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alexporto Álex Porto

21 anos, gamer desde que se conhece como gente.


about 4 years ago 2015-06-15

The Witcher 3: Wild Hunt

A agora famosa "CD Projekt RED" tinha um grande desafio: cumprir todas as altíssimas expectativas de seus fãs com o capítulo final da história de Geralt of Rivia. Digo como um jogador que iniciou esta franquia na sua segunda parte que, de fato, a produtora cumpriu cada promessa que fez. "The Witcher 3: Wild Hunt" não é somente um divisor de águas para os RPGs ocidentais, como também é para os jogos de mundo aberto. Épico é um adjetivo que eu raramente uso, mas neste caso, ele com certeza se aplica. Tirando alguns problemas técnicos que podem atrapalhar algumas vezes, este é um produto praticamente irretocável.

 Seis meses após os eventos finais de "The Witcher 2: Assassin's of Kings", o grande império do Sul, Nilfgaard, está invadindo os Reinos do Norte. A tensão pode se sentir no ar entre estes antigos rivais, e nosso protagonista, um Witcher, é pego no meio deste conflito. Geralt é contratado para achar Ciri, uma pessoa que ele era muito próximo em seu passado, na qual está sendo caçada por um grupo de outro mundo chamado Wild Hunt, comandado por Eredin. Esses vilões parecem que inicialmente não irão ter muito destaque, sendo lentamente apresentados de forma orgânica. Porém, na segunda metade da história, eles ganham mais atenção e se tornam muito ameaçadores e interessantes.

 Ao longo desta busca, o nosso protagonista encontra o mais variados tipos de pessoas. Velhos amigos retornam, como Dandelion e Zoltan. E seus antigos interesses românticos, Yennefer, antigamente o amor de sua vida, e Triss, sua última paixão, que o acompanhou nas duas aventuras dos games anteriores. Uma das poucas reclamações que tenho é sobre o triângulo amoroso. A dinâmica dos três juntos não foi muito explorada, e acredito que teria adicionado mais uma camada para a já complicada relação entre eles. Já os romances em si ficaram ótimos. Pessoalmente, eu escolhi a Triss, e as cenas românticas são extremamente satisfatórias, mais que em qualquer outro jogo que joguei ("Mass Effect" sendo o exemplo mais óbvio), já que focam na relação pessoal deles, na qual podemos os conhecer de modo mais profundo do que nos outros jogos da trilogia.

 E este é o ponto mais forte do game, as relações que Geralt tem com os personagens. Elas são complicadas e muito verossímeis. Conversas longas, cativantes, comoventes e pessoais, no qual o jogador começa a se importar profundamente com o que acontece com o protagonista e sua "família". São todos pessoas danificas, seja qual motivo ou acontecimento, e que só tentam fazer o que julgam ser o certo. Ironicamente, Geralt, um mutante que não possui emoções, é na verdade o mais humano e complicado personagem de todos. Podemos ver através de seus olhos felinos que ele possui conflitos internos, e que apesar de não mostrar, possui muitos sentimentos, o que o torna um dos protagonistas mais reais e fascinantes que conheci. Porém os mais coadjuvantes não ficam para trás em termos de desenvolvimento. Yennefer, Triss, Zoltan, Keira, Vesemir, Lambert, Bloody Baron e claro, Ciri, são todos críveis, cada um com suas motivações e arcos. Somando todos esses personagens com um roteiro extraordinário, resulta-se em um dos games mais bem escritos de todos os tempos, que me deixou em admiração diversas vezes.

 Na parte técnica, o jogo tanto brilha como também falha. Visualmente, é de se encher os olhos. Há uma quantidade impressionante de detalhes nos modelos de personagens, desde o tipo de tecido que a roupa possui até rugas nos rostos dos mais velhos. Os lindos designs dos monstros, os pequenos vilarejos, a cidade de Novigrad, as lindas paisagens montanhosas de Skellige, as florestas e pântanos de Velen. A direção de arte lhe deixa de queixo caído constantemente. Cenas deslumbrantes não ficam em falta.

 A sincronização labial e expressões faciais também são ótimas, especialmente levando em consideração que esse é um imenso RPG de mundo aberto. As dublagens são impecáveis e a trilha sonora é linda demais. Mas como todo jogo que possui uma escala deste nível, há problemas. Quedas de frame-rate, ao menos na versão de PS4, modelos de NPCs repetitivos, bugs sonoros que "quebram" a música, e algumas animações de conversas não tão bem feitas. A boa notícia é que, apesar de atrapalharem em certos momentos, a experiência geral não fica prejudicada, e com os patchs ainda sendo lançados pela CD Projekt RED, no mínimo alguns destes problemas serão resolvidos.

 Fora da história principal, o jogador passa a maior parte do game explorando o imenso mundo, seja caçando monstros, fazendo side-quests de personagens conhecidos e desconhecidos, caçando tesouros ou coletando cartas. A quantidade de conteúdo beira ao absurdo. Não há nada igual. Tudo é tão bem criado que fica difícil distinguir o que é da história principal e o que é opcional. Eu terminei o jogo com mais de cem horas, e ainda há muito mais centenas de pontos não explorados no mapa.

 O que deixa tudo isso único foi a atenção aos detalhes que a produtora deu. Fica claro o amor que a CD Projekt tem por esse universo, e o resultado final reflete isso. Um bom exemplo foi quando entrei em uma casa abandonada e comecei a imaginar como era a rotina das pessoas que moravam ali, onde eles jantavam, onde dormiam. Ou quando estava passando a cavalo e ouvi um andarilho pedindo direções para uma camponesa. São essas pequenas coisas que fazem a atmosfera tão boa. Todas side-quests têm algum tipo de narrativa. Até mesmo as caças de tesouros, que inicialmente pensei que seriam genéricas, possuem pequenas histórias de outros Witchers e suas aventuras. Esse nível de atenção é incrivelmente raro de se ver hoje em dia, não só nos jogos.

 Escolha sempre foi algo importante na franquia, e aqui isso vale mais do que nunca. Decisões aparentemente pequenas podem ter consequências gigantescas horas depois, acabando até mesmo com mortes de certos personagens. E levando em conta os trinta e seis finais disponíveis, poucos jogos são tão bem feito no aspecto de escolha e consequência como "The Witcher 3: Wild Hunt".

 O combate foi muito aprimorado em comparação com "The Witcher 2". Com um estilo mais parecido com o dos jogos "Batman: Arkham Asylum", as lutas são muito fluidas e desafiadoras. A maioria dos inimigos requerem uma determinada estratégia, necessitando se esquivar e defender de modo constante. E é aí que os Sinais se tornam úteis. Sinais são magias simples no qual Geralt pode fazer. Dando exemplos, "Igni", que solta uma explosão de fogo, e"Quen", um escudo protetor que aguenta um pouco de dano. Todos os cinco Sinais podem ser melhorados em um simples mas efetivo sistema de upgrades, no qual se usam pontos que se ganham fazendo quests.

 Já o sistema de poções pode ser um pouco complicado no início, mas quando se aprende, se torna um aspecto importante e útil mais adiante, seja na criação de bombas, armaduras, espadas, óleos (para colocar nas armas para maior dano em certos tipos de monstros), e as poções mais tradicionais, que regeneram a vida, aumentam o dano em uma duração limitada, etc. E há o mini-game de cartas chamado Gwent. Admito, sempre fui aquele tipo de gamer que nunca se interessou por eles, que os acham entediantes e que nunca adicionam para a experiência em geral. Mas Gwent é a exceção. Este modo é tão viciante e divertido quanto poker, por exemplo. Cheguei ao ponto de querer colecionar todas as cartas que existem no jogo principal.

Uma conclusão digna para a incrível história de Geralt of Rivia. Sim, os problemas técnicos podem ocasionalmente atrapalhar um pouco a experiência, mas diante de tudo o que é acertado em cheio, eles se tornam obsoletos. Uma história que prende a atenção, que te deixa feliz, triste, empolgado, que te faz rir e chorar. Os RPGs de agora em diante vão ser divididos entre "antes e depois de The Witcher 3". Após passar mais de cem horas com tantos personagens memoráveis, foi extremamente difícil se despedir deste universo. É o tipo de experiência que gostaria de apagar da minha memória só para jogar tudo pela primeira vez novamente. E isso é a prova definitiva de um jogo realmente especial.

10 10 10
Overall
10 Gameplay
10 Story
10 Music
10 Graphics
Side-quests têm o mesmo nível de atenção aos detalhes que as Main-quests.
História, personagens e roteiro em geral são irretocáveis.
Combate desafiador e divertido.
Impressionante quantidade de conteúdo.
Mundo riquíssimo, variado e imenso.
Alguns relacionamentos não são muito explorados.
Problemas técnicos.

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