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  • netobtu João Paulo Bonome Neto
    2017-06-29 11:16:17 -0300 Thumb picture
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    [Primeiras Impressões] Nintendo Switch

    Bom, amigos, três dias usando o Switch bem moderadamente, acho que é legal eu falar um pouco sobre o que estou achando do meu mais novo Nintendo...

    -> O fato de ser híbrido é ótimo e acho que é o maior trunfo desse console. Vejam só, comprei segunda-feira, hoje é quinta-feira e eu só fui em casa ontem à noite, mas já pude desfrutar de todos os jogos que comprei desde segunda-feira... se fosse um console de mesa, eu já teria infartado de vontade de jogar... felizmente posso fazê-lo na excelente telinha do console.

    -> Vem tudo muito bem embaladinho dentro da caixa, que é pequena para padrões de consoles de mesa. O tamanho diminuto do console contribui para isso, mas dentro da caixa tem bastante coisa: 1 Nintendo Switch, 1 Joy-Con direito, 1 Joy-Con esquerdo, 1 cabo HDMI, 1 fonte carregadora, 1 grip para Joy-Cons, 2 straps para Joy-Cons, 1 dock station (essa vem até num plástico-bolha).

    -> Logo que liguei o console no hotel já fui fazendo meus cadastros, entrando na internet e rapidamente fiz download de atualização de console para poder usufruir das funções online dos jogos. O processo de download e instalação da att foi super rápida.

    -> Enquanto isso, fui mexer no Pro Controller, mas vi que exigia uma carga, escrito na caixa isso, antes do primeiro uso. Coloquei pra carregar e aí fui mexer no Switch. Depois que carregou, pareei rapidamente pelo menu do Switch e funcionou de boa. O controle é muito bom e macio nos botões.

    -> O sistema é ultra, mega, thunder simplificado, e os pop-ups, notificações e menus rápidos lembram bastante Android. Mas tipo, é super simples MESMO, do tipo de que se vc quiser fazer algo no console além de jogar e mexer no eShop não tem. Senti falta de features do 3DS e Wii U de monitoramento de atividade, de quantas horas cada jogo, por dia, mês e ano foram jogados e etc... talvez tenha e eu não achei. O fato de ser simplificado e enxuto deve ser o que o faz ser tão rápido. As transições de jogo para o menu Home, ou de ligar o Switch ou de voltá-lo do standby direto para o jogo que está em suspensão são extremamente rápidas. Tirar screenshot também é instantâneo, sem nenhuma demora.

    -> Essa simplicidade toda me faz sentir que tem algo faltando, é como se eu estivesse com um protótipo do Switch ainda, de tão limitadas que são as funções. Eu não tenho como mandar mensagem para um amigo, não tem mais o "canal" de estatísticas, que foi tão legal no Wii U e 3DS. Eu acredito que em breve vamos ter mais features, em especial quando o serviço online pago do Switch começar. O fato é que após uma geração enorme com consoles cheios de funções e multimídia, além dessa atual de PS4, Xbox One e Wii U, é esquisito pegar e mexer em um console tão limitado nesse ponto... Mas a fluidez e rapidez de se fazer tudo compensa essa escassez de funções e recursos.

    -> A eShop também é muito simplificada e a Nintendo precisa desde há muito tempo melhorar esse aspecto, mas o fato de ser bem menos poluída do que a do Wii U já é uma vitória. E o fato de poder comprar em QUALQUER eShop é ótimo pra nós brasileiros, que temos que driblar da alta do dólar. Ah, e há de se notar que ela é bem rápida na navegação também.

    -> Boa duração de bateria, em minha opinião. Joguei antes de ontem sem dockar por mais de 2 horas, parando, deixando em standby, voltando, tirando jogo, pondo jogo, fazendo várias coisas, e quando parei tava com 35% ainda. Achei sossegado.

    -> Usei os Joy-Cons acoplados no Switch, no grip e soltos, um em cada mão, e os achei bastante funcionais e extremamente leves (o que pesa mesmo é o próprio Switch). Não senti muita coisa de diferente nas vibrações do controle, mas talvez não tenha jogado nada que me desse essas impressões de gelo no copo, água e afins... Na Grip, seja a carregadora ou a outra, eu achei um tanto estranho, pois ficam estranhamente próximos, é um controle menor, com uma ergonomia diferente. Se vai ser um empecilho jogar com a grip, só o tempo dirá, requer que eu teste mais.

    -> Usei a dock só ontem e ficou bem satisfatório. Pra jogar no Pro Controller é excelente, e o Zelda é um jogo pra ser jogado muito mais na telona do que na telinha, pela exuberância das paisagens. A tecnologia de tirar da dock e já aparecer direto na telinha do Switch sem firulas (ou vice-versa) é realmente impressionante e uma mão na roda: Desburocratizar procedimentos para o usuário é algo a ser almejado por toda empresa de tecnologia, e a Nintendo fez justamente isso nesse ponto. Tudo é muito user-friendly.

    -> O Zelda joguei até chegar em Kakariko, que é a área que mais sofria no Wii U, e senti apenas uma leve queda de framerate, bem mais suave do que no Wii U, e logo depois ficou estável.

    -> ARMS também funciona bem no modo portátil, mas eu acredito ser um jogo de telona grande (porém ainda não consegui jogar dockado), pois ele tem todo um quê de esporte grandioso, pelas arenas, pela música, efeitos sonoros... o jeitão é de jogo para bastante gente jogar e curtir juntos. Devo salientar que é um dos jogos mais difíceis que já joguei na vida, e que é extremamente profundo em suas mecânicas e customização de tipo de luta com os diferentes braços disponíveis.

    -> Não tive tempo de jogar o Mario Kart 8 Deluxe, só coloquei no console e vi que funcionava e boa.

    Devo concluir que é ótimo ter um console com exclusivos grandes de mesa da Nintendo possíveis de serem jogados em modo portátil. Acredito que isso veio de testes dos Zeldas, Star Fox e afins de N64 saindo no 3DS e que tiveram ótima aceitação.

    E o futuro é sólido para o console. Não, o Switch não vai ter Battlefield, Battlefront, não vai ter um novo Bioshock e nem Red Dead Redemption 2. Mas vai ter todo o suporte first party da Nintendo e também todo o suporte das thirds em jogos de portátil, que sabemos que os da Nintendo têm aos montes e de bastante qualidade, e agora com qualidade gráfica bem melhor, para poder se adaptar ás grandes TVs.

    A película de vidro e a case chegaram ontem, comprei no Mercadolivre. Mais tarde vou levar o console e a película numa loja aqui da cidade para aplicarem, pq eles manjam mais e eu tenho medo de deixar bolhas. Não tem nas fotos também o Charging Grip, que comprei depois em outra loja.

    Em breve, tipo daqui uma semana, faço uma review maior do console, caso alguma opinião mude ou eu descubra coisas novas...

    Abraços.

    The Legend of Zelda: Breath of the Wild

    Platform: Nintendo Switch
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      polarxenon · almost 2 years ago · 2 pontos

      É um console que eu penso em pegar futuramente... Me atrai muito essa ideia de Virar Portátil tão rapidamente e tals! Sua Pequena Review ficou muito boa!

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      mardones · almost 2 years ago · 2 pontos

      Sonhando com o meu. O fato dos menus simplificados que vc mencionou é bem intrigante, mas pra mim é algo positivo. Tipo as vezes é tanta coisa que jogar fica sendo só mais uma. Não tô criticabdo, mas a Nintendo no meu ponto de vista acerta ao focar 100℅ no game play.

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      pokeall · almost 2 years ago · 2 pontos

      Desculpe pela pergunta mas onde o senhor comprou e quanto foi o console ?

      4 replies
  • netobtu João Paulo Bonome Neto
    2017-03-24 10:26:48 -0300 Thumb picture
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    Amigos, analisem meu vídeo

    Pessoal, é o primeiro video-review que eu faço. Foi mais para testar edição de vídeos, áudio, se eu conseguia gravar e tal... o texto é o mesmo que escrevi na minha review, e eu sei que não é próprio de um video review... os próximos eu vou fazer textos dedicados para vídeos.

    Gostaria que vcs analisassem e me falassem o que acharam, se tem futuro, se está legal, ruim... enfim, critiquem.

    Obrigado!

    The Legend of Zelda: Breath of The Wild

    Platform: Wii U
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      kyle · about 2 years ago · 2 pontos

      Assisti os primeiros 5 minutos e gostei. Me inscrevi no canal e desejo sucesso!

      1 reply
  • jogadorpensante Jogador Pensante
    2017-03-17 14:06:54 -0300 Thumb picture
  • netobtu João Paulo Bonome Neto
    2017-03-10 10:08:11 -0300 Thumb picture
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    50 horas em Breath of the Wild

    Disclaimer: O texto tem uma ou outra coisa que pode ser considerada spoiler, como nome de uma habilidade, nome de uma localização (e uma breve descrição da mesma)... mas eu acho tranquilo de ler, não tem nada grande de spoiler, nada que vá prejudicar sua experiência de alguma maneira.

    Amigos, é reta final em Breath of the Wild. 50 horas de jogo, não fiz metade dos shrines (até agora foram 58, li que são 120 no total) e tem muita coisa que não investiguei. Mas muita mesmo.

    Além disso, falta uma Divine Beast (o mais próximo de dungeon que o jogo tem), e depois correr para Hyrule Castle combater o Calamity Ganon e finalmente ver a lendária Princesa Zelda (a essa altura eu imagino que ela seja a rainha em exercício de Hyrule, mas enfim).

    Já peguei a Master Sword, e ela, como tudo no jogo, não é obrigatória, e nem mesmo apareceu uma quest para eu ir atrás dela... talvez aparecesse após fazer as quatro Divine Beasts? Não sei, mas eu me aventurei por mim mesmo em uma parte do mapa e encontrei a Master Sword.

    Não foi tão simples encontrar a Master Sword, porque ela fica em uma floresta cheia de névoa, onde a gente tem que achar o caminho certo, ou a névoa nos engole e voltamos lá pra trás. Sim, é Lost Woods, a lendária, que tem quase em todo Zelda.

    Só ontem que "abri" todo o mapa, subindo na última Sheikah Tower que faltava... foi a mais difícil de achar, fica muito escondida, mas foi legal procurar ela, porque nessa jornada acabei encontrando um novo inimigo (que me matou facilmente), um boss, bastante animal pra caçar, acampamentos de inimigos, novas plantas e cogumelos... Nisso também acabei encontrando alguns shrines, que sempre me fazem desviar de minha rota e entrar neles.

    O que faz os shrines serem tão atraentes é que todos são diferentes e baseados em um conceito. Esses conceitos giram em torno da engine e física do jogo, sempre, e vários temos mais de uma solução... por exemplo, eu estive em um que eu tinha que queimar umas folhas, mas eu não estava conseguindo pelo método "convencional" que o design do dungeon sugeria, peguei uma flecha de bomba que eu tinha e queimei tudo dessa forma. Eu adoro isso.

    Mas os meus shrines favoritos são os que o desafio acontece fora deles. Que ficam escondidos até que você cumpra alguma missão diferente, mesmo que implícita.

    Eu também gosto de quando algo bem diferente acontece. Por exemplo, eu estava jogando essa semana (ou semana passada, não sei) e vi um cavalo branco. Não tinha visto nenhum até o momento, e aquilo me encantou. Antes tirei uma foto e o Hyrule Compendium, do Sheikah Slate, me disse que os cavalos brancos são da linhagem real de cavalos de Hyrule.

    Aquilo eu li e falei "eu tenho que pegar o cavalo e domá-lo". Demorei mais de 10 minutos, porque ô bicho bravo que me derrubava! E aí o estábulo mais próximo para eu registrá-lo ficava muito longe, e o caminho até lá foi uma jornada, porque eu tive que passar perto do Hyrule Castle... foi inclusive a primeira vez que cheguei perto de lá. Que medo, Deus do céu, não de morrer, mas de perder o cavalo de alguma forma... cruzei boa parte de Hyrule a cavalo, no pelo, até chegar ao estábulo e registrá-lo.

    Essas "pequenas jornadas" completamente fora de quaisquer scripts são maravilhosas e te fazem perceber como esse mundo é vivo, chamativo, imersivo. Não tinha nenhum marcador para onde esse cavalo estava, eu simplesmente o encontrei. Foi uma descoberta minha, própria, ninguém nem tinha citado o mesmo no jogo.

    Ontem, dias depois de domá-lo, encontrei um cara em um estábulo que, ao ver o meu cavalo (dei-lhe o nome de Scadufax), o reconheceu como da linhagem lendária de cavalos reais e me deu uma sela real também, para usar com meu Scadufax. Nisso pipocou uma missão paralela, mas concluída. Ou seja, o jogo me falaria desse cavalo, mas eu o encontrei antes, e então o jogo reconheceu que eu havia feito a missão, mesmo sem eu saber que era.

    Essa liberdade é sem igual. Em outro jogo de mundo aberto esse cavalo só apareceria após a missão paralela em questão ter sido ativada, e ainda por cima apareceria um marcador perto de onde ele estaria... nesse Zelda poucas missões paralelas mostram onde está o que você deve procurar. Normalmente o NPC te dá pistas do que está ocorrendo ou do que ele quer, com algumas direções, como "após a ponte tal, a Torre forma uma sombra que aponta para o lugar certo a certa hora do dia"...

    Isso me faz lembrar de algo que não sei se falei: se você for um jogador bem atento, você não precisa de minimap. Eu jogo de minimap, porque sou meio desleixado e esquecidão (mas se for missão principal ou paralela o diálogo com o NPC que te incumbiu da missão aparece no menu de missões), mas a imersão sem mini mapa aumenta muito. Todo NPC te dá direções (em The Witcher é assim também). Isso é possível porque cada ponte tem um nome, cada ruína tem um nome, cada cidade, floresta, lago, rio... tudo nesse Zelda possui um nome. O mapa é gigantesco, mas é orgânico, fluido e cheio de localizações únicas.

    Sei que estou com medo de ir encarar o Calamity Ganon. Eu não me sinto preparado. Eu ainda, antes de ir pra lá, vou encarar a última Divine Beast que me falta, e procurar dar upgrade nas minhas armaduras, pra melhorar a minha defesa... ainda perco muito coração contra inimigos comuns, e corro de várias situações... pegar uns 4 inimigos juntos não é fácil, flechas são recurso escasso, que podemos gastar nossas suadas rúpias ou, ocasionalmente, encontrar em baús ou loot de inimigos, as armas quebram... eu me pego sempre planejando como vou atacar um acampamento de Bokoblin, como vou encarar um grupo de Moblins... e corro de todo e qualquer Lynell que encontro, me dá um frio na barriga gigantesco quando vejo um, e sempre penso "fodeu"... pior que matar esse bicho é primordial para conseguir dar upgrade em alguns equipamentos, então mais ora menos ora eu vou encarar de vez.

    E outros amigos que estão jogando me falam de lugares que eu nunca nem cheguei perto! Lugares misteriosos, com desafios diferentes... Breath of the Wild nunca cai na mesmice, um jogo de 50 horas que sempre te apresenta novas situações, novos enigmas (sejam de shrine ou contextuais)... Ontem entrei em uma tempestade de areia que deixou meu minimap fora do ar! E havia um shrine perto, a visibilidade era baixa, o lugar desértico e calorento, com Lizalfos camuflados na areia. Foi outra jornada, e dei sorte de ter o poder de Rivali's Gale, que forma um tufão e me lança pra cima de paraglider, o que me ajudou a encontrar o shrine mais facilmente. Quando saí, a tempestade havia terminado.

    50 horas e alguns minutos. E o jogo tem muito a me mostrar, eu ainda encontro novas situações. Esse jogo é maravilhoso. Tem uns problemas, que vou relatar no meu review final, mas são irrelevantes perto do que esse Zelda está fazendo não só para a série, mas para os open worlds em geral... ele revoluciona o gênero, tudo é interativo, as físicas interagem entre si a todo momento, formando situações sempre diferentes, mesmo que em um mesmo lugar. É nota 10. Não tem como ser menos. São 50 horas em 9 dias... acho que nunca joguei tanto na minha vida, tão intensamente.

    The Legend of Zelda: Breath of The Wild

    Platform: Wii U
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      jeopaladino · about 2 years ago · 1 ponto

      É verdade o que estão dizendo que é melhor que o ocarina??????

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  • netobtu João Paulo Bonome Neto
    2017-03-05 23:06:26 -0300 Thumb picture
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    Hands on The Legend of Zelda: Breath of the Wild

    Amigos, infelizmente poucos de nós estão jogando The Legend of Zelda: Breath of the Wild, então eu me sinto na obrigação de falar um pouco mais do jogo aqui, agora que não estou mais com somente 9 horas de novo, mas com 37 e alguns minutos...

    Há muito tempo que nenhum jogo me prende dessa forma. Acho que desde Bloodborne. O mundo do jogo me prendeu totalmente... em Bloodborne eu queria descobrir mais da lore, daquele mundo, e em Breath of the Wild é o mesmo, mas vai mais além: eu sou livre para explorar onde eu quiser quando eu quiser, desde que eu tenha forças para tanto (Bloodborne tem um caminho mais straight-forward, com algumas bifurcações, além de não ser um open world propriamente dito).

    O mapa é gigantesco, porém não é nem um pouco vazio. Temos lugares mais difíceis, e o caminho "normal" do jogo é mais ou menos bem delimitado, pois tem lugares com inimigos muito fortes e que te dão hit-kill tranquilamente. Mas o jogo não é vazio não por conta de inimigos, mas por conta da quantidade de novidades que cada passo nesse jogo te apresenta.

    Subir no topo de uma montanha ou em uma Sheikah Tower (view point que libera o mapa da região - Assassin's Creed aqui hehe) e visualizar ao longe pontos curiosos é muito, mas muito gratificante, e aguça demais a curiosidade. Pontos vermelhos longe, quando aproximados, revelam-se Shrines (mini-dungeons quase sempre baseadas em resolução de puzzles, porém algumas são focadas em batalha contra um Guardiãozinho Miniboss)... mas é muito mais do que caçar shrines: é encontrar lugares diferentes mesmo.

    Vou dar um exemplo: Ontem subi em uma montanha bem alta e lá na frente, em outra montanha, encravado na pedra estava um desenho de raios. Eu fiquei intrigado com aquilo, e tive que desviar minha rota para passar por lá. O caminho tem inimigos, armadilhas com pedras caindo, mas eu também poderia ter dado a volta, feito um caminho diferenciado. Na rota, um NPC falou comigo sobre aquilo, que parecia ter sido feito por homens, e não pela natureza, e pipocou a sidequest para investigar. Cheguei lá e me frustrei, porque precisava de um tipo de flecha (aparentemente), que eu não tinha, e tive que desligar. Estou até agora pensando naquele ponto, apesar de já imaginar o que libera quando ativado.

    O combate do jogo é o melhor e mais bem bolado da série em 3D. É difícil na medida certa, não é nem Dark Souls e nem Zelda 3D antes desse, onde as lutas eram bem fáceis. Agora os inimigos, quando em bando, adotam posturas bem definidas de grupo... enquanto um espera o momento certo pra te atacar com espada, outro vai à frente com uma lança, um terceiro te manda flechada, e um quarto, ainda, te taca pedra. Com armaduras resistentes e armas fortes, isso não é muito problema... mas vá sem preparo e a morte é certa. Eu vivo correndo de combates, passando longe de acampamentos de inimigos, mesmo sabendo que o loot será bom.

    Tem um pessoal preocupado com armas, arcos e escudos quebrando facilmente... e eu também me remoía com isso no começo. Ficava chateado de uma espada legal quebrar, ainda mais se ela tiver dano elemental... mas hoje eu não ligo. Logo o jogo me providencia outra, e eu uso outros tipos de armas. Tem alguns combates com inimigos fortes que chego a usar três armas, e nisso eu acabo bolando estratégias, trocando de arma antes mesmo de ela quebrar, ou lançando-a na cabeça do bicho para ela quebrar nele, dando um dano maior.

    O jogo te dá todas as ferramentas para sobrevivência logo cedo, na primeira hora de jogo você já tem as quatro runas básicas (que fazem o papel dos itens que as dungeons te dariam antes): bomba (dois tipos), stasis (que para o tempo de algo do cenário), magnesis (que serve como detector de metal e também manipula ele) e cryonis (que faz água virar gelo, criando pontes para você e também auxiliando em alguns puzzles).

    Depois você ganha mais uma runa, uma "máquina de fotos". Lembram em Ocarina of Time que a Navi te falaria sobre determinado inimigo? A câmera faz esse papel: tire uma foto de um inimigo e ele entrará em um bestiário armazenado no Sheikah Slate (espécie de tablet do Link, que armazena mapa, runas e o bestiário). Mas não é só isso (momento Polishop): também serve para tirar fotos de animais selvagens e itens que encontramos pelo mundo, como flores e cogumelos. Isso é importante porque mostra onde encontramos mais facilmente estes, visto que são imprescindíveis para a sobrevivência em Hyrule: não dá para sair na jornada despreparado de forma alguma! De repente você entra em uma área muito fria ou muito quente, e sem uma refeição que te esquenta ou refresca a coisa vai ficar ruim pro seu lado. Os animais dão carne de variadas qualidades, que, quando cozidas, fazem pratos que recuperam corações, e ainda podem ser combinadas com outros itens para efeitos especiais, como boost de velocidade, defesa, ataque, recuperação de stamina, entre outros... também é possível cozinhar insetos e pequenos animais junto com partes de monstros para elixires poderosos que dão vários efeitos especiais.

    O difícil, às vezes, é encontrar, no meio da jornada, uma panela em cima de uma fogueira. Encontramos muitas vezes nos acampamentos ou em grupos de inimigos... muitas vezes dei graças a Deus por encontrar, pois estava longe já de um warp point (que ficam em shrines, laboratórios e em Sheikah Towers), e estar precisando de novos elixires e comida.

    E tudo isso está orgânico na jornada... quanto mais avançamos, mais animais encontramos para caçar, mais inimigos para pegar loot e encontrar fogueiras... também podemos armar nossas próprias, mas até agora não sei se tem como eu carregar uma panela comigo. E também contratempos começam a acontecer, várias vezes praguejei por começar a chover e trovejar, pois se eu estiver usando escudo e espada de metal eles atraem raios, que causam dano, e me via obrigado a usar itens mais rústicos, como escudos de Bokoblins e espadas deles, que são feitas de madeira e ossos. Mais fracas, mas também servem. Ou eu também poderia simplesmente esperar passar... ah, e na chuva as fogueiras se apagam, e não dá para acender uma nova, a não ser que eu fique embaixo de uma cobertura, que não é encontrada tão facilmente no mundo aberto. Se anoitecer, a coisa também complica, pois inimigos mortos começam a voltar em forma de esqueletos (os chamados Stalfos, genericamente). Chuva forte à noite é uma condição extremamente adversa. Por outro lado, há determinados cogumelos e flores que só aparecem nesse tipo de condição.

    O jogo não tem dungeons normais da série. Eu acredito que essa é a maior diferença e o maior turning point da série nesse jogo. Mas, tudo isso é muito bem substituído com os Shrines e com o que mais se aproxima das dungeons nesse jogo: as Divine Beasts, enormes colossos antigos que ajudam a enfraquecer Calamity Ganon, o chefe final do jogo. Nessas Divine Beasts, temos que ativar vários terminais para que ela volte a ficar ativa, pois está corrompida e causando problemas para a população perto. No jogo há quatro, e cada uma tem uma mecânica diferente.

    Por enquanto fiz apenas duas (são quatro): Divine Beast Vah Ruto, um elefante mecânico que tem em sua mecânica principal mover sua tromba para girar complexos mecanismos, e a Divine Beast Vah Naboris, um camelo mecânico que tem uma mecânica de mover o meio do corpo em círculos para acessar áreas mais altas da mesma.

    Tudo parece simples, mas é muito engenhoso e inventivo. Uma enorme e bem-vinda modificação na série. Os puzzles, agora, também são muito bem bolados e bem menos óbvios do que antes, e isso é graças à ausência de "itens de dungeon". Tudo gira em torno das bombas, cryonis, stasis, magnesis, armas e flechas, interagindo com o cenário. Temos shrines bem curtas, com puzzles rápidos e óbvios, porém outros já me fizeram pensar, além de serem bem longos e requererem uma boa perícia... e várias vezes os puzzles têm mais de uma resolução. Alguns itens da série estão disponíveis ainda, mas em forma de arma, como uma espada-boomerangue, que pode ser lançada num arco que volta para você.

    Já falei sobre os gráficos na outra publicação, e continuo dizendo que são ótimos e a Nintendo acerta em fazer jogos artisticamente bonitos do que mais realistas. O Nintendo Wii U (e o Switch, agora) não é forte e a direção de arte é o que vai falar alto mesmo. Todos os pontos são únicos, a arquitetura de cada lugar é diferente (os clássicos Zora têm uma cidade completamente diferente das brutas Gerudo). É bonito, mesmo tendo serrilhados, texturas não tão bonitas, rodar em 720p... Não tenho reclamações... isso é o que o Wii U aguenta, e acho milagroso aguentar tanto, o mundo é gigantesco e não tem um loading no mundo aberto entre regiões e construções (só há loadings para entrar em shrines, Divine Beasts e fast travel).

    Imagens estão inclusas aí, porém levem em conta que o Facebook prejudica demais as imagens vindas direto do Wii U: o jogo é muito mais bonito do que isso.

    Amigos, esse jogo é um milagre. É o jogo mais RPG da série, ficam claras as influências de vários medalhões do gênero, tanto WRPG quanto JRPG (Skyrim e Xenoblade são duas grandes influências), com crafting, status, buffs, diferentes armas, equipamentos... E ao mesmo tempo é o jogo mais Zelda em 3D já lançado. Finalmente a sombra de Ocarina of Time foi deixada para trás, porque a série desde lá caminhava a passos largos para a irrelevância. Afinal, Twilight Princess e Skyward Sword influenciaram quem?

    Ao mesmo tempo em que tudo nesse jogo é familiar, tudo é novo. É super Zelda, inteiramente Zelda, é o Zelda que mais entende o que é ser Zelda, mais calcado nas raízes da série... descobrir algo, explorar uma região nova é uma aventura por si só, me traz sempre um sorriso encontrar algo novo e ser recompensado por isso.

    É dever do legado da série The Legend of Zelda influenciar, ditar tendências. Isso não era feito desde 1997. Demorou 20 anos, mas a série novamente atingiu o patamar mais alto dos videogames. Revolucionou na década de 80, revolucionou na década de 90, e está revolucionando em 2017. Eu tenho certeza que os jogos de aventura com toques de RPG não serão mais os mesmos após Breath of the Wild. E nem a série Zelda.

    Ainda bem.

    (Ah, e acham que escrevi muito? Vocês nem imaginam o TANTO que eu deixei de fora!)

    The Legend of Zelda: Breath of The Wild

    Platform: Wii U
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      nickzim · about 2 years ago · 4 pontos

      O jogo parece sensacional, mas revolucionar a indústria acho que é um pouco demais. Ao contrário, o jogo que foi influenciado pela industria, como você mesmo disse as influências dos RPGs atuais são claras e o que vier pra frente dificilmente deve ser influenciado por esse Zelda, que querendo ou não ainda vai ficar na sombra (como influenciador) de Skyrim, The Witcher 3 e outros. Ótima resenha a propósito.

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      hdpatrick · about 2 years ago · 2 pontos

      Que texto bom.

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      leandro · about 2 years ago · 2 pontos

      Lendo isso da vontade de jogar o mais rápido possível. E tipo você citou o lance da dificuldade e como os inimigos estão inteligentes e teve um camarada que disse. em um grupo do jogo, la no face, que meio que lembrou os embates em Dark Souls. E parabéns ai por citar os detalhes do jogo com cada ponto importante.

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  • netobtu João Paulo Bonome Neto
    2017-01-14 00:34:42 -0200 Thumb picture
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    Post by netobtu: <p>Assassin's Creed<br> 2017<br> 115 min.<br> Dirig

    Assassin's Creed
    2017
    115 min.
    Dirigido por: Justin Kurzel
    Estrelando: Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons

    (Quando escrevi as linhas acima, só então percebi que era o Jeremy Irons que fazia um dos personagens principais do filme... eu vi mesmo que conhecia... um cara que já interpretou o Papa Alexandre VI na série - muito boa - Os Bórgias em um filme de Assassin's Creed. COINCIDÊNCIA? EU ACHO QUE NÃO.)

    Bom, Assassin's Creed... um filme de videogame. Uma adaptação de uma série lotada de altos e baixos, mas que também é um fenômeno de vendas e também social, faz um sucesso estrondoso em várias mídias, além dos jogos: action figures, quadrinhos, livros, e agora também em filme.

    Entrei no cinema com expectativas baixas... na verdade esse filme nunca me fez ficar animado. Obviamente desde que anunciaram eu falei "Nossa, eu preciso ver, afinal é Assassin's Creed, mas eu imagino que vai ser uma porcaria". As primeiras fotos foram ruins, a primeira imagem do assassino Aguillar (Michael Fassbender) vestindo o traje era esquisita e deslocada, os trailers eram bobos e mostravam uma atuação bem... ahn... bem "foda-se" por parte do Fassbender.

    Mas, bom, é Assassin's Creed, né? E eu joguei até o horrível Liberation, o exaustivo Revelations e o problemático Unity. Por que eu não iria ver o filme, muito mais barato do que paguei por todos esses jogos, e que iria consumir menos do meu tempo, né?

    Quando você faz qualquer coisa com expectativa baixa, e essa coisa é não-tão-ruim, você tende a falar "nossa, até que é bacaninha". Mas obviamente que se você for fazer isso, além de com baixa expectativa, ser com má vontade e querendo que essa determinada coisa seja uma bomba, aí não tem como salvar mesmo.

    Eu não queria que Assassin's Creed nas telonas fosse uma bomba. Eu só não esperava que ele fosse o Citizen Kane das adaptações de jogos de videogame, e muito menos o Citizen Kane dos filmes de hoje. Eu esperava algo... confuso, apressado, com atuações ruins. Sinceramente, Marion Cotillard é quase um Nicolas Cage: é oito ou oitenta. Ou ela está fantástica (Piaf), ou ela está horrível (Batman). E os trailers mostrando um Michael Fassbender com cara de "tanto faz" também me faziam esperar uma atuação no mínimo de má vontade.

    Enfim, apagaram-se as luzes depois de uns noventa trailers (sério, foram muitos trailers - mas não foram noventa, foi força de expressão), e começou... quando acabou eu tinha GOSTADO. Terminou e eu falei "olha, até que não é tão ruim".

    O fato é que há muito fan service. Tem bastante tomada de câmera típica da série (como as sobrevoando as cidades), há uma cena que é perfeitamente a sincronização em um View Point (só que sem falar que é isso, como o jogo faz, porque, né? Não faria o menor sentido), há o salto de fé, há lâminas escondidas, há parkour, bombas de fumaça, nossa, tem muita coisa, e tudo até que se encaixa muito bem.

    O melhor fan service, no entanto, em minha sincera opinião, são os momentos de discurso de templários. Isso era muito Assassin's Creed, aquela tensão do assassino chegando perto, nas sombras, misturando-se à multidão, e chegando cada vez mais perto do alvo. Eu achei essas partes ótimas, e carregaram muito bem a sensação dos jogos.

    Os diálogos são bons, até. A parte da Abstergo me lembrou bastante o primeiro Assassin's Creed com o Desmond sequestrado para ser testado no Animus (mas o Animus do filme é muito mais da hora), e as atuações do Fassbender e da Cotillard foram satisfatórias, e a do Jeremy Irons a seu nível de excelência.

    No entanto, por mais fan service que tenha, por mais cenas que remetem aos jogos que o filme tenha... ele simplesmente não consegue ter a profundidade do jogo na minha parte favorita dele: a reconstrução histórica. Claro, é injusto: o filme tem duas horas, e um jogo da série tem no mínimo doze. O filme é muito mais limitado, e falta a interação... jogar Assassin's Creed, pra mim, é interagir com a História digitalizada ali, na minha TV, é ver eventos marcantes acontecendo e eu participando. No cinema, isso é impossível.

    O filme opta por focar bastante no presente, especialmente porque provavelmente teremos mais filmes de AC (e eu espero que tenhamos mesmo), então esse solo deveria ser bem firmado para o futuro mesmo. Já o passado é meio deixado de lado, apesar de haver bastante tempo de filme que se passa na Andaluzia, em 1492. Mas o passado serve mais para as cenas de ação do que para reconstruir a História (que é o que os jogos fazem).

    Olha, o filme é legal. Acredito que qualquer um vai conseguir ver de boa, mesmo sem conhecer nada dos jogos. Mas eu sou um fã, então eu não sei... acredito que fãs que forem de cabeça aberta vão gostar, mas se você for ao cinema falando "vai ser uma bosta, um lixo, vou odiar", então não tem nada que salve. Nem gaste seu dinheiro.

    Assassin's Creed

    Platform: XBOX 360
    5539 Players
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      natnitro · over 2 years ago · 2 pontos

      Agora sim podemos falar do filme com spoilers... xD
      (spoilers abaixo)

      2 replies
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      ramoncesar_roberto · over 2 years ago · 2 pontos

      Eu acho engraçado que meio mundo fica berrando "Queremos AC na era moderna" e bla bla.. o filme é exatamente isso ué....

  • netobtu João Paulo Bonome Neto
    2016-12-27 18:51:32 -0200 Thumb picture
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    [Meio off] Fim de ano

    Tô há mais de um mês pra escrever o review do Dishonored 2 para o @jogadorpensante e não consigo pegar um momento pra escrever.

    Quando sobra um tempo, eu to detonado, com vontade de fazer absolutamente nada. E tipo é nada mesmo, saca? Não tenho vontade nem de jogar videogame, ver um filme, uma série, ler um livro... a vontade é de ficar deitado sem fazer nada.

    To esgotadão já nesse fim de ano... achei que teria essa semana de folga da prefeitura, como sempre temos, só que dessa vez o recesso não ocorreu e estamos trabalhando. Só nos liberaram da sexta-feira (30/12). Eu tava contando com essa folga na semana pra dar uma descansada e escrever.

    E ainda tem o meu outro trabalho, que faço à noite, ae quando termino eu quero é fazer nada mesmo... esse não teria recesso, mas como é algo mais rápido e que posso fazer meio que a hora que eu quiser, eu tava contando com essa folguinha...

    Próximo feriado mesmo só em fevereiro, eu acho, carnaval, né? Foda, manos...

    Só queria desabafar mesmo. E sim, eu sei que tem gente em situação bem pior, que não tem feriado nunca, e etc... mas enfim, era só isso.

    Alguém mais tem essas épocas de esgotamento total?

    16
  • netobtu João Paulo Bonome Neto
    2016-12-27 00:19:25 -0200 Thumb picture
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    netobtu checked-in to:
    Post by netobtu: <p>Quando um mundo quer conversar com você.</p><p>
    Hyper Light Drifter

    Platform: PC
    161 Players
    55 Check-ins

    Quando um mundo quer conversar com você.

    Quando um jogo não fala uma palavra além do trivial tutorial de mecânicas.

    Quando uma ação é frenética.

    Quando uns gráficos pixelizados formam um mundo misterioso e intrigante.

    Quando um Hyper Light Drifter entra em promoção.


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      hilquias · over 2 years ago · 2 pontos

      Amei esse jogo, muito bom

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      volstag · over 2 years ago · 2 pontos

      Que cena linda!!

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      filipevital · over 2 years ago · 2 pontos

      To na metade, adorando!

  • netobtu João Paulo Bonome Neto
    2016-12-15 08:31:49 -0200 Thumb picture
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    netobtu checked-in to:
    Post by netobtu: <p><strong></strong><strong>[Primeiras Impressões]
    The Last Guardian

    Platform: Playstation 4
    763 Players
    111 Check-ins

    [Primeiras Impressões] The Last Guardian

    Caríssimos, joguei um bom tanto já, e acho que já dá pra fazer um apanhadão geral do que estou achando.

    - É fato que Fumito Ueda é mito em um world building que te intrigue. Lembro que as Forbidden Lands me conquistaram rapidamente em Shadow of the Colossus, e onde se passa The Last Guardian lembra bem esse cenário. Não sei se é, e nem em que ponto da cronologia está The Last Guardian. Se fosse para chutar, eu acho que se passa antes de SOTC, ou seja, é a prequel, já que ICO se passa após. Não me falem, por favor, se eu estou certo ou errado nesse meu achismo.

    - Não consigo entender como alguém acha esse jogo feio, sério. Sou 200x mais um "feioso" The Last Guardian do que um jogo com arte genérica. Artisticamente, TLG é um espetáculo, os detalhes da arquitetura, um visual bem único, seguindo a linha de ICO e SOTC nesse ponto, que também são um espetáculo visual artisticamente falando. Nem ligo da textura zoada e etc, porque artisticamente é maravilhoso.

    - A animação de movimento do menino que a gente controla é ruinzinha, regular no máximo. Mas o Trico é todo espetáculo nisso. Um bichão enorme cheio de penas, com umas características meio de rato, meio de pássaro, que tem uns movimentos bem felinos, cada movimento dele é significativo e demonstram exatamente o que querem no momento, seja agressividade, curiosidade, afeto. Eu também gostei da animação das "armaduras" (únicos inimigos que encontrei no jogo), a movimentação delas é meio "múmia", e em posição de combate achei bem legal.

    - Em questão de sonoplastia, os sons do Trico são bem fortes e amedrontadores, especialmente quando ele está rugindo, demonstrando agressividade. A trilha sonora é sutil e aparece em alguns poucos momentos específicos, é competente, mas até agora não ouvi nenhuma música a nível de The Opened Way (só para citar uma) de Shadow of the Colossus, até porque não houve nenhum momento em que isso coubesse, eu acho.

    - A história do jogo é simples, porém o universo é complexo. É um jogo que gira completamente em volta do que está no entorno do garoto e de Trico. Ou seja, enquanto há um enredo falando da amizade que vai ficando cada vez mais forte entre os dois e da busca do garoto por um caminho de volta para sua vila, o universo também intriga. Eu adoro esse tipo de jogo, que não fica me contando as coisas, mas sim que me mostra e me deixa tirar conclusões. As coisas são misteriosas e implícitas, deixadas para a subjetividade do jogador supor o que aconteceu naquele mundo. Quem é Trico, quem são as armaduras, quem viveu naquele lugar? O ambiente vai dando pistas.

    - Diferentemente de SOTC, onde o que você faz é em tempo real (do jogo), The Last Guardian se passa em uma memória do menino. O jogo possui um narrador (que é o protagonista, só que mais velho) que vai contando o que aconteceu conforme a ocorrência de alguma coisa. Por exemplo, após lutar com as primeiras armaduras que aparecem no jogo, é narrado que o menino afagou a fera até ela se acalmar. Por sorte isso não acontece a todo momento, porque se não estaríamos sempre fazendo o que o narrador manda, e é mais para adicionar um drama na história (já que diálogos por palavras inexistem, porque Trico não fala), além de dar um rumo a ela.

    - Até agora o jogo não se mostrou aberto. É bastante linear, com sessões de puzzle para se resolver. Por enquanto, os puzzles são contextuais com o ambiente, onde devemos usar o Trico para alcançar lugares mais altos, ou fazê-lo pular um portão bem alto para que alcancemos o outro lado. Tudo bem simples, mas...

    - ... O Trico não faz o que você quer na hora que você quer. Ele possui uma inteligência artificial bem própria, que faz o que bem entende. É um NPC extremamente vivo e reativo ao ambiente, e é um show à parte observar o que o Trico vai fazer. Por exemplo, em uma parte encontrei uma poça de água enorme e, quando olhei, lá estava o Trico rolando, brincando nela. É de se ficar admirando, também, ele curioso com caixas, ou desesperado por algum aroma ou colocando a cabeça em uma passagem pequena demais para ele, esperando que você abra um caminho para ele. E o bicho chora, urra, demonstra afeto e agressividade conforme o que acontece.

    - Tem como tentarmos dar comandos ao Trico, e cheguei em uma parte onde esses comandos ficam mais complexos. Na verdade foi onde parei, logo que essa nova mecânica é introduzida. Brinquei um pouco com ela e não aprendi direito como fazer, o bicho não me obedeceu tanto assim, ou eu estava fazendo errado, mas depois descubro.

    - Não tem um combate direto, ao menos por enquanto. No começo do jogo encontramos um escudo que emite uma luz e faz um raio vermelho ser disparado direto da cauda do Trico para onde essa luz está apontando. Ainda não tive a oportunidade de usar isso em um combate, portanto, caso alguma armadura venha para cima de você, o melhor a fazer é correr para perto da fera e deixar ela se virar, o que a deixa extremamente agressiva e irritada, mas é só fazer um carinho no pescoço ou na cabeça dela que tudo fica melhor. Por enquanto tudo o que eu pude fazer no combate, além de fugir dos inimigos, foi retirar lanças que são cravadas na pele do pobre coitado Trico.

    - Infelizmente controlar o menino é nada mais do que muito ruim. Com um input lag enorme, ele demora a responder seus comandos, o que pode prejudicar o platforming que o jogo tem em alguns momentos, o que me frustra bastante e também me tira da imersão daquele universo. Ah, eu preferia do jeito que era SOTC, onde eu tinha que segurar R1 para escalar. Aqui se você chegar perto do bicho ou de alguma área escalável, o protagonista já vai se agarrar, o que deixa bem ruim você se soltar, pois mesmo apertando X para se soltar, o menino acaba grudando de novo no Trico, causando mais frustração. E eu não aceito fã falando que a jogabilidade "é pra ser ruim mesmo", que é a "proposta", acho que passar pano pra isso é bem nocivo.

    - A taxa de quadros é horrível, o jogo tem engasgos feios, fica abaixo dos 30 FPS direto e reto, especialmente em ambientes mais abertos. Isso é ruim, mas posso conviver. Tecnicamente falando, é um bem ruim, e eu acho que não há motivos para isso, é só uma incompetência da dev mesmo, mas é assim desde ICO, né?

    Bom, o saldo é positivo até agora. O jogo é muito intrigante e esperar para ver o que o Trico vai fazer em várias situações é muito legal, aprender a lidar com ele é essencial. Bastante único em diversos pontos, a parte negativa fica para os controles extremamente ruins e para a performance bem abaixo do esperado. Se o universo não fosse tão interessante e o Trico tão único, esse jogo seria um dos piores jogos da história. Como não é o caso, o jogo é no mínimo estranho, e, para mim, a palavra que define é "intrigante", e é isso que está me fazendo seguir jogando, porque eu quero saber o que é o Trico, por que ele estava lá, quem são as armaduras, o que é aquele universo, quem é o garoto e como ele foi parar lá. Eu acho que o jogo vai dar poucas respostas diretas, o que muito me agrada, pois gosto de teorizar e colocar minha subjetividade para tentar perceber as coisas.

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      sergiotecnico · over 2 years ago · 1 ponto

      Concordo com tudo. Esse jogo vai ficar legal no PS5 ou PS6, rodando a 60fps, aí sim...
      Sobre o esquema de dar comandos, na verdade é bem simples, como ele narra quando introduz essa característica. Ele "imita" os movimentos do menino. Então vc faz os movimentos normais porém segundando o R1. Então triangulo faz o menino pular, com R1+triangulo o menino faz um movimento parecido com pulo pra que o Trico pule. Achei bem intuitivo e inteligente essa forma de comandar o Trico.
      Mas é bem o que vc falou, vc não tem total controle sobre ele, ele faz o que quer. Mesmo indicando o que vc quer que ele faça, tem que esperar ele querer fazer aquilo.

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      lukazz · over 2 years ago · 1 ponto

      nossa o pessoal realmente ta falando mal da jogabilidade e fps.. to pensando em deixar esse jogo de lado, comprar quando ficar bem baratinho mesmo. obrigado pela analise, pelo jeito é um jogo bem único. :)

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      marcusmatheus · over 2 years ago · 1 ponto

      Vou pegar um Play 4 emprestado mês que vêm com um amigo do trabalho que vai viajar nas férias. Ele tem o Final Fantasy XV que estou bastante no hype. Mas eu preciso desesperadamente dar um jeito de arrumar esse jogo ai, kkkk.

      E aqui no rio locadoras de jogos nem existem mais. ^_^
      Nessas horas eu sinto falta!

  • netobtu João Paulo Bonome Neto
    2016-12-06 22:21:08 -0200 Thumb picture
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    [Meio off] Mini resenha de O último desejo

    O último desejo
    SAPKOWSKI, Andrzej
    Publicado originalmente em 1993 por SuperNova, Varsóvia, Polônia, 1993, sob o título Ostatnie życzenie.
    Edição lida publicada pela Editora WMF Martins Fontes, São Paulo, 2011.
    Tradução do polonês para o português de Tomasz Barcinski

    Meu primeiro contato com a saga The Witcher foi há um bom tempo, bem antes de todo o sucesso que anda fazendo entre os jogadores de videogame. Acredito que foi em 2008, quando comprei para o PC o primeiro jogo lançado pela CD Projekt Red, entitulado The Witcher. Lembro de ter comprado pela capa e pelas imagens atrás, era realmente chamativo o lobo desenhado em um fundo vermelho. Joguei pouquíssimo, há de se dizer.

    Bom, hoje The Witcher está na boca de todo mundo que conhece um pouco de videogames. A saga do "bruxeiro" Geralt de Rívia alcançou o estrelato ano passado, com o terceiro jogo da série, The Witcher III: Wild Hunt. Esse joguei mais, mas não conclui, e sempre me pego querendo voltar... bom, sem muito tempo para me dedicar a um jogo gigantesco de RPG, decidi me aventurar pela obra original, a que inspirou a CD Projekt Red: os livros escritos pelo senhor Andrzej Sapkowski.

    No Brasil já temos seis livros lançados da série, e na Polônia já há sete (o sétimo, por sinal, espero que já esteja em fase de tradução), e Sapkowski já prometeu um novo livro do universo The Witcher. Os dois primeiros da série são divididos em contos, enquanto do terceiro ao sétimo temos uma história própria.

    Bom, mas vamos a O último desejo. O livro, como já dito, é dividido em contos e, entre cada um deles, temos uma pequena história que vai se formando, chamada de A voz da razão. Ah, vale notar que o livro, apesar de ser o primeiro volume, foi o segundo da série lançado na Polônia, mas é tido como o primeiro, por introduzir melhor personagens e conceitos já mais amadurecidos em A espada do destino (segundo livro).

    Geralt é um bruxo, um ser humano mutante que tem como profissão matar monstros e destruir encantamentos. É importante ter na cabeça que ele exerce uma profissão. Nada que Geralt faz é de graça ou por compaixão. Não é porque um monstro está aterrorizando um vilarejo que ele vai se livrar dele por bondade. Ele precisa comer, se sustentar. Acho que aí mora um grande distanciamento de O último desejo com outros medalhões da literatura fantástica: Geralt não é nenhum herói, e segue muito mais pelo código dos Bruxos, por profissionalismo, do que por uma moral própria.

    O autor usa e abusa de diálogos em O último desejo, e não me parece muito preocupado em dar grandes descrições de cenários e nem tantos detalhes dos personagens, exceto dos que são bastante principais. Os diálogos tornam-se a narrativa da história muitas vezes, pois o autor, ao invés de estar sempre explicando conceitos da mitologia eslava para o leitor, deixa que algum personagem o faça enquanto conversa com Geralt.

    O que chama muita atenção nesse livro é a capacidade do autor de fazer um ótimo ritmo mesclando suspense, aventura e humor. O livro tem cenas muito engraçadas, especialmente depois que aparece Jaskier (no jogo é o Dandelion), um bardo que é um dos personagens mais engraçados que eu já vi em um livro, é impossível não se afeiçoar a ele e às suas piadas logo de cara.

    O último desejo apresenta uma ótima narrativa, é um livro page-turner, onde a leitura flui muito bem e também traz alguns pensamentos bastante complexos de Geralt relacionados a conceitos como "mal menor", arrependimentos e amor, tudo isso enquanto monstros estão aparecendo pelo fantástico mundo de The Witcher. O que é ótimo, afinal, Geralt precisa de um ganha-pão.

    The Witcher 3: Wild Hunt

    Platform: PC
    984 Players
    633 Check-ins

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      renatolf · over 2 years ago · 2 pontos

      Acabei esses dias o "Espada do Destino" e realmente, é muito melhor começar pelo Último Desejo. Até porque é esse que introduz a Yen, e no Espada, os contos finais seguem meio que uma narrativa específica. Curti pra caramba a mitologia e vou te falar... Um dos contos do segundo livro consegue acabar com o teu bom humor em meia página, a parada tem um encerramento inesperado pra caramba.

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      colt47 · over 2 years ago · 1 ponto

      Gibi loco

      1 reply
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