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renanmotta Renan M. Sampaio Motta

Nada melhor, no mundo do entretenimento, do que a experiência de um video game


about 5 years ago 2014-07-23

Grand Theft Auto V

  Após uma espera de cinco longos anos, a Rockstar nos trouxe a melhor, a maior e a mais inovadora experiência em GTA de toda a franquia. Seja pela inclusão de três personagens jogáveis com histórias que se interligam ou pelo mapa mais detalhado possível. Grand Theft Auto V entrou para a história da indústria dos games no fatídico ano de 2013.

  • Um é pouco, dois é bom, três é ainda melhor

   Desde os primórdios da franquia, nós sempre controlávamos um único jogador. E desta vez, a Rockstar resolveu arriscar na inovação mais perigosa que poderia existir: nos colocar na pele de três personagens jogáveis. Uma mecânica que poderia facilmente falhar pela complexidade, mas que felizmente não vem ao caso. A transição de um personagem para o outro acontece de forma bastante fluida e que foi muito bem aplicada no controle. Não é nada complicado acessar essa opção.

   O ponto que mais impressiona nessa mecânica, é quando nós alternamos, por exemplo, do Michael para o Trevor, e vemos que ele estava no meio de algo dentro do seu cotidiano. Assim também, podemos fazer a troca e cair num momento indesejado, como uma perseguição de polícia. Isso claramente nos dá a sensação que o jogo e os seus personagens estão vivos. Mesmo que você não tenha o outro personagem no seu campo de visão, pode ter certeza que ele estará fazendo algo no outro ponto do mapa.

   Mas não espere que esses três personagens tenham em diferença apenas a skin. Além da movimentação própria, toda uma complexidade de personalidade irá diferenciá-los. Cada um com seus ideais, suas culturas, seu cotidiano e seus dilemas. Isso faz com que a alternância se torne importante, pois você terá sempre algo novo para presenciar e uma experiência diferente para apreciar.

  • Missões com algo a mais

   O melhor de todo o gameplay está nas missões, sendo também, o melhor de toda a franquia. Aqui você não encontrará missões arrastadas e tão desinteressantes, como se via nos anteriores. E além de uma excelente dose de ação, nós temos a inclusão das missões de assalto, seja de pequeno ou grande porte, dando a identidade que GTA deveria sempre ter tido.

   Junto a isso, a mecânica de alternar personagens também está presente nas missões, e esse é o ponto mais alto de todo o jogo. Quando os três protagonistas estiverem em ação, você poderá, por conta própria ou por um pedido do jogo, alterná-los dando uma visão totalmente nova, seja tática ou geográfica de determinada missão. Essa nova realidade impulsionou a série da melhor forma possível.

   Com o aprendizado em Red Dead Redemption, as missões secundárias estão melhor distribuídas pelo mapa e com ainda mais importância para a história. Além de você conhecer mais cada protagonista através de diálogos, você poderá recrutar pessoas para serem usadas nas missões de assalto, numa opção que vai de um motorista à um hacker.

   Vale lembrar que agora é possível retornar às missões através do menu, podendo refazê-las na busca de uma experiência diferente.

  • Mãos ao alto

   Missões de assalto. Como são excelentes. Essa implementação enriqueceu em demasia o gosto por fazer missões ao invés de apenas zuar pelo mapa. Aqui nós temos toda uma linha de pensamento fazendo com que tudo pareça o mais real possível. Cada assalto terá o seu próprio planejamento, que vai de como tudo será feito, o que será preciso para executá-lo e por quem será realizado. Nessa hora, o jogo te entregará sempre duas opções: chegar com pé na porta e tapa na cara, entrar da forma mais silenciosa e complexa possível e quais, na sua concepção, são os melhores para te acompanhar.

   Cada ajudante terá uma barra de experiência e o tamanho da porcentagem que levará do roubo. Isso influenciará totalmente na sua escolha. E todo integrante que for selecionado, no final da missão, essa barra de perícia ficará cada vez maior.

   E aqui nós temos o melhor motivo para um replay. Como diversas opções são colocadas na mesa durante a missão, vale muito a pena ir no menu e refaze-la para que se possa ver como seria o assalto se a outra escolha fosse validada


  • Mesmo motor gráfico, mas tudo diferente

   A Rockstar, diferente da grande maioria, permaneceu com o mesmo motor, no qual ela iniciou, e mostrou o que ele poderia proporcionar na 7ª geração. Depois de ter impressionado no GTA IV, ela apresentou uma evolução mais que considerável no seu novo lançamento. Muitos diziam que era um jogo com potencial next-gen, mesmo ainda pertencendo ao PS3 e XBOX 360º. Pode parecer exagero, mas cada detalhe e possibilidade dentro de GTA V é realmente impressionante para um hardware tão limitado como os da 7ª geração.

   Além do salto gráfico ser enorme, vale ressaltar cada detalhe realístico dentro do jogo, como por exemplo, a interação dos personagens com a água e a consequência de se andar molhado. Aqui realmente tudo é bonito e bem feito. O mar e sua profundeza, o céu e suas mudanças climáticas, a vasta cidade e a oposição de uma área rural. Tudo está muito mais polido, colorido e bem iluminado. Não dá nem para acreditar que estamos em Los Santos, o mesmo local de GTA: San Andreas. E que bela nostalgia essa revisita.

   Agora temos realmente um mundo vivo, super detalhado, com cada canto do mapa contendo suas identidades e particularidades, seja por áreas rurais com uma fauna e uma sociedade típica, pela cidade com construções realistas e cidadãos críveis em sua existência ou por um vasto mar e o seu fundo bastante rico.

  • Outros pontos do gameplay

   Tudo que você conhecia em GTA foi melhorado ou retornou com esplendor. Sistema  de escolha de armas e tiro, direção de veículos, uso do celular, "Stealth", o retorno da variada customização, uso do espaço aéreo e uma barra de especial. Tudo funciona perfeitamente bem.

   O sistema de armas possui a mesma mecânica de Max Payne 3, com a separação e disponibilidade circular na tela de cada arma, e a jogabilidade do uso de cada uma. Agora está muito melhor disparar, em conjunto com um sistema de cover ainda mais caprichado. 

  A dirigibilidade sempre foi muito boa, mas conseguiram melhorar a mecânica com uma boa dose de realismo e um jeito arcade ao controlar cada veículo, tornando tudo muito mais fácil e gostoso de se experimentar, assim como também ao pilotar as aeronaves, que na qual possuem uma vasta opção como helicópteros, caças, monomotores e aviões de viagem.

   Muitos não gostaram de como era usado o celular em GTA IV, mas agora tudo foi melhorado e há sempre uma boa desculpa para ele ser usado. Além de poder salvar o progresso através dele, você também tem acesso à internet, que foi devidamente encorpada, sistema de foto e compartilhamento numa rede social fictícia no site da Rockstar, mensagens que te imergem cada vez mais naquele mundo, chamadas para táxi, ambulância e polícia, que funcionam monstruosamente bem. E claro, uma interface de fácil manuseio.

   Agora em GTA V, é possível despistar a polícia se escondendo, por exemplo, em arbustos e muros, trazendo realismo durante as perseguições. E dentro desse quase stealth, às vezes é possível flanquear um oponente. Só não há um sistema de ataque furtivo, que enriqueceria a mecânica implementada.

   Customizar ao melhor estilo GTA está de volta com uma infinidade de opções de vestimenta e acessórios, como também a alteração dos veículos, lhe dando um bom prazer ao gastar o dinheiro conquistado.

   E o mais inovador foi a inclusão da mecânica de especial de cada personagem. Agora existe uma barra que caracteriza a especialidade. Franklin possui o bullet-time, onde entramos em câmera lenta aos disparar uma arma. Michael o que podemos chamar de driving-time, no qual o tempo desacelera proporcionando movimentos mais bruscos ao pilotarmos um veículo. E Trevor o modo berserker, que o deixa mais insano recebendo menos dano quando for entrar em combate.

  • Tudo corria muito bem, até que...

   Por mais que a Rockstar tenha impressionado, é perceptível encontrar pontos fracos dentro do jogo. E um deles está entre os protagonistas. O nível de profundidade de cada um não é nivelado ao ponto de extrairmos o mesmo nível de experiência. É fácil notar o papel de cada um deles imposto pela empresa. Aqui nós vemos que Franklin nada mais é que o elemento de interseção entre os outros dois. Seja para apaziguar uma situação ou para uni-los. Sua história particular não é tão interessante e não tão bem explorada dentro da trama quanto a dos outros personagens e algumas de suas missões podem também desagradar a muitos. E dentre elas, algumas não farão sentido.

  No caso do Trevor, ele seria a ferramenta de diversão do jogo. Um personagem totalmente extravagante e inédito com cenas que não saem da cabeça. Mas em certos pontos, sua insanidade pode ser demais para o gosto de algumas pessoas. E sua profundidade não é o ponto alto.

   E destoando de todos, Michael é o mais aprofundado e explorado dentro do jogo. Vários recursos são colocados para a imersão de seu enredo, como por exemplo a ida ao psicólogo. É notável que a Rockstar o escolheu como sendo a base e a estrutura de todo o enredo, tornando-o talvez, o personagem principal.

   Esse desnivelamento entre personagens mostra que era realmente difícil apresentar essa inovação na franquia, e esperamos que no próximo, se voltar a ser usado, seja o mais conexo possível.

  • Ficou faltando algo

   O resultado final está totalmente interligado à expectativa gerada no momento em que uma empresa começa a mostrar o seu produto. E em GTA V foi mostrado toda a imensidão de seu mundo e como ele seria. Depois de Red Dead Redemption, que mostrou a forma definitiva de como interagir com a fauna e flora, todos esperavam o mesmo sendo aplicado ou até mesmo melhorado, mas a decepção foi o que apenas encontramos.

   A fauna, que está longe de ser extensa, rapidamente se mostra sem importância para o gameplay. Há uma tentativa de interação quando encarnamos o Trevor, mas a caça adaptada é interessante apenas no início, fazendo com que o jogador esqueça que ela exista dentro das outras opções no grande mundo. Faltou uma conversa melhor entre fauna e gameplay, assim como apresentado em RDR, e Assassin's Creed III, por exemplo.

   A trilha sonora original é praticamente inexistente. Não há uma trilha que fique na memória do jogador. Dentro do que já vimos nos jogos, GTA V fica atrás de diversos produtos que marcaram esplendidamente a indústria dos jogos.

   Outra decepção está no resultado pós propaganda que fizeram sobre o mapa e tudo que há para se fazer nele. Foi falado que além de ser imenso, você sempre estaria fazendo algo dentro dele. Mas não é bem assim que funciona. O mapa não é tão enorme assim. Não está nem entre os dez maiores já feitos. A questão é que ele é tão detalhado, que faz parecer uma imensidão. E com relação às atividades, além de missões secundárias, não há tanta importância ao se visitar o mundo após o zeramento, por exemplo. Você sente que o mapa não foi tão bem explorado, tendo locais que se você não visitar, o jogo não te impulsionará até eles. De fato, a Rockstar possui um grande potencial de preencher esses espaços com densas DLC's.

   Uma observação a ser feita também, é sobre o downgrade mostrado no jogo. Por mais que seja extremamente bonito, sendo um dos melhores gráficos da geração, o produto que foi apresentado continua não sendo o mesmo que foi vendido. Vegetação bastante diminuída e texturas que deixam a desejar, são uns dos exemplos dessa queda gráfica.

  • Enredo que decai, ação forçada e o gosto que seria algo mais

   Com certeza esse é um dos enredos mais interessantes e ricos da franquia, mas além de rapidamente percebermos o desnivelamento entre personagens, vemos também o quanto ele desanda no último ato. E o pior de tudo é como a história é finalizada. Junto a isso, nós temos uma forçação desnecessária da Rockstar ao colocar o jogador para fazer uma grande escolha no final, na qual fere completamente a construção do enredo e do personagem, no caso, o Franklin. Foi apenas uma situação colocada de graça e forçada para gerar uma complexidade a trama. Infelizmente não funcionou.

   E dentro do prometido "jogo de assalto", o sentimento de "poderia ter mais foco" fica intenso na mente do jogador. Deixaram crescer uma expectativa que o mapa estaria aberto para a realização de assaltos, e isso não acontece. Você só verá essa mecânica no modo multiplayer, que não enche tanto os olhos depois de vinte minutos de uso. 

   Ao iniciar o jogo, você é jogado dentro de um grande assalto a banco, e a partir dali, projeta em mente um gameplay de assaltos e perseguições, mas tudo isso esfria ao desenrolar do game. De uma missão de assalto a outra, se demora um grande tempo, e a quantidade é bem pouca, apesar de serem muito bem executadas.

   Ficou apenas o gostinho de vermos um possível grande jogo de assalto em foco da Rockstar.

   Entre qualquer tipo de falhas, Grand Theft Auto V é uma obra excelente e obrigatória de ser experimentada pelo público gamer. Espere pela melhor experiência já vista dessa franquia que arrecadou recordes impressionantes em todo o mundo.

9.5 9.5 10
Overall
10 Gameplay
9.5 Story
9.0 Music
9.5 Graphics
Uma continuação extremamente melhorada
Três personagens jogáveis numa mecânica perfeitamente utilizada
Visual de peso em relação ao antecessor
Mundo vasto e rico em detalhes
Finalização mal sucedida do enredo
Personagens com profundidade desnivelada
Exploração e distribuição de missões pelo mapa

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