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thecriticgames Matheus Pontes

O Bruce Wayne do Alvanista. "BY THE PEOPLE FOR THE PEOPLE"


3 months ago 2019-04-07

Bastion

O mercado de games indie a anos se tornou um mercado de jogos a níveis dos Triple AAA, nessa onda uma das varias empresas independentes que se proliferaram fazendo sucesso e renome foi a Supergiant Games e seu primeiro jogo foi o assunto da critica, Bastion. Lançado em 2011, Bastion é um RPG de ação com visão isométrica onde controlamos um garoto que deve vagar por um mundo em estado de constante destruição, enquanto tenta reverter o processo ao mesmo tempo que busca sobreviventes, enfrenta criaturas e busca respostas para todo o ocorrido.

O jogo começa com uma simples perspectiva onde o protagonista a qual o narrador se refere apenas como "The Kid" desperta e encontra o seu mundo já em estado de destruição, a causa de tudo seria um evento misterioso denominado A Calamidade que já era previsto de ocorrer, o jogador assume o papel do protagonista que vaga por restos de um antigo mundo, mais especificamente de sua antiga cidade Caelondia dos quais apenas restam pedaços de terra sem alicerces flutuando no vácuo (formando cenários similares a dungeons sem paredes, idênticas em perspectivas aos cenários de Disgaea) seguindo o caminho que lhe resta o Garoto acaba por chegar ao homônimo Bastion, ou como descrito o ultimo bastião da humanidade para qual todos os sobreviventes deveriam ir quando a Calamidade ocorre-se, mas ao chega por la o garoto é um dos únicos sobreviventes restantes junto do velho Rucks, que serve de narrador do game, deste ponto em diante Rucks passa a guiar o protagonista por diferentes áreas restantes do mundo, sejam parte da cidade de Caelondia ou dos habitantes selvagens onde diferentes espécies habitavam e nos quais cristais conhecidos como Cores se localizam e estes podem com auxílio dos poderes do Bastion recriar pedaços de massa terrestres gerando um novo mundo a partir do Bastion, em meio a isso o protagonista acabara por encontrar outros sobreviventes, como membros dos Uras, pessoas de outra etnia aos quais o povo a muitos anos atrás travou uma guerra com as pessoas da Caelondia e cuja paz era tensa devido a preconceitos que os mesmos e seus descendentes sofriam em Caelondia, alem de algumas criaturas amistosas, tudo enquanto tenta descobrir o que realmente é a Calamidade.

Durante o game controlamos o Garoto que vaga pelos diversos estágios em busca dos núcleos para o Bastion e no controle do mesmo podemos nos locomover pelos cenários em perspectiva isométrica enquanto usamos até duas armas para atacar os diferentes inimigos que aparecem no nosso caminho, estas divididas por armas brancas como maretas, lanças e espadas e armas de fogo como pistolas, bestas e morteiros, totalizando 11 armas diferentes, estas podem receber diferentes upgrades usando a moeda do game, o barato do sistema de upgrades é que o mesmo permite se divide em níveis (3 inicialmente e 5 no total após o estabelecimento de upgrades sofrer também seu upgrade) mas cada nível sempre oferece duas opções que vão de acordo com o estilo de gameplay de cada um, por exemplo o Cael Hammer a arma principal dO Garoto tem como upgrade de primeiro nível +50% de dano OU +10% de chance de causar dano crítico, mas uma vez que esse dito nível seja comprado o jogador pode a qualquer momento entre as missões no Bastion trocar o upgrade para o que for mais conveniente a ele, cada uma das armas e até o escudo possui ainda um estagio de treino especial que dependendo da qualificação do jogador com tal arma ajuda a liberar mais upgrades e até ataques especiais para cada arma, e por falar neles, o Garoto possui uma barra de vida que pode ser recuperada com poções de cura (que o jogador pode guardar até 3 a não ser que o mesmo tenha um determinado upgrade que permite o jogador ter 5) e ataques especiais utilizados através de uma poção negra (que também tem o limite de 3 e posteriormente 5 com um upgrade) e são 28 ao todo, geralmente envolvendo uma das duas armas do jogador, como uma rodopiada com a marreta, ou uma saraivada de tiros com as pistolas duais ou ainda não envolvendo nenhuma das duas sejam especiais com o escudo ou jogando granadas, invocando minions, há vários e os melhores são normalmente liberados como os melhores prêmios dos treinamentos com as armas.

O game não é perfeito em seu gameplay, mas a variedade de armas vai lhe ajudar a encontrar um estilo que seja seu ou algo bem próximo disso tornando o gameplay mais eficaz.

Nas fases o Garoto não pode pular, mas pode rolar para se esquivar o que permite chegar a novos lugares flutuando no vácuo, a queda neste alias não mata o Garoto mas o mesmo retorna para a fase com considerável menos vida, o jogador pode usar um escudo que não apenas bloqueia os ataques como permitem refletir projéteis diretamente contra o atirador ou nocautear atacante melee caso o escudo seja usado no momento exato. Um dos destaques da história infundida no gameplay é justamente a narrativa de Rucks, o velho narrados de voz áspera não apenas dita o clima da jornada praticamente explicando ao jogador sobre o mundo como a narrativa do mesmo também sofre mudanças, em sua época mais impressivas hoje tidas como mais sutis, em razão do gameplay, role para fora do mapa e caia no vácuo e o mesmo falara algo a respeito disso, equipe diferentes combinações de armas e diferentes diálogos serão ditos a respeito de cada combinação possível de equipamentos, sempre com Rucks comentando sobre o quão curiosa ou perigosa é tal combinação e o porque disso de forma bem inteligente. Os inimigos enfrentados possem diversas variações e segundo a narração de Rucks o jogador vem a descobrir diversas coisas sobre as diferentes raças de criaturas que habitam o mundo selvagem de Caelondia, só que as variações não são tantas, o que faz o game tentar te colocar muito mais em situações diferentes do que contra inimigos diferentes mas nem sempre ele consegue e a sensação de repetitivo as vezes bate a porta, de fato Bastion não faz tantas coisas novas ou únicas em seu gameplay (aspectos como o da narrativa são exceção) mas Bastion se mostra competente com sua execução sendo extremamente profissional nesse aspecto e mais uma vez repetindo a minha maxima, o mais importante de toda obra é sua execução e isso Bastion consegue fazer bem feito.

O gameplay do game sofre um pouco na parte dos inimigos, eles são legais, mas são pouco variados e meio repetitivos por boa parte do game, até mesmo com respeito a chefes, há poucos no jogo.

Parte do que torna interessante o plot, alem da narrativa de Rucks é o mundo interessante que aparentava ser existente antes do evento que causou tamanha destruição, ao longo da jornada o jogador vem a conhecer mais dois sobreviventes ambos membros da etnia dos Uras, um destes é Zulf, um jovem embaixador dos Uras e a outra é Zia, uma bela jovem Ura nascida e criada em Caelondia, itens do mundo antigo encontrados podem ser mostrados a eles e a Rucks revelando novas informações sobre o antigo mundo e sobre seus seres, inclusive dos problemas entre os próprios homens até o dado ponto a narrativa que o plot vai abordar a natureza por trás da Calamidade e da criação do Bastion, mas muitas das coisas e dos próprios elementos acabam por constituir uma história simples, mas não menos do que boa que vive um pouco de interpretações da fã base do game em cima de elementos como as ótimas musicas cantadas do jogo que também contam um pouco de história (nada no nível de Bloodborne por exemplo), apesar da simplicidade o jogo vai acabar por terminar em até 4 finais diferentes decididos por até duas escolhas diferentes, felizmente ambas na reta final do jogo permitindo através de um load rever os demais resultados, o plot do jogo como um geral pode ser descrito como uma história bem simples só que bem contada.

O Bastion é sua base, seu lobby, tudo que diz respeito a evolução do personagem sera visto aqui, do meio para frente do game o jogador ira passar a coletar outro tipo de item no lugar dos núcleos cristalinos que permitiram que cada construção tenha um upgrade melhorando suas funções.

O Bastion compõe o elemento mais interessante de gameplay, o lugar que serve como lobby do jogo vai aos poucos sendo melhorado através de diferentes construções que o jogador habilita, cada uma com uma função, a destilaria permite que o jogador equipe diferentes poções no protagonista que fornecem diferentes buffs ao jogador como os mencionados upgrades no numero de poções de cura e de especial carregados e são permitidos equipar apenas 1 por nível (totalizando 10 no nível máximo que o jogador pode chegar), a forja é onde o jogador vai realizar upgrades nas armas do personagem, o memorial é onde há diferentes side-quests a serem cumpridas que fornecem mais XP e dinheiro ao jogador, o achados e perdidos é praticamente uma loja de itens para o jogador, o templo é onde você meche com ídolos de diferentes deuses cultuados pelo povo de Caelondia e temido pelos Uras, estes ao serem ativados os mesmos fornecem diferentes buffs mas não a você mas sim aos inimigos dificultando ainda mais o jogo, e por que alguém faria isso? Porque a cada deus ativado o jogador passa a receber 5% a mais de dinheiro e XP e os efeitos podem ser somados de quantos deuses o jogador desejar só que os mesmos são sinistros, como inimigos possuírem escudos, regeneração, refletirem tiros, deixarem o jogador lento com os golpes, e se somados os efeitos podem gerar grupos de inimigos capazes de dizimar o jogador em questão de segundos; alem destas há ainda o arsenal que é onde o jogador vai equipar as diferentes armas no personagem só que a mesma faz uma falta danada em diversas partes o que obriga o jogador a escolher ela para ser liberada primeiro, só que a mesma vem a ser um problema de ausência dentro das missões, ao encontrar uma nova arma a mesma substitui alguma arma que o jogador estava usando e muitas vezes você terá no meio de uma missão uma arma boa trocada por outra não tão útil, e não haverá um arsenal por um bom tempo dificultando a troca de armas, por isso é necessário libera-la primeiro se o jogador não quiser ser um escravo dos armamentos novos que não seja de seu gosto. Alem dessas construções há também os Proving Grounds, desafios de ondas de inimigos nos sonhos do protagonista, onde cada um pode ser encarado para ganhar XP, mas mais importante que isso para descobrir aspectos do passado de Zulf, Zia e do Garoto contados por Rucks em sua narrativa.

O mundo de Bastion é um mundo bem interessante e que merecia uma exploração maior por outros meios como uma sequencia do jogo ou como em outras mídias como animação e quadrinhos.

Graficamente o jogo é bonito, utiliza de um estilo artístico interessante com personagens com características super deformadas (mas não tanto) e cenarios e elementos dos mesmos coloridos, sem serem excessivamente vibrantes na paleta de cores, parte dessa arte fica melhor ainda nas cutscenes do jogo onde é exibido através de imagens os personagens se relacionando e interagindo, nada excepcionalmente de destaque, Bastion é bonito mas não lindo. A trilha sonora por outro lado é um elemento de verdadeiro destaque dentro do game, com composições que pegam para o country com elementos acústicos e instrumentos de cordas para ditar o tom da obra, não é algo que vai ser do gosto de todo mundo, mas é que é excepcional dentro da sua proposta, a voz de Rucks com suas narrativas casam como uma luva para o estilo sonoro escolhido para o game, e não apenas o mesmo narra como canta uma das das musicas, Zia e Zulf possuem poucos momentos de fala com Rucks falando por eles e pelo Garoto por boa parte do jogo, mas tem-se amostras da voz dos mesmos em duas das musicas do game, Mother, I'm Here e Build That Wall, temas respectivos de Zulf e Zia que são canções extremamente evocantes e que são muito fodas de se ouvir, nem que seja parando de jogar o game para isso.

As artes do game ilustrando momentos de importância dentro da história e são bem bonitas.

E QUANTO AS DLCs?????

Bastion teve ainda uma DLC lançada para o mesmo, trata-se da Stranger Dream, que é nada mais nada menos do que um novo Proving Grounds, mas este abordando a história de Rucks narrada pelo próprio personagem, alem disso a DLC traz ainda um modo Score Attack onde se inicia o game no nível 1 mas com todos os ídolos liberados e com o desempenho do jogador sendo avaliado a cada área, e o No-Sweat Mode onde o jogador pode encarar o game com revive infinito, recomendado pára queles que desejam experimentar o game e a história sem dificuldades, não é la uma DLC incrível, é boa para sanar o gostinho de "quero mais" que o jogo nos da no final, e é de graça em muitas plataformas.

A nova área finalmente revela um pouco do passado de nosso velho narrador.

Bastion é um game incrível, principalmente se falando de um jogo indie e principalmente sendo o primeiro jogo de sua empresa em si

8.5 8.5 10
Overall
8.0 Gameplay
8.0 Story
10 Music
8.0 Graphics
Sistema de armas e de ataques especiais, estilo artístico, mecânicas de evolução no Bastion, narrativa e trilha sonora.
Momentos meio repetitivos, ausência de um multiplayer (pra esse estilo de jogo cairia como uma luva) e simplicidade do plot como um todo.

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