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netobtu João Paulo Bonome Neto

Bio: shock


mais de 3 anos atrás 2015-12-02

Rise of The Tomb Raider

Produtora: Crystal Dynamics
Publicadora: Square Enix
Plataformas: Xbox One, Xbox 360 Playstation 4 e PC
Ano de lançamento: 2015 (Xbox One e Xbox 360); 2016 (PC e Playstation 4)
Versão jogada: Xbox One

Rise of the Tomb Raider é o mais novo capítulo da nova Lara Croft, que nos deu uma excelente surpresa em 2013, com o reboot de homônimo de Tomb Raider. Para a nova aventura, temos um jogo exclusivo para o Xbox One em 2015, que será lançado somente ano que vem para as outras plataformas.

Com um lançamento em uma época que iria coincidir com o novo Uncharted, em uma exclusividade temporária para o console da Microsoft, estava certo de que os títulos iriam concorrer as atenções do mesmo público, porém a Sony decidiu por adiar o jogo de Nathan Drake e seus amigos. E então, será que Rise of the Tomb Raider seria um concorrente à altura para Uncharted 4: A Thief’s End? É o que você a seguir, na nossa análise.

Uma aventura congelante

Rise of the Tomb Raider é um jogo focado na busca de Lara Croft por uma cidade antiga perdida, encrustada na Sibéria, região russa, chamada Kitej. Já ouvi falar de várias cidades perdidas, e muitas já foram abordadas por outros jogos, mas de Kitej foi a primeira vez que ouvi falar.

No jogo, Lara segue os passos de um Profeta Imortal, que teria liderado seu povo para a construção da cidade, criada para proteger a Fonte Divina, que dá poderes de imortal para quem quer que entre em contato com a mesma.

Acima: A cidade invisível de Kitezh, pintura de 1913 por Konstantin Gorbatov.

A arqueóloga Lara Croft busca encontrar, tanto a cidade quanto a Fonte Divina, para limpar o nome do pai, que morreu desacreditado por buscar a cidade e o artefato, o que causou grande impacto na vida de sua filha. No caminho, Lara acaba cruzando o caminho de um exército paramilitar chamado Trindade, que busca a mesma coisa, mas para seus próprios interesses de dominação. O exército emula um pouco o mito popular dos Illuminatis, de dominação global, nova ordem mundial e etc.

Lotado de referências históricas sobre a região siberiana e Kitej, o jogo, ao passo de girar bastante em torno da progressão de formação de um caráter forte e poderoso de Lara Croft, não se esquece do universo criado ao redor, cheio de segredos. A arqueóloga passará por muitos ambientes, ora lotados de neve, ora mais vivos e verdes.

O jogo tem muito pouca (ou nenhuma mesmo) comédia e foca bastante no aspecto de sobrevivência, visto que a Sibéria é uma região erma e inóspita, ainda mais com o exército da Trindade rondando a região, e com uma fauna agressiva, além de Lara ser o tipo de personagem que trabalha muito mais sozinha do que com ajuda externa.

O enredo é interessante e, apesar do clichê que é o exército da Trindade, consegue deixar o jogador com vontade de avançar cada vez mais para encontrar de vez a cidade perdida, com uma história que vai se desenvolvendo bem conforme o avanço, além das informações encontradas em pergaminhos encontrados pelo caminho.

Deshi basara

Pela temática do jogo, a comparação com a série Uncharted é inevitável, especialmente quando este também se inspirou na antiga série de Lara Croft. No entanto, em estrutura o jogo não lembra quase nada a franquia exclusiva da Sony. Acredite: Rise of the Tomb Raider se parece muito mais com Metroid, série da Nintendo.

Isso cria uma identidade própria, e Rise of the Tomb Raider acaba sendo um jogo muito mais bem definido e que sabe o que é do que foi Tomb Raider, de 2013.

O jogo é dividido em várias áreas grandes, com caminhos alternativos e segredos, porém só acaba sendo um mundo aberto depois de terminar toda a aventura, pois é um mundo expansivo que só vai crescendo conforme o jogador avança. Isso o torna diferente dos inúmeros jogos de mundo aberto que são moda hoje em dia, e esse é o maior trunfo do jogo. As áreas são lotadas de tirolesas, árvores para subir e estruturas onde Lara usa seu machadinho de alpinista para escalar.

Focado muito mais em exploração do que em combate, essa estrutura menor e mais fechada torna essa característica muito prazerosa. Fica difícil avançar sem limpar a área, ou seja, fazer as missões secundárias, buscar tumbas e criptas, artefatos arqueológicos e pergaminhos. Tudo isso está muito perto, devido a essa orientação de mapa, e isso dá uma fluidez excelente ao jogo, então serão poucas as caminhadas enormes, comuns em jogos de mundo aberto puros.

No entanto, nem tudo está disponível na área de pronto. A característica Metroid do jogo encontra-se no fato de que, conforme a história avança, Lara encontra novos itens e melhorias, que possibilitam entrar em tumbas antes impossíveis de entrar ou alcançar algum lugar com um baú. Portanto, o backtracking, ou seja, retornar a locais já visitados, acaba sendo uma rotina, mas somente se o jogador quiser buscar os 100% de jogo, o que acabará sendo uma vontade geral, especialmente para acessar uma tumba.

Mas retornar às áreas já conhecidas não se torna um martírio grande pois podemos retornar a acampamentos já acesos por Lara, e estes se tornam locais de viagem rápida, além de serem os pontos para dar uma parada e fazer os upgrades em armas e também nas habilidades de Lara.

As tumbas são áreas secretas com artefatos e segredos que dão alguma melhoria para Lara. Mas essa recompensa é só uma desculpa final, pois explorar estas áreas é muito prazeroso, com puzzles intuitivos (e fáceis, sendo bem sincero), que envolvem observar o ambiente e usar os recursos disponíveis, empurrar caixas, carrinhos, e um pouco de platforming, além de serem um verdadeiro colírio para os olhos chegar a estas áreas, alguns sendo verdadeiros templos soterrados e enfiados em cavernas.

O jogo também tem grande foco em crafting (criação de itens e munição), onde coletar plantas, madeira, cogumelos e caçar são aspectos importantes para o avanço seguro no jogo. A arma principal de Lara Croft é o arco e flecha, mais uma vez, silencioso e mortal, com vários tipos de flecha (venenosa, em chamas e explosiva), que dá uma bela variedade de abordagem na hora da caçada. Claro que Lara tem pistolas e armas mais pesadas, como rifles e shotguns, mas caçar com arco e flecha soa mais sensato.

A maioria dos animais, como cervos e coelhos, fogem, mas alguns dão o troco e oferecem perigo, como grandes felinos, lobos e ursos. Encontrar esses animais é muito legal, especialmente se for em momentos que soam aleatórios. Por exemplo, havia uma tumba na qual não conseguia entrar por não ter a melhoria certa para o arco. Após obtê-la, ao chegar perto da mesma, surgiu um tigre siberiano rugindo e vindo para o ataque, camuflando-se na neve e na folhagem. Isso dá uma sensação de tensão grande, mesmo as batalhas sendo fáceis, a sensação de perigo e sobrevivência que o jogo passa é extremamente satisfatória.

Acima: Tela de melhorias em um acampamento.

Além de enfrentar animais, algumas vezes estaremos em combate com seres humanos, porém o jogo é mais focado mesmo na exploração do que nisso, e mais vezes podemos encarar completamente na surdina, fazendo a Lara matar sorrateiramente um por um, do que em fogo aberto. O level design favorece a atividade furtiva, mas é empobrecido quando devemos lutar com armas abertamente. O jogo claramente não foi pensado nesse sentido, e os tiros são pouco impactantes, especialmente pela escolha terrível dos designers de aplicar automaticamente um silenciador (se comprado na loja do jogo, com dinheiro obtido no próprio – hoje precisamos fazer essa diferenciação, né, microtransações [que existem também em Rise of the Tomb Raider]) em todas as armas de Lara Croft, deixando o impacto ainda menor.

Mas é bacana o sistema de crafting rápido para essas partes. Também usando do foco de exploração do jogo, as arenas onde ocorrem os tiroteios estão cheias de garrafas e outros pequenos objetos que, nas mãos de Lara, tornam-se mortais. Por exemplo, a arqueóloga não anda com explosivos, mas encher uma lata de alumínio de pedras explosivas a faz virar uma poderosa granada, ou enrolar um pano em uma garrafa e atear fogo faz um coquetel molotov. Tudo isso na hora, rapidinho, dando uma dinâmica a mais para o tiroteio, o que é extremamente bem vindo. No entanto, explorar e encontrar itens é muito mais prazeroso do que dar tiros em Rise of the Tomb Raider.

Screenshot Simulator 2015

Mas que jogo bonito, ein? A Crystal Dynamics sabe do potencial que o tema tem, com tumbas, templos e cenários amplos e usou e abusou da fotografia. A câmera é livre, mas ela sabe quando se afastar e tomar um ângulo que favorece o visual, dando aquela sensação de maravilha.

O jogo tem tempo dinâmico, com ciclo de dia e noite, mas é durante o dia que os visuais se destacam, pois Rise of the Tomb Raider tem uma excelente iluminação, além de ter cenários bastante vivos e coloridos, que favorecem isso.

Temos, em alguns momentos, algumas texturas ruins, mas no geral o trabalho é excelente, e a empresa merece os aplausos. A movimentação de Lara Croft é fluída, o que também auxilia na vontade de explorar cada cantinho.

Além disso, o trabalho sonoro é muito bonito, com excelentes orquestrações, que ajudam no clima das partes do jogo, e um bom trabalho de dublagem (joguei em inglês do começo ao fim, confesso que não sei falar sobre o trabalho de vocalização em português), especialmente da protagonista, que ganha ainda mais identidade, com sua voz carregada de emoções.

https://youtu.be/emShauV6fW8

A sobrevivente

A busca por Kitej em 2015 é muito melhor do que foi procurar Yamatai em 2013 (mesmo tendo sido excelente esse reboot da série). Um jogo mais focado e que soube o que realmente é, com um foco em exploração, é um jogo diferente do que se poderia esperar da sequência. Mesmo com pouca ação, é difícil desgrudar do controle enquanto jogamos Rise of the Tomb Raider. Também é excelente ver que Lara Croft cresceu muito desde o primeiro jogo, e já é muito mais destemida e séria, uma mulher forte em um mundo hostil, com um objetivo fixo, e desistir não é uma opção.

Rise of the Tomb Raider é mais um excelente jogo de 2015, que está sendo um grande ano para os jogadores. Para quem não possui um Xbox, conferir a aventura de Lara Croft em 2016 é imperativo, seja no começo do ano no PC ou no final dele no Playstation 4.

Gostou da análise? Não gostou? Comente também no site onde foi postada originalmente: http://jogadorpensante.com/2015/12/02/netos-review-rise-of-the-tomb-raider/

9.5 9.5 10
Nota Geral
9.0 Jogabilidade
8.5 História
10 Música
9.5 Gráficos
O melhor: a estrutura Metroid faz muito bem à série.
O pior: o baixo impacto dos tiroteios.

7 de usuários gostaram desta crítica.


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