Medium picture

netobtu João Paulo Bonome Neto

Bio: shock


over 6 years ago 2013-03-16

Tomb Raider

Tomb Raider é o reboot da série clássica da década de 90. Não joguei os antigos, porque nunca tive Playstation (era possuidor de um Nintendo 64), e quando tive o Playstation 2 nunca tive vontade de jogar a série.

Enfim, veio esse novo e me interessou, especialmente por ser um reboot, ou até mesmo um "origins". Isso certamente me proporcionou jogar sem culpa de ter jogado os anteriores, apesar de ter certeza de que perdi uma ou outra referência.

A história é bem padrão, relembrando jogos clássicos de tesouros arqueológicos, civilizações perdidas e etc. A civilização de Yamatai é bastante antiga e era considerada perdida, até a Lara e sua tripulação ir pra lá e se ferrar grandemente.

Enfim, o que chama atenção na história é o clima melancólico e sem piadinhas. Não adianta, o padrão desse tipo de enredo (civilizações perdidas, busca de tesouros, etc) pra mim é um pessoal fazendo piadinhas e rindo na cara do perigo. Lara Croft encara de outra maneira: o jogo é um verdadeiro terror. O clima melancólico e terrível permeia todo o jogo, que é essencialmente triste, com pouquíssimos momentos de alegria (que logo se tornariam, novamente, momentos de horror).

Achei interessante essa abordagem, fugindo do normal, e criando uma espécie de clima de sobrevivência mesmo, afinal, ficar perdido em uma ilha hostil e misteriosa não deve ser um mar de rosas, e Tomb Raider mostra bem isso.

Quanto à jogabilidade, o jogo é um misto de third person shooter com muita exploração e puzzles. Fica claro que o foco dos produtores não era fazer um third person shooter puramente, com momentos de exploração e puzzles.

Pelo contrário, há muito mais exploração e puzzles do que tiroteio propriamente dito. A exploração é bem legal e recompensadora, trazendo várias coisas para possibilitar o jogador upar as skills da Lara e as armas.

O jogo tem um quê de "Metroid" em relação aos equipamentos da personagem, que vão sendo upados e adquiridos conforme vai-se avançando a história e vão ganhando novas funções, possibilitando abrir alguma passagem ou obter algo que antes era impossível, por isso o sistema de fast travel entre os diversos acampamentos é bem-vindo.

O tiroteio do jogo eu achei sinceramente competente, porém um tanto mal aproveitado. A Lara basicamente tem 4 armas: arco e flecha, escopeta, pistola e rifle, que ganham adições conforme o jogador consegue novas partes e novos fragmentos (que é o que dá a possibilidade de fazer modificações nas armas para deixá-las mais poderosas). No início estranhei o "cover automático", com a Lara se aproximando de rochas e coberturas e abaixando automaticamente para evitar o dano, diferentemente do que estamos acostumados (pressionar um botão e o personagem colar no objeto). Questão de costume, no entanto.

Algumas adições demoram muito para aparecer, como por exemplo o lança granadas. Os inimitos vivem jogando molotovs e dinamites pra cima da Lara, mas ela nunca sequer encontra uma granadinha pra jogar nos inimigos. Acho que seria uma boa adição ao invés de somente o lança-granada que surge lá pra depois da metade do jogo... conforme eu ia jogando, antes de obter isso, eu ia pensando "poxa, cadê as granadas?". Isso é algo que faz falta em um third person shooter.

Outra coisa que achei mal explorada é a incapacidade da Lara de fazer coisas simples, como por exemplo Blind Fire, ou seja, a capacidade de atirar sem precisar mirar, às cegas mesmo. Isso é muito bom em outros jogos, e eu uso bastante, especialmente pra quando estou sendo alvejado e algum inimigo está rushando para onde estou (como ocorre muito em Tomb Raider), e sou obrigado a sair totalmente do cover para atirar... são coisas que parecem pequenas, mas que adicionariam bastante na estratégia do jogo.

A Lara é uma excelente alpinista, e o elemento platformer no jogo é forte (apesar de ser no semi-automático), e eu achei que poderiam ter muitas partes em que houvesse o hibridismo entre esse platformer e o tiroteio. A Lara não atira se estiver escalando ou pendurada em algum lugar. Ok, talvez se eu queira isso porque vi em Uncharted (e o jogo lembra bastante essa série, porém os focos são bem diferentes), mas acho que, como a Lara, assim como o Drake, é capaz de escalar muito bem, foi uma ideia boa que foi desperdiçada. Mas a escalada em si é muito boa, a Lara usa bem seus equipamentos para tanto, pula pra lá e pra cá e esses momentos são muito bem bolados, especialmente com o arco e flecha, que possui muitas utilidades. Achei interessante também como praticamente todas as armas servem para interação com o cenário, explodindo passagens e afins.

O jogo tem bastante liberdade, coletáveis, desafios (no sentido de, por exemplo, "destruir todas as estátuas) nas fases e etc. As missões principais são essencialmente lineares, mas os ambientes são grandes o suficiente para haverem alguns caminhos alternativos que levam a segredos e a TUMBAS, que são muito interessantes, por conterem artefatos antigos dentro e para coletá-los deve-se sempre resolver um puzzle que envolve o cenário (aliás, todos os puzzles do jogo que eu vi são de interação com o ambiente). Achei estranho, no entanto, os artefatos random encontrados pelo jogo terem forma e descrição, enquanto esses que se coletam nas tumbas, que devem ser obviamente mais raros e com maior valor histórico, sequer nome têm.

A Lara tem um "instinto de sobrevivência", que serve para realçar objetos de interesse e os objetivos enquanto ativado. Isso deixa a exploração mais fácil, mas, sendo algo opcional, que o jogador só liga quando quer, é um complemento interessante, afinal de contas há pessoas que não estão tão preocupadas em explorar minuciosamente e nem precisam considerar isso o grande atrativo do jogo.

O jogo é essencialmente fácil, mas há alguns picos de dificuldade. Zerei no hard e pareceu que estava no "normal" de um jogo comum, onde há aquela parte em que você vai precisar morrer umas 5, 6 vezes para compreender o padrão das ondas de inimigos que vêm e reconhecer melhor o terreno. Há uma boa variedade de inimigos também, cada um requerendo diferentes formas de serem lidados.

E, ah!, prepare-se para muita QTE, apesar de haver mais delas no início do jogo do que nas partes finais. No entanto, é um dos jogos que mais utilizam essas ações de contexto que eu já vi. Eu não ligo pra isso, mas tem gente que considera um revés. Acho legal interagir com uma cena, fazendo coisas que não seriam possíveis com o controle comum do personagem.

A trilha sonora é boa, muito boa, especialmente nas cenas finais do jogo, e gosto muito que certas ações ativem sons diferenciados, como completar um desafio, descer por uma tirolesa e etc. Só não digo que é perfeita porque há muitos momentos em que achei a trilha "sumida", o que anda sendo muito comum nessa geração, talvez em prol de uma "imersão" maior, mesmo eu discordando disso.

O jogo tem belos gráficos, ambientes lindíssimos e utiliza MUITO a cinematografia, com muitos takes de câmera em momentos definidos para mostrar a beleza da arte de Tomb Raider. A modelagem da Lara é muito boa, e ela é muito expressiva, dá pra ver que ela sofre bastante pelas caras e bocas que ela faz. No entanto, tem vários bugs, algumas texturas horrorosas (o rádio-amador dela que o diga), texturas entrando em outras (a Lara agachada vive passando um joelho dentro do outro). Dou destaque para as explosões, destruição do cenário e o fogo do jogo, achei bem impressionante nesses pontos.

Enfim, Tomb Raider é um jogo bem longo, mas prazerosamente longo. Achei muito bom mesmo, e recomendo a todos que gostem da temática e do gênero (primordialmente adventure, com toques de tiro em terceira pessoa).

8.5 8.5 10
Overall
8.5 Gameplay
8.5 Story
9.0 Music
8.5 Graphics

22 of users found this review helpful.


Outras críticas do mesmo autor:

Keep reading → Collapse ←
Loading...