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andre_andricopoulos André Zanetti Andricopoulos

Um gamer viciado em SHARE (fotos).


about 5 years ago 2014-03-18

BioShock Infinite

           O game já inicia com o personagem acompanhado de duas pessoas num bote a caminho de um farol. Você é Booker de Witt, um investigador que deve procurar e resgatar uma garota aprisionada na cidade flutuante de COLUMBIA no intuito de quitar suas dívidas com jogos de azar e bebedeira... Mas há muito mais por trás de tudo isso e certos detalhes serão compreendidos pelo jogador apenas no final assim como numa segunda jogada. Os produtores resolveram apostar no mistério e na construção da história aos poucos.

   A primeira coisa a se notar são os belos gráficos. As ondas do mar, o céu nublado trovejando sob uma fraca chuva, as paredes molhadas... Porém algo já me incomodou no início: não podemos nadar no mar e explorar o entorno do farol. É estritamente linear o caminho até os céus de COLUMBIA. E que diabos é COLUMBIA? É uma cidade flutuante com muita ênfase na cultura americana inclusive seus preconceitos de uns tempos atrás (racismo, xenofobia, maçante trabalho industrial...) e também nessa ideologia de supremacia americana / superpotência. O game se passe inicialmente em 1912.

    Deve – se lembrar de que BIOSHOCK não é um típico 1st person shooter. Ele possui muita ênfase na exploração e história. E o início é um ligeiro passeio assim como muita exploração (afinal você irá precisar de muito dinheiro se quiser evoluir armas, vigores/magias/poderes ou ainda comprar itens em gerais). Já na cidade e procurando pela tal garota, você se vê envolto à uma comemoração que se assemelha ao feriado 4 de JULHO (Independência) dos EUA. Por toda a cidade há uma fervorosa crença religiosa acerca da “ovelha” (no caso ELIZABETH, a garota que você deve resgatar), o “falso pastor” (no caso, você) e como os cidadãos devem ficar atentos à sua chegada. Da mesma forma que na Bíblia o número 666 marca a “BESTA”, o falso pastor é marcado com as iniciais AD em sua mão (e você percebe tal marca em sua mão...).

    Não demora muito até você ser pego pelos cidadãos e o caos iniciar. Primeiramente você adquire o vigor (que representa seus poderes) de POSSESSÃO e, na minha opinião, um dos mais geniais: possua máquinas inimigas ou pessoas inimigas para lhe auxiliarem no combate. Humanos possuídos, ao fim da possessão, se suicidam. É “lindo” ver isso. Você também irá adequar ao seu braço um gancho para que possa percorrer a cidade como se estivesse numa “montanha russa”, e também realizar ataques corpo a corpo. Neste ponto, a aventura “oficialmente” começa.

    GRAFICAMENTE o game está belo e irá fazer com que você constantemente pare para apreciar: crianças brincando nas ruas, beija flor numa praça florida, o sol, a praia, fogos de artifício no céu, efeitos dos vigores (poderes), poeira sobrevoando uma loja destruída... Porém temos falhas irritantes, basicamente nos detalhes (como texturas feias nas grandes estátuas... repare um pouco antes de encontrar Elizabeth).

    Há pouca interação com o cenário: uma bola de fogo não irá queimar o ambiente e os objetos neles inseridos, ao não ser poças de óleo. Vitrines raramente são quebráveis, cadeiras são grudadas no chão, mesas não tombam, lustres não se mexem, cidadãos da cidade não se movimentam como em GTA V... eles simplesmente falam coisas pre estabelecidas e não andam pela cidade. A bela água no início do game torna-se cômica e feia em certos momentos, como um cano estourado no porão de uma loja (parecem gráficos de PS2). Há muitos elementos pegando fogo, porém o fogo não consome nada. O efeito é aquele e se você ficar parado olhando...nada irá mudar. Exemplo: uma árvore pegando fogo ficará eternamente pegando fogo. Não se estende a outros lugares ou não se extingue.

    Outro exemplo: bem adiante no game, os rebeldes atiram numa enorme placa de NEON escrita FINK INDUSTRIES gerando efeito de dano... na sala seguinte há outra dessa enorme placa. Tente atirar: NADA ACONTECE. É feio, estranho e esquisito. Também não é possível quebrar lâmpadas/holofotes, o que poderia adicionar elementos stealths bacanas como vistos em METRO ou DISHONORED. Certas interações não fazem sentido: PRA QUE ABRIR/FECHAR TODAS AS PIAS E DAR DESCARGA EM TODOS OS VASOS SANITÁRIOS? Mais coisas incomodam: atire num pássaro. Ele continuará VIVO!

    Mais exemplos: na praia, dois pássaros bugaram. Ficaram “paralisados”. Não voavam ao passar perto deles. Ficou lindo ver as crianças enchendo baldes de areia e jogando de volta na praia... mas um castelo de areia não irá desmontar se você atirar, ou pisar, ou “socar com gancho”. Você não consegue passar sob esse castelinho de areia... deve ser castelo de concreto! As bolas na praia chegam a beirar o ridículo: NÃO ROLAM, estão coladas no chão. Outro exemplo: baratas não morrem se você atirar nelas e muito menos irão se espantar com sua presença. Ficarão ali literalmente como “baratas tontas”. A sensação que INFINITE passa é que ele é belo, porém bastante “plastificado”.

    O GAMEPLAY mantém-se muito parecido com os demais BIOSHOCK'S. Numa mão segura - se a arma e na outra os vigores (poderes). Um simples toque irá causar um efeito, e segurando o botão e depois o soltando criará “armadilhas” ou uma potência mais forte. Os efeitos colaterais que estes vigores geram na mão do personagem são hilários (suas unhas crescem, sua mão pega fogo...).

Também achei este BIOSHOCK o que possui uma melhor seleção de poderes e possibilidades de combinações. Ao invés de descrevê-los, clique no vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=RsAImt5tv-s

     Uma novidade é o gancho a ser utilizado nos TRILHOS AÉREOS (ora, é uma cidade flutuante e este é um dos sistemas mais irados para se locomover entre as áreas). Você pode atirar enquanto pendurado nos trilhos ou fazer um “ataque aéreo” (se jogar de cima para baixo no cidadão e acabar com sua vida... ou boa parte dela). Isso gera uma gama imensa de possibilidades em combate. Inclusive de fuga (com o analógico você controla a velocidade nos trilhos). Seu escudo se quebra constantemente e, sem ele, sua energia será drenada. Fuja pelos trilhos, recupere o escudo, e continue o combate.

     Algo genial é a inteligência artificial de ELIZABETH. Cheguei a arrepiar (NOSSA, QUE GAY!) quando o game escreve “VOCÊ NÃO PRECISA CUIDAR DE ELIZABETH DURANTE OS COMBATES... ELA CUIDA DE SI MESMA”. Caramba... foda d+! E é verdade: ela se esconde em situações de perigo, te auxilia dando munições, energia, lhe chama atenção para itens importantes que você deixou passar como VOXOFONES e GAZUAS (grampos para abrir cadeados). Ela até te chama “PSIU, OVER HERE...” ou “GRAB THAT LOCKPICK”... Há um certo humor na empolgação da personagem acerca dos acontecimentos do mundo (afinal, ela viveu aprisionada numa “torre/estátua”), como ocorre na praia ao escutar um grupo de pessoas dançando e tocando instrumentos...

Elizabeth possui o dom de abrir fendas no TEMPO/ESPAÇO... o que lhe auxilia em combate: há opções de chamar um autômato para ser seu aliado, ou um balão armado, gerar poças d’água, uma distração (um boneco que distrai os inimigos) e assim segue...

Os inimigos também estão de parabéns com a inteligência artificial: sobem escadas, avançam, recuam, fogem, sobem nos trilhos com seus “aero ganchos” e, muito raramente acontecerá alguma deficiência neste aspecto... Para auxiliar nestes confrontos, podemos nos equipar com BOTAS – CALÇAS – CAMISAS e CHAPÉUS que nos concedem habilidades especiais (como munição extra, queimar/eletrocutar inimigos quando eles lhe concedem dano...). Infelizmente não temos um espelho para ver tais mudanças no visual...

    Tive problemas (bugs) em ficar travado no cenário (04 vezes): uma vez ao saltar de um aerotrilho (fiquei num pé de uma imensa estátua e só consegui sair me matando com minhas próprias bazookas... e numa outra lutando contra um HANDYMAN (ae é sacanagem). A pior foi no encontro com a esposa do CHEN LIN no altar... ela bloqueava meu caminho e o personagem não conseguia passar. Foi necessário dar QUIT e reiniciar novamente o checkpoint 2x. Também não tinha a possibilidade de me jogar andar abaixo devido uma parede invisível. Outro bug esquisito é solicitar ELIZABETH para abrir um COFRE TRANCADO ou PORTA... se você retornar mais tarde neste local...ela acaba falando “HUM... I THINK I CAN UNLOCK THIS ONE...” problema é que... já foi aberto, minha filha!

HISTÓRIA: Por toda a cidade você irá encontrar CINETOSCÓPIOS (vídeos curtos) e VOXOFONES (gravações de áudio) que irão auxiliar na construção da história e dos fatos acerca da cidade...e da garota...e até mesmo...de Booker de Witt. A cidade de COLUMBIA é um show a parte, com seus prédios em meio às nuvens (fato possível devido a pesquisa científica dos “irmãos gêmeos” LUTECE, tudo baseado em física quântica). Há muitos maquinários / autômatos espalhados pela cidade, como CAVALOS (que não se cansam e nem precisam beber água), ou os “PATRIOTAS” que no game, acabam sendo um grande desafio enfrenta-los (são estátuas mecânicas carregando belíssimas “GATLING GUNS” para te fuzilar). Estes em questão são assustadores com suas vozes robóticas. Tão assustador quanto é o HANDYMAN mencionado acima, que são pessoas à beira da morte que conseguem manter uma sobrevida num corpo gigante de metal... com um coração bombeando no meio (pense num ROBOCOP gigante da época de 1912...)

    Detalhes na cidade contam boa parte da história. Os negros são tratados como escravos, há distinção entre um banheiro para brancos e um banheiro para negros (chegam a comparar negros com cães...basta domesticá-los...). Além do racismo e xenofobia, ressalta-se bastante sobre a era industrial, nos remetendo ao cômico filme de CHARLES CHAPLIN – TEMPOS MODERNOS onde os trabalhadores seguem como “robôs” realizando suas tarefas. FÉRIAS? QUE BLASFÊMIA. Há espalhados por todo o canto para que o trabalhador “BE THE BEE” – para que tenha o comportamento de uma abelha... que não para de trabalhar.

Envolto a esse caos, também há uma guerra ocorrendo entre a ELITE e aqueles que apoiam os FUNDADORES e a massa da população excluída e desvalorizada que criaram um grupo chamado VOX POPULI (algo como A VOZ DO POVO).

DIVERSÃO (8.5): Essa excessiva exploração e combates escassos e rápidos afetam drasticamente a diversão. Aqui mesmo no ALVANISTA ouvi um “não me empolguei”, na gamespot um gamer deu nota 1 para o game achando – o chato. Eu tive alguns poucos momentos de tédio PORÉM sou um gamer que adora explorar. Portanto se você é fã de CALL OF DUTY, BATTLEFIELD... fico me perguntando se irá gostar de BIOSHOCK INFINITE (nos games anteriores era tudo mais dinâmico).

    Imaginei que você poderia adentrar residências alheias e sofrer com tal invasão. Fato é que raramente o game permite adentrar alguma residência e os moradores NUNCA reagem à sua invasão. Ao entrar em lojas (sorveteria, bar...) você pode optar em roubar a caixa registradora, o que irá gerar CAOS. Isso é legal mas, também, raramente acontece. Certos cidadãos você pode optar entre matá-los ou deixa-los viver PORÉM... não fará diferença nenhuma tendo em vista que seus bolsos vivem vazios E não há dilemas morais como ocorria com as LITTLE SISTERS...ah, que saudade de RAPTURE!!!

    Existem sidequests a serem completadas, e basicamente resume-se a encontrar uma chave para um baú ou decifrar com o auxílio de Elizabeth códigos que o levarão à passagens secretas... É um aspecto bacana e divertido no game, porém nada excepcional. Algo que BIOSHOCK sempre me cativou é que não se trata de tiroteio desenfreado: temos uma boa trama, parte exploração, parte combates, parte estratégia... PORÉM...excederam a exploração e diminuíram o combate (são divertidos demais com uma gama imensa de ataques, porém os combates são escassos).

Muitos detalhes esquisitos já citados acima cortam um pouco a imersão no game e consequentemente a diversão. Um exemplo ainda não citado acima: há um cidadão sentado na mala de viagem dele... e você vasculha tal mala e rouba seus pertences (dinheiro, comida...) e ele nem reage.

TRILHA SONORA é 10, com belíssimas músicas cantadas, orquestradas... e que dão um clima de imensa tensão ao iniciar um combate. Um exemplo é o início do game com a bela e religiosa “WILL THE CIRCLE BE UNBROKEN”. É uma marca registrada de BIOSHOCK ter trilhas incríveis. O Áudio (9.0): em geral é bom porém peca em pequenos detalhes. Vidros se quebrando soam muito “feio” para os ouvidos e, mais uma vez, parece um áudio extraído de games de PS2. Porém a cidade está vívida com as pessoas conversando, rindo, som de vento, trovão, choros, sussurros, inimigos falando, pássaros, córregos de água, passos, tiros...

TRAILER: http://www.youtube.com/watch?v=5Mrr-0p-kkg

9.0 9.0 10
Overall
8.5 Gameplay
8.5 Story
10 Music
9.5 Graphics
Diversas estratégias a serem elaboradas em combate.
Inteligência Artificial dos inimigos e de ELIZABETH
Temas abordados (religião, racismo, trabalho industrial / leis trabalhistas...)
Gráficos e as trilhas sonoras também
Combinações de VIGORES (as magias/poderes)
Não é tão empolgante quanto as demos mostradas em 2010 e os BIOSHOCK'S anteriores ...
Bugs (travar no cenário)
Os AUTÔMOTOS não causaram o impacto dos BIG DADDYS e suas LITTLE SISTERS...
Excesso de exploração, tornando-se tedioso.
Certos detalhes (bola, cadeira grudada no chão...)

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