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O início do mercado de videogames no Brasil

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Durante o final dos anos 70, já era possível ver os primeiros videogames rodando em território nacional, como os cconsoles Pongs e relógios com mini jogos da Casio, mas todos por meio de importação. O primeiro videogame nacional nasceu em 1977, o Telejogo, em parceria da Philco com a montadora de carro, Ford e vinha com 3 jogos de Pong na memória. Em 1979 o Telejogo II chega ao mercado 10 variantes de Pong. Mas Joseph Maghrabi foi mais esperto e começou a importar e revender o Atari VCS em solo nacional, com o nome de Video Computer System, traduzindo as opções no painel do videogame e alterando o sistema de codificação de região para permitir cores nos jogos.

 No Brasil, havia uma lei que impedia que aparelhos eletrônicos viessem pelo país via importação, a temida reserva de mercado. O intuito da lei era fomentar a indústria com fabricações próprias. Joseph fundou então a Canal 3, uma empresa que alugava e fabricava cartuchos para o Atari. A empresa Dynacom também entrou nesse mercado de fabricação de cartuchos, ambas colocavam o nome da empresa dentro dos jogos. Em 1981, a empresa Bit cria um hardware próprio, o Top Game, mas ele aceitava apenas cartuchos fabricados por eles, logo, foi um fracasso. Em 1983 a Warner Communication, dona da Atari, divulgou que lançaria o Atari oficialmente no Brasil, fechando parceria com a Polyvox, subsidiária da gigante Gradiente.

 Ainda em 1983, a Computerland saiu na frente com o seu similar do Atari 2600, o Dactari, que viraria o Dactar posteriormente. A carcaça era exatamente a mesma do Atari 2600 original. A Dismac anunciava seu similar, o VJ-9000, com títulos traduzidos e o controle paddle. O Atari oficial da Polyvox chega ao mercado em Outubro. No início de 1984, o Dynavision da Dynacom chega às lojas, com um controle ergonômico e botão de pause. A Milmar lança o Dactar II, com um leve redesenho no painel, o Dactar II 007, que vinha dentro de uma maleta e o Apple Vision, como uma opção menor e mais barato. O Onyx Jr. da Microdigital foi o primeiro a implementar o botão de pausa, um design único, referenciando as cores do exército brasileiro. A CCE também entra no mercado, lançando dezenas de cartuchos e a sua versão de Atari, o Super Game.

 Mas antes dessa enxurrada de clones do Atari 2600, em maio de 1983, a Philips lança o Odyssey, que na verdade verdade, era o Odyssey² americano. Como diferencial, o teclado nativo alfanumérico, o módulo de voz e o cartucho do Didi na Mina Encantada. No mesmo ano, a Mattel fecha parceria com a Sharp e a Digiplay e lança o Intellivision, com alguns cartuchos traduzidos. O Intellivision II chegou em 1984, com design renovado e controle melhorado. O Colecovision também apareceu em solo nacional em 1984, através da Splice, com o seu Splicevision e seus gráficos super coloridos e realistas. O projeto do Onyx da Microdigital acabou não indo pra frente, se tornando o Onyx Jr., aproveitando-se a carcaça e o joystick, mas sem o teclado numérico.

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    manoelnsn · 11 months ago · 3 pontos

    Excelente artigo! Eu jurava que videogame no Brasil só tinha começado com os clones do Nintendinho e a tectoy

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    porlock · 11 months ago · 3 pontos

    eu convoco @artigos.
    essa merece destaque!

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    leandro · 11 months ago · 2 pontos

    Olha o meu clone de Atari 2600, ali, o Super Game CCE. Foi meu primeiro console que tive, lá pelos idos de 84/85. Uma pena que não mantive comigo, tendo que vender pra ter condições de comprar os das gerações posteriores. Enfim

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    leandro · 11 months ago · 2 pontos

    Eu não tive o Tele Jogo, mas tive a chance de jogar, na epoca. Um camarada tinha esse da Philco. Uma pena que nem ele sabe que fim levou o console

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    porlock · 11 months ago · 2 pontos

    saudades do meu velho dactar, na minha tv pb da phico ford... rsrsrsrs

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    joanan_van_dort · 11 months ago · 2 pontos

    Pra quem quiser saber mais do assunto, há um documentário muito bacana de parceria da Zero Quatro Media e do Marcos Garrett sobre isso, baseado nos dois livros dele no assunto. Até então é o material mais completo e feito de maneira verdadeiramente jornalística neste Brasil que não costuma guardar documentos e nem memorizar os assuntos, pelo contrário, a gente sempre reescreve a história de acordo com a conveniência de quem está no poder.

    Este foi meu comentário no canal deles:
    "Esse documentário ficou MUITO BOM! Que cuidado, que capricho, quantas fontes importantíssimas!
    Bem diferente daquele outro de outra produtora que foi bastante aplaudido e abordava a pirataria no Brasil. Quem fez deu uma ênfase totalmente torta, romantizada do fato do nosso mercado ser fechado e defasado, como se tivéssemos que nos orgulhar do jeitinho brasileiro ao invés de pensar e refletir sobre onde estamos hoje, partindo do que fomos ontem e, com isso, de que maneira poderíamos nos tornar melhores como consumidores, como mercado de games. Além disso, também deu uma ênfase desnecessária ao Emicida, que não manja porcaria nenhuma de jogos e menos ainda da época da pirataria, só tá lá porque é famosinho. Pra piorar só falou merda. Como sempre. Se por acaso alguém assistiu, desconsidere, uma vez que não agrega nem contribui quase nada para o resgate e manutenção do nosso contexto histórico bem como sócio cultural dos anos 80 e 90.

    Esse, que saiu do livro 1983+1984 , fez realmente um trabalho jornalístico minucioso. Isso sim, meus amigos, é jornalismo investigativo de verdade! Foi atrás das fontes certas, coletou dados essenciais para corroborar o que as fontes disseram, caso contrário seus depoimentos seriam duvidosos, fez uso constante de material da época como fonte histórica, não trouxe nenhum viés político ou ideológico, trabalhou apenas com o resgate de fatos que aconteceram quando os primeiros Ataris, clones e concorrentes chegaram ao nosso País! Parabéns ao Marcus Garrett e ao pessoal da Zero Quatro Media pela produção que ficou linda! Adorei! Quero DVD! xD"

    https://youtu.be/BpYfeR7p8yw

    Este documentário é tão fenomenal, tão fabuloso, que eu queria ele numa edição especial em dvd pra colocar na estante.

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    artigos · 11 months ago · 2 pontos

    Parabéns! Seu artigo virou destaque!

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    msvalle · 11 months ago · 2 pontos

    Tive o prazer de jogar em um Telejogo de um vizinho nessa época :D

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    msvalle · 11 months ago · 2 pontos

    Ah, época boa! Joguei muito Didi na Mina Encantada com meu primo, que tinha o Odyssey - nós tínhamos um Atari.

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    leafargs · 11 months ago · 2 pontos

    meu irmão tem um telejogo II praticamente novo, na caixa e tudo.

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    andre_andricopoulos · 11 months ago · 2 pontos

    Engraçado como praticamente pensamos apenas em ATARI em se tratando do início.
    Obviamente foi o mais importante no começo mas...houveram bastante coisas antes dele...

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    darth_gama · 11 months ago · 2 pontos

    Putz, me lembro da emoção que eu senti quando meu pai chegou em casa trazendo o TV Jogo 3, da Superkit, um clone do Telejogo. Eu tinha uns 7 anos na época, mas foi uma emoção e tanto ver aquelas barrinhas na tela da TV, Na época, ele precisou viajar até São Paulo pra comprar (eu morava no interior de MG, nem tinha pra vender esse tipo de coisa lá na época). epois de um tempo, ele vendeu o aparelho, e alguns anos depois, comprou um Supergame, da CCE...

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    darlanfagundes · 11 months ago · 2 pontos

    Eu tenho os dois Tele Jogo que comprei numa bagatela, e os dois funcionam! Alguns desses consoles euvi recentemente no Museu Itinerante do Videogame que agora está em FortalezaCE, recomendo todo mundo ir pra ver essas coisinhas de perto e até tirar umas partidas nuns consoles mais atuais... Essa história é saudosa mesmo... embora eu nem tenha conhecido a maioria desses consoles s brasileiros sempre estiveram de parabéns pelo poder de adaptação!

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    cleitongonzaga · 11 months ago · 2 pontos

    Sou louco em um Collecovision. Só que o preço em que se encontra ele no mercado hoje em dia tá dificultando pra mim rs

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    kess · 10 months ago · 2 pontos

    Lembro vagamente dessa maldita reserva de mercado... ainda temos problemas parecidos hoje em dia com os horrendos impostos...

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