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juninhonash Juninho Rodrigues

It's gonna be a hell of a party


about 4 years ago 2015-10-25

Final Fantasy VII

Após anular o contrato com a Nintendo e descartar a possibilidade de um Final Fantasy VI-2 ou de Final Fantasy VII pras plataformas da Big N, Square anuncia que a parte cancelada do que seria o sétimo jogo da franquia migraria pros console da Sony, e assim os projetos continuaram até que em 1997 fora lançado seu sétimo episódio.

Nesse jogo, Cloud, um soldado sem memórias (de novo, outro soldado sem memórias) consegue emprego na Avalanche, como mercenário. Lá temos o líder dela, Barret e através desses dois logo de cara, invadimos a poderosa empresa Shin-Ra que tem consigo todo o monopólio de energia Mako do planeta.

Essa energia mais nada é do que a fonte de vida do planeta transformada, o Lifestream, e nesse jogo o planeta é um ser vivo de forma quase literal, tornando o conceito ainda mais interessante.

Nessa trama Cloud conhece vários personagens no grupo e corrige de maneira exemplar o problema do jogo anterior de grupo com personagens em excesso tendo dessa vez somente sete membros com dois opcionais. Ao invés de mecânicas totalmente diferentes, eles tem propriedades diferentes, Red XIII lida melhor com magia, Cloud é equilibrado, Barret lida com ataques físicos e etc, tudo é bem feito e as “deficiências” (propositais, claro) podem ser sanadas com uso de matérias ou potencializar seus pontos fortes deixando-os ainda mais fortes.

O sistema de matérias é muito mas muito bom e variado mas desnecessariamente demorado pra evolução de matérias adquiridas ao decorrer do jogo, porém é instigante liberar seus estágios de avanço pouco a pouco, podendo usar magias/summons/skills cada vez mais vezes em combate até liberar o estágio Master que libera uso infinito. Não que você precise, afinal o desafio do jogo é ridiculamente baixo. Até mais baixo que do Final Fantasy VI, talvez só não seja mais baixo que do Final Fantasy IV.

Porém, como um todo o sistema deu enormes passos pra trás, tornando as batalhas muito repetitivas, sempre seguindo a mesma receita de bolo enquanto o jogo anterior tinha um sistema único pra cada personagem, permitindo uma imersão mecânica muito maior. Além do jogo ter poucas batalhas no geral, em determinadas partes (caso queira) evoluir exige uma busca insana por batalhas.

Em termos de trilha sonora Uematsu acertou a mão e fez bastante música boa e deu vida à muitas situações e cenas do jogo, além de avivar cidades inteiras com algumas músicas, mas não são todas perfeitas, ainda tem sim, suas músicas esquecíveis e pouco marcantes mas o geral é bem acima da média. Destaque pras músicas como as de batalha que são ótimas e lembradas até hoje com o devido merecimento.

Graficamente como todo mundo à essa altura de campeonato sabe, teve problemas por ter sido projetado pro Nintendo 64 e cancelado e jogado o que tava pronto pro PlayStation, o console tinha sim, um poder gráfico pra algo melhor mas apostaram deixando tudo do jeito que está pra uma possível economia ou extensão do jogo, afinal ele é o maior jogo da franquia no console 32 bits da Sony beirando facilmente as 60/70 horas de jogo numa primeira jogada enquanto os posteriores podem ser terminados em um tempo consideravelmente menor.

Apesar de tudo, dentro de batalha os modelos são consideravelmente bonitos pra época. Os efeitos de magia e summons são simples porém muito competentes.

Conteúdo extra em FFVII é bem legal e contém muitos mini-games diveritdíssimos e que podem ser reptidos na Gold Saucer, além de bastante coisa a ser feita nos mapas, e não é lá muito difícil de entender como funcionam ou de fazê-las, e também tem os dois Weapons secretos, os únicos literais desafios do jogo inteiro.

Apesar de tanto coisa relativamente positiva, Final Fantasyt VII peca no desenvolvimento de alguns personagens como Cid que tem suas conclusões aceleradas demais e sem o merecido desenvolvimento, nenhum deles se esbarra ao nível de detalhes que alguns como Barret ou Red XIII tiveram. Principalmente Red XIII e sua história em Cosmo Canyon.

Outros são totalmente dispensáveis como Caith Sith, e a maioria dos Turks que aparecem o jogo inteiro, eles são apresentados e praticamente não tem desenvolvimento algum na trama, de tão curto que é.

Alguns como Vincent tem pouquíssimos detalhes explicados durante o jogo inteiro, com pontas aqui e ali mas sem o merecido desfecho, e mesmo sendo um personagem opcional, se Yuffie teve, por que não o mesmo foi feito pra ele? Sephiroth é outro que melhora muito como vilão (em relação aos anteriores da franquia) e tem motivações convincentes mas não é difícil ver outros totalmente abaixo do nível dele como Rufus que mal é apresentado e logo em seguida descartado. E depois disso, perde praticamente sua função enquanto vilão.

Apesar dessa montanha russa quando se trata dos personagens, NENHUM deles tem o mesmo nível de background que Cloud e Sephiroth, chegando à pontos onde passamos horas inteiras do jogo focando nos dois, como se de certa forma esquecesse a causa maior ou os outros personagens. O foco neles é tão grande, que dá pra quase esquecer que os outros tem alguma participação da trama, quase como se fossem esquecidos ou o jogo tivesse sido corrido pra que houvesse tantos detalhes bons não explorados.

Tanto é, que a complexidade da personalidade de Cloud é facilmente má interpretada, as motivações tanto dele quanto de Sephiroth beiram um estado psicológico abalado muito interessantes e simplesmente nenhum outro personagem do jogo inteiro acompanha isso.

Além disso, tem uma batalha final consideravelmente sem graça e com uma conclusão fraca que não explica as consequências daquele evento e sem a menor explicação decente pra coisas como Red XIII ter se reproduzido mesmo sendo o último membro de sua espécie, cena que acontece após os créditos do jogo.

Ao meu ver, é o melhor da franquia mas apresenta falhas enormes no desenvolvimento dos personagens ou na possível monotonia de evoluir matérias, além dos eventos finais que não concluem nada com nada.

Mesmo com sua importância histórica (instigar as vendas de Memory Cards, uso de slots em saves, popularização do gênero, etc) o sétimo Final Fantasy é o melhor da franquia e por ser um jogo fácil é um bom JRPG pra se conhecer o gênero, com uma história simples e fácil de entender com personagens carismáticos em sua grande maioria e muito conteúdo extra.

7.5 7.5 10
Overall
8.0 Gameplay
7.5 Story
8.0 Music
6.0 Graphics
Sistema de matérias permite variedade mecânica.
Modos extras muito divertidos
Summons muito fodas como Knights of the Round, Bahamut, Leviathan ou Ifrit
Trilha sonora em grande parte muito boa
Apesar de alguns personagens dispensáveis, o jogo tem muitos personagens bons
O final é horroroso e nada explicativo
Evolução das materias são desnecessariamente longas
Desafio quase nulo
Personagens interessantes como Vincent e Rufus tem pouquíssimo aproveitamento na trama
Bug de dobrar itens

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