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isadoublex Isabela Silveira

Escritora e fã de jogos que abalam o emocional


8 months ago 2019-07-05

Kingdom Hearts III

Na E3 de 2013, a Square mexeu com os corações de nós, pobres fãs de Kingdom Hearts, anunciando o III com um teaser super curto e ainda assim impactante. Depois, saiu uma notícia que abriu espaço pra várias especulações: não seria o último jogo da franquia, mas sim o final da saga do Xehanort.  Um ano depois saiu mais um teaser ainda mais misterioso, e assim se seguiu, a Square dando apenas algumas informações, anunciando mundos novos, lançando trailers, mas nada de a bendita data de lançamento ser anunciada. Enfim, definiram: Janeiro de 2019. A partir de Janeiro de 2019, conheceríamos o final dessa aventura que acompanhamos por mais de dez anos.

Aqui estamos.

AVISO 1: Eu não vou conseguir segurar muito a boca do spoiler, então, se por algum motivo você ainda não jogou e está evitando saber o que acontece, não recomendo muito a leitura.

AVISO 2: Não joguei a DLC, portanto, esta crítica será baseada somente na jogatina principal.

--A HISTÓRIA--

Kingdom Hearts III começa imediatamente após o final de Birth By Sleep 0.2, no qual Riku e Mickey vão atrás de Aqua enquanto Sora, com a leal companhia de Donald e Goofy, parte em uma jornada para recuperar seus poderes, perdidos após ter sido capturado pela Organization lá em Dream Drop Distance. A bordo da Gummi Ship, o caminho para The Olympus Coliseumé mostrado quando deixam o coração ser o guia. 

Ao longo dessa jornada principal, o jogo também nos apresenta o lado de Riku e Mickey, de Kairi e Lea, e dos membros da Organization, de forma que podemos ter uma visão geral do que está acontecendo até todos os mundos se unirem no final. Eu confesso achei o desenvolvimento bem... Rápido. Não estou dizendo que não gostei, mas esperava demorar muito mais para chegar no Keyblade Graveyard, e depois quis ficar mais tempo lá antes de ir pra batalha final. "Ah Isa, mas também, jogou várias horas por dia, sua viciada", você pode pensar, e eu pensei o mesmo. Porém, na época em que joguei o II, por exemplo, tinha muito mais tempo livre e por isso fiquei nele por mais horas diárias ainda, e ainda assim senti que demorou mais para chegar ao final, em especial por causa da necessidade de voltar a cada mundo pelo menos duas vezes. 

O desenvolvimento não é ruim, apesar disso: tem seus momentos mais baixos, normal, e os picos muito bem feitos para te deixarem tremendo de animação. O final é incrível e me fez chorar até sentir dor de cabeça. Cada cena no Keyblade Graveyard era um arrepio diferente. A maioria das coisas que eu esperava que acontecessem aconteceram, e as outras ficaram na DLC mesmo. Não vou falar dos pontos em branco que o jogo deixou porque é mais espaço de exploração pro próximo jogo, e eu adoro ficar especulando sobre o significado de cada coisinha. Em resumo: não foi perfeito, mas quase. Coloca mais umas duas horinhas de duração e tá show.

--A JOGABILIDADE--

Um dos principais motivos para o II ter se tornado o meu preferido da série foi a diversão que a jogabilidade nos garantia durante as batalhas, que crescia a medida que você passava de nível e ganhava novas habilidades e magias. Com as novas peculiaridades das Keyblades, a possibilidade de trocá-las rapidamente no meio do combate, as novas e variadas interações com os parceiros de party e as atrações, o III superou. Talvez pudesse ter mais variações de combo, mas ainda assim é tão divertido usar tudo isso que, quando vinha um boss ou uma horda de Heartless/Unversed, eu ficava tipo "VEM!", porque cada batalha era uma chance nova de espetáculo, desde o primeiro boss até o último. Além disso, em cada mundo tem alguma coisa diferente, algo novo para explorar, uma interação diferente com o(s) companheiro(s) de lá, então você não fica enjoado. 

Como sempre (ou quase sempre *cof* Chain of Memories *cof*), a jogabilidade é bem simples, sem nenhum mistério de como dominá-la, dinâmica e fluida. 

--A DIFICULDADE--

Joguei direto no Proud Mode e ainda assim demorei um pouco para sentir a real dificuldade. Tudo bem que depois de jogar toooodos os jogos da série a gente fica calejado, mas eu ainda esperava um tiquinho mais; só fui sentir dificuldade MESMO na segunda galáxia. Por sorte, os Battlegates dão um gostinho a mais de perigo, e alguns deles são realmente problemáticos. Quando o Critical foi liberado, vi um pessoal falando que tava osso, e fui ver se era mesmo muito diferente. Cara... Eu não passei do primeiro Darkside.

Agora, se seu objetivo, como o meu, for platinar o jogo, aí vai passar por uns bocados. Divirta-se passando pelos perrengues pra conseguir todos os Orichalum+ para sua Ultima Weapon, aprimorando sua Gummi para enfrentar o (carinhosamente por mim apelidado) Schwarzenegger, caçando os itens mais raros de síntese, tirando Excelente nos Flans, angariando ingredientes e tentando a nota máxima nas receitas, não conseguindo essa nota e voltando para pegar mais ingredientes, vários deles super chatos de conseguir, voltando em cada mundo para achar a cara do senhor Mickey, entre outras coisinhas.

Falando da dificuldade emocional (postei um artigo sobre isso faz um tempo já e sigo defendendo), não foi tanta assim. Pensei que choraria mais vezes. No Keyblade Graveyard ela sobe muito, mas até lá, tem alguns picos aqui e ali, mas fica num nível mediano, digamos assim. De novo: não foi perfeito, mas quase.

--O VISUAL--

Que lindo. Não, deixa eu corrigir: QUE LINDO. A minha vontade era de passear por toda San Fransokyo, navegar por The Caribbean inteira, ficar o dia todo passeando no trem de Twiligth Town, parar em Scala Ad Caelum só para contemplar a vista e por aí vai. Aqui sim, pra mim, foi perfeito. Tinha uma coisa que sempre me incomodava nos jogos da série que era como o movimento da fala dos personagens em algumas cenas ficava tosco, mas aqui, graças, não teve isso (ou eu só não vi). Muitas cenas me deixaram emocionada com tamanha beleza, sendo um dos destaques a performance de Let it Go, da Elsa: eu assistia de novo e de novo no Theaters porque, mano do céu, que maravilhoso que ficou, principalmente considerando a relação emocional que eu tenho com essa música. Até os detalhes, como a água, o efeito das magias no ambiente, a lindeza das atrações, enfim: tudo é vem para encher os olhos. 

--A MÚSICA--

Se tem uma coisa em que Kingdom Hearts nunca decepciona é a OST. No começo senti saudade da velha Simple and Clean, mas Face My Fears casa muito melhor com o ambiente desse jogo. Don't Think Twice começou a grudar na minha cabeça desde os tralers e ainda adoro o som dela; Utada Hikaru também não me decepciona nunca. Ambas têm uma pegada muito mais "dark" que as anteriores, sem perder a luz que a franquia nos passa. A nova versão da clássica Dearly Beloved, como não poderia deixar de ser, também é uma maravilha de ficar ouvindo.

Quanto aos sons de fundo eu também não tenho do que reclamar. Sério, vai dizer que não é uma graça passear por Toy Box ouvindo o instrumental de Amigo Estou Aqui? Tudo casa muito bem com cada momento e ambiente do jogo, o que é importantíssimo para facilitar a imersão que os produtores - e os jogadores - procuram.

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Em suma, Kingdom Hearts III é um final de série quase perfeito e uma boa introdução para algo maior. O grande problema desse "quase" é que a espera foi tão, TÃO grande que a gente tava na expectativa de uma excelência que não necessitasse de DLC alguma para ser completa. Ainda assim, aquela sensação de que uma pontinha dentro de você mudou e a de ficar totalmente imerso no jogo, presente nos anteriores, não é diferente aqui, de forma que a gente até perdoa essas faltas. Ainda não sei se posso chamar o III de meu preferido da franquia, mas com certeza ele é o que mais encara o II de frente nesse pódio.

No fim das contas, tem uma coisa que eu posso dizer com segurança: o próximo vai ser arrebatador, levando em conta o final desse aqui. Só espero não ter que ficar na aflição por mais seis anos.

9.5 9.5 10
Overall
10 Gameplay
9.5 Story
10 Music
10 Graphics
Jogabilidade; Gráficos; Imersão; OST
Desenvolvimento um pouco corrido

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