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Por que algumas empresas não baixam os preços?

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Você já ficou curioso em saber por que algumas empresas quase nunca baixam os preços de seus produtos ou fazem promoções ? Sempre tive essa curiosidade, percebo esse tipo de prática com mais facilidade observando as gigantes como a Nintendo e Apple.

Recentemente lendo alguns livros sobre o mundo dos negócios financeiros e marketing descobri alguns dos motivos pelas quais essas companhias adotam tal política de preços com seus produtos.

Ficava imaginando o porquê dessas empresas não darem um bom desconto ou promoção com a simples intenção de cativar mais clientes/usuários ou até mesmo de tentar buscar captação de receita através do aumento do seu volume de vendas em jogos ou consoles/aparelhos que já foram lançados a algum tempo no mercado. 

Aprendi que nem sempre vender muito quer dizer necessariamente ter uma alta rentabilidade ou valorizar a sua marca. Vamos a alguns itens importantes no mundo dos negócios financeiros:

1° - Planejamento Estratégico

Dificilmente vai ver alguma dessas empresas apelarem para grandes descontos, promoções e jamais entrarem em guerras de preços com outras marcas. 

As vezes é até irritante, a tática é de nunca entrarem em desespero mesmo se um produto não estiver com boa aceitação ou vendas. Sempre antes de oferecerem algum tipo de desconto estudam de forma minuciosa e muito bem planejada o mercado, sob risco de destruir a imagem da marca.

2°- Fator Emocional

O preço de todos os produtos tem um importantíssimo aspecto emocional na nossa cabeça de consumidor. Sempre que compramos alguma coisa, atribuímos a esse produto um valor percebido.

Quando um produto é impactado por descontos e promoções de forma desordenada, passamos a colocar em xeque (dúvida) o real valor daquele item.

Então percebemos quase sempre como uma regra, que após passado aquele momento de turbulência (crise) na qual foi oferecido o desconto a empresa não conseguira mais praticar os seus preços anteriores ou vai dificultar muito as vendas quando retornar ao valor inicial.

Restaurar a credibilidade de uma marca é um trabalho muito complicado e demorado, além de custar muito dinheiro para a empresa.

3° - Exclusividade da marca

Essas empresas buscam então por outro tipo de alternativa que não sejam descontos/promoções, elas buscam mexer com o sonho do consumidor de adquirir aquele produto e até mesmo o status.

Ao invés de se renderem aos descontos elas partem para uma outra alternativa que é de deixar os seus itens cada vez mais exclusivos. E muitas vezes essa estrategia funciona e percebemos que a marca vai se tornando cada vez mais desejada pelo consumidor.

Exemplos Reais:

1 - Como um bom exemplo sobre o tema no mundo dos videogames, tivemos a SEGA com o Dreamcast.

Depois de inúmeras decisões erradas, a empresa chegou ao seu ápice do desespero depois do enorme sucesso do PS2, no qual passou anunciar suscetivos cortes nos preços de seu console de forma não planejada, até chegar ao preço de custo de $99 dólares.

Após anuncio que seria descontinuado em 2001, houve mais uma redução para US $ 79 e no final para eliminar o estoque chegou ser retirado das lojas por US $ 49,95 dólares.

E assim a SEGA conseguiu manchar com sua reputação de fabricante de videogames e dificultou uma possível chance de retomada de credibilidade.

Palavras do executivo Tadashi Takezaki da SEGA sobre o Dreamcast: “Foi pura questão de custo. Fomos forçados a entrar nessa guerra de desconto quando já estávamos perdendo dinheiro com a venda do sistema. Era uma dessas coisas de quanto mais você vende, mais você perde".

2 - Outro exemplo interessante nessa área ocorreu com o videogame WiiU da Nintendo.

Mesmo com o fracasso comercial do console, a Nintendo nunca se desesperou e fez cortes consideráveis em seu console para tentar alavancar vendas. O seu valor final vendido sofreu poucas alterações na prateleira até o final de sua vida. 

3 - Fora do mundo do videogames tivemos um exemplo na industria automobilística com a Cadillac. 

Em meio a crise financeira em que se passava a economia americana, ao invés de fazer como todas outras montadoras e entrar em guerra de preços ou oferecer liquidações ela apostou na exclusividade de sua marca.

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Então foi isso que queria compartilhar com vocês do Alva, obrigado a todos que tiveram paciência em ler. 

Gostaria de recomendar o interessante livro : Autor, Carlos Domingos - "Oportunidades Disfarçadas", que aborda varias histórias reais de empresas e pessoas famosas do mundo financeiro em meio a crises.

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    artigos · about 1 month ago · 3 pontos

    Parabéns! Seu artigo virou destaque!

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    denis_lisboadosreis · about 1 month ago · 3 pontos

    Gostei do artigo, mas tenho a sensação de que no Brasil várias desses itens não se aplicam, ou funcionam diferente.

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    santz · about 1 month ago · 3 pontos

    Artigo muito bom. É uma pena mesmo essas empresas não abaixarem os preços. Pior que sempre tem trouxas para comprar. É tão comum ver um fulano com um iPhone na mão, mas teve que fazer prestações astronômicas só para ter "prestígio". É simples assim, se tem trouxa pagando o valor alto, para quê descer?

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    armkng · about 1 month ago · 2 pontos

    Excelente artigo.
    Em um dos podcast que acabei ouvindo, as empresas não praticam pois tem o pensamento referente que uma vez que o valor ficou baixo, de costume ainda mais no Brasil, as pessoas esperam que esse valor baixe novamente. Um jogo que custa seus 150 reais, em uma promoção vai para 70 ou 65 reais, após o término da promoção, ela não vai cativar a compra por 150 reais.
    Alguns jogos na PSN não praticam essas promoções ficando estacionado o preço até hoje.
    Isso e valorização do produto no qual eles possuem.

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  • Blank user
    jin13 · about 1 month ago · 1 ponto

    No meu ponto de vista estas empresas investe muito em conhecer mais os seu consumidores, do que o seu próprio produto. Como assim? Como o caso já citado a Nintendo, é muito raro vermos (pelo menos eu) algum game que é lançado naquela plataforma ser boicotado, por mais que vivemos hoje em uma era que gráficos contam muito percebe-se que que este publico que consome esses games não se importam tanto com o que a mídia propaga 4k e afins. Voltando ao ponto que falo que a empresa não "investe" no seu produto, utilizei esse exemplo para tentar explicar que ela mais molda e adapta ao gosto do seu consumidor.

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    kess · about 1 month ago · 1 ponto

    Só podiam deixar os games de Switch abaixo dos 300 pila, né?

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    guicarneirol · 23 days ago · 1 ponto

    @fabianoreng cara eu criei uma rede social para gamers com foco principalmente na galera que gosta de escrever sobre o universo de jogos. Seria uma honra se quisesse dar uma passada lá! pyre.com.br

    Por sinal se tiver qualquer sugestão ou reclamação pode falar comigo, todo feedback é muito importante para melhorar ainda mais a comunidade ;D

    2 replies
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