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juninhonash Juninho Rodrigues

It's gonna be a hell of a party


4 months ago 2019-06-26

Breath of Fire II

Breath of Fire foi uma franquia que nasceu interessante, com seu sistema de dragões pra um personagem, motivações simples e objetivas e um final levemente fora do clichê do qual boa parte dos RPG's sempre passavam.

Mas então, Breath of Fire II veio somente sob direção da Capcom, e não só isso, como mudando bastante coisa em vista de seu anterior, tentando (e conseguindo) ser de fato uma sequência de peso. Corrigindo estruturalmente literalmente TUDO que o anterior tinha de errado.

O mundo é nitidamente o mesmo que o anterior, e a história se inicia numa igreja, onde Ryu perde sua irmã e a procura, a mesma está deitada em frente a um dragão que aparentemente está dormindo e diz que toda vez que dorme ali, lembra de sua mãe. Ao fazer o mesmo que ela, Ryu volta pra cidade onde tudo parece diferente, as pessoas não o conhecem, quem lidera a igreja é outra pessoa e de quebra, rola uma aventura com seu amigo Bow, outro órfão cuidado pela igreja, e ao serem vencidos por um demônio, eles voltam pra cidade acreditando que tudo era um sonho e que no fundo, era só uma loucura da cabeça deles.

Ryu então, achava tudo duplamente loucura, devido aos eventos anteriores. Mas os anos se passam, 10 no total, agora eles são rangers - caçadores de recompensa da cidade. Porém Bow apesar de ter fama e ter sido de fato ladrão em alguns pontos da infância, é acusado injustamente e ambos partes numa forma de provar a inocência do cachorro atirador.

A história no começo gira muito nesse aspecto, de salvar a imagem de Bow, provando sua inocência mas ao sair da cidade, recrutar novos amigos e enfrentar batalhas, Ryu nota que algo muito errado acontece com pessoas se transformando em demônios, eventos sobrenaturais e cabe a você jogador descobrir a ligação de tudo isso com as pessoas que se estão transformando, pois aparentemente, todos são ou foram ligados a religião de St Eva em algum momento de suas vidas.

Os personagens novamente tem funções no mapa, Ryu pode pescar, Bow pode caçar bichos em certos pontos do mapa numa espécie de mini game, e o mesmo vale pros 6 que se aliam a nós durante todo o percurso. Nina é uma descendente direta da primeira Nina porém amaldiçoada por suas asas negras, sofre de imenso preconceito do povo mesmo sendo a princesa do lugar e sua função no mapa é chamar um pássaro; Katt, uma lutadora de um coliseu que é vítima no local, pelos donos que tentam "gerar mais emoção" a ponto de quase envenená-la (falo depois de coisas como essa), e sua função é quebrar pequenos locais e abater bichos durante as caças. Depois sem muitos motivos claros, Sten entra pro grupo sem motivo aparente mas posteriormente sua história é revelada, e sua função é esticar os braços e acessar locais teoricamente impossíveis pra humanos (que não possam pular hehe); Rand é outro que recrutamos logo de cara, ele nos ajuda nos eventos de Katt, ele também lutava e trabalhava no coliseu e ajuda a resolver a situação com ela, e sai de lá ao ver o que tentaram com ela, sua função é rolar durante o mapa e nesse tempo, não se pode ter batalhas aleatórias.

Por último temos Jean e Spar, Jean é um sapo que foi transformado em.... sapo, porém gigante. E temos que ajudar a fazê-lo voltar ao normal, nisso quando resolvido, temos um longo evento ajudando ele e como prova de que agora parou de fugir e se tornou o responsável príncipe dos sapos, sua função em mapa é voltar ao formato de sapo gigante em trechos com águas mais rasas ou até pular pequenas montanhas. Spar é um ser sofrido conhecido como "homem grama", sendo que é literalmente torturado pelo circo, onde é feito de atração, ele diferente dos outros, sabe das mudanças do mundo pela sua percepção que tem devido a sua ligação com a flora. Então ele quando se reúne, ele entra sabendo de muito, nos leva a uma árvore anciã e ganhamos com ele, a capacidade de atravessar florestas no mapa. Aliás, o fato de ser uma planta sem emoções o define muito e infelizmente é o personagem menos explorado de todo o jogo.

E a essa altura, não é segredo dizer que tem uma personagem secreta, que basicamente faz a ponte do primeiro com o segundo jogo, que é Bleu. Ela está escondida, não tem motivos pra entrar no grupo exceto querer uma aventura e o jogo até brinca que ela entrou "forçadamente" ao grupo, e diga-se de passagem, é hilário.

Como deve ter dado pra pra notar, todo o mundo de Breath of Fire II é imensamente mais vivo e diversificado que do primeiro jogo, os personagens são muito melhores em basicamente todos os sentidos, desde visual, passando por roteiro, motivação e resolução.

O sistema de batalhas do jogo consiste em algo muito próximo ao do primeiro, mas algumas mudanças de cara. A primeira é a possibilidade de alterar mais na tabela de posicionamento de cada aliado e a redução da quantidade absurdamente imensa de batalhas aleatórias do primeiro jogo. O sistema conta novamente com habilidades particulares em combate onde temos opções de ganho de AP, HP, invocar natureza, matar na hora, provocar e etc, algumas úteis, outras nem tanto além de obviamente Ryu se transformar em Dragão. No geral é um aspecto melhor explorado quando se usa as fusões com shamans.

Parte do que promove o fator "extra" do jogo é justamente tudo relacionado a Township, onde você convida os melhores e mais adequados personagens do mundo pra cidade, e alguns contribuem de formas diferentes, podendo vender itens, fazer itens, e no caso, as fusões também fazem parte desse conjunto. Os shamans são nada menos que forças da natureza que respondem ao que acontece de mal no mundo, uma forma de tentar balancear as coisas, e com elas você pode obter resultados muito bons e alguns nem tanto, dá pra usar todos as possibilidades com as estratégias corretas e principalmente usando fusões não muito convencionais como as de Spar, Jean ou Sten.

Outro fator fantástico é a trilha sonora, que é belíssima na grande maioria dos eventos, simplesmente um absurdo o tanto de coisas incríveis que fizeram nelas, músicas simples como as de casa, batalha e chefe são gratificantes sem enjoar nenhum momento. E de quebra tiveram capricho suficiente pra mudar as músicas conforme os arcos vão avançando, é nítido quando se vai pro segundo ou terceiro e último arco somente pelas músicas de mapa e batalha diferentes.

Aliás, um fator impressionante é o fato de ter 3 finais, dos quais o verdadeiro exige algumas coisas como observar o diálogo num ponto importante, inclusive situações como as de Katt que são opcionais em alguns momentos, são pouco presentes mas muito marcantes aqui, existem trechos bons onde você tem opções não só de diálogo como de ações e isso muda parcialmente o rumo dos diálogos do jogo.

Infelizmente nem tudo são flores, Breath Of Fire sofreu com problemas até que graves que somente o sistema divertido e seu plot twist no final segura a onda, enquanto o II sofre de leves falhas superficiais.

O jogo exige um nível de grind absurdo dependendo de quem você gosta de jogar e ter em sua equipe, ou mesmo da forma de jogar que você mais se adapta, porque quanto mais tempo treinar e demorar pra recrutar novatos, mais fracos eles virão, porém isso é meio estranho devido ao fato de que eles tem quantidades de experiência absurdamente diferentes pra subir pro mesmo nível.

Essa instabilidade é fácil de ser percebida em casos como Bow e Rand que tem as mesmas funções (dano médio, e magias de suporte), onde Rand sobe de nível mais rápido mas demora MUITO pra ter exatamente as mesmas magias de Bow; o mesmo acontece com Bleu e Nina onde a moça de asas negras é melhor que Bleu em todos os status e demora MUITO MAIS pra ter as mesmas magias de ataque da meio cobra, ou o absurdo de rápido que Katt sobe de nível mesmo ficando fora do grupo, ela simplesmente exige menos experiência que os demais personagens do jogo. As fusões amenizam um pouco isso mas se bem exploradas, podem até parcialmente quebrar o sistema do jogo, facilitando até demais.

Ou simplesmente acessando a experiência que cada um gasta pra subir, a de Ryu de determinado ponto pra frente, é simplesmente surreal o tanto que exige. O que pelo jeito foi corrigido na versão de GBA apesar dessa sofrer com as leves perdas de áudio (o que é uma perda grande pra uma trilha sonora incrível dessas).

Mas esse é provavelmente o único defeito desse grandioso jogo, Breath of Fire II é sem dúvidas dos melhores JRPG's que você tem disponível pra se jogar de maneira simples e fácil devido a emuladores, e caso compre seja lá qual for a versão, definitivamente vai valer cada centavo. O jogo é simplesmente incrível pelo roteiro impressionante e triste, as motivações são excelentes, os personagens são formidáveis, o vilão apesar de um genérico representativo do mal cumpre bem sua função e faz total sentido com a crítica que o jogo faz da religião, além de ter ótimo gameplay e muito conteúdo além de caprichos absurdos como os detalhes de trilha sonora.

Se o primeiro já foi bom, esse é de fato melhor em literais todos os aspectos. Inclusive, você pode optar por 3 versões do mesmo jogo caso seja emulado, tem a do SNES que é a sua versão original, a com correções do GBA e a retradução direto do japonês no Super Nintendo, que melhora consideravelmente o que já era muito bom, adaptando nomes e melhorando algumas interpretações. Mas nada que o jogo não te passe na sua versão oficial. 

9.5 9.5 10
Overall
9.5 Gameplay
10 Story
10 Music
10 Graphics
Roteiro impressionante, principalmente pra época
Personagens carismáticos
Sistema de batalhas simples, divertido e viciante
Trilha sonora excelente, com caprichos já mencionados no decorrer da crítica
Visual excelente, uma senhora evolução do primeiro jogo esteticamente
Cada personagem ter uma quantidade MUITO diferente do outro pra subir pros mesmos níveis
Personagens como Katt e Spar não serem exatamente bem explorados, eles são simples e seus motivos são legais mas poderia ter mais

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