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kahmundongo Karla Pinheiro

TAG: Desafio dos 10 Jogos Marcantes - Jogo 3

#3 - Super Mario World e a Penetra Boa de Bico

*Eu, bem diferentona que sou, quis aproveitar esta TAG para, em ordem cronológica, contar um pouco de mim e da minha história adentrando no mundo dos joguinhos para quem quiser, poder me conhecer um pouco melhor (só para logo depois, se arrepender disso xD).

   Era verão quando veio a notícia de que todos em casa iriam trabalhar e na palavra deles, por ser ainda muito criança, a partir daquele momento eu iria para uma creche. Eu sabia que nem toda a comida era como a da minha casa, nem toda a cama era como a da minha casa, nem todo o tratamento era como o da minha casa, eu queria protestar contra aquilo no mesmo instante mas, tinha consciência que fazendo isso, iria atestar que eu era mesmo uma criança, mas oras! O que tinha demais eu ficar em casa sozinha? Não era como se eu fosse encarnar o Macaulay Culkin e deixar dois bandidos estagiários entrarem em casa.

   A creche era.. uma creche, um monte de crianças menores… e eu. O que me fazia sentir como se fosse uma ilha, uma criança mais velha cercada por um monte de bebês. Foi em uma excursão à floresta vizinha, mais conhecida como quintal, que eu percebi que a creche tinha uma saída para outra casa, a casa da dona! Eu já conhecia o filho dela, era quase da minha idade, brincava e falava casualmente com ele, mas ele não ficava na creche direto, não como as outras crianças, ele ia para casa. Um dia, iriam me buscar mais tarde e a dona me levou para a própria casa pois, já estava anoitecendo e todos já haviam ido embora. E foi aí, ao entrar no quarto do filho, e visualizá-lo enquanto o menino, de olhos vidrados, apanhava um pouco do objeto de sua atenção, que eu percebi. Nem toda a comida era como a da minha casa, nem toda a cama era como a da minha casa, nem todo o tratamento era como o da minha casa e.. nem todos os objetos eram como o da minha casa! Como eu havia esquecido! O raio do Super Nintendo (referenciado no texto do jogo 2)! Eu imediatamente me sentei no chão perto do menino e fiquei vendo ele jogar Super Mario World na minha frente, estava acontecendo! Ao terminar a fase, perguntei esperançosa se podia tentar também, ao que ele me disse que não, porque era menina e por isso iria morrer, perdendo parte do progresso que ele tinha feito até então. Se o termo “pistola” já existisse naquela época.. Ele caridosamente disse que, no entanto, eu poderia olhar ele jogar. Eu, orgulhosa que era, disse que só pedi para jogar pois ele parecia estar penando para passar de fase. Que só estava ali esperando a minha mãe que já ia chegar e, para coroar: “Eu já tive um videogame também tá. Eu tinha um Atari!”. Ele riu, eu bufei, e fiquei esperando minha mãe… #chatiada. Eu reconhecia que deveria ser realmente um saco ter de voltar no mapa e refazer tudo mas, o que me deixou com raiva, além dele ter subestimado a minha capacidade, foi ele ter dito que eu não podia jogar “porque era menina”.

   Nos dias que se seguiram, descobri que aquela seria uma experiência rotineira devido a mudança de horários lá em casa. Então aquela situação, onde ele jogava e eu assistia (pq no fundo eu queria sim ver o jogo, mesmo que dissesse que só estava jogando um feitiço com o meu olhar para que ele perdesse), se repetiu por uma semana, com leves mudanças como o irmão mais velho se juntando ao menino volta e meia. Eu não tinha muito contato com esse, ele era adolescente na época portanto, causava respeito nos menores (nele não joguei o meu feitiço por puro medo de que me descobrisse), apenas observei ele jogar e.. ele era bom! Mas em certo momento, também chegou em uma fase e empacou.. Era uma das fases dos Boos!

   O mais novo tentava dar dicas do que fazer e até mesmo eu, sem perceber, comecei a palpitar também, até que depois dos dois tentarem, morrerem e nada conseguirem, o mais velho se virou para mim e disse: “Quer tentar?”. Para minha surpresa, o mais novo não interviu mas, percebi pela sua expressão que tinha se sentido traído pelo seu irmão muito embora, preferiu se calar. Eu peguei o controle, me aconcheguei, suprimi um sorriso e, FINALMENTE JOGUEI O F* MARIO… e morri. Eles tinham razão, eu era muito ruim e pior, tinha acontecido exatamente o que me havia sido dito. Eu perdi na última vida e eles teriam que voltar no mapa. Eu olhei para o mais velho como quem pede desculpas ao que ele disse sonolento: “Continua, quer ir de novo?”. Não sei se pelo bom coração do rapaz ou por ele ter se cansado de jogar depois de empacar na fase mas, eu estava tendo mais uma chance de continuar jogando enquanto olhava meio embasbacada para o mais novo que, a essa altura, estava se sentindo trocado. Eu só lembro de fazer questão de continuar e só passar o bastão bem na fase em que eu havia perdido. A dos Boos! Com um ar de, “estamos quites” ofereci o controle de volta para o menor, que resmungou algo como “ué, agora termina se é boa”. Ah se eu levasse os meus deveres de hoje tão a sério quanto eu levei esse desafio aquele dia! Venci a fase labiríntica dos malditos Boos! Achei o raio da saída certa e lembro de virar a minha cabeça igual uma coruja para trás e dar um sorriso de vitória antes de vislumbrar o rosto do meu colega, que para a minha surpresa, sorria. “Agora a gente finalmente vai poder ver as outras fases!” e veio sentar do meu lado para jogar comigo. Eu abri um sorriso na hora e disse que a gente ainda ia terminar o jogo todo! O irmão mais velho, que a essa altura tinha dado uma cochilada ao redor, pareceu acordar e se motivar de novo. E a partir dali, a santíssima trindade estava feita!

   Quem dera se todos os adultos, deixassem seus preconceitos bobos de lado como deixamos. Eu tive que me provar mas no fim do dia, todos jogamos juntos. Nos dias que se seguiram, depois de muitas fases e inimigos, diga-se muito piores que os Boos, que começamos a encontrar de forma ainda mais recorrente, pudemos chegar no castelo do Bowser, ou Koopa para os nostálgicos, e CHUTAR A BUNDA DELE! Nós terminamos o jogo! Descobrimos os extras e concluímos também! Foi um sentimento de dever cumprido, quando olhamos um para o outro. Depois disso, eu e o filho da dona da creche brincamos muito mais juntos. O irmão mais velho, ainda tinha um ar intimidador mas eu sempre dava um “olá!” e falava com ele quando o via, o que fazia as outras crianças me olharem com admiração pois, na visão delas, eu tinha amizade com “adultos”.

   Super Mario World foi um jogo muito incrível pra época e, como tantas outras coisas eu só pude jogá-lo bem depois. Ainda assim, foi um game marcante pois eu ansiava por ele, e não me decepcionei. Apesar de muitas frustrações e mortes pelo caminho, foi a coisa mais emocionante que fiz naquela época, olha que isso incluía descer ladeira abaixo com uma bicicleta sem freios e sair viva para contar história (crianças, não façam isso em casa). Mas mais ainda, por ter alcançado o meu lugar junto dos meninos e que, de uma garota que realmente não sabia jogar, não por ser garota mas, por não ter tido a oportunidade que muitas vezes é negada a uma, poder se tornar alguém que jogava de igual para igual junto com aqueles que acabariam por se tornar meus amigos naquele verão.

Marcando o @volstag que quer acompanhar essa saga! Para todos, até o jogo número 4 da lista o/

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*Os jogos dessa lista são jogos que me marcaram assim como manda a tag original portanto, não necessariamente são os meus jogos favoritos da vida embora, eu nutra um sincero carinho por todos eles <3

*As descrições aqui contém a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade porém, em uma versão bem humorada de situações que facilmente, valeriam um tapa na cara vide OUPDM : )

Super Mario World

Platform: SNES
26943 Players
374 Check-ins

11
  • Micro picture
    volstag · about 2 years ago · 1 ponto

    Mais uma boa história, já pensou em escrever um livro?
    O jeitinho que você conta é único!!
    Esse console foi o único que eu ganhei quando lançou, o resto sempre foi quando deu, e SE deu um dia né hahaha, então posso dizer que foi talvez o console que mais joguei, mas por anos tive só o Super Mario, até que um dia ganhei um Street Fighter 2 japonês, eu acredito que era pirata inclusive, foi uma época complicada pois eu sou filho único, e a minha mãe me criou sozinha, só tinha a companhia da minha avó, e apesar de todo o carinho que ela me deu, ela não era uma criança da minha idade né.
    Pra piorar, eu peguei catapora e não podia sair na rua hahahaha, ou seja, devo ter virado um mestre das jogatinas, me lembro de desligar o console porque estava enjoado, olhar ao redor e não ter mais nada pra fazer, e ligar novamente o diacho do jogo... mesmo assim, até hoje eu considero esse o melhor jogo do Mario.

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