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vine Vinicius Do Prado Vieira

Leeeeettt's paaaarrrty... If you think you can keep up


almost 6 years ago 2014-02-28

King's Field II

  • Introdução e primeiras impressões:

Pois bem, como fan da série Souls, decidi checar os outros trabalhos da From Software por gostar da filosofia da empresa ao fazer seus jogos, principalmente aqueles voltadas à fantasia medieval e exploração de calabouços.

Fui sem esperar muita coisa, sabendo que era um jogo antigo, mas a curiosidade me levou a baixar a ISO (sou pirateiro, sou guerreiro) e testar um pouco. De início, não me empolguei muito não, os controles pareciam datados, os gráficos não envelheceram muito bem (mal de todo jogo 3D de PSX) e o jogo consegue ser ainda mais críptico que a série Souls sobre o que ou quando você tem que fazer, é literalmente um jogo sobre se aventurar e achar seu caminho pra consumar o destino do jovem príncipe Lyle Austin Forester. Dei mais uma chance pro jogo num outro dia, e acabou que engrenou, fui jogando, jogando (sou fumante e até esqueci do cigarro, de tão centrado que tava na experiência, são RAROS os jogos que conseguem causar esse efeito) e quando vi, já tava "curtindinho" o jogo, passei a simpatizar com as mecânicas e o design e achar aquilo legal, divertido, queria ver mais o que vinha pela frente. E daí em diante, meu apreço por esse game só foi aumentando e me vi imerso nas aventuras no reino decadente de Verdite. Agora falemos mais sobre o jogo em si:

  • Gráficos e jogabilidade

A princípio, os gráficos não apelam muito pro jogador, são quadradões e com aquela definição linda do PSX (no emulador tem como tacar uns filtros e umas renderizações e deixar bem melhor), definitivamente não envelheceram bem, se você usar a "lente da verdade" e analisar dentro do contexto da época, na verdade são gráficos muito bons pra termos de PSX; mas estou escrevendo esse review em 2014 e simplesmente não posso ignorar o fato de que o jogo é feinho e torto pro nosso tempo e época. Mas o trabalho conceitual em si, é excelente, a atmosfera do jogo é muito boa e bem construída com o que tinham em mãos, e tem praticamente o mesmo "theming" da série Souls, aquela sensação de solidão constante, poucos sobreviventes numa "catástrofe progressiva" causada por forças sobrenaturais, os locais do jogo com suas histórias de fundo e os NPCs te contando essas histórias com o jogador encontrando vestígios das das mesmas através do próprio cenário. A jogabilidade também parece atrasada, é um pouco, "muddy", como os fans americanos definem, o jogo é em essência um RPG focado em combate, na perspectiva de primeira pessoa onde você anda pra frente e pra trás no d-pad, ajusta o ângulo com esquerda e direita no d-pad e se move linearmente pros lados com R1 e L1 além de usar R2 e L2 pra olhar pra cima e pra baixo, respectivamente; e é um jogo lento que demanda um pouquinho de paciência e detecção de padrões nos monstros pra vencê-los e aprender a combatê-los com máxima eficiência, o jogo também conta com um sistema de "tipos de golpes" que podem ser cortes (slash), contusões (blow) ou perfurações (stab), cada arma tem seus valores distribuídos entre esses 3 tipos além de atributos mágicos que vão de divino e obscuro (dark) até os famigerados 4 elementos naturais muito usados nos RPGs (terra, fogo, vento e água), algumas só possuem um tipo de ataque e um de magia (e portanto não são boas escolhas pra certas lutas, use senso comum pra escolher a melhor arma pra cada situação, alguns NPCs te darão dicas bem claras nesse sentido).

                                   Tela de status simples com as informações citadas antes

E exploração é fortíssima nesse jogo, esse jogo te pune por duas coisas: ser preguiçoso na hora de explorar, dada a gigantesca quantidade de paredes falsas e outros tipos de segredo nos mapas, que algumas vezes contem itens ótimos pra sua progressão no jogo e caso você progrida sem eles... vai sofrer; te pune também pelo mesmo motivo que as pessoas abandonam  os jogos da série Souls: ser estabanado, não analisar as situações em que você está se jogando, não prestar atenção nos arredores e tentar levar tudo no peito ao invés de fazer as coisas da forma esperta e não da "braindead".

               Mapa razoavelmente detalhado de uma área do jogo (evite ler a "player's note")

(Retirado de: http://www.neoseeker.com/resourcelink.html?rlid=25...

A jogabilidade é bem construída dentro do seu próprio design, ela pode parecer faltante por ser slow-paced e pelo personagem demorar um pouco pra virar, mas é tudo muito bem construído pra funcionar com essas mecânicas; se fossem pelas mecânicas em si e somente elas, eu daria um 6 pro jogo porque ele poderia ter melhorado em vários aspectos, mas como o design do jogo funciona muito, muito bem com a jogabilidade, dei um 7 porque o combate é divertido e engajante quando você pega o jeitão dele, além dos monstros oferecerem uma boa diversidade de padrões pra você aprender a lidar: alguns você tem que ficar circulando (parecido com Souls!), outros você tem que esperar uma brecha (um golpe no vento, por exemplo) pra poder atacar com segurança e outros você tem que fazer aproximações rápidas pra circular em torno deles por terem bons ataques de longo de alcance. É um combate engajante e que funciona em seus termos, e conforme você progride no jogo, se você der ao trabalho de explorar, vai ganhar bons incrementos nessas mecânicas que eu não vou citar aqui pra não tirar a graça do jogo, mas essas coisas que você pega durante o jogo dão uma atualizada sensacional no personagem e tornam o jogo muito mais divertido.

  • Música, ambientação e enredo


Bom, nada melhor do que experienciar um teco da trilha sonora ao invés de eu dissertar sobre ela pra você, não?

https://www.youtube.com/watch?v=11ddwbPxNl4

Esse é o tipo de música que você vai ouvir pelo jogo, de início, você vai ouvir muita repetição por não ter acesso muito dinâmico às diferentes áreas do jogo; já que o gatilho das músicas são as áreas onde você entra. Mas como a maioria delas é MUITO bem composta, são músicas "cheias" e com muito "corpo", com detalhes melódicos muito bem produzidos, com bases bem audíveis (toda música parece ter um contrabaixo bem aparente, e eu curto muito isso). Ah é! O jogo NÃO TEM LOADINGS DURANTE O GAMEPLAY, e eu honestamente achei isso sensacional pra um jogo de PSX, são poucos os jogos que conseguem isso, é muito bom jogar esse jogo por esse motivo e ele parece todo integrado por isso, em compensação você consegue perceber que um "resquício" desse "fast-loading" é que você tem uma área de visão limitada, mas isso também serve como ferramenta de design pra aumentar o suspense e a tensão nos calabouços, tipo: "O que eu vou encontrar ali na frente... será que eu vou ou volto melhor preparado?"; e aliás, esse é um aspecto bem único desse jogo, acho que essa ambientação incrível não seria possível se o jogo fosse mais rápido e tivesse uma jogabilidade muito mais dinâmica do que tem, ambientação e jogabilidade têm uma sinergia incrível nesse jogo. 

                                   Definitivamente há algo ali na escuridão, mas o quê?


O enredo do jogo é simples e direto, é a tradição que os sucessores espirituais também herdaram: você é o príncipe Lyle Austin Forester nesse jogo, é dada a missão pra você de quebrar o selo do castelo e derrotar seu pai que ficou maluco e está trazendo grande desgraça pra Verdite, mas que já foi tido como um rei excepcional e que aparentemente veio das classes baixas e por isso teve muito prestígio, mas na situação de agora, as pessoas estão sem fé e esperança, algumas inclusive se recusam a conversar com você por ser filho do rei que trouxe toda essa desgraça pra Verdite, que agora é lar das mais diversas criaturas malignas, desde plantas que podem engolir homens inteiros a esqueletos reanimados por magia negra e até as almas perturbadas daqueles que caíram em batalha contra essas bestas malignas. O castelo foi selado por um grande amigo do rei Alfred Forester, Alexander, que foi protagonista do segundo jogo (lançado apenas como King's Field no ocidente) e é também um herói com suas próprias lendas em seu currículo, onde seu feitio principal foi trazer a espada sagrada, a Moonlight Sword, de volta para Verdite, mais especificamente pro rei Alfred; no entanto retorna e encontra Verdite em frangalhos, inundada pela influência maligna que tirou a vida de muitos e tornou a vida dos sobreviventes um inferno na terra, Alexander decide selar o castelo e evitar que o mal se espalhasse ainda mais, Alexander colocou toda sua força vital no encantamento pra criar o selo, e morreu nos arredores do castelo próximo ao que restou da Sword of Moonlight, infelizmente ele não conseguiu dar melhor uso que isso pra espada sagrada e conseguir tirar seu amigo da loucura com que se deparou quando retornou a Verdite. 4 sábios que controlavam as magias de terra, vento, fogo e água, criaram um selo em torno do que restou da espada sagrada, para certificarem-se de que apenas aquele destinado a brandir essa poderosa e divina espada pudesse realmente tocá-la; Lyle (você) é tido como esse salvador que vai brandir a espada e acabar com o tormento de Verdite, embora poucos saibam ou realmente levem a sério essa história, cabe a você provar seu valor pra eles, reacender a chama da esperança e tornar a lenda realidade. Leon Shore, também grande amigo de Alfred e Alexander, é incumbido de auxiliar Lyle nessa aventura para recobrar a paz em Verdite, os 4 sábios contam pra Leon sobre os selos e também dizem sobre mais segredos que o rapaz era destinado a desvendar pra se tornar o herói da lenda recém criada, Leon sabe o suficiente pra encaminhar e ajudar a manufaturar artefatos que Lyle encontra no caminho, mas também não conhece a real magnitude do segredo que o jovem príncipe se deparará ao longo de sua jornada, de início, Lyle só é informado que ele precisa conseguir os 3 artefatos de Ichrius e as magias que os sábios deixaram pra eles dentro de calabouços onde testariam se o jovem é realmente digno da lenda criada em torno de si; os artefatos de Ichrius foram colocados sob a guarda de pessoas de confiança dos sábios e que Lyle precisa retorná-los para Leon. Lyle começa sua jornada em Quist, e recebe uma espada mágica de Leon, a Excelletor, Leon reside numa pequena casa em Quist onde existem alguns sobreviventes no perímetro esquecido pela(s) divindade(s), será Lyle mesmo destinado a aliviar o tormento do povo de Verdite e destronar seu agora insano pai?

  • Considerações finais:


O nome da experiência desse jogo é imersão, e diversão, principalmente se você apreciar o estilo do combate. Você vai se sentir "sugado" pelo mundo do jogo e pelas aventuras e perigos que encontrar no caminho. Vai querer desvendar os segredos e conhecer as pessoas que ainda resistem, as que não tem mais esperança, as que você ainda é capaz de dar uma chama da sua própria esperança no êxito de sua jornada. O combate do jogo é engajante e divertido o suficiente pra querer fazer revisitar certos respawns de monstros, pra se desafiar, e pra ter aquela sensação legal de todo RPG de retornar muito mais forte pra um lugar e os perigos já não parecem mais grande coisa, naquele caminho constante de se tornar um poderoso herói capaz de consumar seu destino.

Pra qualquer um que gosta de RPG e for capaz de apreciar essa jogabilidade depois de pegar o jeito (leva um tempinho, coisa de 1h ou 2h jogando), eu recomendo fortemente que joguem, é um RPG muito bom e com muita coisa a oferecer. E uma lore e enredo muito bem apresentados, como de costume da nossa querida From Software.


*Alterações nas notas: no fim achei que foi meio grosseira a redução que fiz aos gráficos devido ao mal envelhecimento do mesmo, comparei imagens de outros jogos em 3D da época, em especial outros jogos com perspectiva em primeira pessoa, como Quake 64, Golden Eye e Medal of Honor, e definitivamente esse jogo não merece um 6 nesse quesito. Reajustei a nota pra 7, considerando essa análise mais próxima da época e da própria capacidade da máquina pra qual o jogo foi feito. Nota final reajustada e arredondada pra 8 (a média aritmética deu 7,75).

8.0 8.0 10
Overall
7.0 Gameplay
8.0 Story
9.0 Music
7.0 Graphics
Jogo extremamente imersivo, principalmente numa época onde poucos jogos sucediam nisso
Trilha sonora fantástica que combina com a ambientação e te passa a "mensagem" certa sobre o lugar e o momento na história em que você se encontra
Design muito sólido. Em quaisquer instâncias, o jogo funciona muito bem e a maioria de suas regras ficam claras através de escolhas de design intuitivas. Um ótimo exemplo de jogo que melhorou muito com base nos antecessores.
Enredo minimalista como o de seus sucessores espirituais (série Souls), faz boas conexões com os antecessores da série e tem vários mistérios no mundo.
Curva de aprendizado pode ser difícil, existe pouca ou nenhuma explicação sobre boas formas de se jogar ou boas aproximações pro combate (eu diria que esse é um ponto neutro que tem que ser avisado, mas pra maioria das pessoas é algo que acaba afastando, então veio pros "negativos")
Poderia ter feito uso do dualshock pra atualizar a jogabilidade. Também poderia ter um New Game + legal
Menus e interação no geral são um tanto arcaicos, ainda não sei dizer se foi uma escolha de design pra contribuir com imersão ou se foi preguiça, acredito no primeiro mas ainda assim algumas coisas poderiam ser mais práticas como a compra de muitos itens em lojas que nem faz sentido serem arcaicas como são em termos de imersão
Gráficos envelheceram mal, como todo jogo 3D de PSX.

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