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vine Vinicius Do Prado Vieira

Leeeeettt's paaaarrrty... If you think you can keep up


over 6 years ago 2013-07-20

Ninja Gaiden Sigma

Sugestão de música pra ouvir enquanto lê o review! Porque essa porra ficou gigante, mas esse jogo merece.

http://www.youtube.com/watch?v=M5m3EKZLeQg
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Pequeno e simples glossário pro leitor se referir a termos estranhos no meio do review:

Hitstun - Propriedade identificada por uma animação de "dor" ao ser atingido por um golpe

Blockstun - Propriedade identificada por uma animação de quando se defende um ataque

Stagger - Propriedade identificada por uma animação mais longa similar à de "hitstun"

Recovery frames - Quadros de uma animação onde o personagem vai retomando uma "postura neutra", após desferir ou receber um golpe, por exemplo

Guard break - Animação que identifica quando o bloqueio foi trespassado, não é possível defender o próximo ataque quando nesse status.

Juggle - Propriedade que mantém um inimigo no ar, quanto atacado por um golpe que gere hitstun.

Cancel - Ato de cancelar uma animação.

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De onde veio e onde chegou esse tal "Caminho do Ninja"?

Bão, comecemos do começo: Ninja Gaiden e seu icônico protagonista: Ryu Hayabusa, surgiram inicialmente nos arcades, NES e Gameboy. E a série ficou famosa principalmente pela dificuldade visceral e segundo algumas fontes, por ser o primeiro jogo na história da indústria a apresentar seu enredo em forma de algumas "cutscenes", cinemáticas que você, caro leitor, deve bem conhecer e que se tornaram muito comuns nos videogames durante as últimas duas décadas.

Ninja Gaiden Sigma é o remake, do remake, do reboot (?). Bagunçado mas fácil de explicar: um reboot da trilogia Ninja Gaiden (com esse nome mesmo) original foi produzido pro XBOX e o jogo foi tão bem conceituado que recebeu um remake com gráficos em "quase-alta" definição pro Xbox 360 mesmo sendo um game razoavelmente recente (2004), o remake foi chamado Ninja Gaiden Black e já incluía as "expansões" chamadas "Hurricane Packs" que o primeiro jogo recebeu gratuitamente no XBOX original, esse mesmo remake foi apenas re-trabalhado graficamente pra ser lançado também no Playstation 3 com algumas pequenas adições, sacou como foi o esquema? Vamos agora ao que realmente interessa, o review:

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"O Caminho" é sobre ninjas, demônios, dragões e espadas: o enredo.

O sub-título condensa bem as criaturas místicas e mundanas que incorporam o enredo de Ninja Gaiden Sigma. O jogo começa com Ryu invadindo o que aparentemente é uma fortaleza ninja, entra já em grande estilo assassinando um ninja desavisado que estava no caminho, você então toma o controle do ninja e dá de cara com um inimigo mais passivo que dá espaço pra você experimentar e ter o primeiro contato com os comandos do jogo pra então tentar a sorte e prosseguir por essa fortaleza. Quando Ryu chega em seu objetivo se depara com um homem de cabelos longos e brancos que utiliza um nunchaku e prontamente se engajam numa luta, após derrotar o chefe do estágio, aparentemente o líder dessa fortaleza, o jogador descobre que ele é um conhecido de Ryu e o mesmo o chama pelo nome "Murai"; ambos se sentam pra uma agradável xícara de chá e um papo entre compadres após os assassinatos promovidos por Ryu e o "amistoso" sparring entre os dois.

Murai menciona as espadas lendárias em pose do clã Hayabusa: a "Dragon Sword" que o próprio Ryu carrega consigo como um presente de seu pai, e a "Dark Dragon Sword" que Murai diz ser extremamente poderosa tece um breve comentário sobre como é uma pena deixar tanto poder sem bom uso, Murai também pergunta sobre o pai de Ryu, o mesmo responde dizendo que essa espada carrega um poder maligno que se encontra dormente, e menciona que seu pai está treinando suas habilidades, enganchando uma indagação em relação ao poder e a busca por ele em que seu pai se lança; Murai finaliza o diálogo dizendo que um dia ele virá entender, eles são interrompidos por uma ninja bonitinha de cabelos roxos, que atende por Ayane, ela avisa que a Vila Hayabusa está sob ataque de um outro clã chamado Black Spider (um nome bem propício a piadinhas), Ryu vai até a vila checar o que ocorre e se depara com Ayane aparentemente ferida que lhe avisa que um samurai sombrio e poderoso é o cabeça de todo o regaço promovido na vila, ele aparentemente busca a "Dark Dragon Sword". Dito e feito, Ryu se depara com uma garota que parece uma sacerdotisa da vila numa casa em chamas, que cai morta e logo atrás dela vem esse samurai sombrio, que mata Ryu em combate e leva a Dark Dragon Sword consigo.

Um falcão (símbolo e significado do clã Hayabusa) pousa sobre o corpo inanimado de Ryu e o trás de volta à vida. Ele desperta e prontamente sai em busca vingança e de reaver a espada protegida pelo seu clã. Aí o jogo começa de verdade e você mergulha mais na trama e descobre pouco a pouco o universo bacana de Ninja Gaiden, enquanto destrói hordas de ninjas, demônios e até de dragões no meio do seu caminho.

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"O caminho" é belo e profundo, mas demanda habilidade e perseverança: gráficos, jogabilidade e mecânicas de combate.

Os gráficos desse jogo são muito belos dentro de seu contexto e época, e a arte transmitiu muito bom gosto pra minha pessoa, convenhamos que não é difícil fazer ninjas parecerem estilosos e legais de se assistir em ação, não? A Team Ninja conseguiu transmitir tanto o estilo quanto um "feeling" muito ninja nesse jogo com a jogabilidade, preservando mesmo os conceitos da trilogia original e agradando a fans e novatos na série. Todo hack'n'slash tem como foco algo muito especial pra mim que é o que busco neles, falemos sobre esse algo, falemos sobre o impecável sistema de combate desse jogo:

Primeiramente, Ninja Gaiden Sigma traz consigo conceitos já vastamente conhecidos nos jogos de luta e aplica eles num mundo 3D, jogos de luta são sabidamente complexos e cheios de sistemas e mecânicas que criam uma variedade grande de situações e possibilidades pros jogadores, inclusive nos detalhes. NGS consegue somar tudo isso e traduzir pro seu mundo 3D, pro seu contexto, e com uma roupagem cheia de ninjarias divertidas de se ver e com uma brutalidade que alguns amam e outros odeiam (eu amo :3); toda a complexidade e variedade de um jogo de luta está aqui nesse hack'n'slash, ele incorpora mais de 50 status e propriedades conhecidos no mundo dos jogos de luta, desde os mais básicos como hitstun, stagger, blockstun como também introduz propriedades de decapitação em movimentos quando finalizam o sangue de um inimigo e uma boa quantidade de cancels possíveis que dão a fluidez da jogabilidade e geram as técnicas vastamente utilizadas por jogadores avançados pra brincar com seus combos ou aumentar sua eficiência contra os inimigos: shuriken-cancels cancelam seus recovery frames de golpes leves ou alguns pesados possibilitando juggles e combos antes impossíveis ou tornando a situação mais segura, jump-cancels cancelam os recovery-frames do seu dash e te dão mobilidade extra, dash-cancel cancela a animação de blockstun ou mesmo de guard break e permite alguma mobilidade após ser atingido na defesa.

Toda essa complexidade forma a beleza da jogabilidade de Ninja Gaiden Sigma e é bem mais atrativa jogada do que explicada hahaha, não é preciso estudar nada disso pra aproveitar essa variedade, muitas coisas vem da experimentação pura e os jogadores acabam utilizando boa parte desse sistema intuitivamente enquanto avançam pelo jogo. Agora, somemos essas mecânicas complexas à incrível variedade de armas (9, no total, 10 somando uma especial usada apenas em outros modos, existe também uma segunda personagem jogável chamada Rachel), movimentos, combinações, os ninpos (as magias do jogo), à variedade de inimigos e o design inteligente e perigoso que até os inimigos mais simples do jogo possuem e você tem um excelente e sólido hack'n'slash. Os inimigos possuem diversas formas de te atacar, você precisa estar sempre ligado na movimentação, nas possibilidades, as estratégias variam muito entre inimigos e a experiência não fica chata e repetitiva, alguns inimigos são realmente desafiadores e vão te fazer soltar uma pequena prece quando ver eles caindo de algum prédio ou saindo do chão, logo ao seu lado.

O valor de replay desse game é gigante pros fissurados em hack'n'slash por ter suas bases nesse sistema tão complexo que cria tanta variedade e possiblidade. A dificuldade visceral que o jogo possui faz jus aos seus antecessores, até jogadores que gostam de um desafio nu e cru vão buscá-lo novamente mesmo não sendo fans do gênero em si, a dificuldade pode afastar os mais fracos de coração mas o desafio não é impossível, o jogo te dá regras muito claras e exige que você pense nas melhores aproximações em relação aos inimigos e principalmente chefes; se você tá apanhando feio, tome seu tempo, análise as situações e crie novas estratégias. Caso você realmente só queira terminar o jogo e sua paciência se esgote, os desenvolvedores criaram um modo Easy chamado "Dog Ninja", caso você morra 3 vezes consecutivas você pode escolher "abandonar o caminho do ninja" e liberar esse modo mais fácil.

O plataforming do jogo não é ótimo ou sensacional, importante enfatizar isso. Mas é o melhor que eu já vi dentro gênero, é bom, algumas ações são meio confusas a princípio e a câmera às vezes atrapalhas elas mais ainda, mas ver um ninja ninjando com seus wall runs e pulos de parede em parede é divertidíssimo; achei uma adição válida pra ter essa "experiência ninja" além do combate extremamente fluído e dinâmico.

Os níveis, estágios, fases ou como você quiser chamar, são variados e eles mesmos adicionam sua dose de dificuldade e profundidade pra jogabilidade. Não são notoriamente excelentes, mas alguns são muito inspirados e te colocam em situações de combate ou progressão diferenciados que exigem diferentes "approachs", algumas partes você vai precisar utilizar seu arco pra atingir inimigos e coisas à distância, e como de costume em hack'n'slashs existem níveis onde você vai passar alguns segmentos submerso (e até lutar andando sobre a água, uma loucura, cara) e eles são chatinhos, porém suportáveis, tem gente que gosta hahaha. O jogo tem um total de 19 capítulos (16 com o Ryu e 3 com a Rachel, exclusiva da versão Sigma e não-jogável na Black) e me deu umas 15 horas de jogatina (tá marcado 20 no meu save no Normal, mas eu acho que larguei o game no pause algumas vezes, então subtrai um pouco).

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O Caminho do Ninja me trouxe até aqui! - Conclusão e considerações finais.

Esse jogo sem dúvida alguma é uma das jóias mais brilhantes que já encontrei dentre os hack'n'slash; quando olho pro pacote todo e pro foco desses jogos que é o combate, com toda sua complexidade, beleza e inteligência no design; é o único que eu posso dizer que com certeza está no mesmo patamar de Devil May Cry 3 e talvez até acima em alguns aspectos. É um game desenvolvido com todo amor por parte da equipe criativa e de desenvolvimento, e alimento enorme respeito por uma equipe que trabalha dessa forma e dá atenção pros aspectos realmente importantes num hack'n'slash, produzindo um jogo memorável pra fans de hack'n'slash e muito bom pra qualquer jogador que tiver a oportunidade de jogar.

Gostaria de deixar alguns agradecimentos e fontes, já que esse review foi bem extenso e deu um certo trabalho que certamente não foi feito sozinho no que condiz a conseguir informação:

Minha fonte mais importante foi o guia de um usuário chamado "aaxe" na GameFAQs, o guia possui contribuições de vários usuários de lá:

http://www.gamefaqs.com/xbox/928401-ninja-gaiden-black/faqs/39056

E um agradecimento ao leitor, que se teve saco (perseverança) pra ler tudo isso, já tá meio caminho andado pra desfrutar da dificuldade e da genialidade colocada nessa obra. Recomendo fortemente que vá jogar Ninja Gaiden Sigma ou Ninja Gaiden Black!

9.0 9.0 10
Overall
10 Gameplay
8.0 Story
8.0 Music
9.0 Graphics
Jogabilidade extremamente fluída
Mecânicas de combate impecáveis e complexas; muito espaço pra experimentação e estratégia
Chefes memoráveis, design de inimigos variado e inteligente
Grande variedade de armas e movimentos, ótima sinergia com o design de inimigos
Plataforming menos tedioso do gênero hack'n'slash.
Câmera pode se mostrar um problema e a forma com que ela interage com IA dos inimigos pode ser confusa
O enredo é simples, pode desagradar jogadores "story-driven" mais exigentes

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