5. The Song Is Over (6:41)

Uma bela peça cantada parte por Pete parte por Roger, com várias camadas de piano, sintetizadores e guitarra, somada com a já clássica cozinha e uma das minhas letras favoritas da banda.

"The song is over / Excepting one note, pure and easy / Playing so free, like a breath rippling by"

6. Getting In Tune (4:50)

Uma música que brinca com as palavras, onde a primeira vista parece uma metalinguagem sobre música, mas que na verdade é mais metafórica. Uma belíssima introdução de piano feita por Nicky Hopkins, que é quebrada pela vibrante bateria de Moon.

"I'm singing this note 'cause it fits in well / With the way I'm feeling / There's a symphony that I hear in your heart / Sets my head a-reeling"

7. Going Mobile (3:43)

Peça sobrevivente do "Lifehouse", mostra a força que o The Who tinha mesmo como trio, já que a música não possui a participação do Roger Daltrey, sendo cantada inteiramente por Pete. Uma música que evidencia a grande energia da banda mesmo com a guitarra sem amplificação. 

"Well, I'm gonna find a home / And we'll see how it feels / Goin' mobile / Keep me movin"

8. Behind Blue Eyes (3:42)

Ahh e o que falar dessa música? Composta originalmente para o "Lifehouse", teve que ter seu contexto adaptado para funcionar fora da ópera-rock, e acabou se tornando uma madura e poderosa performance sobre a dupla natureza de um homem. 

Uma curiosidade que, pelo menos eu quando entendia menos de inglês acabei me confundindo, é o fato de "Blue" ser utilizado para se referir à tristeza, e não necessariamente olhos azuis (apesar de que tanto Pete quanto Roger possuírem olhos azuis).

"But my dreams, they aren't as empty / As my conscience seems to be / I have hours, only lonely / My love is vengeance, that's never free"

9. Won't Get Fooled Again (8:32)

E para fechar, SÓ essa música, que é simplesmente um épico. ( Quem conhece já sabia que era dela que eu estava falando no começo do post... E quem não sabia descobriu agora rsrs)

Enfim, resumindo uma história longa e complexa, a letra da música se relaciona com alguns acontecimentos do começo dos anos 70, durante a queda do movimento "Flower Power", onde as ações de luta e protesto pareciam não ter mais efeito. Assim Pete passa, de certo modo, sua visão sobre o cenário: "[...] há pouco que podemos fazer para mudar o sistema, o poder irá inevitavelmente corromper até mesmo o mais nobre, e assim, em vez de mudar o mundo ao nosso redor, talvez precisamos começar mudando à nós mesmos [...]" (Trecho tirado de uma review, em inglês, sobre a música, no site allmusic.com)

"Change it had to come / We knew it all along / We were liberated from the fall that's all"

(Apesar do Keith Moon já não estar nos seus melhores dias, essa versão ao vivo dessa música continua sendo sensacional.)

Para os mais fanáticos, assim como eu, ainda há a versão remasterizada (disponível no Spotify) que possui sete faixas bônus, algumas sendo demos do Lifehouse: Pure and Easy, Baby Don't You Do It, Naked Eye (ao vivo), Water (ao vivo), Too Much of Anything, I Don't Even Know Myself, e uma versão alternativa de Behind Blue Eyes. 

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Então é isso.

Se você curte Rock, curte música boa tocadas por três monstros em seus instrumentos, e nunca ouviu esse álbum inteiro... O que você fez da sua vida até hoje?

Abraços.

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