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O contrato de licenças da Nintendo

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O Crash de 1983 deixou o público americano desacreditado com videogames e a Nintendo veio com a importante missão de salvar a indústria com o lançamento do NES. Depois que a Activision ganhou o processo de poder criar e distribuir jogos para o Atari 2600, criando o conceito de Third Party, várias outras empresas começaram a lançar jogos de baixíssima qualidade. Para evitar que isso acontecesse, a Nintendo criou uma série de restrições para que as desenvolvedoras terceirizadas pudessem lançar jogos para o seu novo sistema. A criação do selo de qualidade Nintendo passava ao consumidor a ideia que tal jogo era licenciada e, portanto, um jogo de qualidade. Porém, para conquistar esse selo, as empresas tinham que seguir uma série de regras bem rigorosas.

 Em questão de software, jogos eram facilmente censurados. Não podia haver nenhuma conotação sexual, cenas de violência, sangue ou mesmo imagens profanas ou com ligação religiosa. As produtoras de jogos estavam restritas a publicação de até 5 jogos por ano, que fez com que muitas empresas criarem marcas adicionais para publicações de mais jogos, como a Ultra Games da Konami e a Namcot da Namco. Outra restrição imposta pela Nintendo é de que se a empresa optar por trabalharem com o NES, deveria ficar exclusiva a plataforma por pelo menos 2 anos. Isso limitava o alcance de jogos de terceiros para as concorrentes NEC, Atari e Sega.

 Em questão de hardware, a Nintendo incluiu em todos os videogames o 10NES Chip. Era um chip de autenticação que se comunicava com outro chip que vinha em cada cartucho. Como ela era a única fabricante de cartuchos para o NES, isso obrigava as empresas a comprar cartuchos apenas da Nintendo. As empresas eram obrigadas a comprar, pelo menos, 10 mil cartuchos dela. Mesmo que o jogo não vendesse bem, a produção já estava paga e o prejuízo era inteiramente da produtora. Essas práticas de mercado gerou muita revolta para as produtoras e um processo foi aberto junto ao órgão regulador dos Estados Unidos, o FTC, contra o quase monopólio que a Nintendo havia criado nos videogames.

 A Nintendo acusou a Blockbuster de desonestidade mercadológica com a prática de alugar cartuchos do NES. Jogos de lançamento podiam ser facilmente alugados e prejudicava a venda. O Blockbuster teve que parar de distribuir os manuais originais para poder continuar com a locação. A Tengen, que era a subdivisão de jogos para consoles da Atari Games, criou o chip Rabbit por meio de engenharia reversa que simulava a autenticação do 10NES Chip. A partir daí, uma leva de jogos não licenciados pela Nintendo foram lançados pela Tengen. Outras empresas usavam um Dongle para conectar o jogo não licenciado e burlar as regras da Nintendo.

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    manoelnsn · 10 dias atrás · 6 pontos

    É bem plausível essa atitude da Nintendo na época após o crash, mas mesmo hoje em dia ela continua com umas ideias um tanto retrógradas

    2 respostas
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    andre_andricopoulos · 10 dias atrás · 5 pontos

    Obrigado, NINTENDO!
    😍

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    speedhunter · 10 dias atrás · 5 pontos

    Para a época, foi até compreensível as restrições que a Nintendo fez. Hoje em dia, ainda há muitas ideias arcaicas da que me distanciam cada vez mais da Nintendo.

    3 respostas
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    joanan_van_dort · 10 dias atrás · 4 pontos

    Esse assunto é muito complexo e com nuances absurdas sobre disputa de espaço no mercado norte americano da época. As disputas judiciais se arrastaram por anos.
    Quem quiser se aprofundar mais, recomendo a assistir (ou ouvir) o vídeo do Minicastle sobre o caso Tengen x Nintendo:
    https://youtu.be/MwRhpXHj5go

    10 respostas
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    darlanfagundes · 9 dias atrás · 4 pontos

    Foi nessa época que a Nintendo criou todos os falsos conceitos de proteção quena verdade são monopólio e abuso empresarial e que permeiam seus negócios até hj. Nunca houve empresa mais escrota...Vide a atitude deles contra sites de roms...não entendo como alguém pode defender algo assim...

    4 respostas
  • Micro picture
    artigos · 9 dias atrás · 2 pontos

    Parabéns! Seu artigo virou destaque!

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