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isadoublex Isabela Silveira Featured

Como o universo dos jogos pode inspirar a literatura?

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Como uma grande fã de qualquer veículo que permita a criação de mundos diferentes, sempre fico feliz quando dois deles se interagem na composição de uma história ou quando um é usado para complementar a história de outro. Fico especialmente admirada quando isso acontece entre o universo dos jogos e a literatura: dois campos vistos por muitos como distintos e intercambiáveis, devido às dinâmicas tão opostas que os compõem. A forma estática dos livros, especialmente aqueles que não têm o alicerce das ilustrações ao longo de suas páginas, é um dos motivos para tantos jovens se afastarem deles, preferindo assistir ao filme correspondente, uma série ou jogar um videogame. Não que esses outros veículos maléficos para a cultura de um indivíduo, porém, visto que eles não podem dar os mesmos frutos que uma leitura - falo de fornecimento de vocabulário, alimentação do nosso lado lúdico e consequente treino da criatividade, entre outras coisas -, é um ponto digno de trazer preocupação. Eu, ao menos, como escritora, fico agoniada só em pensar que livros tão maravilhosos deixam de ser lidos simplesmente porque suas histórias são contadas em um formato não atraente a algumas pessoas.

Foi aí que criei para mim mesma o objetivo de criar uma história que, mesmo contada apenas em palavras, pudesse trazer o sentimento de estar num universo semelhante a um bom RPG ou a um anime shounen. Nasce então meu segundo livro: Com o Fim da Tempestade.

Qual foi a influência dos games na composição da história?

Em primeiro lugar, ela atuou na caracterização dos personagens. Quando comecei a pensar nas roupas que eles usariam, li um artigo no portal Academia sobre os padrões de cores presentes nos jogos eletrônicos - falava da composição do Mario, Luigi, Bowser, entre outros -, e tomei os gráficos e referências como base para decidir a cor de cada peça de cada um deles. A cor vermelha foi a mais usada nesse processo, e assim alguns personagens a usam em destaque e outros a têm apenas em acessórios ou em pequenos detalhes da roupa. Ao longo da história, muitos deles alteram suas customizações, seja por troca de roupa ou porque algumas partes dela são destruídas na guerra, e cada uma dessas transições fala um pouco sobre a transformação do personagem.

Quanto ao desenvolvimento dos personagens, também tive inspiração em alguns dos meus preferidos dos games. A relação entre os dois personagens centrais do livro, Mathias e Isaac, é inspirada, em parte, na relação entre Luke e Ash do RPG Tales of The Abyss; o caçula do grupo, Noel, tem a personalidade inspirada em Sora de Kingdom Hearts e seu desenvolvimento tem traços da minha interpretação do Link de Ocarina of Time;  a líder Alexis foi desenhada enquanto me lembrava de Mistsuru de Persona 3; entre outros.

A dinâmica dos RPGs também influenciou. Em vários momentos, principalmente na segunda parte do livro, o grupo se divide em pequenas equipes que vão se alternando em batalhas diferentes, sempre acompanhando a visão do protagonista, o que faz alusão às trocas na party que acontecem frequentemente nesses jogos. Alguns personagens fazem combate à distância, outros no mano a mano, e outros trabalham como suporte.

E por fim, houve presença de músicas de jogos na construção da trilha sonora que ambienta a história. A começar pela que foi mais emblemática: a abertura de Dragon Ball Z Burst Limit, Kiseki no Honoo yo Moegare. O instrumental da abertura de Dragon Ball Z Budokai 3 fez presença também, assim como a Obstacles que toca em Life is Strange, Passion, Face My Fears e Don't Think Twice de Kingdom Hearts, Progress de Tales of Xillia, Bird Chips I Sing de Tales of Legendia, o tema de Zelda Wind Waker, a abertura de Persona 3 FES, e por aí vai.

Além de tudo isso, muitos elementos de animes foram usados também, em principal os de Fairy Tail e Naruto.

Objetivo

Muita coisa da história pode ser considerada clichê para quem já está ambientado nessas duas culturas, mas o lance é exatamente esse: fazer o leitor se identificar e lembrar daquilo que conhece e gosta vindo de outras mídias. Para aqueles que não têm tanto contato com jogos e animes, o objetivo então é fazer com que ele tenha um experiência um pouquinho diferente ao ler um livro. É óbvio que não sou a primeira a fazer isso, portanto também deixo aqui a indicação do livro de um cara que fez isso muito bem: Matéria - Espada de Madeira.

Por que escrevi isso?

Queria concorrer ao concurso literário da Amazon com a história que sempre quis escrever, que me fizesse quebrar todos os paradigmas que tinha com o mundo da literatura - que eu mesma dividia do mundo dos animes e dos games quando queria criar uma nova história - e que levasse jovens leitores a fazerem o mesmo. Com o Fim da Tempestade é uma história que mistura tudo o que sempre admirei e de que sempre fui fã nesses três universos, tornando-se, assim, a história mais sincera que já escrevi.

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    artigos · 20 days ago · 1 ponto

    Parabéns! Seu artigo virou destaque!

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    davidchagas123 · 18 days ago · 1 ponto

    Fiquei instigado a ler o livro

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    dan8d · 16 days ago · 1 ponto

    Oi, tudo bem? :)
    Bem, gostaria da sua autorização para colocar sua publicação em uma revista digital que estou desenvolvendo aqui para o alvanista, ela é totalmente gratuita, estou fazendo para criar um portfólio e por um amor pessoal meu por revistas gamers kkkk.
    Vou deixar o link da minha publicação com a segunda edição para você olhar e avaliar se me autoriza a usar sua publica
    http://alvanista.com/dan8d/posts/3767105-revista-alvanista-002

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    erikrosa · 4 days ago · 1 ponto

    Muito bom o teu artigo! Nunca tinha visto antes um texto que fala sobre a intersecção entre o mundo literário e o dos games, parabéns.

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