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mateusfv Mateus Vailate

Listen to my story... cause, WHAT COULD POSSIBLY GO WRONG??? if all bends to my will


about 1 year ago 2018-07-24

Shin Megami Tensei: Digital Devil Saga

"From illusion to truth, from darkness to light, from doom to eternity..."

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Shin Megami Tensei: Digital Devil Saga ou Digital Devil Saga: Avatar Turner como é conhecido no Japão é o primeiro jogo da série Digital Devil Saga, sendo este um dos vários spin-offs de Megami Tensei.

Assim como outros spin-offs de Megaten, Digital Devil Saga possui um gameplay diferente dos jogos principais numerados, ao invés de se aliar com demônios e fundi-los para que se tornem mais poderosos, aqui os personagens da trama se transformam em demônios, sendo este spin-off algo bem mais próximo de um JRPG tradicional.

Os personagens principais da trama da esquerda para a direita: Gale, Cielo, Sera, Serph, Argilla e Heat.

A premissa do jogo segue da seguinte forma: Em um local chamado "Junkyard" 6 tribos conhecidas como Maribel, Embryon, Vanguards, Wolves, Brutes e Solids estão em uma guerra constante, em uma dessas batalhas a tribo Embryon entra em confronto contra os Vanguards, Serph o líder da tribo Embryon e protagonista do jogo encontra um objeto misterioso (semelhante a um ovo) ao tentar se aproximar do mesmo, um feixe de luz cai do céu e o destrói, liberando vários feixes de luz que atravessam todos os moradores do Junkyard, logo após isso eles perdem o controle e se transformam em demônios matando alguns dos inimigos presentes e os comem, ao acordarem no local onde avia o "ovo" agora a uma garota de cabelo preto, eles resolvem levá-la com sigo e retornam para a sua base, aonde recebem uma mensagem do templo (o local que aparentemente rege todo o Junkyard) que convoca todos os lideres das tribos para uma reunião, ao chegar lá Serph e os outros lideres são abordados por uma entidade que se denomina "Angel" e ela explica que a nova lei do Junkyard é: comam todos os seus lideres inimigos e tragam a garota de cabelo preto, assim vocês poderão entrar no Nirvana (uma espécie de paraíso).

Jogabilidade/Gameplay

Apesar de utilizar da mesma engine de Nocturne, Digital Devil Saga trás mudanças significativas em seu gameplay, tudo para acomodar uma história focada apenas em personagens humanos.

Como sistemas de turnos temos a volta do famoso press turn utilizado em Nocturne, funcionando basicamente da mesma maneira, algumas de suas diferenças são: ao invés das 4 ações da party por turno e 4 personagens na tela de batalha, agora são 3 ações por turno e 3 personagens na tela de batalha, além disto ao atacar um inimigo com sua fraqueza, além de receber uma ação a mais, agora também é possível que o inimigo fique com "medo", um inimigo com medo pode ser comido com algumas habilidades especificas, ao ser comido durante a batalha, todos os pontos de Atma que seriam distribuídos a party, serão dados apenas ao personagem que o comeu, isto torna o grind por habilidades bem menos massante e demorado.

Falando em Atma points, agora além dos pontos de experiencia adquiridos ao final de uma batalha, também são adquiridos Atma points, estes são obtidos pelos personagens ao comerem os corpos de seus inimigos após a batalha, estes servem como pontos de upgrade para o personagem, enchendo a sua barra de Mantra, mas afinal oque são os Mantras?

Exemplo de batalha em Digital Devil Saga.

Mantras são "arquivos" que o jogador pode fazer o download em pontos de save, cada Mantra é composto por algumas habilidades de um tipo, como exemplos temos: Mantras de cura, ataques físicos, caça, magias de morte, magias de luz, magias elementais (fogo, gelo, terra, vento e eletricidade) , entre outros, após a barra de Mantra ser preenchida pelos Atma points o jogador receberá um set de skills baseados naquele Mantra, além disso com a barra preenchida é possível que o jogador vá a algum ponto de save e faça o download de outro Mantra.

Uma outra diferença em Digital Devil Saga é que enquanto em Nocturne as habilidades eram aprendidas com o passar dos levels e era possível apreender apenas 8 habilidades (sendo necessário descartar uma de suas 8 habilidades para aprender uma nova ), aqui o jogador inicia com 4 espaços para se aprender habilidades, ganhando mais 2 espaços no lv 10 e mais 2 no lv 20, somando novamente 8 espaços assim como em Nocturne, mas diferente deste todas as habilidades aprendidas são salvas em um menu, sendo possível fazer a troca de habilidades a qualquer momento, facilitando a montagem de uma build para cada momento dentro do jogo.

Diferentemente de Nocturne onde existia um Overworld para o jogador navegar, aqui tudo é feito através de uma seleção de áreas por um menu.

Apenas fazendo um adendo na questão das batalhas, apesar de ela ser composta por apenas 3 personagens é possível fazer a troca de um personagem por outro durante a batalha, mas isto consome uma ação do jogador, também é possível caso o jogador deseje, retirar um ou mais personagens da batalha, deixando assim de 3 a apenas 1 personagem por batalha.

Além disto os personagens normalmente começam uma batalha nas suas formas de demônios, mas a casos em que a party é surpreendida, começando as batalhas em sua forma humano, sendo possível fazer a troca para demônio e vice e versa.

Gráficos

Assim como em Nocturne, Digital Devil Saga adota do visual cel shadding e da arte de Kazuma Kaneko, tanto para personagens humanos quanto demônios, porém possui um clima bem diferente de Nocturne.

O Character Design do Kaneko como sempre é surpreende-te.

Junkyard é composto em sua maioria pelas 6 cidades de cada tribo, com a torre do templo ao meio, formando assim um circulo, mas existem algumas outras construções ao seu redor, como um parque de diversões abandonado, um navio de guerra e cidades abandonadas.

História

Infelizmente este é o aspecto mais fraco do jogo, apesar de possuir uma boa premissa e um bom desenvolvimento de personagens em seu começo, isto logo é abandonado em favor de apresentar novas informações ao jogador, porém ao apresentar estas informações, nenhuma resposta é dada sobre as mesmas, nem sobre os aspectos mais básicos daquele mundo, esperando que o jogador possua algum interesse em descobrir estas respostas juntamente com os personagens.

E aqui vai outro ponto fraco do jogo: o cast

Apesar de o jogo começar com um desenvolvimento interessante de 3 personagens (Heat, Argilla e Serph) a partir do momento que o Gale entra na party este desenvolvimento acaba e se torna nisto:

Gale e sua famosa frase que representa muito bem o sentimento do jogador.

A partir daqui todos os personagens se tornam basicamente robôs, sempre dizendo as mesmas frases "este lugar me é familiar", "eu conheço está pessoa de algum lugar", "Estranho por que não consigo me lembrar", praticamente todos os diálogos deste ponto pra frente vão ser compostos destas frases, tirando qualquer carisma ou sentimento de aproximação dos personagens com o jogador.

E isto segue até o final do jogo, aonde ocorre um "imenso" plot twist, mas ainda sim nada é explicado, todos os personagens continuam parecendo robôs e só surgem ainda mais dúvidas.

E este é outro ponto interessante de se deixar aqui, este jogo foi planejado com uma sequência em mente e por algum motivo imaginaram que seriam interessante deixar todas as respostas apenas nela, as coisas mas simples sobre o mundo deste jogo você só vai encontrar as respostas em sua sequência, deixando o primeiro jogo com cara de um "filler" aonde para se compreende-lo é necessário jogar a sua sequencia, oque não faz o menor sentido, pois mesmo que já ouve-se uma sequencia planejada, o primeiro jogo deviria ter sido feito pensando em fazer um plot coerente que pudesse ser experienciado sozinho, oque este jogo não fez, deixando ele totalmente interpretativo ao jogador.

Oque não seria ruim, caso fosse um jogo em que o plot não é o foco principal, como foi feito em Nocturne, mas este jogo tenta demais fazer um plot interessante pra oque ele apresenta neste primeiro jogo.

Música

Assim como em Nocturne a trilha sonora de Digital Devil Saga foi composta por Shoji Meguro, mas novamente diferentemente de Nocturne que possuía uma trilha bem variada com guitarras, teclados, sintetizadores, etc, Digital Devi Saga possui uma trilha menor e com menos variação sendo mais puxado para o rock, possuindo bastante rifes de guitarra em suas músicas, com algumas possuindo alguns sintetizadores e não possui nenhuma música com vocais como em Nocturne.

Porém ainda sim é uma ótima trilha como todas compostas pelo Meguro.

https://www.youtube.com/watch?v=BKJo4uC9o_o

Exemplo da trilha de Digital Devil Saga.

Considerações finais:

Digital Devil Saga é um bom jogo, com uma ótima jogabilidade por turnos, excelente trilha sonora e boa ambientação, porém tenta demais criar um plot coerente e interessante, algo que falha miseravelmente em ter como jogo solo, pois para o minimo entendimento de algo em sua trama é necessário que se tenha conhecimento do 2º jogo.

Sendo sozinho um jogo totalmente interpretativo e que ao seu final traz apenas frustração, pois do seu começo ao fim é cheio de questões sem respostas, desistindo de criar qualquer desenvolvimento de seus personagens logo no seu inicio, para dar vez as questões e mais questões que este jogo levanta e não responde.

8.0 8.0 10
Overall
9.0 Gameplay
5.0 Story
10 Music
8.5 Graphics
Ótima jogabilidade por turnos
Excelente trilha sonora
Boa ambientação
Pseudo plot que não se desenvolve para lugar algum
Trama totalmente interpretativa, caso o jogador não possua o conhecimento de sua sequência
Personagens sem carisma que mais parecem robôs, sempre repetindo as mesmas frases

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