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andre_andricopoulos André Zanetti Andricopoulos

Um gamer. Quer saber mais? Então vem com o tio...


mais de 5 anos atrás 2013-09-09

Silent Hill: Downpour

Eu gostaria de começar dizendo que eu fiquei muito animado quando assisti o trailer deste game pela primeira vez. Eu tinha certeza de que algo grande viria. Em seguida, quando os vídeos de gameplay foram mostrados, eu tive medo (de uma maneira ruim) quando vi o (aparentemente) terrível sistema de combate, bem como os designs dos monstros inimigos. Fato é que, só podemos julgar/avaliar um jogo quando o jogamos do começo até o fim. O que eu posso dizer agora é que este jogo é realmente impressionante. DOWNPOUR pode ser considerada o verdadeiro Silent Hill desta nova geração. Não estou dizendo que HOMECOMING é ruim (eu gosto), mas este é muito melhor.

>>> GRAFICAMENTE é o melhor da série Silent Hill. A cidade é enorme para explorar, e é muito bem detalhada. Você pode ver folhas caindo das árvores, semáforos piscando, o vento agitando as árvores, transição impressionante e realista de uma simples garoa para uma chuva torrencial, seguido pelos assustadores trovões e relâmpagos. Os edifícios e os detalhes do protagonista também são graficamente bem feitos, e o mesmo poderia ter sido feito com os inimigos (eles são legais, mas poderiam ser maiores e mais demoníacos). Notei também algumas quedas de "frame rate"/ taxa de quadro, principalmente a partir do meio até o fim do jogo. Isto acontece principalmente em ambientes ao ar livre, mas nunca quando você está em combate. Mas isso não tira a glória deste jogo.

>>> JOGABILIDADE funciona muito bem. Você pode pegar qualquer coisa ao seu redor e usá-la como uma arma (lembra Alone in the Dark INFERNO). Eventualmente, vão se deteriorando até não ter mais utilidade e você terá que encontrar outra coisa para combater os inimigos (ou correr para salvar sua vida). Você só pode levar um tipo de arma de fogo e uma arma branca (ou 02 armas brancas ou 02 armas de fogo, você decide). Isso ajuda muito a tornar as coisas mais assustadoras e realistas. Embora alguns BUGS estranhos acontecem (suba a escada da BIBLIOTECA com uma cadeira em mãos e A CADEIRA SIMPLESMENTE SUMIRÁ NA SUBIDA. Você se pergunta aonde será que ele enfiou aquela cadeira...) Algumas armas tem funcionalidade extra além do combate, como um machado para quebrar barricadas e uma vara metálica para puxar uma escada de ferro.

Não há HUD na tela (informações como mapas, nº de balas...), só você e a bela visão do ambiente de Downpour. Ao se ferir, aparece visualmente no corpo do personagem os danos: cicatrizes, arranhões, sangue, roupas rasgadas... (mais uma vez, parece ser a inspiração de Alone in the Dark Inferno). Ele também aumenta os batimentos cardíacos (o controle treme) e também fica cansado/ofegante. Mas você pode verificar a porcentagem de sua saúde (de 0% a 100%), fazendo uma pausa , e indo para as Estatísticas . Se você está ferido e vai para uma cena, você vai aparecer dessa forma na cut-scene (achei isso genial). Se você está curado e sem danos (quero dizer, com 100% de saúde), então a cena aparecerá com você dessa forma.

A única coisa que realmente incomoda é que você não pode recarregar sua arma manualmente no jogo com o simples apertar de um botão: ou ele faz automaticamente (o que pode ser perigoso quando em combate), ou você tem que ir para o menu/inventário. A grande sacada é que, se você ficar sem munição, você ainda pode atacar com sua arma (mas esmagar inimigos com a arma descarregada pode quebrá-lo ... assim você terá que encontrar outra arma ) .

DICA: Não bloqueie com uma arma carregada senão ela irá disparar e você vai perder munição desnecessariamente.

Seleção de armas e de cura é prático e simples: basta usar o D -PAD. Você também pode olhar para trás, assim sempre que você ouvir algo e não sabe de onde está vindo... olhe para trás ... e isso nos leva ao...

>>> FATOR SUSTO/MEDO: Quando uma tempestade / chuva está chegando, é também uma previsão de que o mal está vindo mais forte e mais selvagem. Inimigos aparecem em maior quantidade, atacando em grupos e também mais violentamente.

Os ambientes são grandes (Silent Hill é grande) e você pode obter refúgio dentro de casas, estações de metrôs, apartamentos, lojas... Outra coisa legal é que, se você explorar a área com uma lanterna, você não poderá carregar uma arma ao mesmo tempo. O jogador certamente irá decidir em deixá-la em sua cintura (exceto em determinados quebra-cabeças). Os excelentes efeitos visuais perturbadores colocam o jogador em tensão... como a água que atravessa através do teto, sofás colados nas paredes, sangue saindo por debaixo de uma cama de hospital, cadeiras de rodas, corvos, chuva torrencial, um cão morto deitado na cama, o ranger de um balanço de parque infantil, uma gangorra que de repente se transforma em um corpo de homem morto enforcado... em uma parte do jogo que você desmaia e acorda dentro dessas gavetas de necrotério, cadeiras de balanço...balançando sozinho (como se um espírito estivesse lá), um gramofone tocando músicas antigas assustadoras ...

>>> O SOM também ajuda a criar o ambiente apreensivo que este jogo oferece a nós, gamers. É perfeitamente feito para criar um sentimento atormentando com sons como gritos, risadas, gaiolas rangendo, inimigos grunhindo raivosamente, os animais da floresta, o som perfeito de uma chuva torrencial (a chuva caindo e tocando o chão, os trovões assustadores...) e assim por diante. Diálogos possuem uma excelente interpretação, envolvendo temas sérios como religião, morte, raiva, dor, vingança, angústia, repreensão, culpa, redenção, as conseqüências de seus atos para a vida de terceiros...

Sim, não temos mais o compositor AKIRA YAMAOKA envolvido no projeto bem como a cantora Mary Elizabeth MC GLYNN que sempre amaremos dos jogos anteriores mas o jogo nos apresenta algumas trilhas sonoras geniais. Talvez as trilhas utilizadas em alguns trailers e no final dos créditos podem soar diferente (como o da banda de rock KORN) , mas é perfeita se você prestar atenção nas letras. Enquanto explora o jogo, você vai escutar algumas trilhas sonoras aterrorizantes. Ao longo do caminho você encontrará algumas rádios que você pode ligar e se deliciar com outras trilhas sonoras muito bacanas (e mais uma vez, se você prestar atenção nas letras, perceberá uma relação direta com a história do game). Antes ou depois dessas músicas, um personagem do game (o DJ RICKS) irá lhe direcionar algumas mensagens.

>>> HISTÓRIA é outro tema que sempre nos surpreende e aqui não é diferente. Você joga como Murphy Pendlleton, um condenado (inicialmente não se sabe por qual crime/infração... mas se você prestar atenção nas notas encontradas ao longo do caminho e nos diálogos, rapidamente saberá) que está sendo transferido para outra penitenciária e ao longo do caminho, o ônibus de prisioneiros cai morro abaixo (pois inexplicavelmente uma cratera surge na estrada, e o motorista se assusta e tenta desviar). Você acorda do acidente nos arredores de Silent Hill, com ninguém ao redor além de alguns poucos cadáveres. Onde estão os outros?

A diretora da penitenciária Anne Cunningham, responsável pela transferência dos prisioneiros, te persegue constantemente. Ela possui uma raiva muito grande do seu personagem e você constantemente se perguntará... Por quê? Em certo ponto, ela diz que esta cidade (Silent Hill) lhe mostra coisas (o que a cidade está mostrando a ela?).

Você também verá algumas cadeiras de rodas ao longo do caminho e um constante aparecimento de uma criatura/aberração em uma cadeira de rodas... mas por quê? A história leva a uma conclusão inteligente e até lá sempre estará se perguntando: "O que é isso? Por que? O que eu fiz? O que fizeram comigo?" São muitas perguntas e situações estranhas/sinistras que você encontrará ao longo do caminho e certamente despertará no jogador um interesse imenso em chegar à conclusão. Algumas mensagens subliminares lhe dá uma dica do que está acontecendo (por meio de cartazes, arquivos, músicas de rádio...).

Mais adiante você irá encontrar um homem alto, forte e assustador com um enorme martelo e uma máscara (similar ao do filme de terror DIA DOS NAMORADOS MACABRO), uma figura como um carrasco e que vem a substituir a incrível e eterna figura PYRAMID HEAD (o cabeça de pirâmide que apareceu inicialmente no SILENT HILL 2). As crianças o chamam de "bicho-papão". A ligação da história envolvendo você e este assustador e enigmático personagem também é outro tema extremamente bem feito. Como dito antes, é uma obrigação jogar DOWNPOUR até os créditos finais para realmente perceber o que está acontecendo.

>>> DIVERSÃO é alta. A adição de sidequests são bem-vindas, e algumas podem ser muito assustadoras, como a do GRAMOFONE: um apartamento que você entra, com alguns enormes retratos de uma família aparentemente perfeita ao longo das escadas principais... para descobrir que o pai matou sua própria esposa (provavelmente as crianças também) e você terá que encontrar uma maneira de colocar um ponto final no espírito do mal e fazer as vítimas realmente descansarem em paz. Porém há sidequests chatas como as solicitações do mendigo numa estação de metrô. Na verdade, Silent Hill é tanto sobre a história que você vai gostar de descobrir todos esses pequenos segredos sujos, como a mãe que não teve estrutura física e emocional para cuidar de sua filha doente ( autismo) e decidiu simplesmente abandoná-la. Silent Hill é e sempre será sobre os sentimentos e as emoções do ser humano e, bem, nada muito diferente do mundo real.

Sidequests também ajudam a tornar a cidade mais viva, como o mendigo no metrô pedindo comida e roupas em troca de informações gravadas em seu mapa, ou os veículos policiais transitando nas ruas, os pássaros nas gaiolas (coletáveis que revelam ao jogador algumas memórias). Mas há também aqueles sidequests insuportáveis como a SHADOWS. É extremamente chato procurar os itens e, quando você o faz, é mais chato ainda mover as sombras com a sua lanterna para desenhar uma figura. Ocorreu um bug aqui (tinha dois itens para encaixar, os encaixei, porém apenas um rodava impossibilitando a criação da sombra), porém o game permite carregar checkpoints prévios impedindo que você encalhe. Todos os jogos deveriam ter esta genial opção.

Finalmente os QUEBRA-CABEÇAS / PUZZLES estão de volta (HOMECOMING era ausente nesse quesito), e alguns podem se tornar bem desafiadores. Isso me lembra o bom e velho Silent Hill (o primeiro). O que eu mais gostei é que, para completar algumas tarefas você não vai encontrar tudo o que precisa por perto. Como quando você encontra o velho projetor no cinema (Cinema Verite sidequest). Você tem que encontrar uma lâmpada para colocar no retroprojetor para que ele possa funcionar. A lâmpada em questão será encontrada mais adiante dentro de uma loja . 

Os japoneses da equipe de SILENT podem não estar no projeto , mas não significa que DOWNPOUR é ruim. Pelo contrário, toda a equipe conseguiu trazer o melhor para este jogo. De longe os melhores gráficos, sidequests criativas, um monte de quebra-cabeças inteligentes, cidade viva, os inimigos não param de chegar e também não aparecem em lugares premeditados (é aleatório na maioria dos momentos). Não há neblina, mas a chuva é bastante impressionante e também assustadora. A mecânica de abrir uma porta remete à SHATTERED MEMORIES: um zoom é aplicado em suas costas/ombros e você também pode controlar a intensidade. Alguma vez você já tentou abrir uma porta de ferro beeeeem devagar? Com aquele rangido assustador enquanto você confere a chuva torrencial do outro lado? Ajuda muito a criar um clima assustador.

Em certos pontos você vai perder a sua lanterna e armas , então terá que explorar novamente a cidade para encontrá-los: no banco, na delegacia, no cinema, na rua... Falando dos locais foi muito legal não ter os mesmos cenários que estamos acostumados a estar, como hospitais e escolas. LUGARES NOVOS dão um ar fresco para a série. Cinco (05) finais, sidequests (além da extra assim que você termina o game pela primeira vez) acrescentam muito o valor de REPLAY (jogar novamente). Desde a introdução até o final, pode ter certeza que você vai se deliciar com um jogo assustador e uma história abrangente com todos os elementos de Silent Hill que tanto gostamos. Certamente vai mexer/brincar com a sua mente. Eu recomendo.

Está longe de ser um desses episódios vazios e repletos de ação que RESIDENT EVIL se tornou. De todos da série Silent Hill, na minha opinião, SILENT HILL 1 e DOWNPOUR são, de longe, os melhores. Eu só desejaria mais variações de inimigos...

GRÁFICOS: 8.5 / 10

SOM / TRILHA SONORA: 9 / 10

JOGABILIDADE: 7.5 / 10

HISTÓRIA: 10 / 10

FATOR SUSTO/MEDO: 8 / 10

DIFICULDADE: 7 / 10

DIVERSÃO: 9 / 10

GERAL: 8.5/10

TRAILER: http://www.youtube.com/watch?v=gkuVJZ5Rk0Y

8.5 8.5 10
Nota Geral
7.5 Jogabilidade
10 História
9.0 Música
8.5 Gráficos
Trama empolgante
Ambientação bem detalhada
Trilha sonora aterrorizante
Retorno dos puzzles
Divertido
Pouca variação de inimigos
Inimigos pouco assustadores
Ausência de inimigos maiores, como os "chefes" de HOMECOMING
Escolhas morais poderiam ter maior impacto na história e nas cut scenes.

8 de usuários gostaram desta crítica.


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